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Minha terra tem palmeiras

Orquestra Sinfônica Brasileira, regida por Alondra de la Parra, encanta em programa com compositores mexicanos.

 

O que alguém carrega na alma que o faz trazer no peito o espírito de seu país? Que atributos fazem de um indivíduo representante de uma nação? Que sentimento une pessoas a uma terra e que lembranças fazem brilhar os olhos daqueles que se recordam de sua pátria? Para muitos, o sentimento pátrio, que já inspirou poemas célebres, como a Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, não tem sentido. Para outros, é emoção que estufa o peito de orgulho – e parece ser essa a comoção que assola a maestrina mexicana Alondra de la Parra ao apresentar obras de compositores de seu país.

Nascida em Nova York, mas criada no México desde os 2 anos de idade, de la Parra demonstra orgulho de suas raízes latinas. Seu álbum duplo Mi Alma Mexicana, gravado em 2010 com a Philarmonic Orchestra of the Americas, ficou entre os dez mais da revista Billboard. Duas obras constantes do álbum compuseram o programa do concerto que a regente comandou na noite de 7 de agosto com a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

A primeira peça da noite foi exatamente uma homenagem a povos ancestrais mexicanos (etnias Huichol, Yaqui e Seris): a Sinfonia nº 2, de Carlos Chávez – conhecida como Sinfonia Índia. Essa obra, cuja primeira execução ocorreu pela primeira vez em 1936, se tivesse uma cor, seria um amarelo-dourado tamanha intensidade de seu brilho. É obra lírica e colorida, que traz em sua partitura rica mistura rítmica. Alondra conduziu a orquestra com elegância e vigor, e a orquestra pareceu divertir-se até o crescendo final.

Da América para a Europa sem escalas, a peça seguinte foi a Suíte de Pelléas e Mélisande, Op. 80, de Gabriel Fauré. Datada de 1898, exigiu uma orquestra mais melódica, e a OSB conseguiu fazer a transição. Mesmo nos limites dos quatro movimentos da suíte (Prélude, Fileuse Order , erythromycin stearate 500mg Sicilienne e http://bosconsult.org/?p=17213 Mort de Mélisande), o grupo transitava do etéreo ao denso com elasticidade e coesão, alcançando mesmo a tragicidade esperada no derradeiro movimento.

Orquestra Românticos de México

A OSB volta à América Central com a obra contemporânea (1994) Danzón nº 2, do mexicano Arturo Marquez. Segundo o próprio compositor, a obra é uma homenagem a uma dança de origem cubana muito popular no México. Para se aproximar do objeto homenageado, Marquez esbanja ritmo e pede mais: violoncelos sincopados, violinos na barriga como cavaquinhos e a sisuda maestrina regendo com braços, ombros, olhos e largos sorrisos. Uma grande festa latino-americana que quase fez a plateia bailar.

Após o intervalo, um tour-de-force: a Sinfonia nº 5 em si bemol maior, Op. 100, de Sergei Prokofiev. Concebida em plena 2ª Guerra Mundial (1944), tem forte presença de metais sobre espesso leito de cordas, principalmente as mais graves, representando, na expressão do próprio compositor, apesar do contexto em que surgiu, um hino ao homem livre e feliz, aos seus poderes, pureza e nobreza de espírito.

O primeiro movimento (Andante), grandioso e sombrio, guardou pequenos deslizes da orquestra, logo olvidados por um segundo movimento (Allegro marcato) agitado e nervoso. O terceiro movimento (Adagio Pills ) carrega em si o paradoxo da proposta da obra versus todo o horror do tempo em que foi composta, alternando momentos de terror e doçura, executados com grande verdade pela OSB. Ao fim (Allegro giocoso Cheap online advair price walmart ), a orquestra equilibrava-se, com elegância, sob a batuta exigente de de la Parra que, não à toa, é considerada, pela revista Poder Pills , uma das 20 pessoas com menos de 40 anos mais influentes do mundo. Um vasto mundo que ela carrega no peito, com orgulho, onde quer que esteja. Quiçá sabiás, palmeiras, estrelas, várzeas e primores que não encontra cá.

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Fabiano Gonçalves
Publicitário e roteirista (formado no Maurits Binger Film Institute - Amsterdã). Corroteirista do longa O Amor Está no Ar e de programas de TV (novela Chiquititas - 1998/2000). Redator na revista SuiGeneris, no site Escola24horas e no Departamento Nacional do Senac. Um dos fundadores do movimento.com, escreve também sobre televisão para o site teledossie.com.br. - E-mail: fabiano@movimento.com