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IV Festival Bach RJ – Cia Bachiana Brasileira

Lei Aldir Blanc, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa e Fundo Estadual de Cultura apresentam a Cia. Bachiana Brasileira e o resgate dos Festivais Bach do Rio de Janeiro com uma das grandes obras-primas da história da música:  a Paixão Segundo São João, de 1724.

Teaser: Bach, Cantata 4 – (aos 1’04”)
https://youtu.be/BJMDqVJJZLM?list=PLSc6hZ7zLOW2en8Q75nYW1quFQpaBdq_s&t=64

A Cia Bachiana Brasileira, sob o comando do maestro Ricardo Rocha, teve selecionado pela Lei Aldir Blanc, através da Secretaria Estadual de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, o resgate de mais uma edição do Festival dedicado à difusão da música de Johann Sebastian Bach, o grande criador do sistema tonal, ou ‘temperado’, com suas 48 escalas maiores e menores, adotado por todas as gerações de compositores dos séculos seguintes e base para a música popular no mundo inteiro.

Após a sua criação pela Cia. Bachiana em 2007 e reedição nos anos de 2008 e 2009, o Festival Bach do Rio de Janeiro volta agora em sua IV edição, apresentando e gravando uma das grandes obras-primas desse gênio da história da música, com duas horas de duração: a Paixão Segundo São João, de Bach, para orquestra, coro e seis solistas, reunindo 44 músicos em duas apresentações: uma no Teatro da Biblioteca Parque Estadual, na sexta (16/04), às 16h, aberta somente para convidados, e outra na histórica e emblemática Catedral do Império, a Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, no Domingo (18/04), às 14h30, quando o Concerto será gravado.

Devido às medidas restritivas da Covid-19, esta récita poderá receber apenas 30% de sua lotação, o que significa cerca de 60 pessoas no local. Entretanto, a gravação será editada, legendada e lançada oficialmente no YouTube, em data ainda a ser definida, porém entre final de abril e início de maio, ficando depois disponível, gratuitamente, no Canal Cia Bachiana Brasileira: https://www.youtube.com/channel/UCUiGqPAsBdZTN4-Y914t8Gg).

Para Villa-Lobos a música de Bach era “Fonte de folclore universal”. O fato é que Bach influenciou não só todos os músicos, compositores e amantes da música nos últimos 300 anos, mas também a música popular produzida hoje no mundo: ele é o compositor que mais cresce, através da fundação e manutenção de Sociedades Bach em todo mundo, do Rio de Janeiro a Tóquio, dos Estados Unidos e Canadá à Argentina e Chile, da Holanda, Alemanha e Suíça à África do Sul e Austrália, entre outras iniciativas pelo cultivo e difusão de sua música” – destaca o maestro Ricardo Rocha.

Cia Bachiana Brasileira

Corpo artístico da Sociedade Musical Bachiana Brasileira – SMBB, fundada em 1986, a Cia. Bachiana Brasileira também nasceu carioca em 1999, configurando a expressão de uma atitude cujas consequências estéticas constituem a sua meta e o seu principal diferencial. Desde então, desenvolve projetos com repertório, elenco e tempo de realização definidos para cada produção, buscando, de forma disciplinada e perseverante, uma sonoridade própria na execução da música de concerto, nacional e estrangeira.

A direção e a regência são do seu fundador, igualmente criador da SMBB, maestro Ricardo Rocha. O alto padrão de qualidade com que executa do colonial brasileiro e barroco europeu à música contemporânea, explica a posição ímpar que a Cia. Bachiana ocupa hoje no cenário musical brasileiro, como atesta o Prêmio de Cultura do Estado do RJ na categoria Música Erudita, recebido em 2009, com concertos entre os 10 melhores do ano pelo O Globo (2007, 2008, 2011), entre outras distinções.

 

Ricardo Rocha – Foto: Virgínio Sanches

Ricardo Rocha – maestro

The Magical Sound-Sorcerer / “Ricardo Rocha, the world ambassador for the classical music of Brazil” Título da matéria de página inteira, com fotos frente à Orquestra Sinfônica de Bamberg, da revista trimestral europeia “Drive”, em inglês, francês e alemão – (jan/2001).

