Notícia

Tenor brasileiro vaiado na Argentina

p>O dramaturgo Nélson Rodrigues dizia que no Maracanã a torcida vaia até minuto de silêncio.

Em um texto anterior tomei a liberdade de adaptar a frase e escrevi que brasileiro aplaude tudo, até minuto de silêncio. Foi um Deus nos acuda, recebi dezenas de e-mails e mensagens em todas as redes sociais protestando. Fui orlistat capsules price india chamado de tudo quanto que é nome, não faltaram palavras de baixo calão e impropérios.

Os últimos anos mostraram a economia brasileira crescendo e uma nova classe média florescendo, enquanto nossos irmãos argentinos sofrem com uma crise avassaladora. Nível cultura não se conquista de um dia para o outro e muito menos com rápido crescimento economico. Aqui, nós aplaudimos tudo e todos, os argentinos mesmo em crise financeira há anos, exigem artistas de qualidade.

Infelizmente o ocorrido foi com um brasileiro. Na abertura da temporada do magnífico teatro Colón de Buenos Aires o tenor brasileiro Thiago Arancam não agradou ao público e muito menos à crítica . Informações vindas de Buenos Aires e confirmadas nos jornais contam que o rapaz foi vaiado no final da apresentação da ópera Carmen de Bizet. Seu Don José não agradou em nada. Público exigente é assim, se não cantar em alto nível toma vaia.

Caso a récita fosse no Brasil , o tenor boa pinta seria aplaudido de pé e ovacionado pelo público e pelos coleguinhas de profissão. Quanto puxa-saquismo se vê por aqui. Para qualquer um que suba ao palco, o aplauso e a ovação estão garantidos. Confesso que nunca assisti a uma récita com Thiago Arancam, mas afirmo que quando um tenor é vaiado em um dos grandes teatros líricos do mundo alguma coisa está errada.

Essa é a diferença cultural entre Brasil e Argentina, lá se exigem cantores de alto nível e aqui não. Cansei de ver por aqui apresentações medíocres sendo aclamadas pela galera com gritinhos de bravo: nós nivelamos por baixo e os portenhos por cima. Abaixo, seguem os trechos da crítica de dois colegas da Argentina sobre o tenor Thiago Arancam. Está em espanhol, facinho de entender:

Thiago Arancam debió ser protestado por las autoridades musicales del teatro como Don José y los pocos pero firmes abucheos del final lo corroboraron. Actoralmente primario, mostró un rol en construcción. Su emisión es despareja, su canto engolado y apretado, su fraseo sin matices y su técnica elemental“. – Por Gustavo Gabriel Otero

A Thiago Arancam lo vi el año pasado en la Deutsche Oper de Berlín como Don José en la peor “Carmen” de la que tenga memoria (huí despavorido de la sala al promediar el segundo acto). Puedo asegurar que no mejoró. Voz lírica básicamente linda, está manejada con una técnica elementalísima y con una muy molesta engoladura en la zona aguda. Es el típico tenor de teatros provincianos de segunda. Actor elemental, imprime a su canto exabruptos veristas anacrónicos y de enorme mal gusto. El personaje no está compuesto y su interacción con Pérez en el final fue memorable por lo ridícula“.  – Por Roberto Luis Blanco Villalba.

Ali Hassan Ayache

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25 Comments

  1. Estive em 2 apresentações dias 16 e 19 de abril da opera Carmen no Colón, e não ouvi nenhuma vaia ao Thiago, embora eu não seja fã dele tenho que admitir que foi uma apresentação memorável e vale lembrar que também o barítono Rodrigo Esteves cantou nessas apresentações.
    Sinceramente não sei qual foi a motivação desse artigo.
    Rosana Letícia

  2. Esse artigo é difamador, atenção ao conteúdo. Aliás, antes de julgar algo ou alguém é necessário ter apurado e presenciado os fatos.
    Cátia Fonseca

  3. “Confesso que nunca assisti a uma récita com Thiago Arancam, mas afirmo que quando um tenor é vaiado em um dos grandes teatros líricos do mundo alguma coisa está errada.”
    Ok. Thiago Arancan foi vaiado no Colón. Pavarotti foi vaiado no Scala numa récita do Don Carlo. E não havia nada de errado com Pavarotti. Evidentemente não estou comparando Arancan a Pavarotti. Longe disso.
    No Municipal do Rio a vaia é uma coisa quase corriqueira, o que contraria a afirmação: “Caso a récita fosse no Brasil, o tenor boa pinta seria aplaudido de pé e ovacionado pelo público e pelos coleguinhas de profissão. Quanto puxa-saquismo se vê por aqui. Para qualquer um que suba ao palco, o aplauso e a ovação estão garantidos.”
    O próprio Arancan, “tenor boa pinta”, não fez grande sucesso cantando a Tosca no TMRJ ao lado de Sondra Radvanowsky e Juan Pons. O público carioca não se encantou com a boa pinta do tenor.
    O que transparece claramente neste artigo, que tenta desqualificar o público brasileiro, é a alegria do autor com a vaia sofrida pelo “tenor boa pinta”.

