Música antigaProgramaçãoRio de Janeiro

Música para cantar e dançar

Conjunto Música Antiga da UFF apresenta obras de trovadores medievais nos jardins da Reitoria, em Niterói.

 

No dia 20 de junho, o grupo Música Antiga da UFF apresenta, a partir das 17h30, no Jardim da Reitoria, em Niterói, músicas para cantar e dançar escritas por trovadores medievais. Os músicos se misturam ao público, convidando todos a participar do espetáculo. A entrada é gratuita.

Música e Dança, duas das três artes performáticas (a terceira é o Teatro) estiveram sempre presentes nas sociedades humanas. Em português, não existe um termo que englobe as três ações (encenar, cantar e dançar). Estre termo existe na língua inglesa – perform – adotado hoje em dia no Brasil, na forma aportuguesada.

Por possuírem características imateriais, etéreas, baseadas em sons e movimentos que se perdem no tempo e no espaço, sempre se mostraram mais difíceis de serem registradas, o que só aconteceu muito tardiamente. No caso da música, apesar da existência de algumas tentativas de registros ao longo da Antiguidade, é na Idade Média que surgem as primeiras notações mais detalhadas e precisas, capazes de perpetuar a possibilidade de uma execução artística em um tempo futuro.

 

Registro

A escrita musical mais eficaz até os dias de hoje se desenvolveu dentro da Igreja. No século 11, Guido D’Arezzo, um mestre italiano de coro, desenvolveu um sistema de notação (o nome das notas em uma pauta) cujas bases permanecem até os dias de hoje. Embora tenha sido criada para as atividades eclesiásticas, não foi utilizada apenas na Igreja. Extrapolando seus muros, foi também utilizada no registro das músicas profanas, no repertório musical trovadoresco e das danças instrumentais.

Graças a essa invenção, hoje é possível tocar, cantar e ouvir músicas escritas há mais de mil anos e saber que estamos próximos da sonoridade original, pois somente as músicas que tiveram seus sons anotados podem ser reproduzidas nos dias de hoje. As não registradas se perderam no tempo e no espaço.

 

Musas e músicas

Na Antiguidade Clássica, as artes estavam relacionadas com as musas, as nove filhas de Zeus com Mnemosina. Conta-se que Zeus criou as Musas para cantar a vitória dos Olímpicos contra os Titãs, para inspirar ideias, criarem beleza, propiciarem alegria e assim alegrarem as festas dos imortais. Desde então, quando nos referimos às artes, nos referimos também às musas que as representam.

No entanto, a concepção de Arte entre os gregos era muito diferente. A palavra Música vem de ‘arte das musas’ e, no entanto, a música em si, não está representada por uma musa especifica, pois os gregos não separavam a música da poesia. Euterpe, portanto, era a musa da poesia lírica; Calíope, da poesia épica; Erato, da amorosa; e Polímnia, musa da poesia sagrada. Todas essas artes estavam ligadas à música, pois os textos eram sempre cantados ou acompanhados de música.

A estas musas acrescenta-se Terpsichore, a musa da dança, pois para dançar também é preciso música. Para que possam ser apreciadas, as artes das musas precisam ser ‘encenadas’. Para uma música existir não basta que esteja escrita em um papel, ela precisa ser tocada ou cantada diante de um público. Assim são as artes ‘musicais’ (ou das musas) – elas só existem quando encenadas, tocadas, cantadas ou dançadas.

 

Artistas

O grupo Música Antiga da UFF busca recriar a sonoridade da Idade Média e do Renascimento, encantando o espectador com suas músicas e o fascínio das histórias que compõem seus ricos repertórios, resgatando e transmitindo não apenas a música, mas também o contexto histórico e cultural dessas épocas.

Atuante há três décadas, é atualmente composto por Lenora Pinto Mendes, Leandro Mendes, Márcio Paes Selles, Mário Orlando e Virginia Van der Linden, todos também pesquisadores. O grupo continua descobrindo novas formas de difundir a música e a cultura da Europa Ocidental, que está na base da formação cultural do Brasil, produzindo cursos e programas musicais apresentados regularmente ao público, utilizando instrumentos que são réplicas dos instrumentos da época.

Ao longo da carreira, o grupo gravou um LP (Cantares de Amor, Sospiros e Cuydados) e oito CDs temáticos: Lope de Vega – Poesias Cantadas, Cânticos de Amor e Louvor, Música no Tempo das Caravelas, A Chantar – Trovadoras Medievais, O Canto da Sibila, Medievo Nordeste, Carmina Burana e Milagres de Santa Maria.

Realizou concertos por todo o Brasil, trilhas sonoras, videoclipes, além de participar da organização de cursos e apresentações em congressos sobre a temática, nacionais e internacionais, na Universidade Federal Fluminense e em outras universidades do Brasil.

Já participou de importantes festivais, tais como Festival Seviqc Brezice na Eslovênia (2013), Festival de Música de Paraty (2008), Oficina de Música de Curitiba (1985,1986,1987), Festival de Música Barroca de Alcântara (2012, 2014), Festival de Música Colonial de Juiz de Fora (2003, 2004), Festivais de Inverno na Região Serrana do Rio de Janeiro, entre outros.

Em 2017, o Música Antiga da UFF lançou seu primeiro longa-metragem, o documentário Música do Tempo – Do Sonho do Império ao Império do Sonho, que conta a trajetória artística do grupo durante os mais de 30 anos de pesquisa e difusão da música.

 

PROGRAMA:

Polorum Regina (anônimo, séc. 14)
Como podem per sas culpas (Afonso X, séc. 13)
A l’entrada del temps clar (anônimo, séc. 12)
Satarello (anônimo, séc. 14)
Cunct simus concanentes (anônimo, séc. 14)
A Virgem Santa Maria (Afonso X, séc. 13)
Stella splendes (anônimo, séc. 14)
De Santa Maria sinal (Afonso X, séc. 13)
Miragres fremosos (Afonso X, séc. 13)
Nomem a sollempnibus (anônimo, séc. 12)

 

SERVIÇO:

 

Música Antiga da UFF

 

20 de junho, quarta-feira, às 17h30

Jardim da Reitoria da UFF (R. Miguel de Frias, 9, Icaraí – Niterói. Tel.: 21 2629-5000)

 

Entrada gratuita

 

movimento.com
Responsável pela inclusão de programação e assuntos genéricos no blog.