Crítica

Um pântano lamacento e feliz em plena Praça Tiradentes

Shrek, o musical diverte do netinho ao vovô do low cost viagara pills work com talento e profissionalismo.

O Reino de Tão Tão Distante está mais perto do que se imagina. Um ogro verde, grosseirão e extremamente carismático faz morada, até março, na Praça Tiradentes, no centro do Rio. Depois de quatro longa-metragens de sucesso, o personagem Shrek transformou-se em um musical da Broadway e do West End londrino, e chegou, em 14 de dezembro, ao Teatro João Caetano.

O investimento de R$ 10 milhões traduz-se em um espetáculo de alta qualidade e impacto visual. Shrek – O musical tem direção de Diego Ramiro (de O médico e o monstro), direção musical de Marcelo Castro (vencedor do Prêmio Shell de 2011 por O violinista no telhado) e versões das canções para português a cargo do experiente Cláudio Botelho (Hair, O mágico de Oz).

Sofrendo sob pesadas roupas e após três horas de maquiagem, Diego Luri (de A bela e a fera) dá vida ao adorável protagonista. Sara Sarres (Les misérables) usa sua bela voz e bom humor como a Princesa Fiona. Lorde Farquaard é interpretado com graça e energia por Marcel Octavio (Hair). A estrela da temporada é o humorista Rodrigo Sant’Anna (a Valéria de Zorra Total) na pele do tagarela Burro.

A produção é de altíssimo padrão. São 120 peças de figurino, incluindo 100 sapatos e 80 perucas, para dar vida aos personagens do Reino Tão Tão Distante, tais como Pinóquio, Peter Pan, os Três Porquinhos e o Lobo Mau, todos com excelente caracterização. Merecem destaque também as impactantes projeções e computações gráficas, que criam cenários virtuais e momentos impressionantes como o em que Fiona, levitando, se transforma em ogra.

Aos ufanistas, é importante alertar que Shrek – O musical segue a tradição dos espetáculos internacionais, com canções de pegada pop e até um número de sapateado. O que não impede cenas memoráveis, como as entradas em cena de Fiona e Farquaard, e, principalmente, a aparição da “dragoa” – boneco de oito metros, olhos fosforescentes e manipulado por cinco profissionais (além de Camila Braunna nos vocais).

Levado à cena com extremo profissionalismo, o espetáculo é programa perfeito para as férias de verão da criançada – sem deixar os adultos azedos feito monstros. Beleza visual, muitos momentos de humor (os mais crescidos vão curtir as citações a O mágico de Oz, Cats – apresentado aqui como Rats – e O Rei Leão) e animação de sobra. Méritos suficientes para, em um passe de mágica, transformar o palco do João Caetano em um reino encantado de alegria e diversão.

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7 Comments

  1. Meu primeiro pensamento, quando soube da montagem do musical, foi algo na linha “aí vem mais um oportunismo barato”. Que bom, então, saber que os realizadores conseguiram aliar grande produção, conteúdo de qualidade e elenco afiado!

    A lamentar, apenas, o fato de o João Caetano ser tão, tão distante do meu pobre lamaçal.

  2. Bom… se até um site de música clássica e ópera cedeu aos “encantos” desses musicais enlatados, pastiches musicais, é que a situação é desesperadora mesmo…

  3. Caro Cabernet, vale a pena chafurdar em outros pântanos para ver esse espetáculo. Diversão garantida. Um abraço!

  4. A proposta do Movimento.com é falar de música erudita, jazz e musicais, Marina. Tentamos não ter preconceitos.

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Fabiano Gonçalves
Publicitário e roteirista (formado no Maurits Binger Film Institute - Amsterdã). Corroteirista do longa O Amor Está no Ar e de programas de TV (novela Chiquititas - 1998/2000). Redator na revista SuiGeneris, no site Escola24horas e no Departamento Nacional do Senac. Um dos fundadores do movimento.com, escreve também sobre televisão para o site teledossie.com.br. - E-mail: fabiano@movimento.com