EntrevistaLateralRio de Janeiro

MA?sica como A?gua

Nesta entrevista exclusiva ao Movimento.com, o maestro francA?s Louis LangrA�e, que rege a OSB no Rio de Janeiro nos dias 14 e 16 de abril, fala sobre os concertos e sobre a importA?ncia da mA?sica.

 

De volta ao Brasil, o maestro francA?s Louis LangrA�e Buy prepara-se para duas estreias. A primeira A� A� frente da Orquestra SinfA?nica Brasileira (OSB) e a segunda, regendo sua afilhada, a pianista alemA? Elena Fischer-Dieskau (neta do barA�tono Dietrich Fischer-Dieskau). Os concertos ocorrem nos dias 14 e 16 de abril, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e na Cidade das Artes (saiba mais Buy ).

Nascido em janeiro de 1961, LangrA�e estudou no ConservatA?rio de Estrasburgo e comeA�ou a carreira como assistente e preparador vocal na OpA�ra National de Lyon, na qual ficou atA� 1986. Mudou-se em seguida para o Festival Aix-en-Provence, no qual trabalhou como maestro assistente, o mesmo cargo que teve na Orchestre de Paris (de 1989 a 1992). O maestro jA? foi tambA�m diretor musical da Orquestra de Picardie (1993-1998) e da FilarmA?nica Real de LiA?ge (2001-2006), regendo, ao longo da carreira, outras importantes orquestras, como a FilarmA?nica de Londres, a Orchestre de la Suisse Romande e a SinfA?nica do Estado de SA?o Paulo (Osesp), entre outras.

Atualmente A� diretor musical da SinfA?nica de Cincinnati e do Festival Mostly Mozart, realizado no Lincoln Center, em Nova York, e maestro titular da Camerata Salzburg. Casado com AimA�e Clark LangrA�e e pai de duas crianA�as, LangrA�e ganhou, em 2006, o tA�tulo de Chevalier des Arts et des Lettres, e, em 2014, Chevalier de la LA�gion da��Honneur.

Nesta entrevista exclusiva ao Movimento.com, Louis LangrA�e comenta o repertA?rio dos concertos, revela sua expectativa por tocar no Brasil e fala da importA?ncia da mA?sica para nossa sociedade. Confira, a seguir, os melhores momentos.

* * * * *

Movimento.com a�� O repertA?rio das rA�citas com a OSB A� composto por Cheap buy azulfidine entab Concerto para Piano e Orquestra n. 2 em dA? menor, Op. 18, de Sergei Rachmaninoff, e PellA�as e MA�lisande, Op. 5, do austrA�aco Arnold SchA�nberg. Como se deu a escolha dessas obras e quais sA?o suas principais caracterA�sticas?

Louis LangrA�e a�� As duas obras foram escritas mais ou menos na mesma A�poca, isto A�, no inA�cio do sA�culo 20. AlA�m disso, os dois compositores eram fascinados pelo Simbolismo a�� PA�lleas e MA�lisande A� uma obra-prima desse estilo e Rachmaninoff escreveu o belo poema sinfA?nico A Ilha dos Mortos, Op. 29, para orquestra. Os dois tA?m a mesma fascinaA�A?o pelo Simbolismo, pelo fato de nA?o contar as coisas diretamente, mas fazendo uso de imagens e silA?ncios. Isso A� extraordinA?rio.

AlA�m disso, Rachmaninoff tem esse jeito pA?s-romA?ntico de escrever, e SchA�nberg, em PA�lleas, tambA�m tem uma abordagem pA?s-romA?ntica. Quando as pessoas pensam neste compositor, lembram-se logo de mA?sicas cerebrais, desafiadoras e difA�ceis, tanto para o pA?blico como para a orquestra e o maestro, como sA?o suas obras do Dodecafonismo. Mas PA�lleas e MA�lisande A� completamente diferente a�� A� sensual, intensa, colorida, bela. Acho-a irresistA�vel. Tem muito sentimento e expressividade. A� uma composiA�A?o pA?s-mahleriana (mesmo Gustav Mahler estando vivo A� A�poca da obra), que faz certo uso do leitmotiv de Richard Wagner a�� com um tema para cada personagem ou situaA�A?o. A� complexa, mas A� escrita em uma linguagem totalmente compreensA�vel. Mesmo quem nA?o entende a linguagem musical vai ficar fascinado por ela.

Rachmaninoff tambA�m escreveu poemas sinfA?nicos, mas este Segundo Concerto para Piano e Orquestra A� uma de suas obras mais famosas e bastante caracterA�stica do Romantismo russo, que se difere bastante do austrA�aco ou de outras nacionalidades. Mesmo assim, as duas peA�as do programa tA?m uma grande similaridade: ambas tA?m uma enorme necessidade de transcender a tristeza e alcanA�ar a luz.

 

Movimento.com a�� NA?o A� a primeira vez que o sr. vem ao Brasil, mas A� sua primeira vez no Rio de Janeiro, regendo a Orquestra SinfA?nica Brasileira. Qual a expectativa para os dois concertos ao lado da pianista Elena Fischer-Dieskau e regendo a OSB pela primeira vez?

Louis LangrA�e a�� Na verdade, jA? estive no Rio, regendo a Osesp no Theatro Municipal do RJ. Mas A� a minha estreia com a OSB, da qual ouvi falar muitA�ssimo bem. ConheA�o Lee Mills [maestro assistente da OSB]A�jA? hA? muitos anos, e ele me disse que a orquestra tem um espA�rito maravilhoso e muita vontade de fazer mA?sica.

