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Theatro Municipal SP terá seis produções de óperas em 2020

Série Novos Modernistas se amplia e passa a ter maior envolvimento dos corpos artísticos da casa, que voltará a vender assinaturas.

 

O Theatro Municipal de São Paulo divulgou na última segunda-feira a sua programação para 2020. Elaborada por seu diretor artístico, Hugo Possolo, a próxima temporada será composta por sete títulos de óperas (em seis programas diferentes, por isso o Movimento.com contabiliza seis produções líricas), dentre as quais uma que será encenada fora da sala de espetáculos, e uma encomenda.

Haverá ainda 16 programas sinfônicos, apresentações dedicadas à celebração dos 250 anos de Beethoven, peças de teatro e a ampliação do projeto Novos Modernistas. Com a volta do caderno de assinaturas, o público poderá garantir o seu lugar com antecedência para as temporadas sinfônica e lírica.

Para 2020, o TMSP continua apostando no que chama em seu texto de divulgação da temporada de uma “programação plural para um público diverso, mas sempre respeitando e executando as montagens de ópera, os concertos sinfônicos e os espetáculos de balé que são a tradição da casa”.

Esta é a primeira programação montada em sua totalidade por Hugo Possolo, que assumiu a direção artística em março deste ano. “Teremos a volta do caderno de assinaturas, a ampliação dos Novos Modernistas – uma série que abrigou outras manifestações artísticas como o circo, o teatro, e que em 2020 passa a incorporar e interagir com os corpos artísticos do Municipal. Esses grupos estarão inseridos nos espetáculos e, desta maneira, podemos aproveitar ainda mais toda a nossa potência e excelência”, afirma Possolo no texto de divulgação.

Sobre a temporada lírica, Hugo Possolo afirma que “serão seis óperas, sendo duas delas dirigidas por mulheres, o que é uma ocupação de espaço importante e relevante. Os títulos irão levantar questões sobre opressão, polarização, feminismo, fascismo, liberdade para além das obras. A temática e o significado musical das produções foram a condução da linha curatorial. Partimos de um conflito conceitual e do questionamento sobre o que podemos abordar com essas obras”.

 

 Óperas

O Theatro Municipal de São Paulo vai apresentar sete óperas em sua temporada 2020, divididas em seis programas diferentes. A estreia, em março, será com Aida, de Giuseppe Verdi, que terá encenação de Bia Lessa.

A segunda montagem é um Double Bill, ou seja, uma dobradinha, duas óperas apresentadas na mesma noite, ambas baseadas em peças de Plínio Marcos: Navalha na Carne, composição de Leonardo Martinelli, e Homens de Papel, da compositora francesa (de origem venezuelana) Elodie Bouny. Segundo o TMSP, esta é a primeira vez que a casa encomenda óperas em seus 108 anos de história.

A direção cênica será compartilhada pelo ator, cenógrafo e figurinista Zé Henrique de Paula e pela atriz, diretora musical e dramaturga Fernanda Maia, os dois do Núcleo Experimental. A estreia acontece em junho. “Navalha na Carne ainda está sendo composta. A semente foi plantada numa viagem de Kombi entre São Paulo e Campinas a partir de bate-papo com Oswaldo Mendes, ator, dramaturgo e biógrafo de Plínio Marcos. É uma justa homenagem ao Plínio que tal espetáculo representaria, mas também pelo próprio elo com a contemporaneidade musical e social. A peça continua assustadoramente atual”, defende Martinelli.

Homens de Papel é a primeira ópera composta por Elodie Bouny, mas não a obra de estreia da compositora no Municipal. Em maio deste ano, a Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, sob a regência do maestro Roberto Minczuk, interpretou Meia Lágrima, baseada no poema homônimo de Conceição Evaristo.

Para Bouny, a obra de Plínio é agressiva, violenta, e isso dá muitas margens para a criação musical. “Convida-se a explorar texturas, timbres na orquestra que talvez um tema mais normal, tranquilo, não daria espaço”, completa.

