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Panorama e memória da dança

Balé da Cidade de São Paulo, Balé do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e da São Paulo Companhia de Dança no Municipal paulista.

 

A dança contemporânea e a clássica juntas no palco do Theatro Municipal de São Paulo. Esta é a proposta da Gala do Balé da cidade de São Paulo: Panorama e Memória. Em uma única noite, o público pode assistir a apresentações do Balé da Cidade de São Paulo, da São Paulo Companhia de Dança e do Balé do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A apresentação ocorre no dia 11 de agosto, às 20h.

O programa dá destaque para alguns dos grandes balés clássicos, além da apresentação de Adastra, uma das mais técnicas coreografias criadas especialmente para a companhia do Theatro Municipal de São Paulo. O Balé do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, sob a direção artística de Ana Botafogo e Cecília Kerche, apresenta trechos de uma das obras de dança mais vistas mundialmente: O Lago dos Cisnes, em uma versão coreográfica de Yelena Pankova para a criação original de Marius Petipa.

Com música de Tchaikovsky, a obra foi concebida em 1875, na Rússia, e se tornou referência para todas as grandes companhias. Na história, a princesa Odette é transformada em um cisne pelo feiticeiro Rothbart e só retornará à forma humana, definitivamente, quando encontrar um amor puro e verdadeiro. Nesta apresentação, integrantes da companhia interpretam um pas de trois (trio) do 1° ato, quando os amigos do príncipe Siegfried se apresentam nos jardins do castelo real. Os interpretes são os bailarinos Juliana Valadão, Fernanda Martiny e Alef Albert.

O grupo dança também um pas de deux (dueto de Juliana Valadão e Alef Albert) com a trilha de uma das mais belas melodias da ópera Orfeu e Eurídice e o Gopak, solo do balé Taras Bulba. Estes movimentos são inspirados no gopak, uma dança popular da Ucrânia, com muitos saltos e acrobacias, executada pelo bailarino Cícero Gomes.

A São Paulo Companhia de Dança, dirigida por Inês Bogéa, apresenta, com 25 bailarinos, o 2º ato de O Lago dos Cisnes. Nesta parte da obra, o príncipe Siegfried e a princesa Odette se encontram na floresta. Até o amanhecer, ela é uma jovem delicada, que o príncipe ama e protege. E, durante o dia, a princesa se transforma na rainha dos cisnes.

Para celebrar a dança contemporânea, o Balé da Cidade de São Paulo interpreta Adastra, do catalão Cayetano Soto. A obra testa o esforço físico dos bailarinos ao limite, para retratar a luta pessoal de cada um na busca de um sonho impossível.

 

Mesa-redonda

Além das apresentações no TMSP, ocorre às 16h, na Sala do Conservatório, no 1º andar da Praça das Artes, no Centro de São Paulo, uma mesa-redonda para compartilhar a memória e discutir as perspectivas da dança, com as presenças dos quatro diretores artísticos das companhias: Ana Botafogo e Cecília Kerche, do Balé do Theatro Municipal do Rio de Janeiro; Inês Bogéa, da São Paulo Companhia de Dança; e Ismael Ivo, do Balé da Cidade de São Paulo. O secretário municipal de Cultura, André Sturm, abre o evento. O encontro tem mediação de uma das maiores interlocutoras na área da dança, a pesquisadora Cássia Navas. O bate-papo é aberto ao público com a distribuição de 190 senhas, sendo 1 por pessoa, com uma hora de antecedência, na bilheteria da Praça das Artes.

“A classe tem poucas oportunidades de trocar informações e desenvolver ideias que beneficiem o setor. Sair do isolamento é importante para criar perspectivas artísticas que possam abrir portas, colaborações no futuro em nível nacional e atingir uma maior visibilidade”, analisa Ivo.

De acordo com Cássia, a discussão irá girar em torno dos desafios específicos de cada grupo, levando em consideração seu histórico e momento atual: “Os diretores se debruçarão sobre o ‘coração da matéria’ de suas companhias, abordando questões em três tempos: (Ontem): ‘Breve trajetória’, (Hoje): ‘Estado da arte do grupo’ e (Futuro): ‘Quais os próximos desafios’”.

 

PARTICIPANTES

Balé da Cidade de São Paulo
Ismael Ivo, direção artística

O Balé da Cidade de São Paulo foi criado em 7 de fevereiro de 1968, com o nome de Corpo de Baile Municipal. Inicialmente com a proposta de acompanhar as óperas do Theatro Municipal e se apresentar com obras do repertório clássico, teve Johnny Franklin como seu primeiro diretor artístico.

Em 1974, sob a direção Antonio Carlos Cardoso, a companhia assumiu o perfil de dança contemporânea, que mantém até hoje. Em todos esses anos, o repertório se definiu com um celeiro de novos vocábulos de dança, inovação de movimento e criação de novas expressões artísticas. Abrigou um corpo de solistas qualificados que com coreógrafos de alta qualidade marcaram uma época. Suas criações se destacam como inéditas e foram apresentadas com grande sucesso na plataforma nacional e internacional.

