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Funarte anuncia investimentos de R$ 38 milhões em 2020

Pouco mais de um mês depois de sua posse e com polêmicas (rock+aborto+satanismo, terraplanismo, críticas à MPB) no currículo, o presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte), maestro Dante Mantovani, anunciou, na tarde de quinta-feira (16 de janeiro), no Rio de Janeiro, os principais projetos para 2020 da entidade, que completa 45 anos de existência.

Segundo a proposta, estarão no centro das ações projetos que busquem estimular a cadeia produtiva das artes, a formação de público, a aproximação entre produtores e investidores, a recuperação e a ampliação dos espaços da entidade, e a valorização do artista. “Muita gente vê o artista com preconceito, como vagabundo, mas a administração Bolsonaro está valorizando a arte como nunca antes na história do Brasil”, declarou Mantovani durante a apresentação.

Os projetos estão inseridos em um conjunto de ações intitulado Funarte 45 anos, que prevê um investimento de R$ 38 milhões – mais que o dobro do que vinha sendo investido nos últimos anos (cerca de R$ 15 milhões, nos últimos três anos, segundo Leônidas Oliveira, diretor executivo da Funarte).

Os recursos já estão disponíveis e alguns repasses já foram feitos – mas existe a ideia de buscar parcerias para viabilizar os projetos, como as já existentes com as universidades Federal do Rio de Janeiro, Federal Fluminense e Federal de Minas Gerais, instituições representadas no evento de lançamento por Marcelo Jardim (vice-diretor da Escola de Música da UFRJ), Natália Bolfarini (professora do Departamento de Ciência da Informação da UFF) e Leonardo Castriota (docente da Faculdade de Arquitetura da UFMG).

Entre os principais projetos destacam-se:

Criação do Sistema Nacional de Orquestras Sociais: condutor de todos os demais projetos, prevê a implantação de grupos de música instrumental ou a formação de orquestras-escola em mais de 5 mil cidades do país em situação de vulnerabilidade social. A ser realizado em parceria com a UFRJ.

Rede Federal de Conservatórios de Artes: inspirado no Conservatório Brasileiro de Teatro, projeto criado em 2018 por Roberto Alvim (ex-secretário especial de Cultura, exonerado em 17 de janeiro por fazer discurso inspirado no nazismo), propõe a instituição de uma Rede Federal de Conservatórios que contemple formação nas áreas de música, circo, dança e artes plásticas.

Programa Arte e Patrimônio Cultural | Bossa Criativa: previsto para começar em Ouro Preto/MG em março, se propõe a levar atrações musicais a edifícios do patrimônio histórico, promovendo diálogo entre arte, história e arquitetura.

Dante Mantovani (ao centro) durante apresentação do “Funarte 45 anos”

 

Programa de Valorização do Artista: com frentes como a criação da Rádio Funarte e do Programa de TV WebFunarte, o lançamento de editais voltados à descentralização das artes das capitais para o interior do país e a organização do Fórum de Empresários Mecenas das Artes, que equilibre apoio estatal e iniciativa privada.

Digitalização e Disponibilização do Acervo da Funarte: abertura de um centro de documentação que faça circular os mais de 2 milhões de itens relacionados às artes que compõem o acervo da entidade.

Projeto Novo Olhar: em parceria com o Instituto Olga Kos, visa democratizar o acesso, particularmente às artes visuais, de jovens com necessidades educacionais especiais. Anunciado para março.

Restauração, Reforma e Modernização dos Espaços: 17 salas e teatros da Funarte no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, São Paulo e no Distrito Federal estão em “situação realmente lamentável”, segundo Leônidas Oliveira, e serão recuperados “até o fim deste ano”. O projeto prevê ainda novos espaços artísticos nas regiões Sul, Norte e Nordeste.

Projeto de Valorização do Canto Orfeônico, tendo como referências as ações realizadas por Heitor Villa-Lobos a partir da década de 1930. Em parceria com MEC e UFMG, destina-se ao resgate e à organização dessa prática nas escolas, buscando a “entoação de cantos patrióticos que remetam à ideia de brasilidade”, explicou Mantovani.

Projeto Bandas de Música: aquisição e doação de cerca de 800 instrumentos de sopro e metal a aproximadamente 160 bandas de música em diversas cidades brasileiras. A ação se dará por meio do edital Prêmio Funarte de Apoio a Bandas de Música, que será relançado após interrupção de 7 anos e estará disponível no site da Funarte.

Rio, Capital Mundial da Arquitetura: em 2020, o Rio de Janeiro sedia o 27º Congresso Mundial de Arquitetos e foi eleita pela Unesco em 2018 a capital mundial da arquitetura. Em alinhamento ao grande evento internacional, a Funarte anunciou a promoção de eventos artísticos – concertos, especialmente – que dialoguem com o patrimônio histórico e arquitetônico da cidade, dos Arcos da Lapa ao Museu do Amanhã.

Além das iniciativas de envergadura, a Funarte quer também estreitar parcerias com instituições de países como Espanha, Colômbia, Israel e Grécia, para intercâmbio de artistas e projetos.

“Assumi a presidência da Funarte há pouco mais de um mês e nossa equipe já deu um gás nas ações, criando projetos ambiciosos. Mas nós precisamos entregar. O presidente Bolsonaro pediu exatamente isso: resultados”, declarou Mantovani, sem trilha sonora de Richard Wagner – mas com o Hino Nacional Brasileiro tocando ao fundo.

Fabiano Gonçalves
Publicitário e roteirista (formado no Maurits Binger Film Institute - Amsterdã). Corroteirista do longa O Amor Está no Ar e de programas de TV (novela Chiquititas - 1998/2000). Redator na revista SuiGeneris, no site Escola24horas e no Departamento Nacional do Senac. Um dos fundadores do movimento.com, escreve também sobre televisão para o site teledossie.com.br. - E-mail: fabiano@movimento.com