Fundou e dirige a SMBB desde 1986 e possui os títulos de Kappellmeister (Concertos Sinfônicos e Ópera pela Universidade de Karlsruhe, Alemanha), Mestre em Regência (UFRJ) e Comendador pelo Poder Judiciário (Ordem de São José Operário do Mérito Judiciário) do 23ª. Tribunal Regional do Trabalho Trabalho, TRT.

Na Alemanha, criou e dirigiu o ciclo “Brasilianische Musik im Konzert” (1989-2000) para difusão da Música Brasileira de Concerto, frente às Sinfônicas de Bamberg, Turíngia, Südwestfallen e Baden-Baden. Turnê em Hanói e Singapura, em 2009, a convite do Ministério das Relações Exteriores.

No Brasil, Titular das Orquestras Sinfônicas da UFMT (1992-94) e da E.M. da UFMG, (1994-96), com Cátedra de Regência. Como convidado regeu a OSB, OSTM-SP, OSMG, OPES, OSN-UFF, OSBJ e a OJB. Professor de Regência e Diretor sinfônico de 9 Festivais Internacionais. Gravou mais de 20 programas para TV e rádio, 7 CDs, 4 DVDs, com mais de 70 vídeos no YouTube, onde pode acessar um painel de teasers, vídeogravações ao vivo, com diferentes obras, compositores, formas musicais e estilos de época: https://www.youtube.com/playlist?list=PLSc6hZ7zLOW2en8Q75nYW1quFQpaBdq_s

É autor dos livros “Regência, uma arte complexa” (2004) e “As Nove Sinfonias de Beethoven – uma Análise Estrutural” (2013); Professor em Masterclasses e cursos de pós-graduação em História da Música na Faculdade São Bento (2000 a 2017), e no Conservatório Brasileiro de Música, 2013-2017). Rocha é também ensaísta, palestrante e professor de História da Música, Formas Musicais e Análise Estrutural.

*Paixão Segundo São João

Narrador: – Evangelista, Giovanni Tristacci, tenor
Solistas: – Marcelo Coutinho, barítono, Jesus e árias de baixo
– Ossiandro Brito, árias para tenor
– Lino Ramos, contratenor, árias para contralto
– Ana Cecília Rebelo, soprano, ária “Zerfliesse mein Herze”
– Laila Wazen, soprano, ária “Von den Stricken meiner Sùnde”
– Pilatos, Pedro: Cyrano Moreno Sales, barítono
– Servo, Guarda e Porteira: Ossiandro Brito e Fátima Santana, soprano
– Judeus, soldados e chefes dos sacerdotes: Coro Principal
Monitores de naipes: Ana Cecília Rebelo (sopranos), Lara Cavalcanti (contraltos), Bruno dos Anjos (tenores) e Marcelo Coutinho (baixos)
Povo de Deus, Coro de Apoio: canta coros 1 e 39 e todos os Corais
Regentes monitores: Miguel Torres (sopranos e tenores) e Ricardo Rocha (contraltos e baixos)
Principais solistas instrumentais: Flauta 1, Rubem Schuenck; Oboé 1, Jorge Postel; Fagote, Felipe Destéfano; Violino 1, Wagner Rodrigues; Violino 2, Yuri Reis; Violoncelo 1, Emília Valova; Órgão e Cravo: Benedito Rosa
Execução: Cia. Bachiana Brasileira, Coro e Orquestra
Direção Musical e Regência: Ricardo Rocha
Tradução: – Ricardo Rocha e Ariane Petri (Poemas das árias e dos corais)
– Bíblia de Jerusalém (textos dos coros tirados do Evangelho de João,
cap.18 e 19, narrados pelo tenor evangelista e personagens da Paixão)

Ficha Técnica

Direção Geral: Ricardo Rocha
Produção: Vicente Barros, Stage One
Assistente: Rafaela Marsico
Acompanhe as plataformas virtuais da Cia Bachiana Brasileira
Instagram: @cia.bachiana
Facebook: Cia.Bachiana Brasileira
YouTube: Cia. Bachiana Brasileira
Site: maestroricardorocha.com

 

SERVIÇO

*IV FESTIVAL BACH DO RIO DE JANEIRO – A PAIXÃO SEGUNDO SÃO JOÃO

Apresentação para convidados

Dia 16 de abril, sexta-feira, às 16h

Biblioteca Parque Estadual (Av. Presidente Vargas, 1.261 – Centro – Rio)

