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“Maria Tudor”, de Carlos Gomes: bela e infeliz!

Carlos Gomes(1836/1896) conheceu poucos insucessos.

Desde suas missas da juventude dos anos 50, suas óperas criadas no Brasil no início dos anos 60, suas canções, suas revistas musicais criadas na Itália nos 60 e suas óperas criadas na Itália: “IL GUARANY”(1870), enorme sucesso, “FOSCA” (1873), aplaudida pela crítica e  “SALVATOR ROSA”(1874), outro enorme sucesso, o nosso Tonico só conheceu o triunfo, a exaltação, a fama internacional.

Tal foi o sucesso do “SALVATOR ROSA” em 1874 em Gênova, que foi com essa ópera que a Scala de Milão abriu sua temporada no mesmo ano. Gomes se tornou figura popular da capital lombarda. Todos falavam de sua vasta cabeleira, apelidaram-no de “testa di leone” (cabeça de leão), os restaurantes ofereciam pratos “à Carlos Gomes” e uma taça de sorvetes “Peri e Cecilia” com sorvetes de chocolae e creme lado a lado. Os humoristas diziam que quem então fazia música em Milão era um índio…

Mas – e em meio a extremos sucessos há sempre um “mas” – o sucesso e a fama de Carlos Gomes mais cedo ou mais tarde haveriam de despertar a inveja e as reclamações dos italianos. A reação viria, forte e compacta, e quem pagaria a conta seria a “MARIA TUDOR”, criada na Scala em 1879 em meio a vaias pré-fabricadas.

O ano de 1879 foi um ano infeliz na vida de Gomes. A separação da mulher Adelina Peri se desenvolveu litigiosamene  em tribunal com todos os ingredientes de estilo: ofensas, acusações, brigas por quinquilharias, tudo à vista de todos. Será em 1879 que Gomes perderá o filho Mario Antonio, morto aos quatro anos de idade.

Antes desses acontecimento, no entanto, a imprensa e grande parte do público, por ela influenciado, prepararam um conjunto de argumentos contra Carlos Gomes que apareceria escrito antes, durante e depois das duas únicas récitas da MARIA, ocorridas em 27 e 29 de março de 1879.

Como era possível um “indiano selvaggio” ter suas óperas postas na Scala enquanto “talentosos” compositores italianos tinham de se contentar com teatros menores? E aí eram citados compositores italianos que hoje ninguém conhece, como um certo Dominicetti, de quem se diziam maravilhas em detrimento de Gomes. Disse-se até que o Dominicetti estava servindo de modelo a compositores alemães da época…

Assim, a MARIA foi vaiada sem piedade, por uma reação chauvinista de baixíssimo nível. No entanto, é ela uma belíssima ópera, com uma abertura muito bem composta, com trechos de grande beleza, como o dueto Fabiani/Giovanna “L´amore l´estasi”, como o dueto Maria/Fabiani “Colui che non canta” , como a preciosa grande ária de Maria “O mie notti d´amor”, como a notável marcha lenta do início e do final da ópera, como a ária de Fabiani. Uma ópera que depois teria seus modelos e inovações copiados na própria Itália, principalmente na era do verismo.

O prestígio de Gomes entrou em baixa depois da MARIA, mas foi aos poucos voltando ao posto anterior, principalmente devido à grande admiração e gosto do público por “IL GUARANY”, “SALVATOR ROSA” e por uma “FOSCA” modificada. Só em 1889, viria a público sua ópera “LO SCHIAVO”, criada no Rio de Janeiro.

O jornalista “Hans” chegou a dizer que Carlos Gomes tomava o lugar de Faccio, de Giovannini, de Dominicetti, todos invejados na França e na Alemanha.

Devia ser isso mesmo, tanto que na França pensou-se enviar Gounod, Massenet e Saint-Saëns à Itália aprender com eles. Da Alemanha, viriam Brahms e Richard Wagner, com papel, lápis e borracha, para anotar as lições…

COLUI CHE NON CANTA / IGNORA L´AMOR

MARCUS GÓES  – JANEIRO/2012 medical research nolvadex for sale