  4. Muchas mentiras, esses criticos nao tem credibilidad, es una pena el povo brasileno desprezar un grande brasileno, soy de Argentina e estaba encantado con el tenor.

  5. Pois assim acontece meu caro colega! Quando ele fez o Cavaradossi na Tosca, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, foi também muito criticado, inclusive reprovado por muitos cidadãos do exigente público carioca.
    Depois eles saem escrevendo em seus currículos que foram aclamados nesses mesmos teatros onde foram reprovados e dai por diante, e o que e pior…todos fazem igual. A mentira impera nos currículos. Cantou ali, lá e aqui com grande sucesso. Que sucesso heim !!! Viva o Brasilsão !

  6. Marco Antônio, antes que a sua informação de que Thiago foi “reprovado por muitos cidadãos do exigente público carioca” seja mal interpretada por algum leitor, quero deixar claro que não houve vaia para Thiago Arancan na Tosca. Estive presente a todas as récitas.

  7. Eu não disse que Thiago Arancan foi vaiado no Rio de Janeiro, mas que não fez sucesso com Sondra Radvanowsky e Juan Pons (na verdade não estava à altura dos dois estrangeiros)! Muitos do público o reprovaram sim e é por isso que fica visível a desigualdade nos elencos formados, sem a previsão dessa diferenciação. Não se formam elencos com desigualdades técnicas. Daí as criticas ferrenhas.

  8. Esse tenor nunca foi dos bons. Eu o vi ele na Tosca (2011) no Rio e não gostei. Benito Maresca e Zaccaria Marques eram muito superiores a ele, esses cantavam como o coração.

  9. Inclusive verifiquei o CV do Thiago e não consta nada sobre o grande sucesso no RJ como você diz….

  10. Desmentindo o Sr Marco Antonio
    CV THIAGO ARANCAM – http://www.thiagoarancam.com

    Italian Brazilian lirico spinto tenor Thiago Arancam, started his studies at the “Municipal School of Music” of São Paulo, then at the Musical University “Carlos Gomes”, where he graduated in “Erudite Chant” in 2003, and prepared his repertory with M° Bruno Roccella. At the age of only 22, he won the prestigious “Prêmio Revelação” do V Concurso Internacional de Canto Erudito Bidu Sayão.

    He was invited to attend the “Accademia di perfezionamento per cantanti lirici” of “Teatro alla Scala” in Milan, directed by soprano Leyla Gencer, where he graduated on June 24th, 2007. He is the first-ever Brasilian accepted into the famous “Accademia”, where he met his present voice teacher, Vincenzo Manno.
    He debuted in concert at the “Alla Scala” on February 27th, 2005. Afterwards he kept on singing in many concerts arias from different operas, like Tosca, Luisa Miller, Madama Butterfly, Le Cid, and he also took part in the production of several operas.
    In 2006 he participated in some concerts with the Orchestra Sinfonica of the Friuli-Venezia-Giulia, singing Zarzuela arias and classical Spanish songs.
    He received, in Bolzano, the prestigious award for the best emergent young voice “Premio Alto Adige – Talento emergente della lirica 2007/2008”.
    In December 2007 he debuted in the first Puccini’s opera, “Le Villi”, (Roberto).

    In 2008, he participated in a tournee in the United Arab Emirates, with the orchestra of the Alla Scala and in two concerts with the Orchestra Camerata Brasil, conducted by M° Silvio Barbato. At Operalia 2008 he was awarded three prizes: ZARZUELA PRIZE, AUDIENCE PRIZE and SECOND OPERA PRIZE, and soon after he debuted the role of Don Josè (Carmen) at Washington National Opera, conducted by M° Rudel.

    In 2009 he debuted the role of Cavaradossi (Tosca) in Frankfurt, Maurizio (Adriana Lecouvreur) in Turin, Radames (Aida) at Sanxay Festival (France), Pinkerton (Madama Butterfly) in Valencia, and performed a recital in London at St.John’s (Rosenblatt Recitals) and two concerts of Carmen in Kuala Lumpur with the Malaysian Philharmonic Orchestra.