A bem-sucedida carreira internacional da companhia teve início com a participação na Bienal de Dança de Lyon, França, em 1996. Desde então, suas turnês europeias têm sido aclamadas tanto pela crítica especializada quanto pelo público de todos os grandes teatros onde se apresenta.

A longevidade do Balé da Cidade de São Paulo, o rigor e padrão técnico do elenco e equipe artística atraem os mais importantes coreógrafos brasileiros e internacionais, interessados em criar obras para seus bailarinos e artistas. Atualmente, a companhia tem como diretor artístico o bailarino e coreógrafo Ismael Ivo, que também é fundador, diretor e conselheiro do Festival ImPulsTanz, de Viena.

 

Balé do Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Ana Botafogo e Cecília Kerche, direção artística

A história do Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro começa em 1927, quando a bailarina Maria Olenewa funda a primeira escola de dança do Brasil, sediada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Olenewa era integrante da companhia de dança de Leonide Massine, que dançou no Brasil em 1921. Ela lecionou na Escola de Danças do Teatro Colón, em Buenos Aires, e depois fixou residência no Rio de Janeiro. Animada com as aulas particulares de balé que ministrava na cidade, tomou a corajosa iniciativa de inaugurar uma escola de dança no Brasil, dando início à formação de bailarinos para integrar um futuro corpo de baile.

Inicialmente, corpo de baile e escola de dança se fundiam numa única estrutura na apresentação de espetáculos, até que, em 1936, foi oficialmente criado o Corpo de Baile com a separação definitiva entre escola e companhia profissional. Em 1937, estreou a Primeira Temporada Nacional de Bailados sob a direção de Olenewa.

A partir de então, o Balé do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, hoje composto de 100 bailarinos dedicados em tempo integral ao seu trabalho, vem cultivando, ao longo de sua existência, a tradição na excelência de seu variado e eclético repertório, composto de obras clássicas, neoclássicas, modernas e contemporâneas.

Balé de coreógrafos de prestígio foram remontados: L’Après-Midi d’un Faune e A Sagração da Primavera, de Nijinski; Romeu e Julieta, A Megera Domada e Onegin, de John Cranko; Carmen e L’Arlésienne, de Roland Petit; e muitas outras criações, além clássicos de repertório como A Bela Adormecida, O Quebra-Nozes, Giselle, Dom Quixote, Coppelia e O Lago dos Cisnes, montado pela primeira vez no Ocidente por Eugenia Feodorova para a companhia. Coreógrafos brasileiros também tiveram trabalhos encenados pelo grupo, como Dalal Achcar, Regina Miranda, Deborah Colker, Ivonice Satie, Henrique Rodovalho, Fabio de Mello, entre outros.

 

São Paulo Companhia de Dança
Inês Bogéa, direção artística

Criada em janeiro de 2008 pelo governo do estado, a São Paulo Cia. de Dança, gerida pela Associação Pró-Dança, é dirigida por Inês Bogéa. A SPCD é uma companhia de repertório, ou seja, realiza montagens de excelência artística, que incluem desde trabalhos dos séculos 19, 20 e 21, de grandes peças clássicas e modernas até obras contemporâneas especialmente criadas por coreógrafos nacionais e internacionais.

A difusão da dança, produção e circulação de espetáculos é o núcleo principal de seu trabalho. A Cia. é hoje considerada pela crítica especializada uma das mais importantes companhias de dança da América Latina. Desde sua criação, já foi assistida por um público superior a 600 mil pessoas em 17 diferentes países, passando por mais de 125 cidades, em mais de 580 apresentações. Em dez anos de existência, a Companhia já acumulou 17 prêmios, nacionais e internacionais.

Os Programas Educativos e de Formação de Plateia para a Dança são outra vertente de ação da SPCD. Segundo Bogea, “a cada cidade onde nos apresentamos, encontramos pessoas que apreciam e praticam a arte da dança. Na Palestra de Dança, temos a oportunidade de diálogo sobre os bastidores dessa arte; na Oficina de Dança, ocorre um encontro para vivenciar o cotidiano dos bailarinos da SPCD”.

A SPCD também promove espaços nos quais interessados na arte da dança podem compartilhar experiências. Assim, criou o Seminário Internacional de Dança, que visa abordar a prática da dança em diferentes perspectivas, e o Ateliê Internacional São Paulo Companhia de Dança, evento que proporciona um ambiente de arte, permitindo um estudo teórico-prático de técnicas de dança.

A dança tem muitas histórias e, para revelar um pouco delas a Companhia criou a série de documentários Figuras da Dança, que traz essa arte contada por quem a viveu. O programa pode ser visto nos canais Arte 1 e Canal Curta!, TV Cultura e Univesp. A SPCD também publicou seis livros de ensaios, além de documentários para educadores e outros que registram os bastidores da sua ação.

