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“Madama Butterfly” – popular, bem composta e bonita

O que mais se pode querer de uma ópera? Buy Cheap Buy


O TMRJ, em golpe de mestre, resolveu encerrar um ano pobre de óperas com a MADAMA BUTTERFLY, de PUCCINI, com excelente libreto de LUIGI ILLICA, adaptado para a cena operística por GIUSEPPE GIACOSA, criada em 02/1904 na Scala, sob piadas e apupos.

Houve várias causas para que PUCCINI visse sua mais elaborada partitura vaiada. Muitas dessas causas são conhecidas, como a longura de um ato. O público da Scala, como até hoje, não gosta de atos super-longos à moda dos atos da Valquíria ou de Os Mestres Cantores de Nurembergue, de WAGNER.

Outras causas são menos divulgadas e menos conhecidas: uma delas muito triste. O regente de orquestra ARTURO TOSCANINI, que não regeu a estreia, homem casado, tinha mantido uma relação íntima com a protagonista ROSINA STORCHIO, e dessa relação nascera um filho, escondido por ambos dentro do possível. Para melhor esconder aquele fruto proibido, os pais o internaram em um asilo, no qual a pobre criança, longe dos cuidados maternos, veio a morrer. Já naquele tempo, os frequentadores das galerias da Scala sabiam de tudo, e quando no segundo ato aparece em cena o menininho filho de Butterfly e Pinkerton, uma voz esganiçada gritou das galerias “ecco il figlio di Toscanini”, para riso geral. Para amortecer escândalos, o regente de orquestra da estreia na Scala foi CLEOFONTE CAMPANINI.

Pouco comentado é o fato seguinte: PUCCINI morava na Via Solferino, no centro de Milão, ao lado de Piazza Duomo, local na época modesto e de moradores modestos, Foi na casa de janelas sobre a calçada que PUCCINI compôs LA BOHEME. Lá está uma placa.  Giacomo era politicamente modesto. Bastou que ficasse rico com MANON, 1893, LA BOHEME, 1896, e TOSCA , 1900, para que se aproximasse da nobreza, e dedicou a BUTTERFLY a REGINA ELENA DI SAVOIA, rainha da Itália (também temos a nossa REGINA ELENA , a quem mando um beijo…) . Essa nova posição desagradou aos “loggionistas” da Scala, e tome vaia.

Puccini e a soprano Miura
Puccini e a soprano Miura

Outro aspecto enganoso da BUTTERFLY é que PUCCINI não gostava que se chamasse a soprano japonesa para ser a protagonista de sua ópera. Isso consta de referências escritas de amigos e biógrafos, quem sabe PINTORNO. VALLERONI ou a própria neta SIMONETTA. Esta me disse isso em 1995, na casa onde morou e está sepultado seu avô, ao lado de ELVIRA GEMIGNANI. PUCCINI achava, e com razão, que as japonesas tem extrema dificuldade para cantar em italiano, e mandava VERDI ir contratar uma etíope para cantar AIDA, ou uma francesa para ser VIOLETTA VALERY…

Das conversas que tive com SIMONETTA, aparece outro detalhe pouquíssimo citado: o irmão mais novo de PUCCINI, MICHELLE, morreu no Rio de Janeiro em 1891, vítima de febre amarela. Esse irmão teve a vida mais fascinantemente romanesca que alguém pode ter. Até os Andes atravessou em carroça fugindo da polícia argentina. Havia matado um marido traído em duelo e, como quem havia feito amor com a mulher do morto tinha sido ele, devia deixar-se ao menos ferir. O que isto tem a ver com a nossa BUTTERFLY é que PUCCINI adorava o irmão, e essa morte marcou para sempre com assinalada melancolia a música de PUCCINI.

Este artigo não foi revisto pelo autor e peço correções de quem souber.

DIEDI IL PIANTO ALLA ZOLLA, ESSA I SUOI FIOR MI DÁ ( LUIGI ILLICA)

MARCUS GÓES – NOV 2014

 

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Marcus Góes
Musicólogo, crítico de música e dança e pesquisador. Tem livros publicados também no exterior. Considerado a maior autoridade mundial sobre Carlos Gomes.