EntrevistaLateral

O office-boy e a A?pera

Caetano Vilela, que assina a encenaA�A?o de Orfeu e EurA�dice, em cartaz no Theatro Municipal do RJ de 7 a 12 de julho, fala com exclusividade ao Movimento.com.

 

Aos 48 anos, o paulistano Caetano Vilela A� um dos mais destacados encenadores de A?pera do paA�s. Com sua carreira intimamente ligada, no campo da lA�rica, ao Festival Amazonas de A�pera, nos A?ltimos anos seus trabalhos vA?m ganhando destaque tambA�m no Festival do Theatro da Paz, em BelA�m, e no Theatro Municipal de SA?o Paulo. Antes de enveredar pela direA�A?o, Vilela jA? era um dos iluminadores mais solicitados pelos teatros lA�ricos do Brasil, e, quando nA?o estA? dirigindo, o artista colabora constantemente com diretores importantes, como Livia Sabag e Marco Gandini, dentre outros.

No Rio de Janeiro, foi exatamente criando o desenho de luz para alguns espetA?culos, entre o fim dos anos 1990 e o comeA�o dos anos 2000, que o hoje diretor se tornou conhecido. Dentre as A?peras que iluminou para o TMRJ destacam-se: Nabucco e Carmen Cheap (com direA�A?o de Iacov Hillel), Pills La Sonnanbula (com direA�A?o de Aidan Lang e Erwin Schrott no elenco) e, especialmente, TannhA�user (com direA�A?o de Werner Herzog).

Quinze anos depois de sua A?ltima colaboraA�A?o com o Municipal carioca, Vilela volta A� Casa, agora como diretor consagrado: dentre outros prA?mios e indicaA�A�es, foi indicado por dois anos consecutivos pelo Movimento.com como melhor encenador da temporada de A?pera nacional, por seus trabalhos em MefistA?fele (2014, Theatro da Paz) e na dobradinha Um Homem SA?/Ainadamar (2015, Municipal de SA?o Paulo).

Enquanto preparava a encenaA�A?o de Orfeu e EurA�dice, de Gluck, que fica em cartaz no Rio de Janeiro de 7 a 12 de julho (agora com datas definitivas, depois de uma curta indefiniA�A?o em virtude da falta de pagamento de parte dos salA?rios aos artistas e funcionA?rios do Municipal, sob responsabilidade do governo do estado), Caetano Vilela conversou por e-mail com o Movimento.com. Nesta entrevista, o artista conta um pouco de sua trajetA?ria desde quando era office-boy em SA?o Paulo, e tambA�m revela como a A?pera entrou na sua vida e passou a fazer parte de sua carreira. Confiram.

Caetano Vilela

 

* A�* A�* A�* A�*

 

Movimento.com a�� Como se deu o seu primeiro contato com a A?pera e como vocA? passou a trabalhar com esse gA?nero?

Caetano Vilela a�� NA?o tive uma educaA�A?o erudita, muito menos se ouvia A?pera em casa, passei a escutar mA?sica clA?ssica somente na adolescA?ncia, porque me interessava por uma cultura a que eu nA?o tinha acesso. Nasci em um bairro pobre na Zona Leste, e ainda menor de idade trabalhava como office-boy no centro da cidade, estudava A� noite e fazia teatro amador nos finais de semana. Ao contrA?rio dos meus colegas “boys”, que na hora do almoA�o se divertiam nas casas de fliperama, eu gastava meu tempo pelos sebos da regiA?o da SA� e da PraA�a JoA?o Mendes. Foi em uma situaA�A?o como essa que, procurando livros, eu ouvi o famoso dueto das flores da A?pera LakmA� a�� era um LP de vinil (na A�poca nA?o existia CD), com highligts de A?pera. Corta.

Aos 19 anos, eu jA? estava em uma companhia de teatro experimental sA�ria, como ator, e lA? estudA?vamos sobre o encenador russo Meyerhold (nA?o havia traduA�A?o da obra dele no Brasil, estudA?vamos em uma apostila xerocada em espanhol). Foi quando eu descobri que ele havia encenado A?peras de Richard Wagner, e ali a minha cabeA�a se abriu e a curiosidade me levou a buscar tudo sobre Wagner, pesquisar suas A?peras, ouvir sua mA?sica e estudar sobre a sua “obra de arte total”. Naquele momento decidi que um dia queria trabalhar com A?pera, embora nA?o soubesse ainda exatamente em que A?rea. Corta.