 

Cássia Navas

Professora-doutora do Instituto de Artes (IA)/Universidade Estadual de Campinas, é graduada em Direito (USP), doutora em Dança e Semiótica (PUC/SP), pós-doutora em Artes (ECA/USP), especialista em Gestão e Políticas Culturais (Unesco, Université de Dijon, Ministère de la Culture/França). Atua principalmente nos temas dança, dança moderna, dança contemporânea, dança no Brasil, documentação/memória e políticas e gestão em cultura. Membro do Conselho do Departamento de Artes Corporais (IA/Unicamp), foi membro da Comissão de Graduação do curso de Dança. Compõe a Subcomissão de Pós-Artes/Instituto de Artes/Unicamp e a Subcomissão do Programa de Pós-graduação em Artes da Cena.

É coordenadora de Extensão e Atividades Comunitárias do IA/Unicamp. Coordena o Gepeto – Grupo de Pesquisa Topologias do Espetáculo – Arte e identidades contemporâneas (CNPq) e o Grupo de Pesquisa em Dança no Brasil da Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-graduação em Artes Cênicas (Abrace), compondo a sua diretoria, ao participar do Conselho Editorial.

Foi conselheira titular das Artes da Cena (2009-2010) na Comissão Nacional de Incentivo Cultural (CNIC), do Ministério da Cultura do Brasil, e membro do Colegiado Nacional de Dança, Conselho Nacional de Políticas Culturais (CNPC), segmento Formação.

 

PROGRAMA:

O Lago dos Cisnes (pas de trois do 1º ato)
Coreografia: Yelena Pankova
Música: Piotr Ilich Tchaikovsky
Balé do Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Bailarinos: Juliana Valadão, Fernanda Martiny e Alef Albert

Balé do TMRJ

 

O Lago dos Cisnes (ato 2)
Coreografia: Mario Galizzi
Música: Pyotr Ilyich Tchaikovsky
São Paulo Companhia de Dança
Bailarinos: Ammanda Rosa, Ana Paula Camargo, Ana Roberta Teixeira, André Grippi, Artemis Bastos, Beatriz Hack, Bruno Veloso, Carolina Pegurelli, Hiago Castro, Ísis Soares, Joca Antunes, Larissa Guerra, Laura Barbosa, Letícia Forattini, Luciana Davi, Luiza Yuk, Michelle Molina, Nielson Souza, Otávio Portela, Paula Alves, Poliana Souza, Renata Peraso, Thamiris Prata, Vinícius Vieira e Yoshi Suzuki

São Paulo Cia. de Dança (foto de Fabio Furtado)

 

Melodia de Gluck (pas de deux)
Coreografia: Assaf Messerer
Música: Christoph Gluck
Balé do Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Bailarinos: Juliana Valadão e Alef Albert

 

Gopak (solo)
Coreografia: Ygor Mosseyev
Música: Vassily Soloviev
Balé do Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Bailarino: Cícero Gomes

 

Adastra
Coreografia: Cayetano Soto
Música: Ezio Bosso
Balé da Cidade de São Paulo
Bailarinos: Ana Beatriz Nunes, Camila Ribeiro, Erika Ishimaru, Fabiana Ikehara, Marina Giunti, Renata Bardazzi, Renée Weinstrof, Victoria Oggiam, Cleber Fantinatti, Igor Vieira, Leonardo Hoehne Polato, Luiz Crepaldi, Luiz Oliveira, Marcel Anselmé, Victor Hugo Vila Nova e Yasser Díaz

Balé da Cidade de São Paulo (foto de Fabiana Stig)

 

Foto do post: São Paulo Cia. de Dança, por Fernanda Kirmayr

 

SERVIÇO:

 

Mesa-redonda “Panorama e memória da dança: três companhias”

Cássia Navas, mediação e pesquisa

 

11 de agosto, sábado, das 16h às 18h

Sala do Conservatório – Praça das Artes (Av. São João, 281, Sé – São Paulo. Tel.: 11 4571-0401)

 

190 senhas distribuídas, sendo 1 por pessoa, com 1h de antecedência na bilheteria

 

“Gala do Balé”

Balé da Cidade de São Paulo

Balé do Theatro Municipal do Rio de Janeiro

São Paulo Companhia de Dança

 

11 de agosto, sábado, às 20h

Theatro Municipal de São Paulo (Praça Ramos de Azevedo, s/n, Sé – São Paulo. Tel.: 11 3053-2090)

 

Ingressos: R$ 80 (plateia, foyer setor 1 e frisa setor 1), R$ 40 (balcão nobre, foyer setor 2, frisa setor 2) e R$ 12 (anfiteatro, balcão simples, foyer setor 3 e galeria), com meia-entrada para estudantes e pessoas com mais de 60 anos

 

Duração aproximada: 96 minutos

Livre para todos os públicos

 

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