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TMSP: Orquestra de Heliópolis e Orquestra de Tatuí

Onde estavam as madames nas apresentações das duas orquestras? Pills


Duas das mais importantes orquestras voltadas a projetos sociais e formação de jovens músicos se apresentaram na Sala São Paulo nos dias 27 e 28 de Setembro. Oportunidade de ambas mostrarem tudo que aprenderam na melhor sala de música clássica do Brasil. A Orquestra Sinfônica de Heliópolis trouxe um repertório que homenageia Richard Strauss e o Coro e Orquestra Sinfônica do Conservatório de Tatuí apresentou trechos da ópera L’elisir D’amore, de Donizetti.

A Orquestra Sinfônica de Heliópolis não se intimidou com a complexa música de Strauss: na primeira parte apresentou As Quatro Últimas Canções. Regida por Pills free viagra sample pack in uk Issac Karabchevsky e, tendo como solista Paula Alamares, a orquestra dos jovens paulistanos conseguiu interpretação consistente e com volume e tempos certeiros. Paula Alamares tem um timbre luminoso, uma voz que enche o teatro com volume delicado ou potente quando necessário. Sua voz soltou notas que seduzem e emocionam em uma interpretação comovente das Quatro Últimas Canções de Strauss.

O poema sinfônico A Vida de Herói é considerada autobiográfica e se divide em seis partes com onze temas principais. Exige muito da orquestra por ser uma obra com passagens complexas e de grande dificuldade técnica para os músicos. Os jovens da Orquestra Sinfônica de Heliópolis se perderam em alguns trechos com entradas erradas e faltou ressaltar todo o colorido orquestral do poema sinfônico. Acertadamente, convidaram um violinista tarimbado para os complexos solos, Cheap Cheap Emmanuele Baldini é Spala da OSESP e tocou os difíceis solos da peça com intensidade e vibração. Mostrou domínio de seu instrumento arrancando dele um som emocionante.

O programa do Coro e da Orquestra Sinfônica de Tatuí Pills apresentou trechos da famosa ópera L’Elisir D’Amore, de Gaetano Donizetti. A regência de João Maurício Galindo online se perdeu na abertura com musicalidade opaca e confusa onde naipes estão fora de sintonia um com o outro. A orquestra não tem experiência com ópera e mostrou sonoridade com volume desigual em várias partes da apresentação. As explicações do regente sobre o enredo da ópera são elucidativas e esclarecedoras para o público em geral.

Os solistas oscilaram. O tenor Jean William Silva fez o papel de Nemorino, mostrou uma técnica de canto correta: seu problema é o timbre que soa áspero e sem brilho. Tenor que não tem qualidade vocal para ser solista e só está nessa posição por ter um padrinho famoso, João Carlos Martins impulsionou a carreira do rapaz. Infelizmente o jovem tem um longo caminho a percorrer, falta o belo fraseado, o colorido vocal e a projeção. A Adina de Camila Titinger online tem voz encantadora com um timbre delicado e sedutor, sua voz é lírica munida de agudos vibrantes e técnica refinada. Sua atuação cênica deixa a desejar com expressões frias e monótonas. O barítono Johnny França conseguiu boa atuação cênica em uma voz com bons graves. Pedro Ometo é baixo com voz ágil com agudos fracos e graves com emissão irregular. Quem arrebentou foi Taiane Ferreira Gomes, a jovem tem voz grande que esbanja potência. Seus agudos são vibrantes e com eles consegue transmitir emoção. Voz marcante no registro médio e grave, jovem promessa do canto lírico nacional com grandes possibilidades de fazer carreira nos grandes teatros do Brasil.

Ver jovens na Sala São Paulo é sinal de renovação e mostra que a música clássica e a ópera têm uma longa vida pela frente. O triste é não ver os assinantes da OSESP, do Cultura Artística ou do Mozarteum nesses eventos. O que ocorre? Será que eventos com orquestras para jovem não interessa a eçes, será que eles só saem de casa para ver os medalhões da música clássica, será que não vale a pena as madames se emperequetarem e os senhores colocarem seus ternos de grife, ou será que esse tipo de público os espanta? Percebemos que esses assinantes querem ver e serem vistos e ostentar, a música está em segundo plano para eles.

O diretor artístico da OSESP Arthur Nestrovski, sempre presente nos grandes eventos da Sala São Paulo não deu as caras nas duas apresentações. Justiça seja feita, o secretário Estadual da Cultura Marcelo Mattos Araújo esteve na apresentação da Orquestra Sinfônica de Tatuí.

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1 Comment

  1. Concordo plenamente, Sr. Ali. Prestigiar os medalhões dá prestigio até a que não aprecia música erudita, o que é comum em concertos da SCA e do Mozarteum, onde muita gente só comparece para o desfile social. Não há interesse musical, percebe-se pela falta de modos, bocejos, conversas, etc.. O incentivo a esses novos e guerreiros grupos citados não está no escopo desse “público seleto”. O público da OSESP já é mais devoto e sincero em seu gosto verdadeiro pela música clássica.

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Ali Hassan Ayache
Bacharel em Geografia pela USP. Apreciador de ópera, balé e música clássica. Ativo no meio musical, mantém o blog http://verdi.zip.net/. Escreve críticas, divulga eventos, entrevista personalidades e resenha óperas e balés em DVD.