Aos 30 anos eu jA? era um iluminador conhecido e com indicaA�A�es a prA?mios no teatro, havia dirigido tambA�m algumas peA�as experimentais e jA? havia passado pela Companhia do Antunes Filho, viajado boa parte do Brasil, Europa e AmA�rica Latina com peA�as de teatro, quando um amigo iluminador, Carlos Moraes, que era assistente do Iacov Hillel, me pediu para substituA�-lo em um trabalho como assistente. Era na produA�A?o da A?pera O Elixir do Amor, que estrearia no Theatro Municipal de SA?o Paulo em 1998. O prA?prio Iacov assinava direA�A?o e iluminaA�A?o, nA?o pensei duas vezes e nem me importei em ser assistente. Queria estar no meio, aprender, vA?-lo trabalhar, entender a estrutura de uma produA�A?o de A?pera etc. Acabei trabalhando com o Iacov, a quem devo muito, por seis anos! No ano seguinte a essa estreia em SA?o Paulo, a produA�A?o desse Elixir foi levada para o 3A? Festival Amazonas de A�pera (1999), e o resto A� histA?ria.

 

Movimento.com a�� VocA? comeA�ou a ser muito conhecido no campo da A?pera no Brasil como iluminador, e depois passou a atuar tambA�m como encenador, muitas vezes acumulando a direA�A?o com a iluminaA�A?o dos espetA?culos. Como se deu essa transiA�A?o?

Caetano Vilela a�� A partir do 5A? Festival Amazonas de A�pera, eu jA? estava iluminando todas as A?peras da programaA�A?o. Vinham os diretores brasileiros e estrangeiros com seus cenA?grafos e figurinistas, mas o iluminador era sempre eu, uma maneira do Festival economizar e otimizar cronogramas e orA�amento de equipamento tambA�m. Foi uma escola para mim! Paralelo a isso eu continuava com assistA?ncias de direA�A?o em outras produA�A�es em SA?o Paulo e, quando chegou 2002, jA? me senti seguro (nA?o totalmente preparado, mas seguro) para enfrentar uma direA�A?o. Dirigi Carmen para o Teatro Amazonas, com regA?ncia do maestro Luiz Fernando Malheiro, mas fora da programaA�A?o do Festival (na A�poca, havia produA�A�es de A?pera tambA�m durante a temporada), e desde entA?o e atA� 2009, meu A?ltimo ano em Manaus, continuei a iluminar todo o Festival, acumulando sempre uma direA�A?o, e depois nA?o parei mais de dirigir.

"Les Troyens", no Teatro Amazonas, com direA�A?o e iluminaA�A?o de Vilela
“Les Troyens”, no Teatro Amazonas, com direA�A?o e iluminaA�A?o de Vilela

 

Movimento.com a�� VocA? trabalha tanto com teatro de prosa, como com A?pera. Quais para vocA? sA?o as diferenA�as mais significativas entre um gA?nero e outro, sob o aspecto da encenaA�A?o?

Caetano Vilela a�� A resposta mais A?bvia A� a mA?sica, outra mais complexa A� o tempo. Trabalhar o conceito de tempo em uma A?pera A� completamente diferente de uma peA�a de teatro. Um exemplo comum A� quando se pensa em qualquer cena de luta ou de morte na A?pera: hA? um esgarA�amento do tempo ali que sA? faz sentido com a mA?sica, e dar um aspecto de verossimilhanA�a a isso A� uma tarefa bastante difA�cil.

No teatro, tenho liberdade total e absoluta com relaA�A?o A� dramaturgia e aos atores, coisa que eu nA?o tenho tanto com a partitura e os cantores. E aqui nA?o estou falando simplesmente em cortes, porque A� normal tambA�m cortar ou acrescentar nA?meros musicais dependendo da ediA�A?o escolhida, mas a mA?sica para mim A� como um “totem” em torno do qual vocA? trabalha. A� como se eu tivesse que criar a minha prA?pria partitura, diferente da partitura musical do maestro ou das reduA�A�es para piano dos cantores.

Claro que temos o libreto ali com todas as indicaA�A�es de cena, espaA�o etc., mas o encenador precisa construir o seu “vocabulA?rio cA?nico” prA?prio e dominar todas as ferramentas que a caixa cA?nica pode lhe proporcionar.

 

Pills Movimento.com a�� Que liA�A�es aprendeu no trabalho com diretores respeitados, como os brasileiros Gerald Thomas e Antunes Filho, e os estrangeiros Christoph Schlingensief, Aidan Lang e Alejandro Chacon, para citar alguns?