 

online Movimento.com a�� O que o pA?blico carioca pode esperar desse encontro?

Order Louis LangrA�e a�� Cheap ConheA�o o pA?blico de SA?o Paulo, mas como sA? estive no Rio de Janeiro por um dia, nA?o conheA�o os cariocas muito bem. No entanto, adoro o Brasil. Primeiro porque vocA?s tA?m mA?sicos maravilhosos a�� Villa-Lobos, por exemplo, A� esplA?ndido. De modo geral, adoro as pessoas. Claro que hA? problemas, mas vocA?s tA?m uma atitude positiva diante da vida, e eu amo isso.

Nosso concerto tem mA?sicas lindas, do PA?s-Romantismo, que tA?m certo ar de nostalgia a�� isso A� um sentimento que os brasileiros conhecem bem, nA?o A�? “Saudade” [fala em portuguA?s]… SerA? um programa lindo, bem equilibrado, com uma peA�a que as pessoas conhecem e amam (Concerto para Piano e Orquestra n. 2) e outra que elas vA?o descobrir e poderA?o amar (PA�lleas e MA�lisande). Estou muito entusiasmado. Inclusive porque a jovem pianista Elena A� tA?o talentosa! SerA? a primeira vez em que tocaremos juntos a�� eu a conheA�o hA? muitos anos, naturalmente, pois ela A� minha afilhada. Mal posso esperar por esse nosso primeiro trabalho conjunto!

 

LangrA�e (em foto de A. J. Waltz)
LangrA�e (em foto de A. J. Waltz)

 

flonase over the counter generic Movimento.com a�� Muito se fala sobre dificuldades que a mA?sica clA?ssica vem encontrando no mundo todo com a queda na venda de ingressos, dificuldade de apoio financeiro e envelhecimento do pA?blico. Com sua experiA?ncia como maestro e diretor musical de orquestras como a FilarmA?nica de LiA?ge, a de Picardie e, mais recentemente, a SinfA?nica de Cincinnati, poderia nos dizer se esse A� um cenA?rio comum a todos esses paA�ses? Como mudar esse quadro?

Louis LangrA�e a�� Acho que nA?o A� uma questA?o apenas da mA?sica clA?ssica, A� um problema educacional. E tambA�m um assunto do A?mbito da polA�tica: a arte A� essencial para que as pessoas se tornem bons cidadA?os. Beethoven jA? disse que A� preciso bons polA�ticos e boa arte para que haja uma grande naA�A?o.

A� claro que, em um mundo tecnolA?gico como este em que vivemos, as diferenA�as entre ricos e pobres ficam cada vez mais chocantes, mas a arte a�� em particular a mA?sica a�� pode unificar as pessoas, eliminando barreiras polA�ticas, religiosas, filosA?ficas, de idioma… A mA?sica fala diretamente A� sensibilidade de cada um, e isso A� muito importante, em minha opiniA?o.

Cada paA�s tem suas prA?prias especificidades e dificuldades a enfrentar. Sobre as orquestras, os Estados Unidos tA?m polA�ticas bem diferentes dos paA�ses da Europa. No Velho Continente, a manutenA�A?o de uma orquestra se dA? principalmente por apoio do Estado, enquanto nos EUA, onde nA?o hA? MinistA�rio da Cultura, contamos com doaA�A�es particulares e patrocA�nios de instituiA�A�es. Eu acho que o lugar da arte nA?o pode, de modo algum, ser esquecido. Ela ajuda a elevar o espA�rito das pessoas. A� muito mais que entretenimento a�� adoro entretenimento, mas a mA?sica pode dar A�s pessoas grande alegria, conforto e dignidade.

AlA�m disso, uma orquestra A� o arquA�tipo de uma sociedade ideal. Se o oboA�sta, por exemplo, nA?o ouve o fagotista, eles nA?o conseguem fazer mA?sica juntos. A� preciso ouvir o colega e responder a ele, em diA?logo musical. E A� o diA?logo, afinal de contas, que une a sociedade, o paA�s, o continente, o mundo. A� uma metA?fora: se trabalhamos juntos, podemos fazer linda mA?sica.

Sobre o envelhecimento das plateias, bem, A� uma questA?o que discutimos bastante. Os mais velhos tA?m mais tempo para ir aos concertos. E eles trazem os netos aos concertos. Assim, vamos formando novas plateias, afinal, as crianA�as sA?o mais abertas. A�s vezes pergunto aos meus amigos que nA?o dizem nA?o gostar de mA?sica: “De que vocA? gosta?”, “Gosto de futebol”, alguns respondem. “E o que vocA? faz quando seuA�time ganha?”, torno a perguntar. “Ah, o estA?dio todo celebra e canta”. EntA?o como pode dizer que nA?o gosta de mA?sica? Se vocA? canta, gosta de mA?sica! NA?o tem a ver com a letra a�� bastaria dizer as palavras! a��, A� preciso ir alA�m, compartilhar, emocionar-se. MA?sica A� parte da alma humana, em qualquer cultura de qualquer paA�s de qualquer parte do mundo. A� essencial A� vida, como A?gua.

 

Colaborou: Alice Pereira / AgA?ncia Febre

 }

Fabiano Gonçalves
Publicitário e roteirista (formado no Maurits Binger Film Institute - Amsterdã). Corroteirista do longa O Amor Está no Ar e de programas de TV (novela Chiquititas - 1998/2000). Redator na revista SuiGeneris, no site Escola24horas e no Departamento Nacional do Senac. Um dos fundadores do movimento.com, escreve também sobre televisão para o site teledossie.com.br. - E-mail: fabiano@movimento.com