EntrevistaLateral

Sopranos em evidA?ncia

Destaques da produA�A?o de JenA?fa no Rio de Janeiro, Eliane Coelho e Gabriella Pace conversaram com o Movimento.com.

 

A primeira A� uma artista consagrada, nacional e internacionalmente, completamente senhora de sua arte. A outra, mais jovem e passando por um processo de consolidaA�A?o de sua ascensA?o vocal, enfrenta agora, em terras cariocas, talvez o maior desafio atA� este ponto de sua carreira. Elas sA?o, respectivamente, as sopranos Eliane Coelho e Gabriella Pace, os principais destaques vocais de http://www.bolleventi.com/static-caravans-on-peaceful-site-for-sale-in-devon/ JenA?fa, coproduA�A?o entre o Theatro Municipal do Rio de Janeiro e a Cia. A�pera Livre, que estreia no domingo, 2 de abril, e tem mais trA?s rA�citas atA� o dia 9 no prA?prio Municipal.

Em novembro de 2016, em meio aos preparativos para a montagem que acabou adiada para este ano, Eliane e Gabriella conversaram, por e-mail, com o Movimento.com. Comecemos com Eliane.

 

Eliane Coelho

Movimento.com: VocA? jA? tinha cantado antes uma A?pera de JanA?A?ek? Como estA? sendo essa experiA?ncia agora?

Eliane Coelho: Eu jA? conhecia JenA?fa, assim como KA?tia KabanovA?, a Purchase Raposinha e Makropulos, mas A� a primeira vez que canto uma opera de JanA?A?ek. A minha experiA?ncia estA? sendo como com todos os compositores que tA?m o seu prA?prio mundo sonoro, suas cores, instrumentaA�A?o. SA? existe um caminho, que A� entrar neste mundo. A forma de lidar com o texto, entre declamaA�A?o e linha de canto, que jA? encontrei em Richard Strauss, Alban Berg ou SchA�nberg, A�, para mim, em primeiro lugar, teatro! Gestalt! MA?sica e texto atuam juntos, a serviA�o da expressA?o. Adoro isto!

 

Como vocA? entende KostelniA?ka, uma mulher que comete uma atrocidade para “manter as aparA?ncias” e evitar manchar a reputaA�A?o de sua enteada?

No comeA�o, quando comecei a estudar, fiquei quase que bloqueada pela atrocidade que o personagem comete. Pesava muito. Principalmente tendo em mente que esta A� uma historia “real”! Quantas crianA�as foram assassinadas ao longo da historia da humanidade pelos mesmos motivos??? NA?o A� sA? “manter as aparA?ncias”, nA?o naquela A�poca, nem em um povoadinho de uma dezena de casas no meio da MorA?via.

O crime A� horrendo, sim, mas, tendo em vista a A�poca em que se passa, o tamanho do povoado e a mentalidade dos habitantes deste, o pavor que a KostelniA?ka tem A� porque sabe qual serA? o futuro de JenA?fa e da crianA�a. NinguA�m mais vai respeitar JenA?fa, que talvez tenha que se prostituir para poder sobreviver. E o filho nA?o terA? chance nenhuma na vida, terA? que cuidar dos porcos e provavelmente dormir com eles. A maior crueldade aqui A� a falta de tolerA?ncia, os horizontes estreitos de uma sociedade medA�ocre e hipA?crita, que pode levar uma pessoa a este grau de desespero. KostelniA?ka comete o crime, horrA�vel, e pior, comete por amor, para salvar JenA?fa!

 

Pela qualidade da sua arte e pela expressA?o da sua carreira internacional, vocA? A� referA?ncia para um sem nA?mero de cantores lA�ricos brasileiros. Os mais jovens, por sua vez, tambA�m tA?m o que ensinar. Como funciona essa troca no A?mbito de uma produA�A?o como JenA?fa?

Sempre existiu o “boato” de que a A?pera estA? “no fim”, que nA?o A� mais atual, etc. Nunca entendi o porquA? destas afirmaA�A�es. A A?pera trata de conflitos profundamente humanos, que sempre existiram e que vA?o continuar existindo… Por isto a minha grande alegria de ver que temos cantores jovens que se dedicam a esta arte tA?o forte, com tanta forA�a de comunicaA�A?o. SA? posso parabenizar todo cantor jovem que trabalha seriamente, que quer se expressar, e que entra no palco com esta energia. A� lindo de ver, e fico feliz de estar perto.

 

O que falta para Eliane Coelho? Nessa altura de sua carreira, reconhecida como a grande dama viva do canto lA�rico brasileiro, ainda hA? alguma personagem que vocA? nunca cantou, mas gostaria de interpretar?