    In 2010 he debuted Nabucco (Ismaele) in Palermo, Cavalleria Rusticana (Turiddu) in St. Petersburg, Tabarro (Luigi) in Riga, Noma (Pollione) in Sanxay, Cyrano de Bergerac (Christian) in San Francisco, alongside with Placido Domingo, Pagliacci (Canio) in Stockholm, conducted by M° Daniel Harding and he performed Tosca in Las Palmas, conducted by M° P.G.Morandi, and Carmen in Warsaw.

    In 2011 he sung twice Carmen at the Bolshoi (Moscow), and then again in Zurich, Sanxay and San Francisco; Madama Butterfly in Washington DC (Conducted by M°. Placido Domingo), Tosca in Philadelphia, Frankfurt, Berlin, Rome (Caracalla) and Rio de Janeiro, and a concert of Verdi and Puccini’s arias in Dortmund.

    In 2012 he debuted the role of Des Grieux (Manon Lescaut) in Philadelphia and then performed it again in Warsaw in a new production by M. Trelinski. He sung Carmen in Wien and Berlin, Il Tabarro in Lyon, Tosca in Hyogo (Japan) and at the Royal Swedish Opera (M° P.G.Morandi), and Cavalleria Rusticana and Il Tabarro at Berwaldhallen, under the lead of M° Daniel Harding.

    Upcoming engagements in 2013 include his debut at the Bavarian State Opera in Munich in Carmen and at the SemperOper Dresden in a new production of Manon Lescaut under Christian Thielemann.

    Future projects include his debut at the Baden Baden Easter Festival in 2014, in a new production of Manon Lescaut under Sir Simon Rattle and at the Salzburg Easter Festival in 2015, in Cavalleria Rusticana, again with Christian Thielemann.

  11. O cara canta todo ano no Bolshoi, em Philadelphia, San Francisco e por aí vai… e somente nós brasileiros não valorizamos e preferimos julgá-lo. É por isso que nesse País não existe a Ópera!

  12. Deixo bem claro que não falei de vaia para o tenor Arancan em nenhum momento aqui no Rio de Janeiro. O que ocorreu foi um descontentamento daqueles que viram outros grandes tenores brasileiros e estrangeiros como Mario Cavaradossi, muito superiores à sua interpretação cênica e vocal. Aliás, eu também concordei com essas pessoas, pois vi outros grandes, inclusive brasileiros, entre nós.

  13. Nesse caso só quem pode falar é quem esteve no Colón. Como eu não estive…
    Quanto às apresentações de Thiago o que posso dizer é que em Tosca no TMRJ ele não foi bem. E ao fato de o público aplaudir tudo, infelizmente tenho que concordar com o autor. Um exemplo clássico disso foi a Gilda (Rigoletto) interpretada ano passado no TMRJ que foi muito aplaudida, apesar de uma atuação medíocre. E dizer que o público carioca é muito exigente? Está longe disso! Pode-se até demonstrar um certo descontentamento com certas atuações, mas vaiar? Nunca vi isso por aqui, o que também, convenhamos, é de uma deselegância total, apesar de alguns cantores merecerem exatamente isso, uma vez que esse é seu trabalho, pois apresentam um desempenho abaixo do aceitável, caso da diva, tantas vezes requisitada pelos teatros brasileiros, sobretudo no eixo RJ/SP e sempre atuando mal, pelo menos nas vezes em que eu estava.
    Eu sei que os defensores ou os familiares dirão que todos tem seus bons e maus momentos, nesse caso, então, eu sempre estive presente aos maus (possivelmente muitos saberão de quem, especificamente, estou falando). Se houve vaia no Colón, pode demonstrar exigência do público, mas convenhamos, bem melhor é que sejamos um público exigente não aplaudindo quando não for merecido ou pouco aplaudindo, mas vaia? Não creio que seja uma boa ideia! Acima de tudo, sejamos um grande e exigente público, demonstrando nossa educação nas apresentações, sendo gentis, não abrindo pacotes durante o evento, não conversando, não deixando os celulares fazerem barulho (para isso serve o alerta vibratório, se não sabe como usar, melhor que desligue), não achando que o teatro é uma extensão da sua casa, não nesse sentido prejudicial de achar que pode fazer o que quer, só porque paga para estar ali e que não está incomodando ninguém, não se mexendo a todo instante nas cadeiras barulhentas da galeria, como se tivesse alguma coisa incomodando.
    Tenhamos o cuidado de pensar sempre que no teatro não estamos sozinhos e por isso temos de nos comportar adequadamente para não atrapalharmos as outras pessoas. Se todos procurassem agir dessa forma, não teríamos tanta insatisfação por parte de alguns, que são julgados como chatos, mas que na verdade só querem ter o prazer de desfrutar do que a música pode proporcionar, e não ouvir o vizinho detrás cantarolar a melodia conhecida, como se estivesse atuando ou estivesse em sua casa.
    Ora, eu estou no teatro para assistir e ouvir os cantores ou quem estiver se apresentando. Se fosse pra ouvir alguém cantarolar eu ficava em casa ouvindo meus cd’s que seria bem melhor. O que falta às pessoas é simplesmente “educação”, o que falta a muitos em nosso país e isso não é privilégio dos desprovidos de dinheiro, pois muitas vezes, os que sentam na plateia e balcão nobre que, supostamente, são melhores que os outros por estarem financeiramente melhor, são muitas vezes de uma deselegância, arrogância e falta de educação tremendas. Fatos que presenciei nesses setores, que não convém comentar, mas que provam o citado acima. Isso sim é ser exigente!!
    Vaiar?? Não creio que seja positivo. Reflitamos sobre a exigência musical, mas sobretudo sobre o que foi exposto nesse comentário relativo ao comportamento de cada integrante do público. E que isso sirva pra tornar nossos espetáculos mais agradáveis! Pensemos sempre se nosso comportamento tem atrapalhado alguém e se é dessa forma que gostaríamos de ser tratados pelos outros.

