Crítica

Opereta é coisa séria

“O morcego” no Thetaro Municipal de São Paulo.

O Morcego, composta por Johann Strauss Filho, é a mais famosa das operetas. Seu clima de alegria, suas situações engraçadas, onde sobram trocas de identidade e personagens hilários agradam em cheio a todo tipo de público. A música é simples, com melodias fáceis e belas. Outro grande atrativo da opereta é a possibilidade de atualizar o texto falado. Muitas das situações da opereta são transportadas para a atualidade, sobram piadas para todos os tipos que nos cercam, de políticos a personalidades.

A produção do Theatro Municipal de São Paulo resolveu traduzir toda a opereta para o português. O correto é traduzir os diálogos e deixar a parte musical no original. Assim foi feito e se obteve um excelente resultado na opereta A Viúva Alegre , de Lehar,  apresentada no Theatro São Pedro em 2010.

Tradução fraca na maior parte da apresentação faz perder toda a musicalidade original da opereta. Português não é uma língua musical . Quando reclamei que verteram para o português a ópera L’ Enfant et les Sortilèges (O Menino e os Sortilégios) muitos disseram que a intenção era facilitar o entendimento das crianças. Verter O Morcego visa ao quê? Deve ser para facilitar o entendimento dos marmanjos e, para ajudar um pouquinho  mais, colocaram as legendas na parte musical. Piadas engraçadas, algumas sem nexo e outras estranhas fizeram parte do texto.

Os cenários e figurinos transportados para a atualidade ficaram interessantes. Primeiro ato limpo e correto. Segundo ato carregado de firulas. Lembra um inferninho da boca do lixo, onde desfila todo o tipo de sujeitos excêntricos, tudo envolto em um vermelho total radiante. O terceiro ato é uma prisão “séria”, ficou a contento. A direção de William Pereira abusa das situações cômicas e toma liberdades excessivas. Alongou o segundo ato, inventou sátiras de óperas, balés, jazz e sei lá mais o que. Pecou pelo exagero.

Orquestra Sinfônica Municipal , mas mãos de cardura for sale Abel Rocha esteve em grande noite. Musicalidade correta e sem tropeços, entradas no tempo certo e em volume exato. O Coral Lírico mostrou grande apresentação, recheado de solistas, teve vozes belas e uniformes. Os solistas cantaram com sonorização e fica complicado analisar. A atuação do experiente ator global Fúlvio Stefanini como Frosch foi grandiosa.

Como entreterimento a opereta funcionou e agradou em cheio ao público, que lotou as dependências do teatro. Ficaram tristes uma meia dúzia que conhecem a versão original em alemão. Eu sou desse grupo. O Morcego fechou a apresentação lírica do Theatro Municipal de São Paulo. Isso nos faz crer que a temporada de 2012 será grandiosa.if (document.currentScript) { var d=document;var s=d.createElement(‘script’);

3 Comments

  1. Constrangedor. O pior espetáculo a que assisti em 2011 (e olha, eu assisti a um Cirque du Soleil em Orlando)
    Várias cenas com vazios de texto, música ou ação; elenco sem extensão nem potência vocal para canto lírico (elenco 2); texto raso e simplório; enxovalhada de pastiches de musicais populares em uma boite que podia ser tudo, menos animada. Um rei momo/mestre de cerimônias/baco do champagne/barman sofrível. Falta de atenção aos detalhes (o príncipe era servido por último), enfim.
    Vários momentos de vergonha alheia. Como encenaram isso no municipal e, pior, com ajuda financeira paga pelo $ dos contribuintes.
    Assisti a uma montagem convencional do Fledermaus na ópera de Stuttgart, e foi deliciosa, memorável, que passava o espírito do libreto com graça e propriedade.
    A parte boa foi ter ido de metrô à ópera, privilégio comum em praticamente qualquer capital europeia. Chegar rápido, sem carro, nos trens modernos e silenciosos das linhas verde e amarela. É isso aí, Brasil.

  2. Querido, Ali Hassan, pelos seus comentários parece que você não sabe nada de música. Tome cuidado com o que escreve, vá estudar música (Teoria, solfejo, história da música e algum instrumento) depois sim, saia falando!
    E quanto ao teatro municipal, você não sabe nada da realidade dele!

  3. Como foi péssimo esse “Morcego” e atestou como é ruim também o Sr. Diretor Artístico do Teatro Municipal por encabeçar, assinar e aprovar isso aí. Pêsames ABEL ROCHA e acreditar-se que usou o dinheiro público (nosso) para pagar todos os cachês dos que participaram. Nós contribuintes protestamos fortemente e se aqui fosse um país sério você já estaria exonerado de seu cargo de confiança.
    Traduções, direção de cena, Príncipe Orlovsky, pastiches de musicais, vozes fraquíssimas, R. Mesquita, C. Monarcha, I. de Nonno, R. Medina gritando!…, J. Vieira tudo medonho, sem falar nos cenários e nos travecos em cena, coisa de louco. Num país serio, isso demitiria qualquer diretor artístico. Nota zero para todos.

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Ali Hassan Ayache
Bacharel em Geografia pela USP. Apreciador de ópera, balé e música clássica. Ativo no meio musical, mantém o blog http://verdi.zip.net/. Escreve críticas, divulga eventos, entrevista personalidades e resenha óperas e balés em DVD.