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Música do Leste Europeu

Quarteto de cordas com integrantes da Filarmônica de Minas Gerais apresentam-se na série Expedições Musicais.

 

A música do Leste Europeu é apresentada pela Orquestra Filarmônica de Minas Gerais no dia 23 de junho, às 18h, na Sala Minas Gerais, em Belo Horizonte, em suas Expedições Musicais, dentro da série Fora de Série, realizada em nove sábados ao longo do ano. A regência é do maestro Marcos Arakaki.

Os violinistas Rodrigo Bustamante e Joanna Bello, o violista Gerry Varona e a violoncelista Camilla Ribeiro abrem o concerto com a obra Cinco peças para quarteto de cordas, de Schulhoff. Em seguida, a Orquestra interpreta Rapsódia Lituana, Op. 11, de Karlowicz; No reino da natureza, Op. 91, de Dvořák; O mandarim maravilhoso, Op. 19: Suíte, de Bartók; e A noiva vendida: Abertura, de Smetana.

A série Fora de Série tem como tema Expedições Musicais. Os nove concertos exploram diferentes regiões e culturas por meio das variações formais que a música pode ter. As apresentações são iniciadas com obras camerísticas, e o repertório segue com peças de estruturas musicais maiores para grupos mais numerosos. Os temas dos concertos são: Itália, França, Rússia, Leste europeu, Estados Unidos, Países hispânicos, Países nórdicos, Alemanha e Brasil.

 

REPERTÓRIO

Erwin Schulhoff (1894-1942): Cinco peças para quarteto de cordas
O compositor e pianista Erwin Schulhoff nasceu em Praga, em uma família judaica de origem alemã. Era um estrangeiro em sua própria terra. Soube, como poucos em seu tempo, se valer dessa condição em sua prolífica e multifacetada trajetória. Abraçou muitos estilos e influências, como Debussy, Scriabin e Dvořák, seu primeiro mestre; viveu em Viena, Leipzig e Colônia; se aproximou do jazz, do Dadaísmo e do Expressionismo; e, triste e desiludido após a I Guerra Mundial, tornou-se um socialista convicto. Em 1941, obteve um visto para a União Soviética, mas, enquanto organizava algumas burocracias da viagem, os nazistas invadiram Praga e Schulhoff foi deportado para o campo de concentração de Wülzburg, na Bavária, onde morreu de tuberculose em agosto de 1942. As Cinco peças para quarteto de cordas encontram na ironia e na releitura inusitada tanto da suíte de danças barroca quanto da linguagem da Segunda Escola de Viena um caminho expressivo. Dedicada a Darius Milhaud, a obra estreou em Salzburgo, em 1924.

Mieczyslaw Karlowicz (1876-1909): Rapsódia Lituana, Op. 11
Karlowicz nasceu na atual Lituânia, mas é considerado um dos grandes nomes da música polonesa do início do século 20. Sua linguagem embasada num Romantismo tardio, oriunda da música de Wagner, Tchaikovsky, Grieg e Richard Strauss, emana das profundas influências que recebeu ao longo de seus estudos em Heidelberg, Praga, Dresden, Berlim e Varsóvia. No entanto, sua linguagem soa estranhamente moderna. Essa duplicidade é que faz de Karlowicz um representante desses focos de resistência de onde nasce a criatividade. A Rapsódia Lituana, composta provavelmente em Varsóvia, em 1906, é o terceiro de seus seis poemas sinfônicos. A partir de melodias folclóricas ouvidas em viagem de férias à propriedade rural da família na Lituânia, Karlowicz criou uma música que é pura nostalgia. Sobre ela, disse: “Eu tentei dar vazão a todo o pesar, tristeza e eternas correntes desse povo cujas canções preencheram minha infância”.

Antonín Dvořák (1841-1904): No reino da natureza, Op. 91
Dvořák é, sem dúvida, o maior representante da Escola Tcheca de música, talvez por ter ele mesmo estado no Novo Mundo. Esse grande melodista nutre seu lirismo das fontes populares. No reino da natureza, composta em 1891 e estreada no ano seguinte em Praga, faz parte de um tríptico de três aberturas de concerto, que inclui também Carnaval e Otelo. No Opus 91, pintou uma paisagem sonora cheia de cores, inspirado por sua casa na pacata vila de Vysoka, onde podia escrever rodeado pela natureza. Popularidades à parte, o grande predicado de Dvořák foi ter destilado de seu folclore um material essencial, uma espécie de gramática que embasaria sua atividade criativa.

