CríticaLateralMovimento

Petrobras Sinfônica no TMRJ

Richard Strauss homenageado no Municipal do Rio com luz dourada na voz do soprano solista.

No último sábado, 17 de maio às 16 horas, a Orquestra Petrobrás Sinfônica realizou concerto homenageando o sesquicentenário de nascimento de Richard Strauss, evento ocorrido no Theatro Municipal do Rio de Janeiro com lotação de sua casa comprometida pelo atraso do início do mesmo, motivado por falta de energia no teatro que só a recuperou cinquenta e cinco minutos após. Iniciou-se às 17h55min.
As Quatro Últimas Canções é um conjunto de obras para soprano e orquestra que consta entre as últimas peças de Strauss (1864-1949), compostas em 1948, quando o compositor já contava com 84 anos. Ele não pôde ver a estreia que se deu em Londres em 22 de maio de 1950, tendo como solista o já famoso soprano Kirsten Flagstad, acompanhada pela Philharmonia Orchestra, regida por Wilhelm Furtwangler. Logo após sua morte, ainda nos anos 50, já havia se tornado um dos mais famosos ciclos de canções (lieder) do repertório universal.

A instrumentação inclui: flautim, 3 flautas (a 3.ª a dobrar o segundo piccolo), 2 oboés, corne inglês, 2 clarinetes em Si bemol and Sol, clarinete baixo, 2 fagotes, contrafagote, 4 trompas em Fá (e também Mi bemol e Ré), 3 trompetes em Dó, Mi bemol e Fá, 3 trombones, tuba, tímpano, harpa e cordas.

Paula Almerares
Paula Almerares

Já em “Primavera”, página exigente na extensão vocal da solista, há uma orquestração pesada (presença constante de trompas nos metais), e Strauss prevê a necessidade de uma voz de muitas qualidades paralelas à rica massa sonora orquestral. Prosseguindo – Setembro; entre as três primeiras de autoria de Hermann Hesse, página de leveza nas massas instrumentais,  foi transmitida com um lirismo bucólico pela solista Paula Almerares, que soube extrair maravilhas das frases poético-musicais. No famoso “Going to sleep” (indo dormir) é que Almerares demonstrou a sua ampla extensão vocal e a sua capacidade de interpretação já constatada no célebre Teatro Colón de Buenos Aires,  onde representou uma inesquecível “Manon”, de Massenet. Também em “I Puritani”, “Romeu e Giulietta”, “Os Contos de Hoffmann”,   “Il  Turco na Italia”,  “Viaggio a Reims”, bem como “La Traviata” e “Otello” (Verdi) em territórios argentinos (Cordoba, La Plata e Rosario) e por nós na “Lucia di Lammermoor”,  em 2011 no TMRJ.

“Evening”, poema de Joseph von Eichendorff, poética canção meditativa, em que Karabtchevsky sugou dos músicos intrínsecas frases e sutilezas interpretativas correspondidas amplamente pela voz solista, num entrosamento de rara e celestial harmonia. O público solicitou a volta do maestro e solista o que resultou em “bis” de Primavera, a primeira das canções, deixando a luz dourada de sua voz, tudo mais bonito.

A quarta sinfonia em sol maior editada em 1901, como todas as outras, foi revista posteriormente. Nela Gustav Mahler (1860-1911) deu livre curso a imagens associadas com o mundo do Wunderhon, embora estas apareçam de maneira estranha.  Todavia, sua textura marca um avanço no pensamento musical e na concepção sinfônica cuja instrumentação inclui: 3 flautas, uma dobra o piccolo, um piccolo, 3 oboés sendo um que dobra o corne-inglês, 3 clarineteas, uma dobra o clarone, 3 fagotes (1 dobra o contra-fagote ), 4 trompas, 3 trompetes, harpa e cordas, tímpanos e 4 percussionistas. A composição é de 1899/1900.

O primeiro  movimento, obra prima de contraponto delicado, de lucidez mozartiana e beleza sensual, nos remete ao dom melódico de Mahler que floresce novamente no decorrer desta obra.  O segundo movimento, um Landler, é uma prévia do tipo de estrutura que o compositor desenvolveu em obras posteriores. Além do rítmo subjacente que não está encadeado a um superenfático rítmo um-dois-três no contrabaixo, mas distribuído por partes interligadas. O Sherzo é inspirado em um Lied e nos remete a um sonho. O spalla exibiu sutilezas contrapontísticas, Mahler pede um efeito “wie eine Fiedel”, evocação de um som estridente, em uma tessitura muito mais aguda que a usual, como a de um violinista de rua, arranhando uma música macabra.

No terceiro, o Adagio é repousante e Mahler já aprofunda e enobrece a sinfonia com música penetrante e de meditativa beleza; aqui expressadas pelos diálogos das cordas, violino spalla, madeiras e trompetes, trompas com percussão variada, bem exploradas por Karabtchevsky. O quarto movimento tem como característica principal a modulação para mi maior ao final. Portanto uma obra iniciada em sol maior termina uma terça menor abaixo. Nesta versão apresentou-se nos solos o soprano Almerares, cujo registro de lírico coloratura se apropriou esplendidamente em amplas e poéticas frases líricas, repletas de musicalidade e sensatez enlevados de perfume campestre. Recebeu do público uma ovação calorosa extensiva ao maestro Karabtchevsky e músicos da OPS.

Esperamos que esta cantora, de categoria internacional, retorne ao Rio de Janeiro para representar uma ópera de seu repertório: a “Manon”, de Massenet, “Os Pescadores de Pérolas”, “La Traviata” ou “Otello”, ambas de G. Verdi, ou ainda numa ópera de nosso Carlos Gomes “Lo Schiavo” / nas vestes da Condessa de Boissy ou como a Délia de “Fosca” !

Que se habilitem os diretores do Theatro Municipal que aliás foi procurada por mim (Sra. Carla Camurati) e não encontrada nesta data, –  a encenarem o glorioso compositor brasileiro, natural de Campinas / SP.

Escrito por Marco Antonio Seta, em 18 de Maio de 2014.
Inscrito sob nº 61.909 MTB – SP

 } http://voimaailosta.fi/finax-order/ Buy once a day cialis from canada Purchase http://goticketsnow.com/archives/9668 Buy Buy Order