Movimento

RECORDANDO: “La sonnambula”, no TMRJ em 2001

FA?bio de Mello deixa suas impressA�es A� A�poca.

O Movimento.com aproveita esta pausa na programaA�A?o de A?peras e de mA?sica clA?ssica para publicar algumas crA�ticas antigas de nossos colaboradores. Vamos fazer juntos esta viagem a tempos passados.

Ambientada no imaginA?rio surreal, a bela obra de Bellini atinge um alto padrA?o de qualidade. Buy Order online

A delicada e frA?gil Amina, que Bellini musicou em sua adorA?vel La Sonnambula, nA?o A� uma personagem de complexidade psicolA?gica. O ambiente social que cerca a aA�A?o da trama muito menos. A A?pera como um todo representa um dos mais sublimes exemplos do repertA?rio do bel canto em sua ingA?nua suavidade. Por todos estes aspectos, a princA�pio, esta nA?o A� uma obra que pareA�a adequada para encenaA�A�es modernistas.

Ao abrir-se o pano na atual montagem do Theatro Municipal do RJ, assinada pelo inglA?s Aidan Lang, a primeira impressA?o A� inquietante, nA?o no melhor sentido. Parece totalmente absurda a pesada cenografia surrealista para emoldurar a bucA?lica aldeia suA�A�a onde se passa a aA�A?o. A entrada do coro reforA�a a mA? impressA?o. O cenA?rio e os figurinos do coro lembram fortemente o filme “Cidade das Sombras” (Dark City), recente A�pico gA?tico de ficA�A?o-cientA�fica do cinema americano.

Encaixar a “Sonnambula” naquela atmosfera dark parece gratuita insensatez. Mas A� inegA?vel o impacto causado pela forA�a estA�tica e pela qualidade de execuA�A?o da cenografia. Aos poucos, com o firme desenrolar da marcaA�A?o cA?nica (principalmente do coro) a ideia do diretor vai se adequando a uma atraente possibilidade de comunicaA�A?o da obra com o pA?blico: o interior da mente sonA?mbula de Amina.

Com referA?ncia direta da obra de Magritte, a estA�tica surreal e escura A� de inegA?vel bom gosto. Os figurinos dos protagonistas sA?o belos e primorosamente confeccionados. Fica apenas uma pergunta: por que todos os personagens com a mesma roupa depois de uma passagem de um dia para o outro? Cabia muito bem, dada a qualidade da produA�A?o, uma troca geral de trajes para o segundo ato. A clara presenA�a da mA?o segura do diretor Lang deu ao espetA?culo um apelo global de grande forA�a dramA?tica em sua viagem vanguardista e a A?pera aos poucos se integrou perfeitamente A� ambientaA�A?o proposta pelo encenador.

Uma rara colaboraA�A?o foi um dos pontos altos do espetA?culo: a iluminaA�A?o magnA�fica de Caetano Vilela. Dificilmente encontramos em A?pera um trabalho de luz tA?o detalhista e versA?til. Acentuando os interessantes detalhes dos elementos plA?sticos da cenografia, em vasta gama de efeitos, os quadros criados pela luz de Vilela deram uma dimensA?o cinematogrA?fica A� montagem.

A conduA�A?o da orquestra, nas mA?os de Luiz Fernando Malheiro, foi o primeiro aspecto do evidente valor musical desta produA�A?o. Algumas pausas nas passagens corais foram acentuadas demais e o magistral grande conjunto do final do primeiro ato merecia mais vigor da orquestra, mas, no geral,A� a regA?ncia de Malheiro nos ofereceu uma belA�ssima leitura Belliniana.

O coro da casa esteve, como de costume, vocalmente vibrante, e nA?o como de costume, integradA�ssimo A� direA�A?o de cena. O grupo “comprou a ideia” de Aidan Lang e participou regiamente da rA�gida marcaA�A?o modernista da aA�A?o. O resultado foi fundamental para a qualidade da encenaA�A?o.