Béla Bartók (1881-1945): O mandarim maravilhoso, Op. 19: Suíte
O húngaro Bela Bartók criou duas obras importantes para balé: O príncipe de madeira (1917) e O mandarim maravilhoso (1926). Ambas pertencem a um período em que Bartók se vê fascinado por Debussy, que acabara de descobrir por intermédio de seu amigo e também compositor Zoltan Kodály. Nessa fase, os dois ainda se ocupam da pesquisa sobre a música tradicional e popular de sua terra, um extensivo trabalho de coleta e registro de material que veio a definir a obra de Bartók, que depois receberia também forte influência stravinskyiana. E embora frequentemente se queira ver em O mandarim maravilhoso algo da presença do Stravinsky da Sagração, a peça vai para muito além das suas possíveis fontes e revela um artista maduro o suficiente para empregar com ousadia uma variada gama de artifícios muitas vezes inusitados e extremamente originais. Dotado de uma orquestração exuberante, e pleno de novas investidas sonoras, o balé causou escândalo em sua estreia. Incorporada ao repertório sinfônico na forma de suíte (que conserva grande parte da versão original), é uma obra que pode ser considerada emblemática desse grande nome da música do século 20.

Bedrich Smetana (1828-1884): A noiva vendida: Abertura
No Leste Europeu, a Escola Tcheca de música sempre se manteve fecunda. Seu fundador, Bedrich Smetana, é símbolo de independência cultural e, com A noiva vendida, fundou a ópera no país. Composta entre 1863 e 1866, ano também de sua estreia em Praga, A noiva vendida trouxe ao “Ocidente” a consciência das peculiaridades e especificidades da música tcheca, nem tanto pela inclusão de citações de temas populares ou de danças tradicionais, mas pelo uso desse je ne sais quoi que, nas escolas nacionais, muitas vezes se confundem com exotismos. No brilho da abertura da ópera isso se afirma, não apenas em algumas harmonias, mas numa rítmica característica e em uma atmosfera festiva que mascara habilmente as danças tradicionais.

 

ARTISTAS

Regente associado da Filarmônica, Marcos Arakaki colabora com a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais desde 2011. Sua trajetória artística é marcada por prêmios como o primeiro lugar no Concurso Nacional Eleazar de Carvalho para Jovens Regentes (2001) e no Prêmio Camargo Guarnieri (2009). Foi semifinalista no Concurso Internacional Eduardo Mata (2007). Foi regente assistente da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), bem como titular da OSB Jovem e da Sinfônica da Paraíba. Dirigiu as sinfônicas do Estado de São Paulo (Osesp), do Teatro Nacional Claudio Santoro, do Paraná, de Campinas, do Espírito Santo, da Paraíba, da Universidade de São Paulo, Filarmônica de Goiás, Petrobras Sinfônica e Orquestra Experimental de Repertório. No exterior, regeu as filarmônicas de Buenos Aires e da Universidade Autônoma do México, Sinfônica de Xalapa, Kharkiv Philharmonic da Ucrânia e Boshlav Martinu Philharmonic, da República Tcheca.

Natural de São Paulo, é bacharel em Música pela Universidade Estadual Paulista, na classe de Violino de Ayrton Pinto, e mestre em Regência Orquestral pela Universidade de Massachusetts. Participou do Aspen Music Festival and School, recebendo orientações de David Zinmanna American Academy of Conducting at Aspen. Esteve em masterclasses com Kurt Masur, Charles Dutoit e Neville Marriner.

Seu trabalho contribui para a formação de novas plateias, em apresentações didáticas, bem como para a difusão da música de concerto em turnês a mais de setenta cidades brasileiras. Atua como coordenador pedagógico, professor e palestrante em projetos culturais, instituições musicais e universidades.

