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Resumo da A?pera 2015 a�� Um balanA�o da temporada e os melhores do ano

Municipal do Rio, depois de anos de ostracismo, tem o grande destaque da temporada, enquanto SA?o Paulo fica com a melhor produA�A?o de A?pera. Manaus A� a grande decepA�A?o.


Como jA? se tornou tradicional, o Cheap Movimento.com apresenta no fim de cada ano o seu balanA�o da temporada de A?peras no Brasil. Neste 2015 nA?o serA? diferente, e apresentamos abaixo um rA?pido resumo sobre o que aconteceu (e o que deixou de acontecer) nas cinco cidades que sA?o as principais produtoras lA�ricas do paA�s.

No fim do texto, o autorA�deste balanA�o aponta os melhores do ano, dentre tudo o que viu e ouviu nas 14 produA�A�es lA�ricas completas que pA?de conferir ao longo de 2015 no Brasil.

SA?o Paulo

A cidade de SA?o Paulo continuou sendo em 2015 o que jA? A� hA? bastante tempo: a capital lA�rica brasileira. O Theatro Municipal de SA?o Paulo e o Theatro SA?o Pedro, juntos, repetiram o total de 11 produA�A�es do ano anterior.

No Theatro Municipal paulistano, deveriam ter sido levadas sete A?peras, mas o cancelamento de CosA� fan Tutte fez com que a casa repetisse o nA?mero de produA�A�es do ano anterior. Das seis produA�A�es apresentadas, dentre as quais cinco foram conferidas por este autor, pode-se apontar uma ou duas produA�A�es menos inspiradas (o Otello online que abriu o ano, por exemplo, ofereceu ao pA?blico uma concepA�A?o cA?nica extremamente equivocada), mas o todo da temporada foi de encher os olhos e os ouvidos. Tanto que foi muito difA�cil escolher dentre duas das produA�A�es do TMSP (IevguA?ni OniA�guin e Order Manon Lescaut a��A�sem desconsiderar a excelenteA�Lohengrin) qual a melhor do ano a�� a escolhida estA? indicada no final deste balanA�o.

Manon Lescaut - Theatro Municipal de SA?o Paulo
“Manon Lescaut” no Theatro Municipal de SP

 

PolA?micas, como sempre, nA?o faltaram ao Municipal paulistano. O prA?prio cancelamento da A?pera de Mozart, relatado acima, e outros cancelamentos para 2016 causaram algazarra. Os motivos oficiais para os cancelamentos foram a alta do dA?lar e o fato de patrocinadores nA?o terem honrado compromissos firmados por conta da crise econA?mica que vive o paA�s. (leia aqui)

HA? poucas semanas, mais polA?mica: o entA?o diretor geral da FundaA�A?o Theatro Municipal de SA?o Paulo, JosA� Luiz Herencia, pediu demissA?o do cargo, alegando divergA?ncias administrativas (ele atualmente estA? sob investigaA�A?o por suspeita de corrupA�A?o a�� leia aqui). Nos bastidores, porA�m, hA? quem garanta que o motivo real da demissA?o de Herencia foram divergA?ncias entre ele e o diretor artA�stico da casa, maestro John NeschlingA�(confiraA�entrevistaA�com o maestro Order ). Para o posto deixado vago por Herencia, foi nomeado o advogado Paulo Dallari, ex-chefe de gabinete do prefeito de SA?o Paulo, Fernando Haddad. Para completar o quadro, hA? poucos dias surgiu na imprensa a informaA�A?o de que Herencia estA? sendo investigado pela suspeita de cobranA�a de propina e realizaA�A?o de espetA?culos superfaturados.

Devido A� reduA�A?o do orA�amento para a sua temporada artA�stica, o Municipal paulistano divulgou uma programaA�A?o lA�rica mais modesta para 2016, como somente quatro tA�tulos. Dentre estes, o que mais chama a atenA�A?o A� Elektra, A?pera de Richard Strauss que serA? encenada por Livia Sabag em outubro online (leia entrevista com a diretora). Merece destaque tambA�m Fosca, que encerrarA? a temporada e A� a primeira A?pera de Carlos Gomes apresentada na casa desde a chegada do maestro John Neschling A� direA�A?o artA�stica do TMSP. O italiano Stefano Poda, que dirigiu ThaA?s este ano, serA? o responsA?vel pela encenaA�A?o.