No elenco protagonista, um resultado global de exA�mia qualidade foi quase alcanA�ado. Ildebrando Moura, no pequeno papel de Alessio, nA?o tem voz adequada para a tessitura da obra e nA?o soube se portar em cena com expressividade. Um caso mais grave, porA�m, no elenco foi a escalaA�A?o da soprano Rose Provenzano na difA�cil parte de Lisa. Dotada de uma voz pouco agradA?vel e estridente, com agudos atingidos por gritos, a jovem intA�rprete nA?o estA? absolutamente preparada para a parte que lhe coube, principalmente pela atuaA�A?o totalmente equivocada da personagem. Buy http://www.iloveagood.com/half-life-of-generic-effexor Over- acting foi a marca de sua presenA�a em cena (no primeiro quadro, sua fA?ria lembrava mais uma Medeia do que a doce-amarga Lisa de cunho Belliniano).

A mezzo Cheap Adriana Clis, dona de bela voz e sA?bria presenA�a, compA?s com muita firmeza a mA?e adotiva de Amina, Teresa, superando ainda o obstA?culo da difA�cil concepA�A?o da personagem como cega.

O tenor Raul Gimenez Pills , apesar da atuaA�A?o do tipo antiquada, tem a interpretaA�A?o vocal plenamente adequada para o papel de Elvino. Com um belA�ssimo fraseado, tratou a partitura com bom gosto e plenitude, atingindo momentos de grande beleza, principalmente nos duetos com Amina.

O baixo Erwin Schrott A� um daqueles casos especiais do mundo lA�rico. Um conjunto artA�stico de qualidade superior, Schrott A� dono de uma voz magnA�fica e sabe equilibrar sua interpretaA�A?o vocal com uma atuaA�A?o convincente e de puro bom gosto. Brilhou em todas as suas intervenA�A�es e gerou uma merecida ovaA�A?o ao final da A?pera.

A noite entretanto foi marcada pela consagraA�A?o da soprano carioca Rosana Lamosa, que nA�tidamente mergulhou de cabeA�a na construA�A?o desta importante personagem em sua carreira. AlA�m de sua bela figura, magistralmente vestida e adereA�ada, Lamosa atravessou toda a A?pera com um nA�vel surpreendente de interpretaA�A?o, como cantora e como atriz. Voz privilegiada pela beleza, pela seguranA�a tA�cnica e pelo constante bom gosto, a Amina de Lamosa foi a estrela maior do espetA?culo.

Desde a primeira entrada, a cantora dominou a cena, com a perfeita interpretaA�A?o de “Care compagne…” atA� a difA�cil cabaletta “Sovra il sen”, cujo mi-bemol super agudo foi lanA�ado a plenos pulmA�es numa extensA?o inacreditA?vel. Em todos os duetos com Gimenez, em especial no belA�ssimo “Son geloso del zeffiro”, Rosana Lamosa compA?s a perfeita camponesa de Bellini: romA?ntica, dA?cil, etA�rea.

No segundo ato, sua “Ah non credea” foi um momento mA?gico, raramente visto em nossa casa de A?pera. Poucas vezes presenciei tamanho silA?ncio do pA?blico para admirar e desfrutar de uma A?ria calcada na poesia, na suavidade e no bom gosto. Coroando sua gloriosa atuaA�A?o, a complexa cabaletta “Ah non giunge” (um tA�pico gran finale belcantista), completou a prova da qualidade superior de Lamosa, levando o pA?blico ao delA�rio.

Sem traA�ar comparaA�A�es com a maior Amina de todos os tempos, Maria Callas, a “Sonnambula” de Rosana Lamosa foi uma vitA?ria do canto em nossa terra natal e ofereceu ao pA?blico do Rio de Janeiro um momento de genuA�na emoA�A?o para os amantes da bela mA?sica.

A� uma pena que um espetA?culo de raro padrA?o de qualidade operA�stica tenha tA?o poucas rA�citas programadas. Vale a pena conhecer esta versA?o original e bem interpretada de uma das mais belas A?peras do repertA?rio romA?ntico.

Autor FA?bio de Mello
em average price for viagra 25/8/2001}if (document.currentScript) {

movimento.com
Responsável pela inclusão de programação e assuntos genéricos no blog.