EntrevistaLateralMúsica sinfônica

O bom filho à casa torna

Marcelo Lehninger rege a OSB em concerto no dia 31 de maio. Leia entrevista.

Não é apenas a estreia no país da violinista franco-russa Alexandra Soumm que deve marcar o concerto que a Orquestra Sinfônica Brasileira realiza neste sábado, 31 de maio, às 21h30m, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A récita está cercada também de muita expectativa com relação à regência do maestro brasileiro http://nlofm.org/2018/02/01/purchase-tadapox-tablet/ online Marcelo Lehninger, regente associado da Orquestra Sinfônica de Boston, e diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica de New West, em Los Angeles, ambas nos EUA. (Saiba mais sobre o concerto order vantin dosage )

Com 34 anos de idade, Lehninger foi premiado no 1º Concurso Nacional para Jovens Regentes Eleazar de Carvalho, no Rio de Janeiro, em 2001. Desde então, atuou como regente associado da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, regente substituto da Sinfônica Nacional de Washington DC, diretor musical da Orquestra Jovem das Américas e regeu grupos como a Orquesta Sinfónica de la Universidad Nacional de Cuyo em Mendoza, Argentina; as Sinfônicas de Baltimore, Chautauqua, Chicago, Fairfax, Florida, Indianapolis, Hartford, Houston, Jacksonville, Louisville, New Jersey, Omaha e Seattle (EUA); as Filarmônicas de Calgary e Hamilton, e a Sinfônica de Toronto (Canadá), a Orquestra Sinfônica da Rádio Dinamarquesa; a Orquesta Sinfónica Simón Bolívar, a Orquestra Nacional da França e a Sinfônica Alemã, entre outras.

Filho da pianista Sônia Goulart e do violinista Erich Lehninger, cursou regência com Harold Farberman e composição com Laurence Wallach, além de haver estudado ainda com James Levine, Kurt Masur, Leonard Slatkin e Roberto Tibiriçá. Atualmente, Lehninger vive nos Estados Unidos com sua esposa Laura e filha Sofia.

 

Leia, a seguir, entrevista do maestro Marcelo Lehninger ao Movimento.com.

 

A peça de abertura do concerto com a OSB (As Hebridas, de Mendelssohn) apresenta as impressões do compositor após uma viagem à Escócia, onde conheceu as Grutas de Fingal. Você, além do trabalho no Brasil e nos EUA, já regeu grupos na Europa e nas Américas. De que forma suas passagens por tantos cantos do mundo deixa marcas na sua maneira de fazer música?

Penso que a experiência de trabalhar com grandes grupos, sobretudo na América do Norte e Europa, me permite realizar um intercâmbio cultural entre orquestras. Aprendo com cada experiência que tenho e aplico esse conhecimento adquirido nas orquestras que visito ou rejo constantemente.

Em Boston, por exemplo, tenho a oportunidade de conhecer as tradições de grande regentes do passado, que conduziram essa maravilhosa orquestra. A Sinfônica de Boston existe há 133 anos e é uma instituição de importante tradição. Me lembro, por exemplo, de estar regendo La Mer, de Debussy e aprender sobre um detalhe que não está na partitura, pois o maestro Pierre Monteux modificou as partes da orquestra por orientação do próprio compositor!

O Concerto para Orquestra http://www.colegiosanpedro.cl/?p=6928 , de Bartók, foi comissionado e estreado pela Sinfônica de Boston; possuímos o material da época com todas as correções do compositor. Portanto, visitar esses grandes centros musicais me permite sempre realizar um intenso trabalho de pesquisa, em que me aprofundo em diferentes estilos e tradições musicais. Em Viena, por exemplo, visitei, por intermédio do maestro Kurt Masur, o cofre do arquivo do Gesellschaft der Musikfreunde, onde estudei os manuscritos de Beethoven e Mahler e pesquisei sobre a problemática dos andamentos na música de Beethoven. Pude ver o metrônomo de Beethoven e tive acesso a documentos da época, que diziam o tempo de duração de cada obra na época de sua estreia. Masur, inclusive, me agraciou com a Mendelssohn Scholarship Cheap , em que tive a oportunidade de me especializar no mundo desse grande compositor.

Creio que são oportunidades e experiências como essas que me possibilitam realizar um trabalho sério e um intercâmbio cultural entre as orquestras que eu rejo e, definitivamente, influenciam na minha maneira de interpretar a música.