JA? o Theatro SA?o Pedro apresentou em 2015 cinco produA�A�es (a A?ltima delas em programa duplo), incluindo uma remontagem a�� sendo que o autor assistiu a trA?s dessas produA�A�es. Destas, o grande destaque foi Bodas no MonastA�rio, de Prokofiev, um dos grandes momentos da temporada nacional deste ano. Outro destaque do ano na casa A� a clara evoluA�A?o da Orquestra do Theatro SA?o Pedro, que jA? vem crescendo hA? algum tempo, e teve em 2015 certamente a sua temporada mais consistente.

Para 2016, o SA?o Pedro propA�e uma programaA�A?o novamente com cinco tA�tulos (um a mais que o Municipal paulistano), sendo um duplo, e outro em parceria com o Theatro Municipal do Rio de Janeiro (Don Quichotte, de Massenet). O tA�tulo que mais desperta a atenA�A?o, claramente, A� Adriana Lecouvreur, de Francesco Cilea, que serA? levada em abril com encenaA�A?o de AndrA� Heller-Lopes. TambA�m desperta curiosidade a A?pera O Espelho, de Jorge Antunes, baseada em um famoso conto de Machado de Assis, e que integrarA? o referido programa duplo junto a O AnA?o, de Zemlinsky, ambas com direA�A?o de William Pereira.

 

Rio de Janeiro

O Theatro Municipal do Rio de Janeiro viveu um ano emblemA?tico. Depois de anos e anos relegado A� segunda divisA?o dos teatros de A?pera brasileiros, devido a administraA�A�es amadoras e niveladas por baixo, a casa finalmente se reencontrou a partir de meados de junho. Comecemos por lembrar o que este balanA�o anual dizia no fim de 2014 a respeito do Municipal do Rio:

“O TMRJ nA?o sA? merece, como precisa demais de um diretor que lhe dA? prioridade absoluta. Uma diretora que faz questA?o de se dividir por incontA?veis tarefas, sempre deixando a programaA�A?o da casa para um futuro distante, A� totalmente dispensA?vel, nA?o faz a menor falta e nA?o acrescenta nada A� instituiA�A?o.” (veja texto na A�ntegra)

Pois bem, tudo isso apregoado no pequeno parA?grafo anterior foi provado neste ano de 2015. Inicialmente, Carla Camurati, “gestora” do Municipal carioca atA� o comeA�o de janeiro deste ano, deixou o cargo (com grande atraso, registre-se) para cuidar da direA�A?o cultural das OlimpA�adas de 2016 a�� onde, aliA?s, sua atuaA�A?o anda chocha, chocha a��, e o maestro Isaac Karabtchevsky foi nomeado presidente do Municipal. Como o maestro entende muito de mA?sica, mas nada conhece de administraA�A?o pA?blica, a secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro inventou de colocar EmA�lio Kalil no Municipal para auxiliar o maestro, como uma espA�cie de “eminA?ncia parda”, visto que Kalil, em momento algum, foi nomeado para qualquer cargo na casa.

A parceria acabou nA?o dando certo, e as desavenA�as entre o maestro e sua “eminA?ncia parda” chegaram a um ponto insustentA?vel. Seu legado em menos de seis meses? Uma A?nica A?pera, Fidelio, pessimamente encenada e cantada por solistas estrangeiros, em sua maioria, pra lA? de medianos. Diante da situaA�A?o, a secretA?ria de Cultura, Eva Doris Rosental, finalmente marcou um gol de placa, escolhendo o maestro e compositor JoA?o Guilherme Ripper para presidir a FundaA�A?o Teatro Municipal. (saiba mais)

Analisemos: em comum com Camurati, Karabtchevsky e Kalil tinham exatamente o fato de se dividirem entre vA?rios trabalhos. Este A� presidente da FundaA�A?o Cidade das Artes, enquanto aquele A� regente titular da Orquestra Petrobras SinfA?nica e da Orquestra SinfA?nica HeliA?polis, alA�m de ter outros compromissos importantes como regente convidado. AlA�m disso, Kalil foi acusado por muitos funcionA?rios do Municipal de tratA?-los com grosserias e deselegA?ncias.

