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“Orfeo dolente”, de Domenico, em Curitiba

Ópera da 1a. fase do Barroco, com libreto de Gabriello Chiabrera.

 

SERVIÇO

 

Capela Santa Maria Espaço Cultural
Rua Conselheiro Laurindo, 273 – Curitiba – PR

Dias  09.03, às 2030h. e 10.03, às 11h.

Entrada franca

 

O LABORATÓRIO DE MÚSICA ANTIGA DA UFPR/SESC APRESENTA:

CANTATA: Poi che riseppe Orfeo
Alessandro Scarlatti (1660 -1725)
Soprano: Cíntia de los Santos
Cravo: Fernando Cordella
Teorba: Silvana Scarinci
Violoncelo: Thomas Juksch

ORFEO DOLENTE, Intermedi
Domenico Belli (música) e Gabriello Chiabrera (Libreto)
Direção Musical: Silvana Scarinci
Direção Cênica: Carlos Harmuch
Figurinos: Gustavo Krelling
Preparação do Coro: Indioney Rodrigues e Eli Siliprandi

 

ELENCO

Orfeo                –  Thiago Montero
Calliope           –  Daniele Oliveira
Plutone            –  Cláudio de Biaggi
3 Grazie           –  Márcia Kaiser, Cíntia de los Santos, Luísa Favero, Julcimara Rodrigues, Viviane Kubo
Pastor              –   Rubens Alves
Ninfe                –   Daniele Siliprandi, Debora Bergamo, Anna Ellendersen


ORQUESTRA

Spalla                         – Atli Ellendersen   
Violinos                    –  Raquel Aranha e Paulo Hübner
Flautas                       – Lúcia Carpena e Tatiane Wiese
Guitarra barroca    – Allan Kolodzieiski
Cravo/órgão            – Rosane Cardoso e Fernando Cordella
Violoncello               –  Thomas Jucksch
Teorba                        – Silvana Scarinci

Participação especial: “Madrigal em cena”

 

APRESENTAÇÃO

Já pouco lhes faltava para a orla das regiões superiores,
quando ele [Orfeu], receoso de ela não vir atrás dele e ansioso por vê-la,
voltou o olhar, apaixonado. De súbito, ela [Eurídice] desliza para trás.
Esticando os braços, lutando por agarrar-se e ser agarrada,
a desgraçada nada apanhou, a não ser o ar fugidio.
E agora, morrendo por segunda vez, de nada se queixou
do marido (de que se queixaria, a não ser de ser amada?).
Dizendo um derradeiro ‘Adeus!’, que a muito custo
ele ainda ouviu, volveu de volta ao local de onde partira [o Hades].”

Com estas palavras, Ovídio descreve uma das mais pungentes histórias de perda, separação e morte da literatura ocidental. O mito de Orfeu é retomado desde a Antiguidade pelos mais diversos autores, e não é por acaso que na aurora do Período barroco, o poeta-cantor será personagem das primeiras experiências dramático-musicais, dando início ao que hoje conhecemos como ópera. O mito se fez presente nas duas primeiras obras que inauguram o novo gênero, duas Euridice de Caccini e Peri, em 1600, em Florença – a realização mais bem sucedida culmina com Orfeo de Monteverdi, em Mântua, em 1607.

O advento do “drama per musica” traz ao público a perturbadora novidade de um teatro não apenas falado, mas cantado, provocando as mais diversas reações, do estupor e maravilhamento até mesmo à indignação. A preocupação dos novos autores era a de preservar a verossimilhança de enredos em que personagens não mais falavam, mas cantavam em suas ações. Depois de acirradas discussões e muitos experimentos nos encontros de notáveis intelectuais florentinos (Accademia), nascia o parlare cantando ou o recitativo, um estilo de cantar que abriria espaço para a representação dos afetos humanos mais díspares e jamais antes descritos por meios musicais. Deste modo, a descoberta dos florentinos não encontraria expressão mais apropriada do que pela voz de um semideus, que com sua música afronta as leis dos homens e dos deuses, dominando a natureza e a eternidade. O mito de Orfeu é, para a música, um divisor de águas, o rompimento entre o antigo e o moderno, a prima e a seconda pratica, as leis estritas do contraponto e as nuove musiche em que a palavra se torna soberana e a música sua serva.

