Notícia

Municipal de SP reabre amanhã para o público

Na data mesmo de sua inauguração em 1911, reabre, completando seus cem anos, o Theatro Municipal para concertos ao público, após obras que duraram mais de 3 anos.

 

A construção e as reformas O Theatro Municipal de São Paulo nasceu, embalando os sonhos de uma cidade que crescia com a indústria e o café e que nada queria dever aos grandes centros culturais do mundo no início do Século XX. Como em 1898 a cidade perdera para um incêndio o Teatro São José, palco das suas principais manifestações artísticas, tornava-se imperativo construir um espaço à altura das grandes companhias estrangeiras. Criado, sobretudo, para atender à Ópera – haja vista a colônia emergente de italianos em São Paulo – e idealizado desde 1895, tinha o objetivo de ser uma casa teatral com características similares às melhores do mundo.

Com a aprovação na Câmara Municipal em 1903, o Prefeito Antônio Prado pôde lançar a pedra fundamental no terreno desapropriado do Morro do Chá. Sua construção, a cargo do escritório de Francisco Ramos de Azevedo, contou com a colaboração dos arquitetos italianos Cláudio Rossi e Domiziano Rossi. A equipe, que durante 9 anos consecutivos dedicou-se ao projeto e ao gerenciamento das obras, estabeleceu contato junto às principais empresas do mundo, trazendo para São Paulo um ilimitado número de elementos decorativos, ainda hoje presentes na arquitetura do teatro.

A construção foi considerada arrojada para a época: recebeu influência da Ópera de Paris e sua arquitetura exterior tem traços renascentistas. Em seu interior, muitas obras de arte como  bustos, bronzes, medalhões, paredes decoradas, cristais, colunas neoclássicas, vitrais, mosaicos e mármores garantem um banquete para os olhos do espectador mais atento.

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Duas grandes obras marcaram as mudanças e renovações no Theatro. A primeira, em 1954, criou novos pavimentos para ampliar os camarins, reduziu os camarotes e instalou o órgão G. Tamburini. A segunda, de 1986 a 1991, restaurou o prédio e implementou estruturas e equipamentos mais modernos.

Órgão Tamburini

 

Para celebrar o Centenário, em 12 de Setembro de 2011, o Theatro Municipal de São Paulo sofreu a terceira obra, esta bem mais complexa que as demais, por restaurar todo o edifício e modernizar o palco. Para tal, as fachadas e a ala nobre foram restauradas, 14.262 vidros que compõem os conjuntos de vitrais foram recuperados, as pinturas decorativas resgatadas com base em fotos antigas e o palco equipado com os mais modernos mecanismos cênicos.

O Theatro Municipal de São Paulo possui hoje um grande potencial cenotécnico, que lhe permite realizar os mais variados eventos nos gêneros ópera, balé, orquestra e teatro. A casa teatral tende a evoluir permanentemente e a procurar atender às novas necessidades artísticas, que exigem um espaço físico à altura de seu desenvolvimento. Para que os espetáculos ocorram em maior número e qualidade, o Theatro sempre se manteve organizado em sua infra-estrutura. Os implementos técnicos na caixa cênica e as diversas adaptações arquitetônicas já realizadas refletem as necessidades de mudança condizentes com o seu tempo.

 

Inauguração e contribuição cultural

Assim, foi o Theatro inaugurado em 12 de setembro de 1911 com a ópera Hamlet, de Ambroise Thomas, após a execução da abertura da ópera “Il Guarany”, de Carlos Gomes, a pedido dos brasileiros que ali presenciaram a noite inaugural. Este fato deu início a um novo estágio na vida cultural paulistana. Foi uma noite memorável para a cidade de São Paulo: a Light & Power, que havia sido contratada para a iluminação do teatro, instalou 42 lâmpadas nos candelabros da escadaria e na recém-urbanizada esplanada, hoje Praça Ramos de Azevedo.

Daí em diante, foram apresentadas várias récitas, com “O Barbeiro de  Sevilha”, obtendo o maior êxito dentro daquela temporada que se encerrou em 1º de outubro.  Anos de glória sobrevieram, com muita emoção, beleza e glamour. Em 1917, ali se apresentou Enrico Caruso em “O Elixir do Amor”, de G. Donizetti entre outros grandes títulos e artistas da época. Seriam muitos os nomes a serem citados nessa primeira década do Municipal, mas em 1922 houve grande polêmica: sobreveio a Semana de Arte Moderna.