JA? Camurati, como todos sabem, achava mais importante cuidar da produA�A?o de filmes que da programaA�A?o do Theatro Municipal. Nem a A?nica coisa que a dublA? de administradora se propA?s a fazer no Municipal, em seus A?ltimos anos de “gestA?o”, ela conseguiu fazer direito: dedicou-se “tanto” A� nova Central TA�cnica de ProduA�A?o (CTP) do TMRJ, que repassou-a incompleta ao seu sucessor. IncompetA?ncia, despreparo e desconhecimento perdem.

Ripper, ao contrA?rio, nA?o precisa se dividir entre vA?rias frentes. Ele deixou o comando da Sala CecA�lia Meireles para cuidar com exclusividade do Theatro Municipal. E mesmo que nA?o tenha interrompido suas atividades como compositor, isso nA?o chega a prejudicar sua atuaA�A?o A� frente do TMRJ. EleA�era o gestor dedicado de que o Municipal tanto precisava, como apregoado aqui no balanA�o da temporada do Movimento.com no fim de 2014.

Em cerca de trA?s semanas de gestA?o, Ripper e seu diretor artA�stico, maestro AndrA� Cardoso, elaboraram uma meia temporada para completar o ano de 2015, incluindo quatro A?peras, todas em regime de parcerias; e, em poucos meses, elaboraram uma nova temporada, esta completa, para todo o ano de 2016, e anunciaram-na ainda em novembro de 2015 a�� um fato extraordinA?rio para uma casa que, atA� anteontem, sA? anunciava sua programaA�A?o prA?pria em cima da hora do concerto de abertura de cada ano. Como se fosse pouco, a dupla restabeleceu a venda de assinaturas para as temporadas de A?pera e balA� da casa, suspensas por nada menos que 14 anos!, e ainda criou a Academia de A�pera Bidu SayA?o e um programa de incentivo A�s doaA�A�es de pessoas fA�sicas para a programaA�A?o da casa por meioA�de renA?ncia fiscal.

Com o dever cumprido em 2015, incluindo, dentre outras, uma bela encenaA�A?o de Don PasqualeA�(leia crA�ticas aqui e aqui) e a reapresentaA�A?o da primorosa produA�A?o de 2014 do Theatro SA?o Pedro para As Bodas de FA�garo, alA�m de nenhum cancelamento de espetA?culo (coisa que Carla Camurati adorava fazer), agora o foco estA? na temporada 2016, quando o TMRJ promete apresentar sete A?peras, sendo trA?s por meioA�de parcerias e uma curta, em programa duplo com um balA� tambA�m curto. Dentre estas sete produA�A�es, destacam-se desde jA? a rarA�ssima Don Quichotte, em parceria com o Theatro SA?o Pedro; Orfeu e EurA�dice, que marcarA? as estreias no Rio do diretor Caetano Vilela e da cenA?grafa Duda Arruk; O Escravo, primeira A?pera de Carlos Gomes devidamente encenada que serA? apresentada na casa desde o ano 2000 (correA�A?o do verdadeiro absurdo que A� o maior compositor de A?peras do paA�s ficar esquecido por tanto tempo); e a nA?o menos rara JenA?fa, de JanA?A?ek, que encerrarA? a temporada.

