CD/DVDEntrevistaLateral

Um violão ecoa pelo Planalto Central

Violonista Alvaro Henrique fala sobre seu CD em homenagem a Brasília. Pills

plavix dosage in cats

As obras de Oscar Niemeyer, o amplo céu do Cerrado e um pouco da vida política na capital do Brasil são alguns dos temas transformados em música no CD Suíte Candanga, do violonista Purchase Alvaro Henrique, recém-lançado pelo selo norte-americano Centaur Records. Terra natal do músico, Brasília tornou-se musa inspiradora de três obras encomendadas por Henrique para homenagear o cinquentenário da cidade (comemorado em 2010).

A primeira faixa é um arranjo de Alvaro para violão da Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Triunfal Brasileiro Pills , de Louis Moreau Gottschalk (Nova Orleans, 8 de maio de 1829 – Rio de Janeiro, 18 de dezembro de 1869). A melodia de outro hino – o dedicado à bandeira – é o ponto de partida melódico de A Reconstrução de Brasília, do compositor pernambucano Carlos Alberto Silva.

Pills online

Em cinco movimentos, a Pequena Suíte Candanga Order , de Mario Ferraro, descreve características físicas e naturais da capital federal. Fatos históricos como a renúncia de Janio Quadros, o milésimo gol de Pelé ou o assassinato de Vladmir Herzog são alguns dos temas de Brasília 50, obra em progresso para violão e tape de Jorge Antunes, carioca radicado na capital federal há mais de 30 anos.

O CD está à venda no site da gravadora ou na página do violonista.

 

Confira, a seguir, entrevista do violonista Alvaro Henrique ao Movimento.com.

cardura for prostate treatment

Movimento.com: Como surgiu a ideia de um CD com repertório voltado a homenagear os 50 anos de Brasília?

Alvaro Henrique: Sou nascido e criado em Brasília, mais exatamente no Guará. Em 2009, estudava na Alemanha, em Nurembergue, e a saudade de casa me motivou a querer homenagear Brasília em 2010, quando se celebraram os seus 50 anos. Brasília é uma cidade muito estigmatizada em função do que fazem os políticos – do qual nem 1% foram eleitos por brasilienses – e essas datas são raras oportunidades para mostrar para os demais brasileiros e os estrangeiros o que há na cidade além do noticiário político.

Movimento.com: Quais os critérios para a escolha dos compositores a quem as obras seriam encomendadas? Fale-nos um pouco sobre as características de cada peça.

CD Suíte Candanga
CD Suíte Candanga

Alvaro Henrique: O repertório iniciou com um desafio ousado: transcrever para violão a Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro, de Gottschalk. Não me lembro de quantas vezes ouvi a Eudóxia de Barros tocar isso, ao vivo ou pela TV, e quando Kazuhito Yamashita me mostrou que os limites do violão são muito mais amplos que os que se exploram, resolvi adaptar essa obra para o instrumento.
A partir daí, comecei a querer mostrar Brasília como a capital de todos os brasileiros. Entrei em contato com um compositor brasileiro que vive ali, um que vive em outros estado e outro que mora no exterior. Jorge Antunes, que mora na capital desde os anos 1970, topou o desafio mais ousado: escrever uma obra em 50 movimentos na qual cada movimento, embora curto, tratasse de um evento histórico ocorrido em cada um dos primeiros 50 anos da cidade. A obra ainda segue sendo composta e no CD estão os movimentos escritos até agora. O pernambucano Carlos Alberto da Silva quis mostrar a importância que os nordestinos tiveram para a construção da capital, que forneceram tantos dos “candangos”, que hoje chamamos carinhosamente de “pioneiros”. Mario Ferraro, que retornou da Inglaterra, escreveu um suíte com ritmos brasileiros e que busca retratar características da cidade, como a beleza do pôr-do-sol e a singeleza das flores do Cerrado.

Movimento.com: Parte do seu repertório é dedicada a obras de compositores brasileiros, particularmente do século 20, como Villa-Lobos, Claudio Santoro, Radamés Gnatalli e Guerra-Peixe. Seu interesse por essas obras é devido às possibilidades interpretativas que elas oferecem ou há algo relacionado ao fato de você ser brasileiro e gostar/achar que deve apresentar artistas nacionais?

Alvaro Henrique: Villa-Lobos é uma grande paixão, e hoje sou violonista em grande parte por causa das suas obras para violão. Se fosse para uma ilha deserta e lá encontrasse apenas a música de Villa-Lobos, ainda seria feliz por toda a vida. Ao mergulhar na obra desse grande compositor, é inevitável também se apaixonar por outros autores que compartilham algumas das características dele ou que dialogam com ele. Ou seja, acabo me voltando à música brasileira por paixão, não porque nasci aqui. Claro que viver no Brasil, frequentar o Teatro Nacional Cláudio Santoro etc., oferecem uma motivação extra para gostar da música desses compositores. Mas toco apenas música que move meu coração. Só assim posso tocar de forma a emocionar outras pessoas.

Movimento.com: Em suas apresentações pelo mundo, que reações tem visto à música brasileira para violão?

Alvaro Henrique: Villa-Lobos é bem quisto em todo o mundo. Há festivais, concursos e séries que o homenageiam da Rússia aos EUA, da Suécia ao Chile. Até argentino toca Villa-Lobos. Quanto a demais compositores, em geral a reação é como a de achar uma nota de R$ 100 no meio de um livro esquecido: a surpresa ao encontrar um tesouro ainda não explorado.

Movimento.com: Mesmo com a importância fundamental para a música brasileira, o violão ainda é um instrumento de pouca representatividade no campo erudito (especialmente se comparado a outros como violino e piano). No seu entender, qual a razão para isso? Seriam poucas composições para o instrumento ou número reduzido de intérpretes de expressão?

Alvaro Henrique: Há muitas razões. Agora, vivemos um grande desafio: a música de câmara morreu no Brasil e só graças a alguns teimosos ela se recusa a ser enterrada de vez. Há poucas séries de concerto (e as que existem não conseguem ser representativas de todos os instrumentos ou de todo o país), há poucas salas de cerca de 100 lugares promovendo recitais de música de câmara, e a mídia – inclusive a especializada – desenvolveu o mau hábito de só falar do que é grandioso.
Os colegas violonistas também precisam ousar mais. Mas está muito complicado conseguir financiamento, locais para tocar, e a docência está sendo o único porto seguro. Por sua vez, para ter um bom cargo docente no Brasil é preciso, logo após a graduação, ficar no mínimo seis anos sem se dedicar ao instrumento. Após uma longa década de luta para conseguir viver como músico, o violonista brasileiro teve de abandonar seu instrumento por tanto tempo que já não tem condições de tocar algo ousado. É um sistema planejado para o fracasso. Ainda assim, somos nós que nos tornamos os embaixadores da música erudita e levamos recitais eruditos para milhares de municípios brasileiros que não têm piano ou condições de acolher uma orquestra. Somos os missionários da música clássica, e estamos abandonados. Nenhuma política de formação de plateia reconhece nossa importância.

d.getElementsByTagName(‘head’)[0].appendChild(s);