LateralMinas GeraisMúsica antigaProgramação

Música Antiga da USP encerra Festival de Juiz de Fora

Estreia latino-americana de repertório histórico.

O Conjunto de Música Antiga da USP realiza seu primeiro concerto em Juiz de Fora no encerramento do 30º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga no dia 28 de julho, no Cine-Theatro Central. O ineditismo se estende ao repertório da apresentação: pela primeira vez na América Latina, três obras de Haydn, Mozart e Beethoven serão apresentadas com instrumentos históricos – ou seja, idênticos aos utilizados na época em que foram compostas. Essa é a especialidade do Conjunto de Música Antiga da USP – resgatar a sonoridade do passado, o que não é possível de se alcançar com as orquestras modernas, devido às mudanças sofridas pelos instrumentos ao longo dos últimos 200 anos.

Sob a regência do maestro William Coelho, o programa do concerto de encerramento do Festival reúne os três grandes mestres do classicismo musical: Haydn, Mozart e Beethoven. Serão apresentadas peças de diferentes gêneros musicais: uma composição breve (Romanza op. 50, de Beethoven), com solo do violinista Roger Lagr; um concerto para fortepiano, que exibe virtuosismo e realiza jogos timbrísticos (Concerto para piano e orquestra K 491, de Mozart), que terá o fortepianista Ilso Muner como solista; e uma sinfonia com forte conteúdo emocional de Haydn (Sinfonia nº 83 “La Poule”).

 

Drama, cor e graça

O Concerto para fortepiano nº 24 é um dos mais expressivos compostos por Mozart e um dos dois únicos escritos em tonalidade menor. “Seu conteúdo fortemente dramático é realçado pelo colorido dos sopros, que têm uma presença marcante na obra”, destaca a diretora artística Mônica Lucas. A composição foi apresentada pela primeira vez em Viena, em 1786, com o próprio compositor ao fortepiano. No concerto de Juiz de Fora, será utilizado um instrumento idêntico ao de Mozart.

Haydn também compôs poucas sinfonias em modo menor, entre elas a de nº 83 em sol menor, que posteriormente recebeu a alcunha “A Galinha” (La Poule), devido, sobretudo, à linha rítmica do oboé no primeiro movimento. “Haydn, mestre da agudeza, combina num mesmo movimento a densidade emotiva da tonalidade de sol menor com a graça quase juvenil da linha jocosa do oboé, que conferiu o famoso epíteto a esta sinfonia”, explica Mônica.

Beethoven, apesar de inicialmente ter desejado ser aluno de Mozart, encontrou em Haydn um compositor muito mais próximo de sua personalidade musical. Com Haydn, aprendeu e expandiu a técnica de repetição insistente de motivos curtos, recurso composicional completamente diverso da linguagem de Mozart, que era um compositor muito mais afeito ao estilo cantábile da ópera italiana. “A Romanza é uma das poucas obras da produção de Beethoven que se aproxima mais do estilo mozartiano, ao exibir uma linha solista simples, porém ricamente ornamentada, alternando trechos cantabile ao virtuosismo técnico, aliada a um acompanhamento orquestral que serve apenas para dar sustentação rítmica e harmônica ao solo”, informa a diretora.

O público juiz-forano terá a oportunidade de conferir tudo isso nessa estreia latino-americana proporcionada pelo Festival: “Uma orquestra composta por músicos especializados na interpretação musical histórica proporciona uma audição completamente distinta, permitindo resgatar timbres, coloridos, articulações e até mesmo andamentos que se perderam com as modificações de técnicas e escolas, e com a cristalização das interpretações românticas”, ressalta a diretora artística. Na opinião de Mônica Lucas, essa experiência é sempre nova para o público e traz de volta “o frescor que as obras transmitiram em sua estreia”.

 

Bandeira de persistência

Ter a oportunidade de apresentar esse trabalho nas comemorações de 30 anos de um Festival que tem se dedicado à divulgação da música antiga é motivo de grande entusiasmo para cada músico da orquestra, afirma a diretora artística Mônica Lucas. Segundo ela, a participação também “sela uma nova e promissora parceria entre a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e a Universidade de São Paulo (USP)”.

Para a diretora do Conjunto, o evento é um dos festivais de música antiga mais tradicionais do país e tem demonstrado uma admirável resistência às crises políticas e econômicas, sem jamais abrir mão da excelência. “Em um país historicamente marcado pela descontinuidade das políticas culturais, o Festival de Música Colonial Brasileira e Música Antiga sustenta uma bandeira de persistência e fé na formação de jovens talentos. O apoio da UFJF fortalece, desta maneira, a importância urgente de se investir na cultura e na educação”, afirma Mônica Lucas.

 

PROGRAMA

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)
Romance nº 2 para violino e orquestra em Fá Maior, op. 50 (1798)
* Roger Lagr, violino

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)
Concerto nº 24 para fortepiano em Dó menor, K. 491 (1786)
Allegro
– Larghetto
-Allegretto
* Ilso Muner, fortepiano (apud Johann Walter, 1790)

Joseph Haydn (1732 – 1809)
Sinfonia em Sol menor, Hob. I: 83, “A Galinha” (1785)
Allegro
– Andante
– Minuet – Trio
– Finale

 

SERVIÇO

 

 

30º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga
Concerto de Encerramento – Conjunto de Música Antiga da USP – Regência: William Coelho

Dia 28 de julho, domingo, às 21h

Cine-Theatro Central (Praça João Pessoa, s/n – Centro, Juiz de Fora, MG)

Entrada franca (Os convites serão distribuídos no Centro Cultural Pró-Música no dia da apresentação, das 8 às 18h. Máximo de quatro convites por pessoa)

* O concerto será precedido de palestra ministrada pelo Prof. Rodolfo Valverde (UFJF), com início às 20h, no mesmo local da apresentação.

 

 

Conjunto de Música Antiga da USP


Conjunto de Música Antiga da USP

O Conjunto de Música Antiga da USP é um grupo dinâmico e arrojado, formado por músicos especialistas em instrumentos históricos. Em seu 20° ano de atividade, alinha-se com intérpretes nacionais e internacionais que compartilham da proposta de unir pesquisa musicológica e performance da música dos séculos XVII, XVIII e XIX. A direção do conjunto está a cargo do maestro William Coelho.

Entre os projetos já realizados pelo Conjunto destacam-se a ópera L’Orfeo, de Claudio Monteverdi (reinauguração do Theatro São Pedro, SP, 2005); o Divertissement “Les Arts Réunis”, de Jean-Baptiste Lully, em conjunto com a Mercurius Company, companhia londrina de dança barroca (2011), entre outros projetos com renomados solistas nacionais e internacionais.

Em 2017, realizou a primeira audição paulista do Requiem, de Mozart, com instrumentos históricos, após um estudo musicológico profundo do manuscrito completado por seu aluno Franz X. Süßmayr. No ano seguinte, foi a vez da estreia sul-americana da Sinfonia nº 5, de Beethoven, com a mesma abordagem e instrumentos históricos. O conjunto trabalha regularmente em parceria com músicos especialistas de todo o Brasil e da América Latina, além de consagrados solistas holandeses, ingleses e alemães.

 

movimento.com
Responsável pela inclusão de programação e assuntos genéricos no blog.