  14. Caros amigos, por favor, vejam que o nosso comentarista não está fazendo uma crítica, mas apenas dando uma notícia sobre o Thiago Arancan. Os outros comentários que ele faz não dizem respeito à recita noticiada.

  15. Somente o senhor não está percebendo o tom raivoso da crítica? Não é apenas a questão de se foi vaiado ou não. É a intenção que parece estar por trás, dada a forma como ele se expressa.

  16. E nem eu disse que você disse que ele foi vaiado no Rio. Só disse que algum leitor poderia interpretar mal a sua afirmação e por isso fiz o esclarecimento.

  17. Sondra Radvanowsky bisou o Vissi d’arte em todas as récitas a pedidos insistentes do público. O Maestro concedeu o bis ao Thiago em uma das récitas, a meu ver, indevidamente, atendendo a uns poucos e esparsos pedidos.
    O bis só deve ser concedido por exigência expressa da maioria do público, do contrário se vulgariza.
    Uma coisa é certa: a prestação de Thiago Arancan na Tosca do Rio não entusiasmou.

  18. Presenciei quatro vaias estrondosas a cantores no Municipal do Rio e outras tantas a diretores de cena. Perdi a conta das vezes em que um ou outro espectador, isoladamente, vaiou alguém. Eu mesmo sofri uma dessas vaias isoladas em uma Traviata.
    Não é verdade que o público do Rio aplaude tudo. É claro que, com a escassez de espetáculos líricos, vai se tornando cada vez mais condescendente. Mas ainda é um público exigente e o sucesso no Rio não vem de graça.

  19. A questão é:
    Para que reportar uma suposta vaia a um cantor brasileiro no exterior (desmentida por muitos dos que lá estiveram)? A que isso serve?

  20. Falando de Porto Alegre: talvez uma das razões para o público aplaudir atuações ruins seja o valor do ingresso. As óperas por aqui não são feitas para dar lucro. Os ingressos são baratos, há pouco patrocínio, forçando a produções nada comparáveis às europeias. E, talvez, nessa ideia de que a ópera é mais um trabalho voluntário dos artistas do que um serviço artístico prestado, o público não se acha no direito de vaiar.
    Não sou a favor de vaias. Sou a favor de ausência de aplausos, quando não merecidos.

  21. Quando o tenor é bom ele não é vaiado em nenhum teatro ! E ponto final. Luiz Paulo Rivelli.

  22. Há controvérsias sobre as vaias para Thiago, nas críticas que li dos diários argentinos não havia essa menção…

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Ali Hassan Ayache
Bacharel em Geografia pela USP. Apreciador de ópera, balé e música clássica. Ativo no meio musical, mantém o blog http://verdi.zip.net/. Escreve críticas, divulga eventos, entrevista personalidades e resenha óperas e balés em DVD.