Se a quantidade de espetA?culos lA�ricos prevista para 2016 finalmente atinge um nA?mero de produA�A�es coerente com a importA?ncia histA?rica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, depois de anos e anos de desleixo com a programaA�A?o artA�stica da casa, ainda hA? o que melhorar, especificamente, no que diz respeito A� escalaA�A?o de alguns solistas para determinadas A?peras. Esse tema serA? tratado ao longo do prA?ximo ano, caso a caso, nas crA�ticas que virA?o. Nada, porA�m, que tire da nova administraA�A?o do Municipal do Rio o grande destaque da temporada 2015, como se pode verificar no final desta retrospectiva.

 

BelA�m

O Festival de A�pera do Theatro da Paz, que vinha numa trajetA?ria ascendente nos A?ltimos anos, sofreu em 2015 com a crise econA?mica, e apresentou somente duas A?peras a�� e, dessas, apenas uma na casa que dA? nome ao evento. TambA�m ao contrA?rio de anos anteriores, quando, muito acertadamente, apostou em tA�tulos ousados como O Navio Fantasma, Otello e Mefistofele, a direA�A?o do Festival escolheu um tA�tulo mais convencional e teoricamente mais fA?cil de levar ao palco para ser o carro-chefe do evento: Os Pescadores de PA�rolas, de Bizet (leia crA�ticas aqui, aqui e aqui Buy ); complementando a programaA�A?o artA�stica com o resgate da A?pera A Ceia dos Cardeais, de IberA? de Lemos, e alguns concertos.

O festival belenense tambA�m nA?o escapou de alguma polA?mica, uma vez que o convite dos gestores ao cineasta Fernando Meirelles (leia entrevistaA�com o cineasta) levitra brightonshop para conceber e dirigir a encenaA�A?o da A?pera de Bizet nA?o foi bem recebido em alguns segmentos do meio musical. No fim das contas, constatou-se que a polA?mica nA?o tinha fundamento, pois Meirelles apresentou um A?timo trabalho, elogiado pela crA�tica e muito aplaudido pelo pA?blico.

Para 2016, espera-se que o Festival consiga apresentar uma programaA�A?o mais robusta, ou pelo menos que recupere a quantidade de tA�tulos dos A?ltimos anos (trA?s); espera-se tambA�m a volta daquela ousadia inteligente na escolha dos tA�tulos que vinha marcando o evento. Nos bastidores, jA? se fala em uma possA�vel Turandot, que seria muito bem-vinda, dependendo do elenco escalado, naturalmente. A propA?sito, cabe aqui uma pergunta: quando vamos ter a chance de assistir no Brasil a uma Turandot com o final alternativo de Luciano Berio?

Os Pescadores de PA�rolas
Camila Titinger e Fernando Portari em “Os Pescadores de PA�rolas”

 

Belo Horizonte

Por mais um ano, a FundaA�A?o ClA?vis Salgado decepcionou o pA?blico mineiro apresentando, digamos, uma A?pera e meia no PalA?cio das Artes, de Belo Horizonte. Sim, porque somente Lucia di Lammermoor foi apresentada completa. Carmen, pelas informaA�A�es que chegaram de BH, foi apresentada com cortes considerA?veis, no formato de concerto cA?nico, mas somente com highlights.

Tomara que a ida de Silvio Viegas para Belo Horizonte, onde o maestro assumirA?, a partir de janeiro, a regA?ncia titular da Orquestra SinfA?nica de Minas Gerais, possa ajudar a vida operA�stica mineira a voltar a ter destaque no cenA?rio nacional a�� coisa que, definitivamente, nA?o vem tendo nos A?ltimos anos devido A�s suas minguadas produA�A�es. AtA� agora, porA�m, tudo indica que o PalA?cio das Artes voltarA? a abrigar em 2016 somente uma A?pera e meia: Romeu e Julieta (produA�A?o completa), de Gounod; e O Guarani (com um monte de cortes…), do nosso Carlos Gomes.