Apresentação fechada e gravação

Dia 18 de abril, domingo, às 16h

Catedral do Império, a Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé (Rua Sete de Setembro, 14 – Centro – Rio)

Entrada livre para público de até 60 pessoas

Classificação: Livre

 

Realização: Lei Aldir Blanc, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, Fundo Estadual de Cultura

Gravação será exibida no Canal da Cia Bachiana Brasileira (YouTube)   

 

Paixão Segundo São João – de Johann Sebastian Bach

Narrador:              – Evangelista

Personagens:       – Judeus, soldados e chefes dos sacerdotes (coro)

– Jesus

– Pedro

– Pilatos

– Porteira, servo e guarda

Tradução:             – Ricardo Rocha e Ariane Petri

              (Poemas das árias e dos corais)

Bíblia de Jerusalém

              (textos dos coros tirados do Evangelho de João, capítulos 18

                                      e 19, narrados pelo tenor evangelista e personagens da Paixão).

 

                                                                              Parte I

 

Introdução

Coro:

Senhor, nosso soberano,
cuja glória é imponente
em todas as nações.
Mostra-nos, através da Tua Paixão,
que Tu, o verdadeiro Filho de Deus,
mesmo na maior das humilhações,
foste glorificado por todos os tempos.

 

A prisão de Jesus

Narrador (evangelista):

Jesus foi com seus discípulos para o outro lado do riacho Cedron. Havia ali um jardim, onde Jesus entrou com os seus discípulos. Ora, Judas, o traidor, conhecia também este lugar porque, frequentemente, Jesus e seus discípulos aí se reuniam. Judas, então, levando um grupo da guarnição romana e guardas destacados pelos chefes dos sacerdotes e fariseus, aí chega, com lanternas, archotes e armas. Sabendo Jesus tudo o que lhe aconteceria, adiantou-se e lhes disse:

Jesus: “- A quem procurais?”

N – Responderam:

Judeus (coro):”- Jesus, o Nazareno.”

N – Jesus lhes disse:

Jesus:  “- Sou eu.”

N – Judas, o traidor, estava também entre eles. Quando Jesus lhes disse: “Sou eu”, recuaram e caíram por terra. Perguntou-lhes, então, novamente:

Jesus: “- A quem procurais?”

N – Disseram:

Judeus (coro): “- Jesus, o Nazareno.”

N – Jesus lhes respondeu:

Jesus: “- Eu vos disse que sou eu. Se, então, me procurais, deixai que estes se retirem!”

Coral I

Ó grande Amor,
ó amor sem medidas,
o qual Te levou
para este caminho de martírios.
Eu vivi no mundo
entre prazeres e alegrias,
enquanto Tu tens que sofrer.

N – (…), a fim de se realizar a palavra que diz:

“Não perdi nenhum dos que me deste.”
Então, Simão Pedro, que trazia uma espada, tirou-a, feriu o servo do Sumo Sacerdote, a quem cortou a orelha direita. O nome do servo era Malco. Disse, então, Jesus a Pedro:

Jesus: “- Embainha a tua espada. Deixarei eu de beber o cálice que o Pai me deu?”

Coral II

Seja feita a Tua vontade, Senhor,
assim na Terra como no Céu.
Dá-nos paciência em tempos de tribulação
e obediência no amor e na dor.
Combate e conduz
toda a carne e todo o sangue
que pelejam contra Tua vontade.

 

Jesus diante de Anás e Caifás

N – A guarda romana, o tribuno e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o ataram. Conduziram-no primeiro a Anás, que era sogro de Caifás, o Sumo Sacerdote daquele ano. Caifás fora o que aconselhara aos Judeus:
“- É melhor que um só homem morra pelo povo.” 

Ária: (contralto)

Para livrar-nos
das malhas dos meus pecados
o meu Salvador foi amarrado.
Para curar-me completamente
de todos os vícios,
Ele se deixou ferir.

 

A negação de Pedro

N – Ora, Simão Pedro seguia Jesus e um outro discípulo também.

Ária: (soprano)

Sigo-Te igualmente com passos alegres
e não Te deixo,
minha Vida, minha Luz.
Protege a minha caminhada
e não desiste, Tu mesmo,
de me puxar, empurrar, pedir.