A terceira produção do ano, Don Giovanni, será encenada em agosto, com direção de Lívia Sabag, que retorna ao Municipal após a produção de Elektra em 2015.  A obra-prima de Wolfgang Amadeus Mozart se passa em 24 horas e o personagem principal é inspirado no lendário Don Juan, conquistador de mulheres, mas também depravado, cruel e violento.

A quarta montagem do ano é de um título contemporâneo, Benjamin, do compositor e maestro alemão Peter Ruzicka, que estreou em Hamburgo, na Alemanha, em 2018. Hugo Possolo assina a direção cênica e o libreto será traduzido para o português. Benjamin retrata um período crucial da trajetória do filósofo alemão Walter Benjamin, em sua fuga do regime nazista. Obra dramática, que também tem como personagens Hannah Arendt e Bertold Brecht, resgata e expõe as fissuras do pensamento filosófico do século 20. A estreia acontece no mês de setembro.

A penúltima montagem do ano é Fidelio, única ópera de Beethoven, e será encenada como parte das celebrações dos 250 anos de nascimento do compositor alemão. A produção será realizada em novembro fora da sala de espetáculos do Theatro Municipal de São Paulo, em um local aberto ao grande público que ainda será anunciado. A direção será do dramaturgo Rodolfo García Vasquez, fundador da companhia de teatro Os Satyros.

Encerrando a temporada lírica 2020, O Morcego, de Johann Strauss Filho, com a Orquestra Experimental de Repertório, sob a regência do maestro Jamil Maluf. A direção cênica ainda será definida.

As cinco primeiras produções contarão com as participações do Coro Lírico Municipal de São Paulo, sob a preparação do maestro Mário Zaccaro, e da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, que será regida por Roberto Minczuk em quase todas as récitas, com exceção de Benjamin, em que Minczuk se revezará com Alessandro Sangiorgi.

 

 Temporada Sinfônica

A Orquestra Sinfônica Municipal (OSM) terá um ano intenso, pois, além da participação nas montagens líricas, contará com uma série de 16 programas sinfônicos de março a dezembro, todos constantes do caderno de assinaturas.

A abertura da temporada será com a 3ª sinfonia de Mahler com o maestro titular Roberto Minczuk na batuta, o naipe feminino do Coral Paulistano e um coro infanto-juvenil. A mezzosoprano Ana Lúcia Benedetti será a solista.

Em abril, a Sinfônica Municipal e o Coral Paulistano interpretam Cristo no Monte das Oliveiras, obra de Beethoven que resgata o episódio bíblico do Jardim das Oliveiras. O oratório é escrito para orquestra, coro e solistas. Será o primeiro de muitos programas do ano dedicados ao compositor alemão.

Richard Strauss e Serguei Prokofiev aparecem na programação em julho, com a execução de Sinfonia Alpina e Concerto para Piano n°2 op.16, respectivamente. Ainda em julho, com o Coral Paulistano, a OSM interpreta um repertório moderno com o concerto para 2 tímpanos, de Philip Glass, e a Sinfonia dos Salmos, de Igor Stravinsky.

Comemorando os 250 anos de nascimento de Beethoven, em dezembro serão oito concertos com os mais importantes ciclos do compositor, como os concertos para piano de 1 a 5, e a série integral de todas as sinfonias, com a participação do Coro Lírico e do Coral Paulistano na última, a Sinfonia nº 9, sua grande obra-prima e que até hoje provoca fascínio nas plateias.

A Orquestra Sinfônica Municipal também interpreta as aberturas de Egmont, Fidelio e Leonorade 1 a 3. Para fechar o ano, a Sinfônica Municipal apresenta um concerto especial de Natal com o Coral Paulistano.

 

Dança

Em 2020, o Balé da Cidade de São Paulo, sob a direção artística do bailarino e coreógrafo Ismael Ivo, remonta um espetáculo estreado em junho de 2019, A Biblioteca de Babel, que abre a temporada em fevereiro. A montagem partiu da ideia do conto homônimo do escritor argentino Jorge Luiz Borges, em que os corpos são compreendidos como um livro em sua própria exclusividade, um documento das nossas vidas e existência.

