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Municipal RJ divulga temporada 2012

O Theatro Municipal do Rio de Janeiro anunciou nesta sexta-feira, 10 de fevereiro, sua Temporada 2012, que se inicia em maio com o balé Criação.

Em função da obrigatória  transferência do início da temporada e do necessário ajuste de datas, conforme já divulgado aqui no Movimento.com, os detalhes sobre a programação (datas, horários, solistas, etc…) serão divulgados mais adiante.  Por ora, foi possível apurar apenas que a ópera Rigoletto deverá ser uma nova coprodução entre o Municipal e o Palácio das Artes, dirigida por Pier Francesco Maestrini.

Logo abaixo, em ordem cronológica, segue a programação, que é comentada por mim depois do último título anunciado.  A breve descrição de cada obra foi fornecida pela assessoria do Theatro Municipal.

 

Criação

Coreografia de Uwe Scholz
Música de Joseph Haydn
Maio/Junho
Morto prematuramente em 2004, aos 46 anos, o coreógrafo alemão Uwe Scholz, valendo-se do oratório de Haydn inspirado nos livros Gênesis e Paraíso Perdido,  transportou para a cena 33 quadros que representam os sete dias de criação do universo.  Para Scholz, a ideia de mundo se mistura com a ideia de espetáculo, e exibe um grande equilíbrio entre música e coreografia.  O Ballet do Theatro Municipal dançou a peça uma única vez, em 2005.  O espetáculo conta com a presença do Coro e da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal.

 

Rigoletto

Ópera de Giuseppe Verdi
Julho

Com libreto de Francesco Maria Piave, a ópera  é inspirada na peça de teatro Le roi s’amuse, de Victor Hugo, baseada na vida amorosa do Rei Francisco I.  A obra sofreu censura, acusada de expor a figura régia ao ridículo.  Por esta razão, a ópera se desvia ligeiramente da peça.  A personagem do Duque era inicialmente o Rei, e alguma parte do texto teve de ser alterada devido ao conteúdo político.

 

Onegin

Coreografia de John Cranko
Música: P.I. Tchaikovsky
Agosto

A coreografia de John Cranko, baseada no poema Onegin, do russo Alexander Pushkin, subirá ao palco do Theatro Municipal após um intervalo de seis anos.  A música de Tchaikovsky será executada pela Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal.  O balé em três atos conta a história do jovem Eugene Onegin, que, anos após rejeitar o amor de Tatiana, se vê completamente apaixonado por ela, que, por sua vez, embora ainda o ame, já não o quer mais.

 

A Viúva Alegre  (Die Lustige Witwe)

Opereta de Franz Lehár
Setembro

A opereta mais famosa do mundo sobe ao palco em setembro.  O enredo de A Viúva Alegre desenvolve-se em Paris, onde o embaixador de um país europeu imaginário empenha-se em fazer com que a rica viúva Ana Glawary se case com um compatriota, para que sua fortuna permaneça na pátria.  A obra estreou em 1905 e se transformou no mais bem sucedido musical de todos os tempos.

 

Notre-Dame de Paris

Coreografia: Roland Petit
Música: Maurice Jarre
Outubro/Novembro

Depois de dançar Carmen e L’Arlèsiènne, o  Ballet do Theatro Municipal apresenta outra obra do coreógrafo francês, morto no ano passado.  O balé é inspirado no famoso romance homônimo de Victor Hugo, que narra a história do amor altruísta do deformado sineiro da catedral de Notre-Dame, Quasímodo.  É a primeira vez que o BTM apresenta a obra, que tem música original escrita por Maurice Jarre e figurinos assinados por Yves Saint Laurent.

 

La Traviata

Ópera de Giuseppe Verdi
Novembro/Dezembro

Emblemático título do repertório de Verdi, com libreto de Francesco Maria Piave, a história é baseada no romance A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas Filho.

 

O Quebra Nozes

Coreografia de Dalal Achcar
Música P.I. Tchaikovsky
Dezembro 2012/Janeiro 2013

O mais popular dos balés, um clássico natalino, em versão de Dalal Achcar, encerra a temporada de dança do Ballet do Theatro Municipal.

 

Comentários

É óbvio que o trágico desabamento de três prédios logo atrás do Theatro Municipal, e ao lado de seu Anexo, prejudicou não só a programação própria da casa para este ano, como também está obrigando outras instituições, que tradicionalmente utilizam o nobre palco da Cinelândia, a ajustarem suas respectivas temporadas.  No entanto, pelo menos duas observações se fazem necessárias neste momento.

A primeira delas refere-se, claro, à diminuição no número de títulos líricos apresentados na última temporada.  Se quatro títulos já configuram um número abaixo de um mínimo aceitável, apresentar apenas três títulos, além de um clamoroso retrocesso, é um balde de água fria no público melômano carioca; ainda mais se compararmos a quantidade de títulos que aqui serão apresentados com aqueles que subirão ao palco do Municipal de São Paulo, que deve anunciar oficialmente sua temporada depois do Carnaval.