N – Esse discípulo era conhecido do Sumo Sacerdote e entrou com Jesus no pátio do Sumo Sacerdote. Pedro, entretanto, ficou junto à porta, de fora. Então, o outro discípulo, conhecido do Sumo Sacerdote, saiu, falou com a porteira e introduziu Pedro. A criada que guardava a porta diz então a Pedro:

Porteira: “- Não és, tu também, dos discípulos deste homem?”

N – Respondeu ele:

Pedro: “- Não sou.”

N – Os servos e os guardas tinham feito uma fogueira, porque estava frio; em torno dela se aqueciam. Pedro também ficou com eles, aquecendo-se. Então o Sumo Sacerdote interrogou Jesus sobre os seus discípulos e sobre a sua doutrina. Jesus lhe respondeu:

Jesus: “- Falei abertamente ao mundo. Sempre ensinei na sinagoga e no Templo, onde se reúnem todos os judeus; nada falei às escondidas. Por que me interrogas? Pergunta aos que ouviram o que lhes falei, eles sabem o que eu lhes disse.”

N – A estas palavras, um dos guardas, que ali se achavam, deu uma bofetada em Jesus, dizendo:

Guarda: “- Assim respondes ao Sumo Sacerdote?”

N – Respondeu Jesus:

Jesus: “- Se falei mal, mostra em que; mas, se falei bem, por que me bates?”

 

Coral III

Quem Te feriu, meu Salvador,
e Te maltratou com flagelos?
Ora, Tu não és um pecador
como nós e nossos filhos,
Tu não cometeste crimes.
Eu, eu e meus pecados,
que existem como areia no mar,
provocaram a miséria
e este monte de martírios
que agora Te ferem.

N – Anás, então, o enviou manietado a Caifás, o Sumo Sacerdote. Simão Pedro continuava lá, de pé, aquecendo-se. Disseram-lhe então:

Judeus (Coro): “- Não és tu também um dos seus discípulos?”

N – Ele negou e respondeu:

Pedro: “- Não sou”.

N – Um dos servos do Sumo Sacerdote, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha, disse:

Servo: “- Não te vi no horto com ele?”

N – Pedro, então, negou novamente. E logo um galo cantou. E Pedro se lembrou da palavra que Jesus dissera. Saindo dali, ele chorou amargamente.

 

Ária (tenor)

Ah, minha consciência,
para onde queres finalmente ir?
Onde eu poderia refrescar-me?
Fico aqui ou desejo para mim
ter montanhas e morros sobre as costas?
No mundo não se pode encontrar conselho
e no coração jazem as dores do meu crime
porque o servo
negou o seu senhor.

 

Coral IV

Pedro, que não  se recorda
e nega seu Deus,
ao primeiro olhar sério
chora amargamente.
– Jesus, olha também para mim
se eu não quiser penitenciar-me;
se eu tiver feito mal,
toca minha consciência!

 

 

                                                                            Parte II

Coral V

Cristo, que nos faz bem-aventurados
e que não cometeu nenhum mal,
foi, por nós, preso à noite
como um ladrão.
Foi conduzido por pessoas sem Deus
e falsamente acusado;
zombado, escarnecido e cuspido
como dizem as Escrituras.

 

Jesus diante de Pilatos

N – De Caifás conduziram Jesus ao pretório para não se contaminarem e poderem comer a Páscoa. Pilatos, então, saiu ao encontro deles e disse:

Pilatos: “- Que acusação trazeis contra este homem?”

N – Responderam-lhe:

Judeus (coro): “- Se não fosse um malfeitor, não o entregaríamos a ti.”

N – Disse-lhes, então, Pilatos:

Pilatos: “- Tomai-o vós mesmos, e julgai-o conforme a vossa Lei.”

N – Disseram-lhe os judeus:

Judeus (coro): “- Não nos é permitido condenar ninguém à morte,”

N – a fim de se cumprir a palavra de Jesus, com a qual deveria indicar de que morte deveria morrer.   – Entrou Pilatos novamente no pretório, chamou Jesus e lhe disse:

 Pilatos: “- És o rei dos judeus?”

 N – Jesus lhe respondeu:

 Jesus: “- Falas assim por ti mesmo ou outros te disseram isto de mim?”

 N – Respondeu Pilatos:

 Pilatos: “- Sou, por acaso, judeu? Teu povo e o chefe dos sacerdotes entregaram-Te a mim. Que fizeste?”