Eu gostaria muito de fazer a Elektra, de Richard Strauss, Marietta em Die tote Stadt, de Korngold, Elisabeth e VA?nus, na mesma noite, em TannhA�user, entre outras. Falando de JanA?A?ek, sempre quis cantar a Emilia Marty em Makropulos. Acho uma A?pera incrA�vel e um personagem fortA�ssimo. E A� claro que gostaria de cantar novamente algumas heroA�nas, como SalomA�, Tosca, Fedora e Isolda.

Eliane Coelho e Gabriella Pace (ao fundo)

 

Gabriella Pace

Pills http://whitehopebd.com/price-of-vermox-south-africa/ Movimento.com: online VocA? foi para Praga para mergulhar em JenA?fa e no universo de LeoA? JanA?A?ek. Conte um pouco como foi essa experiA?ncia.

Gabriella Pace: online Na verdade, tudo comeA�ou com a minha professora de tcheco, Eva Deichmann, em Copenhague. Ela A� coincidentemente de uma cidadezinha morava prA?xima A� Brno e A� completamente apaixonada por JanA?A?ek e por JenA?fa. Depois de meses trabalhando juntas, ficamos muito prA?ximas, e ela acabou me convidando para ir com ela a Brno para o Festival JanA?A?ek. Fiquei seis dias ali, mergulhada em Janacek: visitei sua casa, as ruas por onde ele passou, o teatro onde estreou JenA?fa. Foi maravilhoso! Depois, fui a Praga trabalhar com o pianista Mark Pinzow, um grande especialista em mA?sica tcheca. Para mim foi uma experiA?ncia transformadora. Essa viagem me emocionou muito e me trouxe de presente um maior entendimento dessa personagem tA?o maravilhosa que A� JenA?fa.

 

O que a mA?sica de JanA?A?ek lhe diz sobre a protagonista que vocA? vai interpretar?

A mA?sica A� cheia de cores e mescla momentos virtuosA�sticos com momentos de profunda densidade, emoA�A?o. A� uma mA?sica que se iguala A� linguagem falada. A forA�a do texto A� enorme, a mA?sica A� genial. JenA?fa carrega dentro de si ora uma ingenuidade, ora uma bondade sem limites. E a mA?sica mostra tudo. A orquestra A� quase a alma dos personagens, as emoA�A�es que sentem, tudo.

 

Como mulher, como vocA? vA? a questA?o de uma jovem que precisa esconder um bebA? da sociedade para evitar comentA?rios maldosos? Hoje, em pleno sA�culo 21, hA? sociedades retrA?gradas em que mulheres ainda sA?o obrigadas a fazer esse tipo de coisa (e atA� pior).

Acho um tema super atual. NA?o precisamos nem ir muito longe. Quantas vezes ainda hoje a mulher que tem um filho sozinha nA?o A� criticada? Vivemos numa sociedade com valores ainda muito distorcidos. Uma mulher como JenA?fa, jovem, de aldeia, enteada de uma mulher extremamente religiosa, grA?vida do prA?prio primo, serA? que nA?o daria o que falar atA� em 2016?

Sem contar o tema da “ditadura da beleza”. JenA?fa tem seu rosto cortado e isso faz com que o pai da crianA�a perca imediatamente o interesse, o amor por ela. Ele mesmo diz: “quando a vi com sua bochecha cortada, meu amor por ela desapareceu por completo”. Quantas de nA?s nA?o vivemos essa realidade? Um homem com uma cicatriz no rosto pode ser sinA?nimo de charme. JA? uma mulher, da perda da beleza.

 

Para uma cantora lA�rica brasileira, o que significa dividir o palco com Eliane Coelho, talvez a maior referA?ncia viva brasileira na sua arte?

A� uma responsabilidade imensa e um grande prazer! Eliane foi a primeira pessoa com quem conversei hA? um ano sobre JenA?fa, se deveria fazer, se jA? era a hora. Sempre que posso faA�o algumas aulas com ela, porque para mim ela A� uma das maiores artistas do mundo. A KostelniA?ka dela A� eletrizante. A� impossA�vel conter a emoA�A?o contracenando com Eliane e, afortunadamente, divido grandes cenas com ela.

Gabriella Pace e Eliane Coelho

 

buy robaxin no prescription Fotos: Leo Aversa

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Leonardo Marques
Formado em Letras com pós-graduação em Língua Italiana. Frequentador assíduo de concertos e óperas. Participou de cursos particulares sobre ópera. E-mail: leonardo@movimento.com