CríticaLateralMúsica coralRio de Janeiro

“Glória”, de Vivaldi, em Petrópolis: uma visão “intra muros”

Música coral de ótima qualidade na Serra fluminense.

Dia 13 de agosto de 2017. Dia dos pais em Petrópolis. Música de excelente qualidade no Teatro Dom Pedro. Além de Gloria, de Vivaldi, também Laudate Dominum, do Pe. José Maurício, e o Prelúdio da  Bachianas Brasileiras n. 4, de Villa-Lobos, um dos maiores músicos clássicos do Brasil.

Para dar vida ao espetáculo, entre outros artistas, o Coral de Petrópolis e o Coral das Princesas de Petrópolis. O maestro e ensaiador dos 2 corais é o Rodrigo d’Ávila. Não foi uma tarefa fácil chegar a esta apresentação de uma obra de grande peso na literatura coral. Vivaldi foi um expoente de sua época, trazido ao conhecimento público por obra e graça de ninguém menos que Johann Sebastian Bach, que o tirou de um certo ostracismo.

Preparar uma obra deste quilate não é fácil. O Coral de Petrópolis, por exemplo, não dispõe de um local de acústica boa para os ensaios, tem apenas um ensaio semanal e a obra, mesmo não sendo grande, tem bastante complexidade e exige muito dos cantores. Estes não são profissionais, com exceção dos solistas. A maioria não sabe música, mas ama a música e ama cantar.

Depois deste introito, vamos aos comentários do concerto em si, que lotou o teatro. A orquestra, mesmo com reduzido número de ensaios, tocou muito bem, acompanhando com convicção a direção do maestro, muito boa, por sinal.

Maria Cláudia Paladino (soprano), Michele Ramos (soprano) e Leonardo Alex (barítono) foram os solistas, que estiveram à altura do desafio e se saíram bem. Penso que o Qui sedes ad dexteram patris pede uma mezzo, mas a Maria Cláudia não comprometeu e foi bem. Até o maestro, quem diria, fez o seu solo no Laudate, com uma bela voz de tenor.

Os corais merecem destaque à parte pela performance, apesar das condições nada favoráveis. Na verdade, o palco do teatro não apresenta condições necessárias para um bom desempenho de qualquer coral. Atrás do praticável, uma cortina de pano, disposta a absorver o som. Dos lados, mais cortinas e o vazio. Por cima, nada… o som sobe e perde muito de sua força.

De qualquer modo, os dois corais se saíram muito bem. Foi um belo concerto muito bem recebido pelo público que aplaudiu com alegria. Na verdade, esperamos que outras obras do mesmo quilate sejam trazidas a este público ávido de música de boa qualidade.

E adianto logo que, para o segundo semestre, começam os ensaios para a Missa da Coroação, de Mozart. Fiquem atentos…

 

Foto: Adriana Kochen

 

Antônio Rodrigues
Apaixonado por música coral, é um dos fundadores e mantenedor do movimento.com.