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"Sinfonia das florestas", de Ricardo Tacuchian

Estreia europeia, com apresentações em LEÓN ((19/06/2013), ÁVILA (20/06/2013) e SALAMANCA (21/06/2013).

Orquesta Sinfónica del Conservatorio Superior de Música de Castilla y León

SOFÍA PINTOR AGUIRRE, soprano;                                              

JAVIÉR CASTRO, director.

Además de la obra de TACUCHIAN, serán presentadas obras de  VILLA-LOBOS (Choros 10) y de MANUEL DE FALLA (El Sombrero de Tres Picos).

Sinfonia das Florestas es el auge del sinfonismo de Tacuchian, a partir de una temática ecológica. Choros 10 es una verdadera convulsión tropical urbano- rural. El Sombrero de Tres Picos  es el ejemplo de estilización del folclore español en una obra sinfónica.

SINFONIA DAS FLORESTAS
Forests’ symphony

Dedicada a / dedicated to José Siqueira
Rio de Janeiro, 2012

Sinfonia em 4 movimentos para orquestra sinfônica e solo de soprano
I mov. – Amazônia/ Amazon rain forest            
II mov. – Cerrado/ Brazilian savannah            
III mov. – Queimadas/ Forest fire                
IV mov. – Mata Atlântica/ Atlantic jungle

Textos:
– Thiago de Mello, Filho da Floresta (no primeiro movimento)
– Gérson Valle, Dentro da Mata Atlântica (no quarto movimento).

NOTAS DE PROGRAMA

Sinfonia das Florestas é uma obra que guarda algumas referências da forma Sinfonia. Apesar de se referir às florestas brasileiras, é, na realidade, uma metáfora de todas as florestas do mundo que correm perigo de desaparecer.


Amazônia
: neste 1º movimento, depois de uma introdução lenta, onde são explorados os ruídos da floresta, surgem duas ideias contrastantes que se alternam, criando a dialética dramática que caracteriza a forma sonata: uma parte instrumental (Allegro) segue a parte com solo de soprano (Moderato) que apresenta um caráter mais introspectivo, de acordo com a natureza do poema Filho da Floresta, de Thiago de Mello: “os silvos, os lamentos, os esturros [urros de onça]/ percorrem vibrando as distâncias/ da planície, que os tajás [tinhorões]lambem as feridas.” O poeta se diz “filho deste reino generoso” e faz um convite: “vem ver comigo o rio e as suas leis,/ vem aprender a ciência dos rebojos [redemoinhos do rio],/ vem escutar os pássaros noturnos,/ no mágico silêncio do igapó” [mata inundada de água]. O poeta encerra sua laudação, dizendo que os homens nascidos naqueles verdes são “profundamente irmãos/ das coisas poderosas, permanentes/ como as águas, os ventos e a esperança”.


Cerrado
: o 2º movimento, é um Allegro Vivace que corresponderia ao Scherzo da sinfonia clássica. Ele é exclusivamente orquestral e simboliza a mata esparsa, com árvores baixas e morada de um riquíssimo bioma. O cerrado é a savana brasileira e corresponde a cerca de 22% do território nacional.


Queimadas
: é o movimento lento da Sinfonia (Adagio). Também é exclusivamente instrumental e começa revelando uma harmonia quase religiosa de toda a natureza, mas que é quebrada pela prática criminosa do desmatamento com derrubadas e queimadas, provocadas pelo homem para aproveitar o terreno para pastagens e plantio e o uso indiscriminado de agro-tóxicos que matam os agentes polinizadores da floresta e contaminam a água do subsolo. Toda a harmonia inicial é substituída pelo caos, provocado por árvores centenárias abatidas e pelo fogo esterilizando o solo e pela extinção de espécies animais e vegetais. O que se segue é um imenso vazio, a seca das fontes de água ou sua contaminação, o deserto e um apocalíptico silêncio…


Mata Atlântica
: O 4º movimento (Vivace) tem a atmosfera do Finale das sinfonias do passado. O texto poético de Gerson Valle Dentro da Mata Atlântica foi dedicado ao compositor que nasceu na área deste ecossistema. Quando surge o solo de soprano, o andamento passa a Moderato e, depois, a Allegro Moderato.  No texto, o poeta se lamenta pela destruição da Mata Atlântica. Apesar de sua catastrófica devastação, reduzindo-a a apenas 7% de sua área original ela é, ainda, um dos mais ricos ecossistemas do planeta.