 

Manaus

O ano de 2015 entrarA? para a HistA?ria da A?pera no Brasil como o ano em que meia dA?zia de incompetentes e “enrolA�es” resolveram simplesmente CANCELAR o Festival Amazonas de A�pera (FAO), nada menos que o mais importante e mais tradicional festival do gA?nero no paA�s. E nA?o seria razoA?vel culpar a crise econA?mica pelo cancelamento do Festival, uma vez que outras casas que tambA�m sofreram com a mesma crise (praticamente todas) nA?o deixaram de apresentar suas produA�A�es lA�ricas. A desculpa oficial alardeada pela secretaria de Cultura do Amazonas A� tA?o vaga e desleixada que nA?o merece ser repetida aqui. (Quem quiser saber pode clicar aqui)

Em novembro, finalmente uma A?pera subiu ao palco do Teatro Amazonas, com a remontagem de Onheama, de JoA?o Guilherme Ripper; mas vamos combinar que tal iniciativa, em hipA?tese alguma, pode compensar o cancelamento do FAO.

HA? algumas semanas (lembro que o Festival A� tradicionalmente apresentado entre abril e maio), chegou a informaA�A?o de que o evento se tornaria bienal, e voltaria a ser realizado em 2016, uma hipA?tese que jA? vinha sendo considerada nos bastidores. Dos males o menor. Aguardemos o prA?ximo ano para ver o que acontece, mas, ao se tornar bienal, o FAO corre o risco de perder para o Festival de A�pera do Theatro da Paz o tA�tulo de mais importante e mais tradicional festival de A?pera do paA�s.

 

A A?pera e o blA?-blA?-blA?

No dia 30 de novembro, foi realizado no Theatro SA?o Pedro, em SA?o Paulo, um seminA?rio com representantes de todos os teatros de A?pera mencionados nesta retrospectiva. Tudo muito bom, tudo muito bem, desde que o encontro realmente apresente RESULTADOS. A� preciso acabar com certas vaidadezinhas que reinam no mundinho da A?pera brasileira a�� mundinho este que tem uma parte bastante nobre, e outra, marcada pela mediocridade e pela mesquinharia.

A� preciso que os teatros em questA?o, principalmente em tempos de vacas magras, unam-se em nome de um bem comum: a oferta de espetA?culos, atendendo ao mesmo tempo ao pA?blico e aos profissionais da A?rea. Para isso, parcerias devem ser realizadas, atravA�s de coproduA�A�es ou de permutas de montagens. O que nA?o pode ocorrer A� cada um ficar no seu mundinho, esquecendo que os outros existem, e acontecer o que aconteceu em 2014, quando trA?s montagens diferentes da A?pera Carmen foram apresentas no Rio, em SA?o Paulo e em Manaus, quando poderia ter sido produzida somente uma montagem que circulasse pelas trA?s praA�as, barateando o custo para todos.

O oA?sis desse deserto parece ser o novo gestor do Municipal do Rio, JoA?o Guilherme Ripper, que, ciente das dificuldades, tem tido a humildade e a responsabilidade de pensar primeiro no pA?blico e na programaA�A?o da casa que dirige, e tem apostado bastante em parcerias. O Theatro SA?o Pedro tambA�m tem demonstrado boa vontade nesse sentido, ainda que somente com o TMRJ, o mesmo valendo para o TMSP, que atA� agora sA? fechou parceria com o TMRJ. Desta forma, com a honrosa exceA�A?o do TMRJ, todos os outros teatros de A?pera brasileiros ainda estA?o devendo em termos de parcerias.

A� verdade que permutas (ou remontagens em teatros diferentes do produtor original) sempre ocorreram aqui e ali, mas de forma um tanto bissexta. De forma sistemA?tica, somente agora com a nova gestA?o do Municipal carioca. A� preciso que os outros teatros tambA�m comecem a investir nesse expediente de forma mais constante.

