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Orquestra do Theatro São Pedro – obras dos séculos XX e XXI

Grupo recebe o maestro John Boudler e a soprano Masami Ganev para interpretar “Shéhérazade”, de Maurice Ravel, dentre outras composições.

 

Nos dias 9 e 10 de novembro, a Orquestra do Theatro São Pedro, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, sob gestão da Santa Marcelina Cultura, sobe ao palco com o regente convidado John Boudler, criador e ex-dirigente do Grupo PIAP. Intitulado “Cores e Sons”, o repertório discorre sobre diferentes texturas e linguagens dos séculos XX e XXI, com obras de Maurice Ravel, Aaron Copland, Charles Ives e do brasileiro Leonardo Martinelli. A solista será a soprano nipo-brasileira Masami Ganev.

O programa abre com a peça do compositor brasileiro Leonardo MartinelliO diálogo entre Vênus, Azrael e Ogum”, de 2013. A obra simula uma interação imaginária e ecumênica entre três diferentes divindades, de três diferentes tradições religiosas. Vênus, na mitologia grega a deusa do amor, é simbolizada pelo clarinete fora de cena. Já Azrael, que na tradição judaico-cristã, bem como no islamismo, é o Anjo da Morte, portador da trombeta do apocalipse, é representado pelo trompete fora de cena. Entre os prazeres da sexualidade e a gênese da vida de Vênus e a dor e a morte de Azrael está Ogum, que nas religiões tradicionais africanas e afro-brasileiras é o orixá da caça e da guerra, símbolo da manutenção da vida no plano terreno. Ogum é representado tanto pelo par de atabaques (ou congas) fora de cena como pelos solos de tímpano no palco.

Em seguida, a Orquestra conta com a participação especial da soprano Masami Ganev para interpretar “Shéhérazade”, de Maurice Ravel. A peça é composta por um ciclo de três canções.  Em 1903, Ravel conhece o poeta Tristan Klingsor, pseudônimo de Léon Leclère (1874-1966), que tinha acabado de publicar uma coleção de poemas inspirados na narrativa árabe das Mil e Uma Noites e na composição de Rimsky-Korsakov. Ravel musicou três poemas de Tristan Klingsor, primeiramente para voz e piano, que logo foram orquestrados e que se tornaram a obra Shéhérazade.

Na segunda parte do programa, duas peças de compositores norte-americanos.  Nascido em 1874, Charles Ives foi um dos primeiros compositores norte-americanos com reconhecimento internacional. Compunha por lazer, pois era corretor de seguros. Sua obra carrega muitos traços da cultura dos Estados Unidos, buscando inspiração na música religiosa e nas tradições europeias. Dele, a Orquestra do Theatro São Pedro irá interpretar “Um Conjunto de Peças para Orquestra de Teatro”.

Para encerrar, suíte “Primavera Apalache”, de Aaron Copland. Composta originalmente como um balé para a Fundação Coolidge, estreou no Coolidge Auditorium, da Biblioteca do Congresso, em Washington, no dia 30 de outubro de 1944. A concepção do balé foi de Martha Graham, responsável pela coreografia. No ano seguinte, Copland fez alguns cortes na música, criando a suíte orquestral. A estreia foi em 4 de outubro de 1945 pela Filarmônica de Nova York, sob a regência de Artur Rodzinski. A obra rendeu ao compositor o Prêmio Pulitzer.

 

 

Temporada Sinfônica

A Orquestra do Theatro São Pedro vem trabalhando desde fevereiro, quando abriu a temporada, diferentes conceitos nos programas sinfônicos, sempre em dobradinhas aos sábados e domingos. Com foco na diversidade, os repertórios apresentam ao público reflexões sobre períodos, temas e fazeres musicais, proporcionando uma experiência artística mais complexa e vibrante ao público.

 

Próximos concertos

Encerrando a programação sinfônica, nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro a Orquestra do Theatro São Pedro recebe o maestro Tobias Volkmann, ex-regente titular do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. O programa Celebração comemora o bicentenário de Jacques Offenbach, e é dividido em duas partes. Na primeira, um pequeno aperitivo com trechos de suas operetas, gênero pelo o qual compositor se notabilizou no início da carreira; na segunda, excertos de Contos de Hoffmann, exemplo mais bem-acabado da maturidade artística de Offenbach, escrita já no fim de sua vida. O espetáculo tem a participação dos solistas Carla Cottini (soprano), Denise de Freitas (mezzo-soprano), Giovanni Tristacci (tenor) e Michel de Souza (barítono), além de alunos da Academia de Ópera do Theatro São Pedro.

