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Saiba tudo sobre o “Bolero”, de Ravel

Meus amigos, uma sensacional proposta do Maestro João Maurício Galindo. É mais um dos cursos que acaba de sair do forno! Se você já participou de algum, sabe como é.  Se você já pensou em participar, mas nunca o fez, faça-o.

Ópera de Paris, 22 de Novembro de 1928.  As pessoas que entravam para assistir ao espetáculo e viam um cenário que retratava uma típica taverna espanhola. Logo veriam uma cena em que muitas pessoas dançavam animadamente. Uma dançarina salta sobre uma mesa, os aplausos aumentam, a dança se intensifica. Essa bailarina chamava-se Ida Rubinstein.

Ida Rubinstein

Nascida em 1883 em uma das mais ricas famílias da Rússia, Ida teve uma educação refinadíssima, que abrangia várias línguas, música, dança e teatro. Quando começou a atuar profissionalmente como artista, sua aristocrática família ficou horrorizada, internando-a em um asilo para doentes mentais.

Isso não foi suficiente. Ida deixaria o asilo, e para poder ter acesso a sua fortuna, casou-se com um conde – que não se opunha a sua atividade como artista. Logo o casal estaria em Paris, onde Ida fundaria sua própria companhia de dança – e com isso entraria para a história, encomendando trabalhos a diversos artistas. Não fosse por Ida Rubinstein, o mundo não teria conhecido o Bolero, de Maurice Ravel.

A estreia foi um sucesso gigantesco. Ravel já era um compositor maduro e consagrado, e o Bolero foi uma de suas últimas obras. Contudo, ele não conseguia entender a razão de todo aquele “frisson”! Chegou a imaginar que muitas orquestras iriam até mesmo se recusar a executá-la.
Conta-se que uma das poucas pessoas que não gostou da música dizia em alto e bom tom, após o espetáculo, que Ravel era louco.  Ao saber disso, o compositor declarou; “esta sim, entendeu minha música!

Pois bem, graças ao grande sucesso, arranjos para piano foram criados; várias gravações foram feitas, uma após outra, bem como transmissões de rádio. Um ano após a estréeia em Paris, o grande maestro Arturo Toscanini fez a prémière norte-americana, com a plateia aplaudindo e gritando entusiasticamente. Depois de inúmeras execuções nos Estados-Unidos, um jornal declarou que o Bolero havia se tornado o 2o. Hino Nacional.

A coreografia foi esquecida, a música tornava-se mais e mais conhecida …. para espanto de Ravel! Em julho de 1931, ele declarou ao jornal britânico “The Daily Telegraph”, resumidamente, o que se segue: “Meu Bolero é um experimento muito particular e limitado.  Ninguém deve esperar dele nada de diferente ou além disso“. E o mais espantoso: “são 17 minutos de um tecido orquestral sem música“.

Uma música sem Música???????? Como assim, uma música sem música?  Ninguém entendeu nada!

Bem, cara leitora, caro leitor, o fato é que por mais estranha e paradoxal que esta expressão possa parecer, ela tem, sim, um significado bem claro para os estudiosos de música. Aliás, para alguns poucos estudiosos de música. O próprio Ravel dá algumas pistas: “Não há nele contrastes e praticamente nenhuma invenção…”

O contraste sempre foi um elemento importantíssimo na criação musical. E mais ainda a invenção. Se entendermos as técnicas, ou as maneiras para se obter contrastes em música, bem como as ferramentas da invenção musical, podemos começar a entender o que Ravel quis dizer.

E ainda assim, sobra uma pergunta: porque essa música, sem contrastes e sem invenção, hipnotiza tanta gente? Sim, eu sei, esse assunto não interessa a muita gente. Com tanta coisa para se preocupar, talvez o melhor mesmo seja concentrarmo-nos nas nossas preocupações, 24 horas por dia. Assim quem sabe, a gente encontra uma solução pra elas. Muita gente é assim. Mas eu acho que você não é.

Eu acredito que você quer enxergar um pouco mais longe. Ou talvez, “ouvir” um pouco mais longe, visto que você faz parte de um grupo de pessoas que sinceramente gosta de música. Passam-me agora pela mente algumas imagens de mentes brilhantes que durante toda a vida procuraram entender e explicar o mundo, e ao mesmo tempo eram fascinados por música. Como este grande gênio que você conhece …

Bem, dito tudo isso, quero fazer-lhe um convite, para junto comigo saber um pouco mais sobre Ida Rubinstein, sobre os balés parisienses do 1o. quarto do século XIX, sobre a ourivesaria sonora de Ravel, os artesanatos da criação musical e o mistério da música e das artes sobre nós, humanos.

É mais um dos meus cursos que acaba de sair do forno! Se você já participou de algum, sabe como é. Se você já pensou em participar, mas nunca o fez, faça-o.

Maurício Galindo

Serão três aulas ONLINE em que, analisando o Bolero de Ravel, mergulharemos profundamente no mundo da grande música. Eis o conteúdo:

Primeira aula
– O que é um Bolero?
– Outros compositores escreveram boleros?
– Bolero Cubano e Bolero Europeu: nada a ver!
– Ida Rubinstein, os Balés Russos e Paris Artística no 1o. quarto do século XIX.
– Audição completa do Bolero.

Segunda aula
– Análise musical completa do Bolero
– A essência das críticas de Ravel
– Elementos da linguagem musical ausentes no Bolero (1a. parte)

Terceira aula
– Elementos da linguagem musical ausentes no Bolero (2a. parte)
– Derivações: O Bolero no balé, no cinema, na mídia e na cultura popular.

As aulas acontecerão nos dias abaixo, sempre das 18 às 20h
26/10 – 2a. feira
28/10 – 4a. feira
02/11 – 2a. feira

Se você quiser saber mais e se inscrever, basta escrever a este e-mail informando que quer participar.

Carlos Augusto de Souza Lima – casl1959.yahoo.com.br@bounces.em.secureserver.net

Mas faça-o agora!
Não deixe para a última hora!
Saudações musicais do Maestro João Maurício Galindo

 

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