 N – Jesus respondeu:

 Jesus: ”
Meu reino não é deste mundo.
Se meu reino fosse deste mundo,
meus súditos teriam combatido
para eu não ser entregue aos judeus.
Mas meu reino não é daqui.”

 

Coral VI

Ó grande Rei,
grande por todos os tempos
como eu poderia propagar
suficientemente a Tua fidelidade?
Nenhum coração humano faz ideia
do que Te dar em troca.
Eu não consigo atingir,
através dos meus sentidos,
o incomparável da Tua misericórdia;
Como eu poderia então
devolver-Te em obras
a Tua obra de amor?

N – Pilatos lhe disse:

 Pilatos: “- Então, tu és rei?”

N – Respondeu Jesus:

Jesus: “- Tu o dizes: eu sou rei.”

N – Respondeu Jesus:

Jesus: ”
– Tu o dizes: eu sou rei.”
Para isto nasci
e para isto vim ao mundo:
para dar testemunho da verdade.
Quem é da verdade escuta a minha voz.”

 N – Disse-lhe Pilatos:

 Pilatos: “- Que é a verdade?”

 N – E tendo disto isto, foi ao encontro dos judeus e lhes disse:

 Pilatos: ” – Nenhuma culpa encontro nele. É costume entre vós que eu vos solte um preso, na Páscoa. Quereis que vos solte o rei dos judeus?”

N – Então eles gritaram de novo, clamando:

Judeus (coro): “- Este não, mas Barrabás!”

N – Barrabás, no entanto, era um bandido. Pilatos, então, tomou Jesus e o mandou flagelar.

 

Arioso (baixo):

Contemple, minha alma,
com receoso prazer,
com amarga vontade
e coração meio oprimido,
o seu maior bem
na dor de Jesus;
e observe como em ti,
como nos espinhos que o ferem
brotam como flores
as chaves do céu!
Da sua amargura
você pode colher muitos frutos doces.
Por isso, olhe para Ele sem cessar.

 

Ária (tenor)

Contemple
como suas costas tintas de sangue
em todas as partes
se parecem com o céu.
Assim,
após o dilúvio de nossos pecados
o mais lindo arco-íris se forma
como o sinal da graça de Deus.

 

N – Os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-na em sua cabeça e jogaram sobre ele um manto de púrpura. Aproximando-se dele, diziam:

Soldados (coro): “- Salve, rei dos judeus!”

N – E o esbofeteavam.

Pilatos, de novo, saiu fora e lhes disse:

Pilatos: “- Eis que eu vo-lo trago aqui fora, para saberdes que não encontro nele motivo algum de condenação.”

N – Jesus, então, saiu fora, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. E Pilatos lhes disse:

Pilatos: “- Eis o homem!”

N – Quando o chefe dos sacerdotes e os guardas o viram, gritavam:

Coro: “- Crucifica-o! Crucifica-o!”

N – Disse-lhes Pilatos:

Pilatos: “- Tomai-o vós e crucificai-o, porque eu não encontro culpa nele.”

N – Os judeus responderam-lhe:

Judeus (coro): “- Nós temos uma lei e, conforme a lei, ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus.”

N – Quando Pilatos ouviu esta palavra, ficou ainda mais aterrado. Tornando a entrar no pretório, disse a Jesus:

Pilatos: “- De onde és tu?”

N – Mas Jesus não lhe deu resposta. Disse-lhe, então, Pilatos:

Pilatos: “- Não me respondes? Não sabes que eu tenho poder para te libertar e poder para te crucificar?”

N – Respondeu-lhe Jesus:

Jesus: “- Não terias poder algum sobre mim, se não te houvesse sido dado do alto; por isso, quem a ti me entregou tem maior pecado.”

N – Daí em diante, Pilatos procurava libertá-lo.

 

Coral VII

Através da Tua prisão,
Filho de Deus,
chega-nos a liberdade;
O teu cárcere é trono de graça,
o espaço livre de todos os devotos.
Se Tu não tivesses entrado na servidão,
a nossa servidão seria eterna.

 

A condenação à morte

N – Mas os judeus gritavam:

Judeus (coro): “- Se o soltas, não és amigo de César!
Todo aquele que se faz rei, opõe-se a César!”

N – Ouvindo tais palavras, Pilatos trouxe Jesus para fora, fê-lo sentar-se no tribunal, no lugar chamado Pavimento, em hebraico “Gábata”. Era o dia da preparação da Páscoa, perto da sexta hora. Disse Pilatos aos judeus:

Pilatos: “- Vejam, eis o vosso rei!”