O poeta chora pela ação deletéria do homem, com o desaparecimento progressivo de sua rica biodiversidade como a jaguatirica, o sagui, os pássaros coloridos ou com a poluição dos rios antes caudalosos. “Aqui já não

há saci oculto/ dentre os clarões desabrigados,/ devastações dos homens.” Mas o poeta não perde a esperança e, por fim, afirma: “E aqui há de vir um outro saci/ não mais escondido ou predador/ na lenda disfarçada de nossa humana maldade./ Ainda aqui tem feição o homem só/ em sua nova percepção instintiva, dobro de lobo guará/ a proteger a diversificação da sobrevida, nosso habitat”.

OS AUTORES


Thiago de Mello
(Barreirinha, AM, 1926)

Um dos mais importantes poetas brasileiros de sua geração, autor de Os Estatutos do Homem e de O Filho da Floresta, tem sua obra traduzida em vários idiomas. Foi preso durante a ditadura militar, mas agora vive livre às margens do Rio Amazonas.


Gérson Valle
(Rio de Janeiro, RJ 1944)

Advogado e poeta, com vários livros publicados de poesia, novelas e ensaios. Depois de atuar na FUNARTE, transferiu-se para Petrópolis, onde a Mata Atlântica ainda está relativamente conservada. Nesta cidade serrana ele exerce free trial of viagra coupon intensa atividade cultural. É membro da Academia Brasileira de Poesia.


Ricardo Tacuchian
(Rio de Janeiro, RJ 1939)

Maestro e compositor, cuja obra já foi tocada em todo o mundo ocidental, é um dos compositores brasileiros da atualidade mais programados por solistas, ensembles e orquestras, além de possuir vasta discografia com sua música. Várias de suas obras exploram a temática ecológica da Sinfonia das Florestas, tais como Dia de Chuva (1963), Estruturas Verdes (1976), Terra Aberta (1997) e Biguás (2009), entre outras. É membro da Academia Brasileira de Música.


OS TEXTOS

Amazônia

Thiago de Mello
Filho da Floresta

Filho da floresta, água e madeira
Viajam na luz dos meus olhos
E explicam este meu jeito de amar as estrelas
E estender o recado das árvores antigas
Atravessando a espessura do silêncio.

Vem comigo, vem ver o corpo do silêncio
Que se anuncia, gota a gota, despencando
Das asas de mariposas e pássaros.
A floresta já sabe que chegaste e te encerra,
Cuidadosa (vem comigo) na umidade
Da sombra que caminha vagarosa
Trazendo os segredos de noite.
Os silvos, os lamentos, os esturros
Percorrem vibrando as distâncias
Da planície que os tajás lambem as feridas.
De súbito (vem comigo) a selva inteira estremece.

E vibram as raízes que nascem no ar,
As sapopemas das sumaumeiras altíssimas.
É a floresta aconchegando o relâmpago,
Devassada na sua tenra intimidade
Pelo fulgor vertiginoso do raio.

Vem ver comigo o rio e as suas leis,
Vem aprender a ciência dos rebojos,
Vem escutar os pássaros noturnos
No mágico silêncio do igapó
Coberto por estrelas de esmeraldas.

Sou filho deste reino generoso,
Onde os homens nascidos dos seus verdes,
Conquanto de nascença consumidos
Pela flor carnívora da miséria,
Nascem sábios, conversam com as nuvens,
Conhecem os segredos milagrosos
Resguardados nos musgos e nos âmagos,
Tarda para eles a se erguer a aurora,
E contudo profundamente irmãos
Das coisas poderosas, permanentes,
Como as águas, os ventos e a esperança.

Mata Atlântica

Gérson Valle
Dentro da Mata Atlântica
Dedicado ao Maestro Ricardo Tacuchian

Aqui já não há saci oculto
dentre os clarões desabrigados,
devastações dos homens.

Aqui se perdem os passos
da jaguatirica em fuga
de seu lugar sem ar.

Aqui o sagui seguia
a rota das árvores em fila,
água agora escassa na floresta devassada.

Aqui pios e penas de pássaros
coloriam as vontades densas
vindas de dentro das seivas das vias.

Aqui os rios caíam
na força motor das corridas,
vencendo a vocação e os cios dos ciclos das despedidas.

Aqui a bromélia murcha,
ali a arara chora,
lá o mato foge no fogo desbotador de seus morros.

Aqui se espera a telúrica
reafirmação de nossos gastos,
na alegria amarela dos ipês e acácias.

Mas, aqui se refazem as quaresmas
do roxo e branco contrastando
na contramão inventiva dos gostos voltados. Avante!

E aqui há de vir um outro saci
não mais escondido ou predador
na lenda disfarçada de nossa humana maldade.

Ainda aqui tem feição o homem só
em sua nova percepção instintiva, dobro de lobo-guará
a proteger  a diversificação da sobrevida, nosso habitat.

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