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“Renaud” – um achado na nova Sala

Order Solistas brilham na maravilhosa acústica da renovada Sala Cecília Meireles.

  Pills

No último domingo, 23 de março, enquanto uma torrencial chuva de verão castigava o Rio de Janeiro – a ponto de suspender o “clássico” futebolístico Flamengo X Vasco, no Maracanã, por cerca de 50 minutos –, os privilegiados que foram à Lapa conferir outro tipo de “clássico” se encantavam com a surpreendente música que o italiano Antonio Sacchini compôs para Renaud, ópera em três atos sobre libreto de Jean-Joseph Le Boeuf e Nicolas-Étienne Framery.

Assim como Rinaldo, de Händel, e Armida Order , de Rossini, só para ficar em dois exemplos bastante conhecidos (naquela época, era comum que várias óperas fossem escritas sobre o mesmo tema), Renaud bebe na fonte de Gerusalemme Liberata (Jerusalém Libertada), poema épico de Torquato Tasso. Apesar da origem em comum, cada uma dessas óperas tem suas variantes e cada qual um final diferente. A versão de Sacchini termina bem, unindo o cruzado Renaud e a feiticeira Armide.

Na Sala Cecília Meireles, a obra foi levada em forma de concerto cênico e, dentro das possibilidades do espaço, a direção de André Heller-Lopes funcionou bem no geral, com um ou outro senão de menor valia. Por sua vez, a luz de Fabio Retti alternou momentos de correção com outros de menor inspiração.

O grande trunfo da apresentação, porém, foi a música muito bem composta por Sacchini – um verdadeiro achado que, segundo informações coletadas ao final do concerto, foi apresentado sem cortes em cerca de duas horas e meia (incluindo-se os dois intervalos). Foi tão bom que o público mal se deu conta de que o mundo se acabava em água lá fora – água muito bem-vinda em tempos de crise hídrica.

A Cheap Orquestra Sinfônica Brasileira esteve sempre muito bem sob a regência segura de Bruno Procópio. Bastante equilibrada, a sonoridade alcançada pelo conjunto foi um dos pontos altos do concerto. A Associação de Canto Coral purchase cipro online Buy Purchase , preparada por Jésus Figueiredo Order , não ficou atrás.

Com pequenas participações, não comprometeram os solistas Lara Cavalcanti, Fátima Santana e Osssiandro Brito. O baixo Murilo Neves (que cantou as partes de Adraste, Arcas e Mégère) não fez um bom primeiro ato, mas cresceu ao longo da récita e concluiu-a a contento no ato final. Já a soprano Marianna Lima deu boa conta das partes de Antiope e Doris.

O barítono Leonardo Páscoa, dono de voz naturalmente volumosa, foi um verdadeiro trovão (para combinar com a tempestade lá de fora) na acústica privilegiada da Sala, e brilhou intensamente e sem dificuldades nas partes de Hidraot e Tissapherne.

A mezzo-soprano Luísa Francesconi foi uma Armide bastante convincente e musical, e teve bons momentos durante toda a récita. Quem também teve grandes momentos foi o tenor Geilson Santos, que interpretou um Renaud vocalmente impecável, exibindo rico fraseado e conhecimento estilístico.

Por fim, menção honrosa para a soprano Nívea Raf, que, além de encarnar Mélisse, encantou o público enfrentando com bravura as coloraturas da difícil ária de Coryphée que encerra a ópera, Que l’éclat de la victoire. Um nome a ser observado com atenção.

 

A acústica e a programação da Sala

Esta foi a primeira vez que fui à Sala Cecília Meireles depois da sua reinauguração em dezembro de 2014 e a primeira impressão não poderia ter sido melhor. Para além de um local mais bonito e mais acolhedor, a acústica da casa, já famosa antes da reforma, pareceu-me estar ainda mais acurada, proporcionando um som que chega aos ouvidos com enorme potência e clareza. O nível de reverberação está um primor. Para as vozes então, nem se fala, e, ao mesmo tempo em que escancara as deficiências dos intérpretes, realça também as qualidades.

Como se não bastasse, a programação da Sala continua sendo rica, variada e, guardadas as devidas proporções, melhor que a do Theatro Municipal e a da Cidade das Artes. Em abril próximo, por exemplo, teremos a integral das 32 sonatas para piano de Beethoven. Méritos do diretor da casa, João Guilherme Ripper.

 

Leia também a crítica de Andre Effgen

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1 Comment

  1. Uma pequena correção: o domingo em questão foi dia 22, e não 23 de março. Aceitem minhas desculpas.

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Leonardo Marques
Formado em Letras com pós-graduação em Língua Italiana. Frequentador assíduo de concertos e óperas. Participou de cursos particulares sobre ópera. E-mail: leonardo@movimento.com