N – Eles gritavam:

Judeus (coro): “- À morte! À morte! Crucifica-o!”

N – Disse-lhe Pilatos:

Pilatos; “- Crucificarei o vosso rei?”

N – Os chefes dos sacerdotes responderam:

Chefes dos sacerdotes (coro): “- Não temos outro rei a não ser César.”

N – Então Pilatos o entregou para ser crucificado.

 

A Crucifixão

N – Tomaram eles então a Jesus. E ele saiu, carregando a sua cruz e chegou ao chamado “Lugar da Caveira” – em hebraico chamado “Gólgota – …

 

Ária (solo de baixo e coro)

Baixo: “- Apressai-vos,
ó almas caídas em tentação!
Saí de vossa caverna dos martírios,
apressai-vos!

Coro: “- Para onde?”

Baixo: “- Para o Gólgota.
Aceitai as asas da fé e fugi.”

Coro: “- Para onde?”

Baixo: “- Para o Calvário,
pois ali o vosso bem floresce
em toda parte.”

N – No Gólgota, eles o crucificaram, e com ele, dois outros: um de cada lado e Jesus no meio. Pilatos redigiu também um letreiro e o fez colocar na cruz; nele estava escrito: “Jesus Nazareno, o rei dos judeus”. Este letreiro, muitos judeus o leram, por que o lugar onde Jesus fora crucificado era próximo da cidade; e estava escrito em hebraico, latim e grego.

Disseram então a Pilatos os chefes dos sacerdotes dos judeus:

Chefes dos sacerdotes (coro): “- Não escrevas: ‘O rei dos judeus’, mas: ‘Este homem disse: Eu sou o rei dos judeus.'”

N – Pilatos respondeu:

Pilatos: “- O que escrevi, está escrito.”

 

Coral VIII

No fundo do meu coração
somente o Teu nome e a Tua cruz
brilham todo o tempo e hora;
– por isso eu posso me alegrar!
Esta imagem aparece-me
consolando minha aflição,
ao ver como Tu, Cristo Senhor,
tão doce,
Sangraste até a morte.


O sorteio das vestes

N – Os soldados, depois que crucificaram Jesus, tomaram as suas roupas e repartiram em quatro partes, uma para cada soldados e a túnica. Ora, a túnica era inteiriça, tecida como uma só peça, de alto a baixo. Disseram entre si:

Soldados: “- Não a rasguemos, mas tiremos a sorte, para ver com quem ficará.”

N – Isto a fim de se cumprir a Escritura, que diz:

                        “Repartiram entre si minhas vestes
                          e sortearam minha roupa.”
                         Foi o que fizeram os soldados.

 

Jesus e sua mãe

N – Perto da cruz de Jesus, permanecia de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mãe de Clopas, e Maria Madalena. Jesus, então, vendo a sua mãe e, perto dela, o discípulo a quem amava, disse à sua mãe:

Jesus: “- Mulher, eis o teu filho!”

N – Depois, disse ao discípulo:

Jesus: “- Eis a tua mãe!”


Coral IX

Ele cuidou bem de tudo
na última hora:
Pensando em sua mãe
Nomeou-a como guardiã
Ó humanidade, seja correta:
Ame a Deus e aos homens.
Morra sem sofrer
E não se aflija.

N – E a partir dessa hora, o discípulo a recebeu em sua casa.

 

A morte de Jesus

N – Depois, sabendo Jesus que tudo estava consumado, disse, para que se cumprisse a Escrita até o fim:

Jesus: “- Tenho sede.”

N – Estava ali um vaso cheio de vinagre. Fixando, então, uma esponja embebida de vinagre numa vara de hissopo, levaram-na à sua boca. Quando Jesus tomou o vinagre, disse:

Jesus: “- Está consumado!”

Ária (contralto)

– Está consumado.
Ó consolo para as almas sofridas,
a noite de luto
já conta sua última hora,
O herói de Judá
vence com poder
e encerra a luta.
Está consumado!

N – E inclinando a cabeça, entregou o espírito.

 

Ária   (solo de baixo e coro – Coral X)

Baixo: Meu caro Salvador
deixa-me perguntar-Te,

Coro: Jesus,Tu que estavas morto,

Baixo: já que agora foste pregado à cruz
e disseste “- está consumado”:

Coro: vives agora infinitamente.