 

Antes de juntar-se à Filarmônica de Minas Gerais, em 2012, Rodrigo Bustamante foi spalla da Orquestra de Câmara do Theatro São Pedro (RS), entre 2005 e 2010, grupo no qual também foi solista. Atuou ainda na Sinfônica de Porto Alegre, na New Eastman Symphony, na Eastman Virtuosi, na Orquestra de Câmara da Ulbra, entre outras. Mantém frequente atividade camerística, com destaque para atuações e turnês ao lado do Offenburger Streichtrio, do violinista canadense Guillaume Tardif e dos quartetos Libertas e Guignard. Recebeu o Prêmio Açorianos de Melhor Grupo de Câmara e foi indicado ao prêmio de Melhor Instrumentista pela atuação no álbum Kinematic, com o Musitrio. Rodrigo é graduado em Violino pela UFRGS, instituição na qual também atuou como professor substituto, e é mestre em Violin Performance and Literature pela Eastman School of Music, na classe de Ilya Kaler e Mitchell Stern.

 

Nascida em Caracas, na Venezuela, Joanna Bello começou seus estudos de violino no El Sistema e logo depois recebeu uma bolsa para o renomado Colégio Emil Friedman. Desde jovem, demostrou grande interesse pela música de câmara, tendo realizado mestrado nessa área pela Universidade de Michigan (EUA), sob orientação de Stephen Shipps. Em 2002, passou a integrar a Orquestra de Câmara do Chile e a lecionar Violino na Universidad Mayor, em Santiago. Ainda no Chile, formou o Ensamble Nuevo Mundo, grupo camerístico com o qual realizou concertos nas principais salas do país. No Brasil, foi spalla da Camerata Antiqua, em Curitiba, até ingressar na Filarmônica de MG em 2015. Atualmente também faz parte do Quarteto Guignard.

 

O violista filipino Gerry Varona é integrante da Filarmônica de MG desde 2012 e tem um apreço especial pela música de câmara e por composições contemporâneas. Foi chefe de naipe na IU Philharmonic e assistente de chefe de naipe na orquestra Evansville Philharmonic e nas Sinfônicas de Baton Rouge, Acadiana e Owensboro. Venceu o National Music Competition, nas Filipinas, e outros concursos de viola nos Estados Unidos. Realizou seu mestrado na Universidade de Indiana, com bolsa da Fellowship Barbara and David Jacobs, e, ao longo dos anos, estudou com alguns dos violistas mais reconhecidos do mundo, tais como Jerzy Kosmala, Atar Arad e Matthew Daline. Como solista, já se apresentou com a IU Chamber, sob a regência de Jaime Laredo, a LSU Symphony, a Musicoop e a Peace Philharmonic Philippines.

 

Com passagens pelas orquestras Jovem do Estado de São Paulo, Sinfônica de Santo André e Experimental de Repertório, Camilla Ribeiro integra, desde 2011, o naipe de violoncelos da Filarmônica de MG. Já se apresentou com a Osesp, como musicista convidada, e frequentou o Festival Internacional de Campos do Jordão, o Festival de Música de Santa Catarina, o Rio International Cello Encounter, entre outros. Como camerista, aperfeiçoou-se no Projeto Serioso, liderado por Richard Young, do Quarteto Vermeer, e colaborou com diversos grupos. Atualmente, é integrante do Quarteto Guignard. Natural de Belém, no Pará, iniciou seus estudos no Conservatório Carlos Gomes e, em 2005, obteve primeiro lugar no Concurso Nacional de Cordas Paulo Bosísio.

 

Foto: Alexandre Rezende

 

SERVIÇO:

 

Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Solistas: Rodrigo Bustamante e Joanna Bello (violino), Gerry Varona (viola) e Camilla Ribeiro (violoncelo)

Marcos Arakaki, regência

 

23 de junho, sábado, às 18h

Sala Minas Gerais (R. Tenente Brito Melo, 1.090, Barro Preto – Belo Horizonte. Tel.: 31 3219-9000)

 

Ingressos: R$ 116 (balcão principal), R$ 92 (plateia central), R$ 68 (balcão lateral), R$ 50 (balcão palco e mezanino) e R$ 44 (coro), com meia-entrada para estudantes, pessoas com mais de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação

 

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