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Royal Opera House no Rio

A Royal Opera House de Londres inaugura auspiciosa parceria com o Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Tony Hall, o Executivo-Chefe da Royal Opera House acaba de confirmar que aquela instituição estará desenvolvendo um relacionamento a longo prazo com o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, que deverá abrir sua nova temporada com três espetáculos de gala, com artistas do Royal Ballet e do Programa Jette Parker de Jovens Artistas. Em 21 e 22 de fevereiro haverá um simpósio sobre educação, e, em 1, 2 e 3 de março, apresentações de gala, de dança e ópera.

Expandindo seus vínculos internacionais, a Royal Opera House estabelecerá no Rio um programa educacional de longo prazo, que é um projeto de aperfeiçoamento artístico, bem como um diálogo com o público, com sede no Theatro Municipal, devendo incluir comunidades de educação artística do Brasil e da Inglaterra.

Este programa é uma continuação de um acordo firmado entre a Royal Opera House e o Centro Nacional das Artes do Espetáculo, de Pequim, que servirá de modelo para o intercâmbio de ideias e conhecimento, também com o Brasil.

Numa entrevista recente, Tony Hall declarou: “Esta é uma iniciativa de grande excitação entre o Brasil e o Reino Unido. Eu estou particularmente feliz de compartilhar experiências, treinos e desenvolvimento entre os dois países. Esta é também uma oportunidade fantástica de ampliar as nossas audiências, já estabelecidas no Brasil, por meio de nossas transmissões pelo cinema. Parece-me muito a propósito que os nossos dois países estejam trabalhando juntos, mais estreitamente, através da cultura, inspirados, em parte, pela criatividade, que esteve em evidência durante as Olimpíadas de Londres de 2012, e durante o Festival de Londres de 2012″.

O simpósio de dois dias, uma parceria do Theatro Municipal e do Festival TRANSFORM do Conselho Britânico, reunirá profissionais de dança e dançarinos de uma grande variedade de escolas de dança do Rio, organizações sociais e companhias profissionais de dança, que atualmente oferecem programas de treino para crianças. Junto com  membros da Royal Opera House e do Theatro Municipal, eles investigarão abordagens do ensino de balé, e de como usar a dança como instrumento educacional  que contribua para o desenvolvimento do indivíduo.

O propósito do programa é o de estimular  o debate sobre o tema do desenvolvimento de habilidades na vida das crianças, através da participação  no balé, e de criar um fórum para o intercâmbio de ideias e de habilidades, e de estabelecer novas relações, capazes de criar um diálogo a longo prazo, e de influir no desenvolvimento artístico.

O simpósio celebrará também a prática local de criar acesso à arte e à cultura nas favelas da cidade e em comunidades carentes. dando, assim,  a oportunidade de aprendizado e de um maior conhecimento mútuo. Haverá sessões práticas, conduzidas por profissionais de ambos os países. O time inglês dirigirá sessões de balé participatório no palco do Theatro Municipal, com grupos de crianças e jovens, vindos de projetos de dança já existentes no Rio.

A atividade educacional será seguida por três espetáculos de gala, com oito dançarinos principais do Royal Ballet e três dançarinos jovens do Programa Jette Parker, que deverão inaugurar a temporada de 2013 do Theatro Municipal. A Fundação Oak, que subvenciona o Programa Jette Parker, votou uma verba adicional, que possibilitará a inclusão de uma produção de “Sonho de uma noite de verão”, dirigida por André Heller-Lopes, que foi aluno do Jette Parker Young Artists Programme.

Os brasileiros Roberta Marquez e Thiago Soares, juntamente com os ingleses e integrantes de outros países, Federico Bonelli, Leanna Benjamin, Sarah Lamb, Steven McRae, Edward Watson e Marianela Nunez apresentarão cenas de balés do repertório do Royal Ballet. Uma das cenas de “In the Hothouse”, do coreógrafo Alastair Marriott, inclui a meiossoprano Justina Gringyte. Ela, por sua vez, se unirá à soprano Dusica  Bijelic e ao tenor Pablo Bemsch, para cantarem árias e duetos das óperas “Sansão e Dalila”, de Saint-Saens, “L’amico Fritz”, de Mascagni, “L’elisir d’amore”, de Donizetti, e das operetas “Giuditta”, de Franz Lehár, e “O Morcego”, de Johann Srauss.

O relacionamento da Royal Opera Nouse com o Brasil continuará a se estreitar nos próximos anos, e será ampliado com uma tournée do Royal Ballet em 2015, no Theatro Municipal. O Brasil é hoje a quarta audiência em importância da Temporada de Cinema da Royal Opera House, dentre os 32 países que atualmente transmitem nas grandes telas de cinemas as produções de ópera e balé da Royal Opera House. Além disso, depois dos Estados Unidos, o Brasil é o segundo maior parceiro que interage com a Royal Opera House, por intermédio da mídia social.

 

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José Neistein
Formado em Filosofia na USP e em Viena. Conferencista em universidades da Europa e das Américas. É membro das associações nacional e internacional de críticos de arte, com vários livros publicados. É crítico de arte, música, literatura, teatro e ópera.