Caetano Vilela a�� Sobre Gerald e Antunes seria uma entrevista A� parte, porque entraria no terreno das minhas influA?ncias no teatro de prosa, e ambos sA?o pontos cardeais na minha vida. Com os outros citados (e sem esquecer Emilio Sagi, Werner Herzog e tantos outros) eu tive muita sorte, porque tive confianA�a e liberdade total para trabalhar. Chacon, por exemplo, A� um artista generoso e comprometido com a linguagem lA�rica, seu convite para que eu contribuA�sse em suas produA�A�es em BogotA? me enriqueceu muito tecnicamente, porque passei a trabalhar em teatros com estruturas diferentes do Brasil, saA� da minha zona de seguranA�a e me arrisquei mais.

A morte do Schlingensief me chocou muito, foi sem dA?vida o artista mais instigante e caA?tico com quem trabalhei, mas foi com Aidan Lang que eu aprendi muito a dirigir A?pera. Aqueles anos de preparaA�A?o da “tetralogia amazA?nica” e outras produA�A�es que iluminei para ele no Brasil foram essenciais na minha formaA�A?o, ele me ensinou muito. VocA? sabia que ele nunca dirigiu nenhuma peA�a de teatro? Como um diretor que trabalha tA?o bem com os cantores e concebe tudo de um ponto de vista tA?o teatral nunca dirigiu uma peA�a de teatro sequer? Ele A� formado em Literatura Inglesa e MA?sica e nunca teve interesse pelo teatro de prosa, somente pela A?pera. Isso abriu a minha cabeA�a para explorar as diferenA�as entre as linguagens e me fez rever o meu conceito sobre A?pera e a sua relaA�A?o com o teatro! Era tudo muito mais complexo na prA?tica. Entendi que nA?o A� porque vocA? vem do teatro que se pode usar os mesmos recursos para dirigir um cantor. Se vocA? nA?o entende a complexidade e a importA?ncia da mA?sica em cena, com certeza vai fracassar com a sua encenaA�A?o.

Lang me fez ver que eu tinha uma vantagem em relaA�A?o a ele: o teatro e a luz. E eu tinha de entender como trabalhar esse meu background nas minhas montagens, transformando em uma coisa sA? minha, quase uma marca. Esse foi o maior ensinamento que recebi.

 

Movimento.com a�� Como, em geral, funciona o seu processo criativo a partir do momento em que vocA? A� convidado para dirigir uma obra especA�fica?

Caetano Vilela a�� Primeiro quero saber do regente qual a ideia que ele tem daquela mA?sica em cena, se ele sente que deve ser dinA?mica, trA?gica, teatral, solene, enfim, como ele interpretarA? aquela obra. Tenho por hA?bito nA?o assistir imediatamente a nenhuma versA?o em DVD (menos pelas ideias dos outros, e mais para nA?o me “contaminar visualmente”), e sim escutar diversas gravaA�A�es em CD. Em seguida, procuro a inspiraA�A?o original do libreto (se foi inspirada em um romance, poema ou fato histA?rico) e estudo esta fonte antes mesmo da partitura. Sempre uso essa fonte original em cena, seja com aA�A�es fA�sicas, ou mesmo como atmosfera para a direA�A?o dos cantores. A�s vezes tambA�m uso essas primeiras informaA�A�es para criar uma contextualizaA�A?o com a adaptaA�A?o lA�rica. DaA� confronto as duas versA�es: libreto x obra original no qual o libreto A� baseado. SA? depois disso comeA�o a estudar a partitura e tento encaixar as primeiras ideias que tive nos primeiros estudos.

NA?o fujo deste esquema inicial, A� sempre assim. Em seguida preciso saber qual cenA?rio pode “abraA�ar as aA�A�es cA?nicas”: nA?o consigo dar um passo sem saber sobre esse ambiente, essa atmosfera da cena. Determinado isso, comeA�o a criar a luz junto com os croquis do espaA�o, sugestA�es do libreto e o que a mA?sica “pede”. Sempre tenho 80% da luz concebida meses antes de comeA�ar os trabalhos de direA�A?o.

Eu crio de uma maneira muito visual, sA? consigo contar uma histA?ria se tenho esses elementos todos de forma muito segura. A� essa seguranA�a sobre o que acontece em cena que eu passo para os cantores. Quando comeA�o o primeiro ensaio de cena na sala de ensaio, eu jA? sei tudo o que vai acontecer, a encenaA�A?o jA? estA? montada na minha cabeA�a. A�bvio que hA? tambA�m a contribuiA�A?o dos cantores e atores, e isso A� sempre A?timo, mas a minha obrigaA�A?o A� oferecer seguranA�a e ferramentas para que eles tambA�m se sintam seguros em cena.