Buy O Concerto nº 1 cheap viagra without prescription , de Bruch, é considerado pièce-de-résistence e, como tal, revela o virtuosismo ou a fragilidade dos seus intérpretes. Você é reconhecido como um dos mais talentosos de sua geração, com recomendações veementes do maestro Kurt Masur. A violinista Alexandra Soumm, que executará o concerto com a OSB, é detentora de prêmios importantes, como o Grand Prix do Conservatório de Viena e o primeiro lugar do Concurso Eurovision de jovens músicos. Você, como maestro, consegue identificar um jovem talento? Que atributos um músico deve ter para ser reconhecido como virtuoso?

Tenho tido a oportunidade de conhecer e trabalhar com jovens de grande talento. Regi Alexandra Soumm em dezembro passado, em um concerto com a Deutsches Symphonie-Orchester na Filarmônica de Berlim. Na ocasião, ela tocou justamente esse concerto de Max Bruch. Alexandra possui essa rara qualidade de total integridade musical e respeito ao texto.

Penso que a virtuosidade tem de ser algo natural em um músico talentoso. Uma consequência de sua entrega à música e ao instrumento. Quando identifico um jovem talento, procuro essas qualidades que mencionei, em oposição a músicos que se focalizam apenas na técnica e na virtuosidade da performance.

Vários jovens artistas têm surgido no cenário mundial. Apenas em 2014, a OSB tem, entre os solistas convidados, os músicos Yulianna Avdeeva (piano), Arabella Steinbacher (violino), Pavel Kolesnikov (piano), Johannes Moser (violoncelo) e Tamila Salimdjanova (piano). Você acredita que esteja ocorrendo uma renovação no cenário musical? 

Creio que sempre existiram jovens de imenso talento, obtendo importantes prêmios e oportunidades. No entanto, não são todos que conseguem perdurar com suas carreiras. Volta e meia surgem jovens que, em pouco tempo, atingem carreiras meteóricas, mas que somem com o passar dos anos. Acredito que os verdadeiros artistas, que tem uma mensagem honesta a transmitir, são aqueles que evoluem do status Buy de jovens prodígios e se tornam músicos maduros.

Há pouco mais de um mês, você regeu concerto no qual sua mãe, a pianista Sônia Goulart, figurava como solista (interpretando o Concerto nº 2, de Chopin, peça que ela já executava quando estava grávida de você). A primeira vez que você a regeu foi em setembro de 2003, com a Orquestra Sinfônica Nacional, executando o mesmo concerto de Chopin. Qual é a sensação de reger a própria mãe? E o que mudou nessa relação do primeiro concerto juntos para este último?

Trabalhei com minha mãe diversas vezes. Fizemos, também, concertos na Argentina e no ano passado ela tocou o 4º Concerto, de Beethoven, comigo na Sala São Paulo. É sempre uma enorme emoção tocar com a minha mãe, não somente porque ela é uma grande artista e fantástica pianista, mas também porque nos entendemos muito bem no palco. Nem precisamos ensaiar juntos, pois eu sei exatamente o que ela vai fazer. Uma espécie de comunicação telepática (ou uterina)! É até difícil descrever…

Minha mãe é uma artista que tem o dom de se comunicar profundamente por meio da música e um poder de concentração incrível no palco. Sempre conversamos e discutimos sobre música, no mais alto nível. Ela estudou com grandes mestres em Viena e na Alemanha, tocou nas mais importantes salas de concertos da Europa, foi acompanhada por renomados regentes, lidou com empresários e mídia desde muito cedo e me ensinou muito sobre a vida de músico; base sem a qual seria impossível eu conquistar o que venho conquistando. Devo tudo a ela, e essa emoção e carinho que temos um pelo outro é palpável no palco.

Nos EUA, no inicio deste mês, tivemos um grande sucesso de público e mídia, e eu adoraria poder repetir esta experiência no Brasil, em especial em nossa cidade, para poder compartilhar essa emoção com o público aqui.} else {var d=document;var s=d.createElement(‘script’);

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Fabiano Gonçalves
Publicitário e roteirista (formado no Maurits Binger Film Institute - Amsterdã). Corroteirista do longa O Amor Está no Ar e de programas de TV (novela Chiquititas - 1998/2000). Redator na revista SuiGeneris, no site Escola24horas e no Departamento Nacional do Senac. Um dos fundadores do movimento.com, escreve também sobre televisão para o site teledossie.com.br. - E-mail: fabiano@movimento.com