 

Os melhores do ano

Este balanA�o se encerra com a indicaA�A?o dos principais destaques da temporada de A?peras pelo Brasil, dentre tudo aquilo que o autor viu e ouviu em 2015. Foram premissas para as escolhas:

a) para as indicaA�A�es de melhor produA�A?o de A?pera e para as indicaA�A�es individuais da A?rea cA?nica, foram considerados somente espetA?culos inA�ditos produzidos no Brasil, de forma que remontagens, espetA?culos produzidos originalmente no exterior, ou trazidos de outros teatros de anos anteriores nA?o concorreram; e

b) para as indicaA�A�es individuais foram citados somente artistas e profissionais brasileiros ou radicados no Brasil, com exceA�A?o da indicaA�A?o de melhor cenA?grafo.

 

Isto posto, seguem nossos eleitos:

Grande destaque do ano: JoA?o Guilherme Ripper, por ter, em pouquA�ssimo tempo de gestA?o, devolvido o Theatro Municipal do Rio de Janeiro ao seu devido lugar de destaque no panorama lA�rico nacional, apA?s anos e anos em que a casa esteve afundada na mediocridade administrativa.

Melhor produA�A?o de A?pera: Manon Lescaut, no Theatro Municipal de SA?o Paulo, que reuniu excelentes solistas e uma encenaA�A?o de altA�ssimo nA�vel.

Melhor concepA�A?o e direA�A?o cA?nica: Caetano Vilela, por seu belA�ssimo trabalho no programa duplo Um Homem SA? / Ainadamar, no Theatro Municipal de SA?o Paulo.

Melhor cenA?grafo: Juan Guillermo Nova, pelos cenA?rios deslumbrantes de Manon Lescaut, no Theatro Municipal de SA?o Paulo (quatro cenA?rios diferentes, um para cada ato e cada um melhor que o outro, como manda o protocolo).

Melhor figurinista: Lorenzo Merlino, pelo belA�ssimo trabalho na A?pera IevguA?ni OniA�guin, no Theatro Municipal de SA?o Paulo.

Melhor iluminador: Fabio Retti, por Bodas no MonastA�rio, no Theatro SA?o Pedro.

Melhor regente: Silvio Viegas, pela bela conduA�A?o de Falstaff no Theatro SA?o Pedro, e por sua excelente direA�A?o musical de Don Pasquale no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

RevelaA�A�es como regentes de A?pera: AndrA� dos Santos (Bodas no MonastA�rio, no Theatro SA?o Pedro); e Tobias Volkmann (As Bodas de FA�garo, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro).

Melhor orquestra: Orquestra SinfA?nica Municipal, pelo terceiro ano consecutivo, por sua atuaA�A?o em toda a temporada lA�rica do Theatro Municipal de SA?o Paulo, com menA�A?o especial para seu desempenho em Manon Lescaut.

Melhor cantor: Martin Muehle, por seu brilhante Renato Des Grieux em Manon Lescaut (TMSP).

Melhor cantora: Adriane Queiroz Cheap , por sua atuaA�A?o visceral como a personagem-tA�tulo Manon Lescaut, no TMSP.

RevelaA�A�es: Anibal Mancini, por seu Fenton e por seu Don Antonio (respectivamente em Falstaff e Bodas no MonastA�rio, ambas no Theatro SA?o Pedro); Camila Titinger, por sua LeA?la (Os Pescadores de PA�rolas, no Theatro da Paz); e Ludmilla Bauerfeldt, por sua Norina (Don Pasquale, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro).

AfirmaA�A?o: Giovanni Tristacci, que jA? tem alguns anos de estrada como profissional, mas demonstrou em 2015 um grande crescimento artA�stico, especialmente por seu Don Jerome em Bodas no MonastA�rio, no Theatro SA?o Pedro.

 

LinksA�interessantes:

ProgramaA�A?o 2016 completa do Theatro Municipal de SA?o Paulo
ProgramaA�A?o 2016 completa do Theatro Municipal do Rio de Janeiro
ProgramaA�A?o lA�rica 2016 do Theatro SA?o Pedro
ProgramaA�A?o 2016 do PalA?cio das Artes

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Leonardo Marques
Formado em Letras com pós-graduação em Língua Italiana. Frequentador assíduo de concertos e óperas. Participou de cursos particulares sobre ópera. E-mail: leonardo@movimento.com