"Um Homem SA?", no Municipal de SP, com direA�A?o e luminaA�A?o de Vilela
“Um Homem SA?”, no Municipal de SP, com direA�A?o e luminaA�A?o de Vilela

 

Movimento.com a�� Os espetA?culos lA�ricos que vocA? vem dirigindo nos A?ltimos anos tA?m sido bem recebidos pelo pA?blico e vA?m arrancando elogios da crA�tica especializada. Como vocA? lida com isso? Este reconhecimento aumenta a “pressA?o” por continuar apresentando bons trabalhos?

Caetano Vilela a�� Isso A� resultado de escolhas de tA�tulos que sA?o mais adequados para as minhas qualidades. Eu nA?o tenho ambiA�A?o e nem talento para dirigir todas as A?peras do DicionA?rio KobbA�, e os maestros e diretores artA�sticos dos teatros, quando me chamam, querem que eu faA�a algo com determinado tA�tulo que seja no mA�nimo surpreendente e de bom gosto, nA?o necessariamente “novo” ou “moderno”.

Antes de aceitar os convites (seja como diretor ou iluminador), a primeira coisa que eu levo em consideraA�A?o A�: no que eu posso contribuir para aquela obra, ou o que aquela obra acrescenta para a minha trajetA?ria? Pensando assim, tenho mais acertado que errado nas minhas escolhas, e essa “pressA?o” A� boa, me faz estudar mais e ser mais seletivo.

 

Movimento.com zithromax azithromycin 500mg a�� Dentre as produA�A�es lA�ricas que vocA? jA? dirigiu ou com que contribuiu como iluminador, quais aquelas que vocA? destaca como as suas preferidas? ?epivir-hbv cost

Caetano Vilela a�� Como iluminador, sem dA?vida nenhuma foi a tetralogia wagneriana O Anel do Nibelungo, que fizemos em Manaus pela primeira vez no Brasil! JA? na direA�A?o, eu destacaria duas produA�A�es: Lady Macbeth do Distrito de Metsensk, de Shostakovich (tambA�m a primeira vez no Brasil, em 2007), e finalmente, depois de tanto “perseguir” Richard Wagner, a minha encenaA�A?o para O Navio Fantasma no Festival de A�pera do Theatro da Paz.

Esse convite foi, sem dA?vida alguma, o mais emocionante que recebi atA� hoje! Foi a realizaA�A?o do sonho daquele adolescente que descobriu Wagner atravA�s de Meyerhold, e desde entA?o foi se preparando para um dia poder dirigir alguma A?pera sua. Wagner A� meu compositor preferido, e espero dirigir e iluminar muitas obras suas ainda.

"O Navio Fantasma", no Theatro da Paz, com direA�A?o e iluminaA�A?o de Vilela
“O Navio Fantasma”, no Theatro da Paz, com direA�A?o e iluminaA�A?o de Vilela

 

Cheap Movimento.com a�� Orfeu e EurA�dice A� sua estreia como diretor no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. O que o pA?blico pode esperar desta montagem?

Caetano Vilela a�� Uma encenaA�A?o contemporA?nea sem compromisso comA�”vanguardismos”, mas em consonA?ncia com a prA?priaA�”reforma estA�tica” de Gluck, ou seja, a mA?sica a serviA�o do jogo teatral. Ah, e uma luz incrA�vel! (risos)

 

Movimento.com a�� AlA�m de Orfeu e EurA�dice, no Rio, vocA? dirigirA? tambA�m este ano Turandot no Theatro da Paz, em BelA�m. JA? pode nos contar um pouquinho como serA? esta montagem da inacabada de Puccini?

Caetano Vilela a�� Estou em “processo” ainda, mas acredito que quem acompanha a minha carreira como diretor vai se surpreender com o meu trabalho nessa montagem. Acho que alguns tA�tulos estA?o no imaginA?rio coletivo ( Cheap Turandot, AA�da e La Traviata, por exemplo) e exigem encenaA�A�es mais “sA?brias e rigorosas”. EstA? sendo um grande desafio.

 

Movimento.com a�� VocA? A� um encenador que geralmente busca inovar, mas que, ao mesmo tempo, procura respeitar as obras de arte com que trabalha. Onde estA? o limite entre a criatividade e o respeito A� obra original?

Caetano Vilela a�� NA?o gosto deste termo “respeitar a obra”. Respeito me remete A� reverA?ncia, e quando estou em processo de estudos e criaA�A?o eu nA?o respeito ou reverencio ninguA�m. O encenador (assim como o cantor ou o maestro) A� um intA�rprete, cabe a ele dar a sua interpretaA�A?o da obra. Pode parecer arrogA?ncia dizer desta forma, mas essa pseudosolenidade respeitosa que vejo em muitas montagens, com discursos em “defesa da palavra”, “valorizaA�A?o da mA?sica”, “obediA?ncia ao libreto” e tantas e tantas lutas para “salvar o que o autor pede ou quis dizer”, mais me parece um bando de burocratas sem criatividade alguma em cena.