O primeiro programa inédito da companhia em 2020 acontece em maio, com uma coreografia inspirada na vida e obra do artista plástico Arthur Bispo do Rosário e que terá assinatura do coreógrafo Jorge Garcia.

 

Mais programação

 O projeto Novos Modernistas segue preparando as comemorações do centenário da Semana de Arte Moderna de 22. A novidade para 2020 é a maior interação e envolvimento dos corpos artísticos do Municipal na programação.

Ao todo serão seis programas, incluindo dois projetos de característica operística que vão além da temporada lírica principal do Theatro Municipal. Em abril, Guarany em Chamas, aproveitando a efeméride dos 150 anos de lançamento da Ópera Il Guarany, do compositor brasileiro Carlos Gomes, reúne a Orquestra Sinfônica Municipal, o Coro Lírico e solistas convidados em espetáculo experimental que vai abordar a questão do desmatamento e do ataque aos povos indígenas. “O objetivo é construir uma dramaturgia aproveitando as peças corais, as árias, mas colocando a obra em outra perspectiva. Não se trata de mais uma montagem do ‘Guarany’, e sim de uma oportunidade de discutir a narrativa (SIC), completa Possolo. A direção cênica será de Marco Antônio Rodrigues, um dos fundadores do grupo Folias d´Arte e do teatro Galpão do Folias.

Em julho, outra apresentação experimental, Carmen Desconstruída, com trechos da ópera Carmen, de Bizet, com a Orquestra Sinfônica Municipal e o Coro Lírico. A regência será de Alessandro Sangiorgi, maestro assistente da OSM. Segundo o material de divulgação do TMSO, “a montagem dará margem à reavaliação das personagens femininas dentro das óperas, que em sua maioria são retratadas como submissas, inocentes e frágeis”.

Para comemorar os 40 anos de lançamento do primeiro disco de Arrigo Barnabé, a Orquestra Experimental de Repertório divide o palco com o Coral Paulistano, solistas e atores em Clara Crocodilo. Em novembro, durante o mês da Consciência Negra, haverá uma encenação do poema O Navio Negreiro, de Castro Alves, com a Orquestra Sinfônica Municipal e o Coral Paulistano.

Já o projeto que retomou as peças teatrais na programação regular do Theatro Municipal de São Paulo também segue em 2020. É o Teatro no Municipal, que traz montagens profissionais que já estiveram em cartaz, mas que agora podem ser vistas a R$ 5.

Para abrir a agenda oficial desse projeto, já em janeiro será apresentada a peça Baixa Terapia, uma comédia no divã, com o ator Antônio Fagundes no elenco. Serão duas sessões, nos dias 16 e 17, às 20h.

Ainda segundo o material de divulgação preparado pela casa, o Teatro no Municipalreúne peças que retratam a diversidade da produção teatral. E até novembro serão mais nove espetáculos, sempre na última segunda-feira do mês, às 20h. Apenas em fevereiro não haverá peça”.

Entre agosto e setembro, ocorrerá a segunda edição do Eté-Festival Corpo, que mistura as múltiplas formas de expressão corporal com espetáculos de dança, teatro e circo; e em outubro haverá uma programação especial e gratuita dedicada ao público infantil e às famílias, com o projeto Crianças no Municipal.

 

Praça das Artes

Na Praça das Artes, prédio anexo ao Theatro Municipal de São Paulo, o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, grupo formado pelo violista Marcelo Jaffé, os violinistas Betina Stegmann e Nélson Rios e o violoncelista Rafael Cesário, celebra os 250 anos de nascimento de Beethoven. Serão diversos concertos na Sala do Conservatório com obras do compositor alemão que reinventou a noção de música e revelou novas possibilidades para o piano, o violino e o violoncelo.

Quem também se apresenta no espaço é o Coral Paulistano, sob as regências das maestrinas Naomi Munakata e Maíra Ferreira, e integrantes da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, com concertos de música de câmara para a série Nossos Músicos. O objetivo é destacar os naipes e instrumentos da OSM e promover uma experiência fora da sala de espetáculos por meio de execuções mais intimistas, unindo o público e os artistas.

 

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