 

PROGRAMA

Leonardo Martinelli (1978)
Diálogo entre Vênus, Azrael e Ogum

Maurice Ravel  (1875-1937)
Shéhérazade

Charles Ives  (1874-1954)
Um Conjunto de Peças para Orquestra de Teatro

Aaron Copland  (1900-1990)
Suíte Primavera Apalache

 


SERVIÇO

 

Orquestra do Theatro São Pedro – Cores e Sons

 

Dias 09 de novembro, sábado, às 20h e 10 de novembro, domingo, às 17h

Theatro São Pedro (Rua Barra Funda, 161 – Barra Funda, São Paulo – 3661 6600)

Ingressos: R$30 (inteira) e R$15 (meia) para todos os setores (Plateia Central, 1º e 2º Balcão)


*No dia 08/11, sexta-feira, às 11h, acontece o ensaio geral, aberto e gratuito para o público

 

 

John Boudlerregente convidado

John Boudler é professor titular aposentado do Instituto de Artes da Unesp, onde criou e desenvolveu o curso de percussão a partir de 1978. Nestes 41 anos, formaram-se 109 bacharéis em percussão que atuam profissionalmente no país e no exterior. Boudler estudou no Conservatório de Música de New England, em Boston, na Universidade Estadual de Nova York, em Buffalo, e no Conservatório Americano de Música, em Chicago.

Foi integrante dos grupos Creative Associates e SEM Ensemble, trabalhando com compositores como Earle Brown, John Cage, George Crumb, Morton Feldman, Lucas Foss, Philip Glass, Lejaren Hiller, Petr Kotik, Steve Reich e Christian Wolff. Já se apresentou também sob a regência de Leonard Bernstein, Seiji Ozawa, Michael Tilson Thomas e Zubin Mehta na Orquestra de Tanglewood, na Orquestra Filarmônica de Buffalo e na Orquestra Filarmônica de Israel.

Em 1977, aos 23 anos, ganhou o mais alto prêmio concedido para percussão solo no 26º ARD Concurso Internacional de Munique. No Brasil, foi timpanista solista da Osesp e da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, membro fundador e empresário do Grupo “Percussão Agora” e do Duo Experimental com apresentações com ambos em três continentes, bolsista da CAPES, pesquisador do CNPq, diretor do IA/Unesp e premiado diretor musical de teatro e solista.

Atuou também como regente convidado da Osesp, Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, Orquestra de Câmara da USP (OCAM), Orquestra Bachiana-SESI, Banda Sinfônica do Estado de São Paulo, Orquestra Sinfônica da USP, da Unicamp, da UFBA, Orquestra Nova Sinfonieta e da Camerata Fukuda (esta última, como principal regente convidado durante vários anos).

Durante 35 anos dirigiu o reconhecido Grupo de Percussão do IA/Unesp – Grupo PIAP, no qual apresentou primeiras audições, acumulou prêmios, gravou LPs e CDs, apresentou no rádio e na TV, e realizou centenas de concertos, incluindo quatro turnês no exterior no Canadá, China, EUA e México.

 

Masami Ganevsoprano

Masami Ganev é soprano natural do Japão. Iniciou estudo de piano aos 6 anos de idade com Tomie Takahashi. Participou de coral infantil e juvenil daquele país. Estudou canto com Neyde Thomas, Eiko Senda, Samira Hassan, Alberto Heller e Rafael Andrade. Fez masterclass com cantores renomados mundialmente como Aprile Millo, Raina Kabaivanska, Dame Kiri Te Kanawa e Carlo Colombara.

Cantou papéis como Cio-cio-san (Madama Butterfly), Condessa (As bodas de Fígaro), Mimì (La Bohème), Micaëla (Carmen), Delia (Fosca), Quarta Criada (Elektra), Flora (Traviata), Segunda-Dama (A Flauta Mágica), Giovanna (Rigoletto), bem como: Sinfonia no.2 de Mahler, Nona Sinfonia de Beethoven, Sinfonia Terra de Heller, Requiem de Mozart, Fantasia Coral de Beethoven, Canção da Terra de Mahler, Glória de Vivaldi e Missa de Coroação de Mozart.

Cantou com a Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo (John Neschling, Eduardo Strausser), a Orquestra Nacional do Teatro Cláudio Santoro (Claudio Cohen), a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (Gabriel Rhein-Schirato), Camerata Antiqua de Curitiba (Tobias Volkman), a Orquestra Sinfônica de Santo André (Abel Rocha), a Orquestra Sinfônica do Paraná (Alessandro Sangiorgi, Osvaldo Ferreira), e a Camerata Florianópolis (Jeferson Della Rocca). Integrou a Cia. da Ópera Curta de São Paulo. Trabalhou sob direção cênica de Yoshi Oida, Cleber Papa, Livia Sabag, Walter Neiva, Stefano Poda e Antônio Cunha. Gravou trilha sonora do filme “Ensaio” da Tânia Lamarca. Tem feito recitais de Lieder e canções japonesas em várias cidades do Brasil, Chile e Japão.