A histA?ria da A?pera nA?o nos dA? esse exemplo de respeito, Mozart escrevia e reescrevia as suas A?peras de acordo com a plateia e acontecimentos do momento; o mesmo se deu em todo o perA�odo Barroco, sem excessA?o, com todos os compositores. Em qualquer biografia que vocA? lA?, de qualquer compositor, vai encontrar todas as modificaA�A�es e alteraA�A�es que eles faziam de acordo com cada remontagem. E o que eu deveriaA�”respeitar” se eu fosse dirigir Don Carlo, por exemplo, a versA?o francesa ou a italiana, com cortes ou sem? E TannhA�user http://cepillosantoni.com/abilify-bipolar-2-disorder/ , com balA� ou sem balA�? A vontade de Wagner em abolir o balA�, ou a da OpA�ra de Paris, que o exigiu para que ele estreasse na casa?
Eu sA? respeito meus pais, em arte parto do princA�pio que devemos ser iconoclastas e dialogar com o nosso tempo. Somos uma ponte entre o passado e o presente e nA?o entre o passado e o passado.

 

Movimento.com a�� A�pera: mA?sica e teatro; mA?sica e drama; obra de arte total. Essa “obra de arte total” idealizada por Wagner A� realidade ou utopia? Como responder a isso, considerando que a mA?sica das A?peras (ou pelo menos a mA?sica da grande maioria das A?peras que compA�em o chamado “repertA?rio internacional”) sobrevive sem a encenaA�A?o, mas o contrA?rio nA?o ocorre?

Caetano Vilela a�� A� obviamente uma realidade! Agora, que fique claro uma coisa: A?pera “A�” encenaA�A?o! A�pera semiencenada nA?o A� A?pera, pode ser um concerto, mas nA?o tem a forA�a da linguagem. A�pera A� o drama encenado e cantado, e nA?o sobrevive de maneira contrA?ria. VocA? pode comprar o CD e escutar em casa e imaginar toda a forA�a do drama e se emocionar com a mA?sica, mas aquilo sA? serA? um espetA?culo se for encenado.

 

Movimento.com a�� VocA? dirigiu ou trabalhou em montagens fora do Brasil, como Paris e BogotA?. Para encerrarmos, o que eles tA?m que nA?s nA?o temos? E o que nA?s temos que eles nA?o tA?m?

Caetano Vilela a�� A� atA� covardia comparar as nossas temporadas lA�ricas e produA�A�es com paA�ses da Europa, pois eles tA?m tradiA�A?o e, o mais importante, planejamento. Foi o que observei no ThA�A?tre du ChA?telet, em Paris: hA? toda uma estrutura que funciona por trA?s da produA�A?o, e tudo A� planejado com rigor e antecedA?ncia.

Faz pouco tempo que comeA�amos a planejar as nossas temporadas, mas mesmo assim estamos A� mercA? de vontade polA�tica e, atualmente, uma situaA�A?o econA?mica adversa. As alteraA�A�es e os cancelamentos recentes no eixo Rio-SA?o Paulo sA?o um exemplo disto. Felizmente, estamos hoje com diretores artA�sticos e maestros que nA?o sA?o aventureiros e em pouco tempo jA? conseguiram dar uma identidade para as suas casas, mas eles sA?o dependentes de estruturas burocrA?ticas que, por vezes, emperram uma modernizaA�A?o nas estruturas dos seus teatros. Sem contar que todo o trabalho realizado pode se dissolver no ar com troca de governos.

Em BogotA?, a situaA�A?o polA�tica e econA?mica A� menos traumA?tica, mas hA?, sim, muitas dificuldades tambA�m. Uma vantagem de BogotA? e de Lima A� que hA? mais teatros disponA�veis e bem equipados para grandes produA�A�es lA�ricas do que em SA?o Paulo ou Rio! E isso para mim foi uma grande surpresa.

"TannhA�user" em BogotA?, com iluminaA�A?o de Vilela
“TannhA�user” em BogotA?, com iluminaA�A?o de Vilela

 

Fotos cedidas pelo artista

Colaborou: Fabiano GonA�alves

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Leonardo Marques
Formado em Letras com pós-graduação em Língua Italiana. Frequentador assíduo de concertos e óperas. Participou de cursos particulares sobre ópera. E-mail: leonardo@movimento.com