CríticaLateralÓperaRio de Janeiro

OrquestraA�A?o em evidA?ncia

Orquestra tambA�m A� protagonista de versA?o em concerto de La BohA?me no Municipal do RJ. Vozes, porA�m, apresentaram-se desiguais.

 

La BohA?me (A BoA?mia), A?pera em quatro atos de Giacomo Puccini, sobre libreto de Luigi Illica e Giuseppe Giacosa, com base na novela ScA?nes de la Vie de BohA?me (Cenas da Vida BoA?mia), de Henri Murger, estava prevista para ser encenada neste maio corrente no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Em virtude dos sA�rios problemas financeiros enfrentados pelo governo do estado, o Municipal precisou reorganizar sua temporada, e uma das alteraA�A�es decorrentes desta revisA?o foi exatamente o cancelamento da encenaA�A?o desta obra-prima de Puccini, mantendo-se, porA�m, a sua execuA�A?o musical em forma de concerto.

Deixando as questA�es polA�tica e financeira de lado, atA� porque jA? estA? ficando enfadonho falar dessa gentalha imprestA?vel que emporcalha a polA�tica brasileira como um todo (em todos os partidos, em todos os poderes e em todos os nA�veis de governo: federal, estadual e municipal), A� A?bvio que seria muito melhor apreciar uma BohA?me encenada. Quem vai A� CinelA?ndia, no entanto, encontra atrativos nesta versA?o em concerto da primeira grande obra-prima de Puccini. O mais evidente desses atrativos, logo aos primeiros acordes, A� poder apreciar a orquestra pucciniana com uma evidA?ncia raramente vista.

Uma das caracterA�sticas mais marcantes de gA?nio de Lucca A� o brilho, a riqueza e o colorido de suas orquestraA�A�es. Puccini era um exA�mio e meticuloso orquestrador. Sua orquestra nA?o apenas acompanha os cantores, como tambA�m “canta, comenta, confirma, contradiz, ressalta e colore”, para usar as palavras de JoA?o Guilherme Ripper (presidente da FundaA�A?o TMRJ) no programa do espetA?culo.

Na segunda rA�cita, em 24 de maio, a Orquestra SinfA?nica do Theatro Municipal nA?o traiu Puccini e esteve muito bem sob a segura regA?ncia do jovem Cheap Eduardo Strausser. Com o conjunto sobre o palco, e nA?o no fosso, como A� hA?bito nas A?peras encenadas, foi possA�vel ouvir e apreciar melhor toda a beleza e intensidade da magistral orquestraA�A?o da BohA?me. O Purchase Coro do Theatro Municipal, preparado por seu titular, JA�sus Figueiredo, e o Coral Infantil da Universidade Federal do Rio de Janeiro, preparado por Maria JosA� Chevitarese, tambA�m estiveram bem.

A� preciso reconhecer que a dupla de convidados estrangeiros foi de encher os ouvidos. O tenor italiano Ivan Magri cantou a parte de Rodolfo com brilho. Sua A?ria do primeiro ato, Che gelida manina, foi muito bem interpretada, assim como os duetos e os nA?meros de conjunto que contaram com a participaA�A?o do artista. A soprano romena Cristina Pasaroiu aricept price in uk nA?o ficou atrA?s e encarnou MimA� com riqueza de nuances, e um fraseado belA�ssimo. Como A� bom ouvir uma soprano que tem mA�dios e graves bastante audA�veis! Suas duas A?rias tambA�m foram cantadas com louvor: SA�, mi chiamano MimA� e Donde lieta uscA�. Os dois solistas exibiram ainda afinaA�A?o impecA?vel e excelente projeA�A?o.

Exceto pelo barA�tono Felipe Oliveira, que interpretou Schaunard com elegA?ncia e fluidez, o time brasileiro desequilibrou o jogo, apresentando-se em nA�vel tA�cnico distante do casal protagonista. Homero Velho foi um Marcello que beirou a correA�A?o, mas sem qualquer brilho, e a parte desse personagem em muitos momentos exige uma voz vibrante e potente. Ao mesmo tempo, era nA�tido que a soprano Marina Considera estava desconfortA?vel vocalmente como Musetta: sua principal passagem, a conhecida e aguardada Quando men vo Purchase , foi interpretada com correA�A?o, mas de resto uma emissA?o opaca e, para dizer o mA�nimo, estranha, comprometeu sua noite.

Este A?ltimo comentA?rio vale tambA�m para o baixo Murilo Neves (Colline), que ofereceu uma Vecchia zimarra correta, e sA?. O barA�tono InA?cio de Nonno cantou as partes de Benoit e Alcindoro com a desenvoltura que lhe A� peculiar, mas tambA�m sem brilho. Completaram o elenco, sem comprometer em suas curtA�ssimas participaA�A�es, Bruno dos Anjos (Parpignol) e Patrick Oliveira (Guarda), ambos integrantes da Academia de A�pera Bidu SayA?o a�� este A?ltimo, Oliveira, melhor aqui que no Serse que cantou recentemente.

Depois desta A?pera em concerto, o Theatro Municipal retomarA? a encenaA�A?o de A?peras em julho prA?ximo, com Orfeu e EurA�dice, de Gluck, com rA�citas a partir do dia 3. Antes, a casa apresenta o balA� O Lago dos Cisnes, a partir de 10 de junho.

 

“Frescurite” de artista Order

A qualidade tA�cnica dos dois solistas estrangeiros desta cialis 40 mg chocolate video com BohA?me A� indiscutA�vel, mas o nA�vel de suaA�”frescurite” tambA�m se faz notar. A pedido da dupla, o ar-condicionado do Theatro Municipal estA? sendo desligado no inA�cio do espetA?culo em todas as apresentaA�A�es da A?pera. Na segunda rA�cita, como o clima estava frio, nA?o houve maiores complicaA�A�es, mas na estreia, segundo fontes confiA?veis, o calor ficou insuportA?vel, sobretudo no palco. Coro e Orquestra da casa (e atA� o regente!) estA?o se apresentando somente de camisa social. Como perguntar nA?o ofende, A� de se questionar: o ar tambA�m seria desligado se fosse a pedido de qualquer um dos intA�rpretes brasileiros? NA?o creio, e isso sA? leva A� conclusA?o de que o TMRJ, doravante, deve incluir uma clA?usula a mais nos contratos dos solistas estrangeiros, deixando claro quem manda no ar-condicionado da casa.

 

CorreA�A?o

Na recente crA�tica de Serse (leia aqui Pills http://fortheloveof.org.uk/tetracycline-salep-kulit/ ), o desatento que escreve estas linhas simplesmente esqueceu-se de mencionar e destacar o belo trabalho do cravista Eduardo Antonello. Deixo aqui o registro, com as devidas desculpas.

 

Foto do post (de JA?lia RA?nai): da esquerda para a direita, Ivan Magri, Cristina Pasaroiu, Felipe Oliveira, Homero Velho, Eduardo Strausser (de costas) e Murilo Neves. Ao fundo, a OSTM.

 

Leonardo Marques
Formado em Letras com pós-graduação em Língua Italiana. Frequentador assíduo de concertos e óperas. Participou de cursos particulares sobre ópera. E-mail: leonardo@movimento.com