Domenico Belli foi um compositor florentino, cuja biografia é bastante vaga – sabemos que foi Mestre de Capela em San Lorenzo e serviu à família Medici em Florença. Belli compôs “Orfeo dolente” para o carnaval de 1615, sobre um texto do famoso poeta Gabriello Chiabrera. Como gênero musical, a obra compõe-se de 5 Intermedi, ou seja, interlúdios dramático-musicais que eram executados entre os atos de uma peça teatral. Os intermedi de Orfeo dolente foram elaborados para serem intercalados entre os atos de uma conhecida obra de Torquato Tasso, Aminta, no Palácio Scala della Gherardesca. Alinhando-se às últimas novidades estilísticas da música “inventada” pelos florentinos, Belli certamente escutou o Orfeo de Monteverdi, apresentado 8 anos antes na corte de Mântua: traços monteverdianos podem ser claramente percebidos na versão florentina de Orfeo.

O enredo desta versão reconta a história depois da história: Orfeu, que já havia perdido duas vezes sua amada Euridice, tenta mais uma vez sua sorte diante do poderoso deus do Hades, e mais uma vez, Plutão rejeita o pedido do destemido poeta-cantor. Orfeu, desprovido de toda esperança, lança-se então à mais pungente dor da solidão, fazendo-nos ouvir o pranto típico do melancólico,  que o faz cantar o canto da perda e desalento. As linhas melódicas em Belli são particularmente exigentes para um cantor moderno, que deve ter uma técnica precisa e refinada para bem expressar a patética retórica da dor descrita através das mais inesperadas dissonâncias e encadeamentos surpreendentes até para nossos ouvidos contemporâneos.

A retomada da cultura clássica no Renascimento reflete um monumental projeto de educação humanista, encabeçado em Florença pelos Medici, uma família de banqueiros que passaram a governar a cidade-estado desde o século XV. Cosimo de Medici acumulou uma riqueza tão grande que chegou a financiar reis e mesmo países. Graças a seu gosto pela arte e cultura, o ocidente pôde usufruir de gigantescas coleções de obras literárias e filosóficas da antiguidade clássica conservadas nas primeiras bibliotecas ‘públicas’, as bibliotecas de San Marco e Laurenziana.

Florença tornou-se depositária das mais notáveis obras de arte graças ao mecenato da família Medici. Diz-se que Cosimo Medici gastou 600.000 florins com seus artistas e arquitetos (em uma época em que 5 florins sustentaria toda uma família por um ano inteiro). Neste ambiente de profusão artística, literária e filosófica que transformava a imagem de Florença em uma nova Atenas, o studia humanitatis tornava-se modelo arrojado para um novo modo de vida, de comportamento em sociedade, e mesmo de governo. A tradição do mecenato florentino sobreviveu à família Medici e durante a história cumpriu a função de manter estratégias para o desenvolvimento artístico.

Em uma época em que os mecenas desapareceram, e as artes se debatem sob pressões de toda ordem – mercadológicas e das políticas oficiais de cultura muitas vezes questionáveis – o ambiente da pesquisa na Universidade parece nos devolver a possibilidade de entrevermos o fulgor criativo de uma esquecida Florença. Ora, se a Universidade se quer educadora, aqui podemos refletir sobre modelos que nos liberam das pressões do mundo moderno, da abominável força do mercado, esmagadora das sensibilidades individuais mais refinadas.

Trazer a público uma obra florentina de 1615 tenta iluminar nossas almas cansadas com ilustrações de uma cultura sofisticada e apurada, demonstrando que ainda se faz possível pensar a arte e a música de forma menos contaminada. Os estudos humanistas redescobertos pelos florentinos ainda tem muito a nos ensinar; reviver um pouco daquela cultura faz-nos pensar sobre quem somos hoje, como se configura nosso projeto de educação na universidade – e fora dela – e ainda como construímos nossa própria imagem.

A busca por um modelo baseado no studia humanitatis ou a construção da imagem de uma nova Atenas para uma universidade moderna não passaria de um sonho ingênuo e melancólico.  Talvez possamos curar um pouco a nossa atual melancolia ao deleitarmo-nos com o esplêndido e delicado Orfeo dolente. Embora com mais de 400 anos, esta pequena obra fala diretamente à sensibilidade do homem contemporâneo, que assim como no século XVII, se vê perdido num universo vertiginoso de descobertas velozes e estarrecedoras.

Silvana Scarinci
Curitiba, 20 de fevereiro de 2013.