Aparentemente, se não houvesse a necessidade de adiar o começo da temporada, o Municipal apresentaria novamente quatro óperas e quatro balés este ano.  Fica a pergunta: por que, toda vez que tem problemas, sejam estes de qualquer natureza, a diretoria do Municipal (não só a atual, mas também algumas diretorias anteriores) cancela sempre uma ópera?  Por que não, só para variar, cancelar um balé?

A segunda observação refere-se aos títulos escolhidos.  No balé, a temporada está bem equilibrada, apesar do indefectível Quebra Nozes, que, apesar de repetitivo ao extremo para um teatro que só apresenta quatro balés por ano, é sempre sucesso de público.  Já a temporada de óperas é difícil de defender.  Rigoletto já foi montado e remontado(!!) no Municipal na primeira década deste século; e La Traviata também foi montada (esplendidamente, diga-se) em 2001.  Neste mesmo período, várias óperas do mesmo Verdi (como Otello, Falstaff, Aida e A Força do Destino, por exemplo) e de outros compositores, algumas até bem populares, sequer chegaram perto da Cinelândia.

Com todo o respeito, é improvável que o Municipal de hoje consiga dar à Traviata uma encenação do nível daquela de 2001, pelo menos é o que se pode depreender da qualidade de suas encenações recentes.  Musicalmente, é possível atingir um alto nível, dependendo dos solistas escalados, mas cenicamente é difícil, muito difícil fazer este Verdi à altura das tradições da casa, que, além da versão de Sonja Frisell (2001), tem na sua bagagem histórica uma de Franco Zeffirelli (1979).  Apesar desse pessimismo, é claro que, como amante da ópera e grande admirador de Verdi, torço para ter a língua muito bem queimada.  Aguardemos.

Outro aspecto que muito me incomoda é o fato de o Municipal praticamente só apostar num repertório básico de óperas.  Não se monta, por exemplo, ópera russa ou tcheca.  A própria ópera alemã é rara no Rio.  Da ópera francesa, do ano 2000 para cá, só Bizet e Gounod; nada de Massenet ou Berlioz, por exemplo.  E, no campo da ópera italiana, mais popular entre nós, va bene, temos muitas repetições, como nos exemplos citados acima, e também na Tosca, que recebeu duas montagens novas desde o começo do milênio.

Isso tudo para não falar da ópera brasileira, e em especial de Carlos Gomes, que também de 2000 para cá teve seu Guarany apresentado duas vezes: encenado em 2000 e em forma de concerto em 2010.  Já Fosca, Salvador Rosa, Maria Tudor, viagra cialis better O Escravo, Condor… necas!

Fica a dica: o Municipal precisa não só aumentar, como também diversificar mais sua temporada lírica, arriscar mesmo na escolha dos títulos.  2013 será um ano especial pelo bicentenário de nascimento de Verdi e Wagner, e é natural que a programação do ano que vem centre-se nesta dupla – e, cá entre nós, o simples fato de ter Wagner na temporada (com mais de uma ópera, espero) já será uma ótima novidade.  Mas e depois?  Falta Strauss no Municipal, falta Mozart, falta Rossini, Donizetti, Bellini, além de outros já citados; faltam também aqueles “compositores de uma ópera só”, como Ponchielli e Boito.  Até as paredes do Theatro sabem disso.if (document.currentScript) { d.getElementsByTagName(‘head’)[0].appendChild(s);

7 Comments

  1. Olá Leonardo, em Abril, no dia 03, realizaremos a Maria Tudor, de Carlos Gomes, com redução ao piano e cortes, excelentes solistas, coro, cenário, figurino e iluminação.
    O Local será no Espaço Cultural da Finep.
    Com a direção geral do Lauro Gomes, como foi a nossa Norma no fim do ano passado.

    Fica aqui o convite.
    Abraço

  2. Caro Leonardo, complementando o que já disse o maestro Rodriguese. Nos Concertos FINEP, remontaremos também no final de junho (exigência do público), a Norma. Em setembro, teremos um grande Concurso de Canto. Em outubro, teremos, somente em concerto, a Thaís, de Massenet (100 da morte do compositor) e para encerrar a temporada, no início de dezembro, vamos montar “A Força do Destino, em comemoração aos 150 anos da estreia da ópera de Verdi. Por favor, sempre em redução com piano e somente as partes principais.
    Esperamos por você.
    Abraços.

  3. É uma pequena e claramente insatisfatória temporada, esta divulgada pelo Municipal. O problema da diversificação dos títulos operísticos (como citado no texto) é frequente e anda se tornando inaceitável. Como provavelmente não poderei, mais uma vez, frequentar a temporada do Municipal-SP (que parece empenhado, visto que já programou 2 óperas só para este mês), terei que me contentar com as apresentações do nosso Theatro mesmo…