 

Enrico Caruso

Lá os pintores Cândido Portinari, Anita Malfatti e mais uma plêiade de artistas organizaram essa famosa Semana de Arte Moderna de 1922. Constou de três dias alternados , de 13 a 17 de Fevereiro,  com leituras de obras, exposições, palestras e concertos. Apenas no concerto de Guiomar Novaes (recital de piano), houve silêncio; os demais foram debaixo de vaias de um público irrequieto. Das audições, declamações e conferências, participaram Menotti Del Picchia, Mário de Andrade, Ronald de Carvalho, Guilherme de Almeida, Villa-Lobos e Guiomar Novaes.

E foi esta Semana de Arte que influenciaria os rumos da cultura brasileira. Quantos mais participaram: Di Cavalcanti, Oswald de Andrade, Victor Brecheret, Monteiro Lobato, etc. Ali mesmo, no dia 2 de dezembro de 1916, uma bailarina chamada Isadora Duncan causou estranheza ao público acostumado com movimentos clássicos. Ela apresentou gestos inusitados. Alguns dias após, passada a frieza inicial, conquistava a todos com uma inesquecível interpretação da Sonata ao Luar, de Beethoven.  Grandes bailarinos pisaram depois aquele palco: Nijinsky, em “Carnaval”, em 1917; Anna Pavlova; Rudolph Nureiev (1988) e Mikhail Barishnikov (1982), Margot Fonteyn por diversas vezes (1974) em São Paulo.

Isadora Duncan

Além desses, também Lia Marques, Maria Olenewa, Marília Franco, Aracy Evans, Joshey Leão,   Mozart   Xavier,  Ivonice Satie,  Mariangela D’Andrea,  Toshie Kobayashi  brilharam nas temporadas de balé e líricas entre as décadas de 1940/70. Dos grupos visitantes, vieram o Balé do Teatro Bolshoi, da Rússia, o Ballet da Ópera de Paris, o Ballet Beryoska,  Ballet Nacional de Cuba, o Ballet de Stuttgart,  a Cia de Pina Bausch,  Ballet Nacional da China, o Ballet do Teatro Colón de Buenos Aires e as nacionais Cisne Negro, Grupo Corpo,  do Teatro Guaíra de Curitiba e Balé Stagium, entre tantas outras.

Não se poderia deixar de mencionar, entre as inúmeras temporadas líricas, a de 1951, quando houve, sob os auspícios da Prefeitura local, uma concentração de cantores estrangeiros da maior reputação internacional.  Vieram para uma temporada de dois meses Maria Callas, Gino Becchi, Giuseppe Di Stefano,  Beniamino Gigli,  Renata Tebaldi, Tito Gobbi, Giulio Neri,  Fedora Barbieri, com Tullio Serafin regendo essas celebridades.  Por lá também passou o compositor Pietro Mascagni, o autor da célebre “Cavalleria Rusticana”, em anos anteriores a esta temporada.

Maria Callas
Renata Tebaldi

 

 

 

 

 

 

 

 

Grandes cantores nacionais e estrangeiros  atuaram  através das décadas:  Bidu Sayão cantou várias óperas: Matrimonio Segreto, Il Guarany  e Barbeiro de Sevilha e Manon, de Massenet,  como também  obras de Villa-Lobos, sempre com imenso êxito.

Bidu Sayão

Se no passado o público paulistano somente se contentava com a vinda de personalidades internacionais, hoje o panorama é outro. Através do trabalho dos Corpos Estáveis do Theatro Municipal, tem-se formado um novo staff de artistas nacionais, reconhecidos pela crítica e pelo público. Um considerável número de talentos é revelado a cada ano, devido à linha de direção que vem sendo adotada em sua programação.

 

Os corpos artísticos

– Orquestra Sinfônica Municipal
– Orquestra Experimental de Repertório
– Coral Lírico
– Coral Paulistano
– Balé da Cidade
– Quarteto de Cordas
– Escola Municipal de Música
– Escola Municipal de Bailado

 

Transformação em Fundação

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em 05 de maio de 2011, o Projeto de Lei que autoriza o Poder Executivo a instituir a Fundação Theatro Municipal de São Paulo. O principal objetivo desta modificação é dar autonomia administrativa, financeira, patrimonial, artística e didática ao Theatro Municipal, que celebra seu centenário neste ano. O formato de Fundação de Direito Público é diferente do que é aplicado em outras Fundações que foram implantadas no Brasil, como as que administram a OSESP (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) ou a Pinacoteca do Estado de São Paulo. Também o termo “privatização” não é apropriado. O formato escolhido é o de Fundação de Direito Público, ou seja, o Theatro  Municipal de São Paulo continuará  vinculado à Secretaria Municipal de Cultura, mas terá autonomia em campos essenciais como o artístico e o financeiro. Neste modelo, será contratada uma Organização Social para gerir as atividades do Theatro.