 

PRODUÇÃO

Silvana Scarinci – Direção musical

Silvana Scarinci estuda a música do século XVII, principalmente a música vocal italiana, sob perspectivas interdisciplinares, com ênfase em literatura, gênero e a tradição clássica.  Publicou o livro e CD Safo Novella: uma poética do abandono nos lamentos de Barbara Strozzi (Veneza, 1619 – 1677) (EDUSP e ALGOL editoras, 2008). É convidada como teorbista para as principais produções ou Festivais de Música Antiga no Brasil e América do Norte; tocou ao lado de renomados músicos como Juan Manuel Quintana, Marília Vargas, Luís Otávio Santos, Paulo Mestre, e sob a direção de Martin Gester, Nicolau de Figueiredo, entre outros. É convidada com frequência a ministrar master-classes e workshops em ópera barroca e música vocal no Brasil e exterior. É coordenadora do Laboratório de Música Antiga da UFPR, responsável pela produção de pesquisa e performance na área. Dirigiu as óperas La Didone (Cavalli/Busenello), Didon, tragédie lyrique (Henry Desmarest), além de inúmeros concertos de música antiga.


Carlos Harmuch – Direção cênica

Após os estudos de arquitetura e música, o brasileiro Carlos Harmuch consagra-se totalmente à direção cênica de Ópera e Teatro Musical. Atualmente, divide suas atividades entre direção de espetáculos e formação profissional de cantores cênicos. Entre suas inúmeras encenações destacam-se: Orfeo ed Euridice de C. W. Gluck (Teatro Guaira), Carmen de G. Bizet ( Helikon Theater Moscou), Ariana de B. Marcello (Theater Basel), La Serva Padrona de Pergolesi (Volkshaustheater Zürich), Acis e Galatea e Los Elementos de A. Literes (Teatro del Circulo de Bellas Artes de Madrid/ Theater Basel). Desde 1989,  é docente na Schola Cantorum Basiliensis da Escola Superior de Música de Basel (Suiça), onde criou juntamente com Richard Levitt a Opernklasse. Entre seus ex-alunos destacam-se, entre outros, Denise Sartori, Carlos Mena, Maria Cristina Kiehr e Andreas Scholl.


Gustavo Krelling – Figurino

Gustavo Krelling iniciou seus estudos de graduação no curso de Indumentária da UFRJ (2006). É formado em Educação Artística/Artes Plásticas pela UFPR (2010) e Jornalismo pela Universidade Positivo (2010). Trabalhou no desenvolvimento/adereços de fantasias e alegorias para a Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense entre os anos de 2006 e 2012 . Assinou figurinos para óperas como La Didone, de Francesco Cavalli e Didon, de Henry Desmarest. Concebeu a cenografia e os figurinos para a peça “Memórias Torturadas: a Ditadura e o Cárcere no Paraná”, apresentada no XXI Festival de Teatro de Curitiba. Em 2012, desenvolveu os figurinos para a primeira ópera infantil da história do Brasil (1909), A Vovozinha, de Emiliano Perneta.


Carlos Cavalcante – Coreografia

Carlos Cavalcante é fisioterapeuta (ACE-SC) com especialização em Docência do Ensino Superior em Yoga – Unibem – PR e aperfeiçoamento em Isostretching (Bernard Redondo) e Pilates (Physicalmind Institute). Com larga experiência em Dança, cursou a Escola de Danças Maria Olenewa – RJ. Foi integrante do Corpo de Baile do Ballet Teatro Guaíra, onde também desenvolveu o seu trabalho de Coreógrafo junto ao Projeto Atelier Coreográfico. Atuou como Arte-educador em Projetos Sociais da Escola de Dança do Teatro Guaíra, destacando os Projetos: Dança Masculina e Dança Escola. Foi Professor e integrante da equipe de implantação da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil. Atualmente, é responsável pela preparação corporal do G2 Cia de Dança Contemporânea do Centro Cultural Teatro Guaíra e professor do Curso Técnico da Escola de Dança do Teatro Guaíra, ministrando as disciplinas de Técnica Clássica e Anatomocinesiologia Aplicada à Dança.