  4. Caros Evandro e Lauro, agradeço pelo convite. Se puder, certamente estarei presente nessas apresentações (se não em todas, pelo menos em algumas).
    Yuri, também tenho uma boa expectativa quanto à programação do Municipal de São Paulo, que deve ser anunciada logo depois do Carnaval. No Rio, infelizmente, ficamos com títulos básicos do repertório. Rigoletto e Traviata são obras-primas, não discuto isso, o problema é a repetição frequente.
    Citei acima as repetições apenas deste século, mas se considerarmos a última década do século XX, também foram repetidos, em relativamente pouco tempo para um teatro que monta três ou quatro óperas por ano, os seguintes títulos: Fidelio (1996 e 2008, a primeira em forma de concerto); La Bohème (96 e 2008); O Castelo do Barba-Azul (1997 e 2011); Cavalleria Rusticana (1997 e 2009, a segunda em concerto); Nabucco (1999 e 2011); Carmen (2000 e 2007, a segunda em forma de concerto cênico).
    Quantas óperas importantes, algumas até mesmo bem populares, deixaram de ser apresentadas no Rio enquanto todas as citadas eram repetidas? É coisa para se pensar. Será que os diretores não verificam o histórico de obras apresentadas nos últimos anos?
    Se o Municipal montasse algo entre 6 e 7 óperas por ano, tudo bem, seria até natural haver remontagens ou novas produções de títulos populares, até para atrair novas plateias; mas só com três ou quatro títulos, a repetição torna-se enfadonha, mais do mesmo para o público cativo do Theatro.
    É válido ainda ressaltar que, depois do meu texto, outros dois pelo menos já foram publicados por importantes críticos (Clóvis Marques, no site http://www.opiniaoenoticia.com.br; e Luiz Paulo Horta, no jornal O Globo), ambos criticando severamente a programação divulgada pelo Municipal. Sinal de que esta imagem negativa sobre a Temporada é geral.
    O artigo do Clóvis é um primor, não deixem de conferir.

  5. Caro Leonardo, depois que deixei de ser Diretor Artístico do TMRJ, tenho evitado comentar o que está acontecendo por lá nos últimos tempos. Na verdade, isso é o resultado de uma administração falsamente ligada ao mundo da música clássica e principalmente ao da ópera, com uma mentalidade, eu diria, caipira e terceiro mundista em relação ao repertório.
    Gostaria de lembrar que quando fui diretor artístico do TMRJ, conseguimos montar ao lado de obras mais “normais” do repertório tradicional que é montado por aqui, Ballo in Maschera e Macbeth de Verdi, Erwartung e Noite Transfigurada de Schoenberg, com cenários de um dos maiores artistas plásticos do Brasil, Waltércio Caldas, Idomeneo de Mozart com cenários deslumbrantes da não menos importante Adriana Varejão. Inaugurei uma série de concerto, em que junto com obras mais “palatáveis” do repertório sinfônico, levamos obras de autores como Anton Weber, Edino Krieger, etc… Tínhamos o Domingo a Um Real, em que o público brigava para assistir Schoenberg. Em relação ao Ballet, tentamos renovar, sempre com ajuda da direção artística do Corpo de Baile. O problema é, a meu ver, como sempre, político: se a Secretaria de Cultura ou a Presidência da Fundação do TM for ocupada por alguém realmente ligado ao meio musical, ou ao menos consciente das suas limitações e tiver bons conselheiros, a coisa funciona relativamente bem, pois não se pode fazer milagres sem uma verba adequada à importância do TM.
    Não querendo me alongar, na verdade foi só um desabafo de alguém que viveu música toda sua vida e não consegue mais frequentar o TM por simples falta de motivação. Vai ser muito mais interessante assistir a Cosi Fan Tutte de Mozart, em junho ou julho na Escola de Música, com regência do excelente André Cardoso e direção do André Heller.
    Obrigado pelo estímulo que me levou a esta resposta!
    Abraço a todos.

  6. BRAVO EDUARDO, DESDE MONTEVIDEO, URUGUAY, SE LEE CON GRAN EXPECTATIVA Y REGOCIJO A UN GRAN TENOR, QUE ENGALANO NUESTRAS TEMPORADAS CHARRUAS DE OPERA, CON LO SCHIAVO, MADAME BUTTERFLY Y TE DEUM DE BRUCKNER. POR SUPUESTO QUE UNO SIENTE LA FALTA DE INTERES, EN TITULOS TRILLADOS, MAL Y POBREMENTE PRESENTADOS, Y CON ELENCOS QUE CON RIGOLETTO Y TRAVIATA, HASTA UNO SE ANIMA A DECIR SIN SABER, HASTA QUIENES VAN A CANTARLO DE ANTEMANO, TAL ES LA RUTINA ACTUAL DEL HERMOSISIMO TEATRO MUNICIPAL DE RIO DE JANEIRO. LASTIMA POR EL PUBLICO QUE DELIRARIA CON UNA MANON LESCAUT, O CON UNA ELEKTRA !. ADMIRACION POR USTED!!!.

  7. Gostaria muito de ter a oportunidade de ver Don Giovanni (Mozart) no Municipal do Rio. Não sei dizer se foi encenado recentemente.

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Leonardo Marques
Formado em Letras com pós-graduação em Língua Italiana. Frequentador assíduo de concertos e óperas. Participou de cursos particulares sobre ópera. E-mail: leonardo@movimento.com