Trata-se de um projeto inédito, que demandou engenharia administrativa para superar uma estrutura defasada e, ao mesmo tempo, garantir que as pessoas que trabalharam no Municipal ao longo dos últimos 30 anos não fossem prejudicadas. Os atuais funcionários do Theatro Municipal poderão ser afastados da Prefeitura para a Fundação Theatro Municipal ou optarem por permanecer na Prefeitura de São Paulo. O quadro funcional vigente apresenta diversas distorções, sobretudo com relação ao valor dos salários.

Os profissionais do setor artístico em atividade e também os aposentados e pensionistas poderão optar por receber os salários de acordo com a nova escala aprovada. Quem não realizar essa opção seguirá recebendo o salário de acordo com a escala vigente. Aos que optarem por receber o salário pela Fundação e se a escolha resultar em remuneração inferior à atual, ficará assegurado o pagamento da diferença como Vantagem de Ordem Pessoal (VOP), a qual se agregará permanentemente a diferença, inclusive para aposentadoria, 13º salário e férias.

 

Mais agilidade e autonomia

“Com a aprovação da Fundação Theatro Municipal de São Paulo, no ano do seu centenário, abre-se uma nova era para a realização de suas potencialidades artísticas com a perspectiva de estabilidade institucional. A Fundação reconhece a história do Municipal e corrige distorções que se acumularam nos últimos 30 anos”, diz o Secretário Municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil. São inúmeras as vantagens para os funcionários e também para os frequentadores, que encontrarão no Theatro Municipal de São Paulo uma estrutura mais moderna à disposição. A produção dos espetáculos ganhará mais agilidade, pois a compra de materiais, figurinos, cenários etc., por exemplo, não estará mais submetida à burocracia governamental. Os recursos que irão compor a receita da Fundação serão oriundos do orçamento da Prefeitura de São Paulo, da vendas de produtos e serviços educativos e culturais, cobrança de ingressos, convênios, doações e patrocínio, entre outras fontes.

No campo administrativo o Theatro terá, em sua estrutura organizacional, quatro diretorias:

– diretoria geral, responsável pela direção e administração da fundação;

– diretoria artística, responsável pela programação artística;

– diretoria de formação, órgão que cuidará das Escolas de Música e de Dança, Orquestra Experimental de Repertório, Museu do Theatro Municipal, Balé e Orquestra Sinfônica Jovem e Discoteca Oneyda Alvarenga;

– diretoria de gestão terá assessorias e supervisões administrativas.

Igualmente, quatro Conselhos irão integrar a Fundação de forma a promover uma governança corporativa:

– Conselho Deliberativo, composto por 11 membros, será presidido pelo Secretário Municipal de Cultura e contará com um representante da administração direta a ser designado pelo Prefeito. Haverá ainda representantes da comunidade artística e cultural, da sociedade civil, dos servidores, dos corpos artísticos, do Conselho de Patrocinadores e do Conselho de Orientação Artística;

– Conselho de Orientação Artística, cujo presidente será o diretor artístico, será responsável por traçar as diretrizes da atuação da Fundação, aprovar contratos e convênios, cessão de corpos artísticos, mudanças no quadro de funcionários, entre outras ações.  Será um elemento-chave de integração entre os corpos artísticos do Theatro Municipal. Cada diretor ficará responsável por propor a programação do seu respectivo corpo artístico e ações de integração com as Escolas de Dança e de Música;

– Conselho Fiscal ficará responsável por emitir balancetes e fiscalizar a execução orçamentária da Fundação Theatro Municipal, além de fiscalizar a prestação de contas dos convênios e das organizações sociais vinculadas;

– Conselho de Patrocinadores, em número ilimitado de membros da sociedade civil, acolherá apenas benfeitores que contribuam regularmente com doações em espécie, bens ou serviços ao Theatro Municipal de São Paulo.
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