Baixo: Fui libertado da morte?

Coro: Na minha derradeira angústia de morte
a nenhum outro me dirigirei …

Baixo: posso eu herdar o reino dos céus
através da Tua paixão e morte?
É chegada a salvação do mundo?

Coro: … Senão a Ti, que por mim expiaste.
Oh, amado Senhor!

Baixo: Eu sei que, cheio de dores, nada podes dizer.

Coro: Dá-me somente o que conseguiste:

Baixo: Contudo inclinas a cabeça e,
em silêncio, respondes-me: Sim.

            Coro: mais que isto eu não ambiciono.

 

N – Nisso, o céu do Santuário se rasgou em duas partes, de cima a baixo, a terra tremeu e as rochas de fenderam. Abriram-se os túmulos e muitos corpos dos santos falecidos ressuscitaram. (Mt. 27, 51-52)

 

 Arioso (tenor)

Meu coração,
no qual o mundo inteiro sofre
igualmente com o sofrimento de Jesus,
o que você pretende fazer agora?
Agora que o sol se veste em tristeza
e o céu se rasga?
Que a rocha fende,
a terra treme
e os túmulos se abrem
ao ver o próprio Criador esfriar?

 

Ária (soprano)

Derrama-te, meu coração,
numa maré de lágrimas,
em honra a Deus.
Conta ao Céu e à Terra
a Tua dor:
o teu Jesus está morto.

 

O golpe da lança

N – Como era o dia da Preparação, os judeus, para que os corpos não ficassem na cruz durante o sábado (- porque esse sábado era um grande dia!), pediram a Pilatos que lhes quebrassem as pernas e fossem retirados.

Vieram, então, os soldados e quebraram as pernas do primeiro e depois do outro, que fora crucificado com ele. Chegando a Jesus e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados transpassou-lhe o lado com a lança e imediatamente saiu sangue e água. Aquele que viu dá testemunho e seu testemunho é verdadeiro; e ele sabe que diz a verdade, para que vós creiais, pois isto sucedeu para que se cumprisse a Escritura:

“Nenhum osso lhe será quebrado.”

E outra Escritura diz ainda:

“Olharão para aquele que transpassaram.”

 

Coral XI

Ó ajuda-nos, Cristo, Filho de Deus,
para que, através do Teu amargo sofrimento
sejamos sempre submissos a Ti;
Para que evitemos todos os vícios,
reflitamos de forma fecunda
a Tua morte e a sua causa
e, ainda que pobres e fracos,
possamos apresentar-Te oferendas.

 

O sepultamento

N – Depois, José de Arimateia, que era discípulo de Jesus, mas secretamente, por medo dos judeus, pediu a Pilatos que lhe permitisse retirar o corpo de Jesus. Pilatos o permitiu. Vieram, então, e retiraram o corpo. Nicodemos, aquele que anteriormente procurava Jesus à noite, também veio, trazendo cerca de cem libras de uma mistura de mirra e aloés.

Eles tomaram o corpo de Jesus e o envolveram em panos de linho com aromas, como os judeus costumam sepultar.

Havia um jardim, no lugar onde ele fora crucificado e, no jardim, um sepulcro novo, no qual ninguém ainda fora colocado. Aí, então, por causa do dia da Preparação dos judeus e por que o sepulcro estava perto, eles depositaram Jesus.

 

Coro:

Descansa em paz, santo corpo,
que eu não te chorarei mais;
descansa em paz
e leva-me também para o descanso.
O  túmulo, para ti reservado,
onde a aflição mais não te cerca,
abre para mim o céu
fechando o inferno.

 

Coral XII – Final

Ó Senhor,
deixa que no fim
o Teu querido anjo
leve a minha alma
para o  seio de Abraão;
e deixa que o corpo,
em seu quartinho,
descanse suavemente,
sem dor e sofrimento
até o Juízo Final.
Então desperta-me da morte
para que meus olhos Te vejam
com toda a alegria,
ó Filho de Deus,
meu Salvador e Trono da Graça.
– Senhor Jesus Cristo,
escuta-me!
eu quero louvar-Te
por toda a eternidade!

 

 

t.g.D

Rio de Janeiro, ano de 2002

Revisão: 2021

 

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