 


PERSONAGENS

Cíntia de los Santos, soprano (solista Scarlatti – Una delle Grazie)

Soprano lírico natural de Porto Alegre, iniciou seus estudos musicais aos 6 com sua mãe. Licenciada em Música pela UFRGS (1996), é a primeira soprano brasileira a ser solista convidada para as obras “Paixão Segundo São Mateus” de J.S.Bach e “O Messias” de G.F.Haendel na Cidade Proibida, China (2002-2004). Possui experiência artística no Brasil e Exterior, onde realizou cursos de aperfeiçoamento no Canto Barroco com profissionais renomados, tais como Monique Zanetti (França), Peter Kooij (Holanda), Suzie Le Blanc (Canadá) e Mazaaki Suzuki (Japão). Foi bolsista no curso de Mestrado em Ópera pela Universidade do Sul do Mississippi (USM, 2007-8) sob a orientação da Drª Maryann Kyle. Foi protagonista nas óperas “Carmela” (Araújo Vianna) e “Bodas de Figaro” (W.A.Mozart, “Suzanna”). Cantou também nas óperas “Isis” (J.B.Lully) e “Dido & Aeneas” (H.Purcell). Segue o seu aperfeiçoamento vocal com o Barítono Carlos Rodrigues (Brasil).


Thiago Montero
, barítono, Orfeo

Um dos mais promissores barítonos de sua geração, Thiago Montero, natural de Curitiba, iniciou seus estudos de canto na EMBAP sob orientação da meio-soprano Denise Sartori e do Maestro Lázaro Wenger. Aperfeiçoou-se vocalmente com Neyde Thomas, Rio Novello, Niza Tank, Martha Herr, Luisa Gianninni e Carlo Colombara. Apesar de jovem, possui vasto repertório que inclui peças que vão desde o Barroco ao Moderno repertório Erudito.  Foi , em janeiro de 2013, o único brasileiro selecionado para participar de masterclass com a soprano Eva Marton em Budapest, Hungria. Vencedor de concurso promovido pelo evento recebe como prêmio participação de destaque em concerto onde figurará ao lado de Eva Marton em agosto deste ano. Também na Hungria, em agosto deste ano, interpretará “Rodrigo” na ópera Don Carlo de Verdi na prestigiada Hungarian State Opera. É advogado e mestrando em música pela Universidade Federal do Paraná sob a orientação de Silvana Scarinci.


Daniele Oliveira
, mezzo-soprano, Calliope

Mezzo-soprano natural de Campo Grande- MS, iniciou seus estudos em sua cidade natal com a professora Clarice Maciel. Participou de diversas oficinas e masterclasses com professores renomados como Neyde Thomas (BR), Niza de Castro Tank (BR), Mirna Rubim (BR), Rubens Medina (BR), Marília Vargas (BR), Luisa Gianinni (IT), Enza Ferrari (IT) e Carlo Colombara (IT). Estudou Licenciatura em Música na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e cursa Bacharelado em Canto na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, aos cuidados da professora Denise Sartori. Na área operística, atuou em algumas montagens, destacando “Suor Angelica” de Puccini, “Mirandolina” de Martinu, “The Mikado” de Gilbert & Sullivan, “The Old Maid and The Thief” de Menotti e “Gianni Schicchi” de Puccini. Atualmente integra o coro da Camerata Antiqua de Curitiba, onde também se apresenta como solista em diversas obras.


Cláudio di Biaggi
, baixo, Plutone

Barítono natural de Bandeirantes-PR, iniciou seus estudos no Coro da UFPR com o maestro Alvaro Nadolny. Participou de oficinas e masterclasses com músicos como Neyde Thomas, Luisa Gianinni, Julia Gooding, Alessandro Sangiorgi e Carlo Colombara. Entre seus trabalhos como solista destacam-se a “Missa Solemnis” de Beethoven, “Carmina Burana” de C. Orff, “Mirandolina” e “Comedy on the Bridge” de Martinu, “The Mikado” de Gilbert & Sulivan e “Cosi fan Tute” de Mozart. É integrante do Coro da Camerata Antiqua de Curitiba onde também participa como solista. Além de realizar estudo de repertório como solista também é diretor geral do Madrigal da UFPR onde desenvolve o aprofundamento no repertório coral.


Márcia Kaiser
, soprano, una delle Grazie

Soprano natural de Curitiba, atuou em diversos teatros no Brasil e no exterior. Foi docente no Projeto – “ PATRIMÔNIO CULTURAL E CIDADANIA: UMA PRÁTICA DE FORMAÇÃO INTERATIVA ENTRE A ESCOLA E A COMUNIDADE NOSSA HISTÓRIA, NOSSA CULTURA: NOSSA MEMÓRIA”, da Cidade da LAPA/PR. . Recebeu o Prêmio SENAP como Cantora Lírica Destaque do Paraná. É Mestranda em Música Antiga pela Universidade Federal do Paraná.