 

Orquestra do Theatro São Pedro

A Orquestra do Theatro São Pedro foi criada em 2010, por iniciativa da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, e mesmo com pouco tempo de atuação já é considerada como uma das principais orquestras de ópera do país. Em 2011, teve seu desenvolvimento artístico reconhecido pelo Prêmio Carlos Gomes e, no ano passado, recebeu, junto com o Theatro São Pedro, o prêmio de melhor ópera do ano da Revista Concerto, por Sonho de uma Noite de Verão, de Benjamin Britten.

Nesses quase 10 anos, o grupo já interpretou importantes títulos do repertório, como Don Giovanni, As Bodas de Fígaro e La Clemenza di Tito, de Mozart, O Matrimônio Secreto, de Cimarosa, e Falstaff, de Giuseppe Verdi, e tem se destacado especialmente ao explorar os novos caminhos da ópera. Foi responsável pela estreia nacional de obras como A Volta do Parafuso, de Britten, O Barbeiro de Sevilha, de Paisello, Arlecchino, de Busoni, e, mais recentemente, Kátia Kabanová e O Caso Makropulos, do compositor tcheco Leoš Janáček. Entre outros títulos pouco executados que foram revisitados pelo grupo estão Adriana Lecouvreur, de Cilea, Édipo Rei, de Stravinsky, As Bodas no Monastério, de Prokofiev, O Amor dos Três Reis, de Montemezzi, Ifigênia em Táuris, de Gluck, e Ártemis, de Alberto Nepomuceno, Dom Quixote, de Massenet, La Belle Hélène, de Offenbach, e Alcina, de Händel.

Entre seus feitos recentes está a estreia mundial de Ritos de Perpassagem, de Flô Menezes – símbolo projeto de desenvolvimento artístico empreendido pela Orquestra e pelo Theatro São Pedro nos últimos anos. Entre os artistas que já dividiram o palco com a Orquestra estão maestros de renome como Lígia Amadio, Luiz Fernando Malheiro, Ira Levin, Neil Thomson, Ricardo Bologna, Valentina Peleggi e Cláudio Cruz; instrumentistas do naipe de Gilberto Tinetti, Nicolau de Figueiredo, Tiago Naguel e Antônio Meneses; e cantores de destaque como Eliane Coelho, Denise de Freitas, Rosana Lamosa, Gabriella Pace, Gregory Reinhart, Luísa Francesconi, Paulo Szot, Luciana Bueno, Rodolfo Giugliani, Giovanni Tristacci, e o ensemble alemão especializado em música contemporânea Neue Vocalsolisten, entre outros.

Em sua fase atual, a Orquestra do Theatro São Pedro segue um novo modelo de trabalho, com regentes convidados e maior variação de repertório, abordando tanto a ópera quanto a música sinfônica e de câmara, numa rotina que visa aprofundar a investigação de diferentes formas do fazer musical, elevando ainda mais a excelência de suas apresentações.

 

Santa Marcelina Cultura

Criada em 2008, a Santa Marcelina Cultura é uma associação sem fins lucrativos, qualificada como Organização Social, qualificada como Organização Social de Cultura pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado. É responsável pela gestão do Guri da capital e região Metropolitana de São Paulo e da Escola de Música do Estado de São Paulo – Tom Jobim (EMESP Tom Jobim).

O objetivo da Santa Marcelina Cultura é desenvolver um ciclo completo de formação musical integrado a um projeto de inclusão sociocultural, promovendo a formação de pessoas para a vida e para a sociedade. Desde maio de 2017, a Santa Marcelina Cultura também gere o Theatro São Pedro, desenvolvendo um trabalho voltado a montagens operísticas profissionais de qualidade aliado à formação de jovens cantores e instrumentistas para a prática e o repertório operístico, além de se debruçar sobre a difusão da música sinfônica e de câmara com apresentações regulares no Theatro.

Para acompanhar a programação artístico-pedagógica do Guri Capital e Grande São Paulo, da EMESP Tom Jobim e do Theatro São Pedro, baixe o aplicativo da Santa Marcelina Cultura. A plataforma está disponível para download gratuito nos sistemas operacionais Android, na Play Store, e iOS, na App Store. Para baixar o app, basta acessar a loja e digitar na busca “Santa Marcelina Cultura”.

 

Foto do post: Heloisa Bortz

 

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