Julcinara  Rodrigues
, soprano, una delle Grazie

Soprano, Bacharel em Canto pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atualmente especializando-se em Pedagogia do Instrumento e Perfomance Vocal na mesma Instituição.
Apresentou-se  em Óperas como: Carmen,  The Mikado, Trial by Jury, Didon,  na Série Ópera in Concert, Recitais solos e Hausmusiks. Atua como Professora de Canto, Preparadora vocal e intérprete.


Luísa Fávero
, soprano, una delle Grazie

Soprano, integrante do coro da Camerata Antiqua de Curitiba, atualmente é orientada por Kalinka Damiani. Participou de masterclasses com Neyde Thomas, Rio Novello, Carlo Colombara, Rodrigo Del Pozo e Maria Cristina Kiehr. Interpretou La Pastourelle da ópera L’enfant et les sortileges de M. Ravel e a Primeira Dama da ópera A Flauta Mágica de W. A. Mozart. Junto a Camerata Antiqua de Curitiba, atuou como solista nas obras In Terra Pax – Cena Natalina Op. 39 de Gerald Finzi e Oratório de Natal – Op.12 de Camille Saint-Säens sob a regência de Wagner Polistchuk e Missa Assumpta est Maria de Charpentier sob a regência de Juan Manuel Quintana.


Viviane Kubo
, soprano, una delle Grazie

Soprano, graduada em canto pela EMBAP e mestre em música pelo Programa de Pós Graduação em Música da UFPR, sob orientação da professora Silvana Scarinci. Como intérprete, integrou inúmeros grupos de música antiga de Curitiba e atuou como solista e coralista em montagens de óperas acadêmicas e profissionais. Dedica-se à pesquisa da música vocal no período barroco e à performance historicamente informada desse repertório. Aluna de Denise Sartori,  recebe orientações atualmente das sopranos Luciana Melamed e Marília Vargas. Fez aulas e masterclasses com Barbaba Bonney, María Cristina Kiehr, Vincent Dumestre e Neyde Thomaz. Seu primeiro livro,”Malinconia d’amore: a melancolia e os lamentos femininos da ópera veneziana de meados do século XVII”, foi lançado em janeiro de 2013 pela editora Appris.


Rubens Rosa,
tenor, pastor

Iniciou seus estudos de canto em Londrina em 2004 com a soprano Mimi Lück. Em 2008 graduou-se em Licenciatura em Música pela UEL e em 2012 graduou-se em Bacharelado em Canto Lírico pela EMBAP, sob orientação vocal e artística da renomada Mezzo-soprano Denise Sartori.
Como solista atuou em diversas ocasiões, destacando-se os solos e papéis em: ‘Fantasia Coral op. 80’ de L. Beethoven; ‘Laudate Pueri’ de Pe. José Mauricio N. Garcia; ‘King Arthur’ de Henry Purcell; ‘Bastien und Bastienne’ e a versão em português ‘Bastião e Bastiana’ de W. A. Mozart montada pelo Teatro Guaira; ‘The Mikado’ e ‘Trial by Jury’, ambas de Gilbert e Arthur Sullivan; na opereta infantil, ‘A Vovozinha’ dos paranaenses, Emiliano Perneta e Benedito Nicolau dos Santos e na Opereta ‘M. Choufleuri’ de J. Offenbach.


Débora Bergamo
, uma delle ninfe.

Graduada em Educação Musical pela UFPR, atualmente é mestranda em Música na mesma instituição. Desde 2006 atua como solista em diversos espetáculos musicais e teatrais, como “De Chiquinha a Chico” (2006), “Suíte Cabaré” (2007), “O Amor é um Rock” (2008), “O Pequeno Príncipe” (2008), “ÓperAtômica – As sete caras da Verdade” (2009), além de diversos concertos como coralista em coros sinfônicos. Sob a orientação de Silvana Scarinci participou das montagens de “La Didone” (2010) e do concerto “Os primórdios da Ópera na Itália e Alemanha” (2012), interpretando a Mensageira (Orfeu, Monteverdi).


Anna Ceclia Ellendersen
, uma delle ninfe.

A soprano Anna Cecilia Ellendersen, iniciou seus estudos aos 16 anos com a cantora Neyde Thomas e sob sua tutoria participou das óperas “Carmen”, de G. Bizet, “Sour Angélica” de G. Puccini e “L’Enfant et les Sortiléges”, de M. Ravel. Aperfeiçoou-se com as cantoras Marília Vargas, Kalinka Damiani e Kismara Pessati. Em 2011, cantou na ópera barroca “La Didon” de H. Desmarest. Participou da Oficina de Música de Curitiba nos anos 2008, 2009, 2010 e 2012, e do Encontro de Cantores em 2008 e 2009. Durante o período em que morou na Dinamarca, cantou em peças corais como “Carmina Burana” de C. Orff e como solista no “Oratório Messias”, de G. Händel, realizados nas Ilhas Faroe, sob a regência de Bernhardur Wilkinson, Sunleif Rasmussen e Michael Bawtree.

 

AS PALAVRAS DO DIRETOR CÊNICO

O ato de dirigir cenicamente uma obra escrita há quase quatrocentos anos, transpondo o drama para uma situação atual, só é possível graças à universalidade e atemporalidade da obra em questão. “Orfeo dolente”, de Belli-Chiabrera, reúne estas qualidades. Os conflitos que movem os desejos dos seus personagens e que conduzem este drama são tão atuais quanto aqueles do período em que foram escritos. Talvez a linguagem e os afetos desta obra, compreendidos facilmente pelo público da época em que foi composta, sejam um pouco estranhos aos nossos hábitos musicais. Aqui o texto e a música se mesclam constantemente em um estilo onde a música ilustra o texto e o verso conduz a música, e vice-versa. Tornar os personagens com seus conflitos compreensíveis para o púbico de generic viagra paypal buy 240 hoje neste contexto músico-dramático é um grande desafio.

A obra inicia com o retorno de Orfeo às portas do Inferno, implorando e lutando para recuperar de Plutone, o deus do Hades, uma Euridice já definitivamente perdida. A inutilidade deste seu gesto o faz mergulhar em um desespero completo e um lamento interminável. Orfeo burlou as leis divinas, duvidou da benevolência do destino e desacreditou no amor. Seu sentimento de culpa por ter perdido sua amada duas vezes é muito forte. Contrariamente a outras versões do mito, nesta obra de Belli-Chiarabrera o personagem de Euridice é inexistente e parece ter sido substituído pelo personagem de Calliope, a mãe de Orfeo, que assume um papel importante nesta obra. A intervenção das Graças, suplicando e incitando o heroi a retomar o gosto pela vida, contrasta com a tristeza de Orfeo e traz um ar otimista ao final da obra.

As características do espaço destinado para a apresentação deste espetáculo, a Capela Santa Maria, que é a priori uma sala de concertos, nos conduziu a pensar em um Orfeo contemporâneo que poderia ser um músico profissional, rodeado por seus colegas de classe. Os cantores que compõem os coros se transformam em vários personagens e vão se mesclando à trama colaborando para ilustrar o drama. A nossa proposta para tornar este conceito mais compreensível para o público foi a de desdobrar o personagem de Orfeo em dois, um deles representado pelo cantor e o outro pelo bailarino. Os episódios da morte de Euridice e a saída do casal do inferno, muito eficazes teatralmente e inexistentes nesta versão de Belli-Chiabrera, foram resgatados e reconstituídos em forma de teatro-dança.

Aqui procuraremos ilustrar o drama utilizando e explorando todo espaço físico disponível desta sala com grande simplicidade. Buscaremos assim cumprir a nossa tarefa que é a de ser emissários dos autores e tentar nos aproximar de sua ideia original: comover o público com os afetos e o poder da música.
Carlos Harmuch

 

AS PALAVRAS DA PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO

Pesquisa em Música, Educação e Sociedade

Novamente o grupo de pesquisa em Música Antiga do Programa de Pós-Graduação em Música da Universidade Federal do Paraná lidera um processo de estudos e produção de uma ópera sob a direção musical da pesquisadora Professora Doutora Silvana Scarinci.  Trata-se da obra “Orfeo dolente” do compositor florentino Domenico Belli do Século XVII e que é apresentada à comunidade. É fruto de intensa atividade no labor preparativo das oficinas e das discussões entre pesquisadores e músicos buscando a melhor forma de resgatar o adequado clima para a interpretação deste repertório de Música Antiga.

“Orfeo dolente” inquieta trazendo a reflexão de como esquecemos a arte de apreciar a arte, sem pressões de mercado ou vieses políticos. A partir dos trabalhos de seus pesquisadores e parceiros, a Universidade centenária demonstra a possibilidade de apreciar bons momentos de arte e de alcançar, pela pesquisa, possibilidades de novos modelos para o processo educacional e cultural, num repensar de uma nova etapa de
desenvolvimento com excelência.

Sergio Scheer
Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação
UFPR

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