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Flauta Doce e Cravo – redescobertas do repertório italiano

O repertório italiano para flauta doce e cravo é destaque no concerto que Inês d’Avena e Cláudio Ribeiro apresentam dia 23 de novembro no 31º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga.

A gravação que o duo brasileiro realizou especialmente para a edição virtual do evento, com apresentação no canal do Centro Cultural Pró-Música no YouTube, reúne obras de Martino Bitti, Francesco Durante e Alessandro Santini, compositores cujos trabalhos integram as pesquisas realizadas atualmente pela dupla brasileira na Itália.

Inês e Cláudio estão em Veneza em sua segunda residência artística, durante a qual se dedicam exclusivamente à pesquisa e à performance do repertório italiano para flauta doce e cravo e para cravo solo. “Esta experiência nos proporciona acesso direto a diversos arquivos, bibliotecas e coleções desse riquíssimo patrimônio musical que tanto contribuiu para a história da música, em especial durante os séculos XV a XIX. Aqui buscamos autores, repertórios, práticas e estilos mais esquecidos, e decidimos compartilhar algumas dessas redescobertas com o público do festival”, explica Inês d’Avena.

O programa inclui uma sonata de Martino Bitti (1655/6-1743), uma toccata de Francesco Durante (1684-1755) e outra sonata de Alessandro Santini, autor sobre o qual nada se sabe. A apresentação é aberta com a Sonata V, obra composta em 1711 por Martino Bitti, que trabalhou como violinista para o Grão Duque Cosimo III e para o Príncipe Ferdinando de Medici. Suas oito sonatas para flauta doce e baixo foram publicadas em Londres, em 1711 e 1712, pela famosa editora de John Walsh. “O estilo das sonatas é um tanto particular para um autor italiano do começo do século XVIII, ainda se utilizando de danças como Allemanda, Sarabanda e Giga, muito mais comuns nesse período na França”, ressalta Inês d’Avena.

Francesco Durante foi um dos principais compositores do barroco napolitano, tendo sido professor de vários outros compositores do período, entre eles Pergolesi e Paisiello.  A toccata em dó menor de Francesco Durante encontra-se em um manuscrito na British Library e, segundo a pesquisadora, representa bem o estilo napolitano da primeira metade do século XVIII.

Seis sonatas manuscritas de Alessandro Santini – “Até onde sabemos, são suas únicas composições” – encontram-se na coleção da Fundação Querini Stampalia, em Veneza, em uma cópia limpa e bem escrita, num estilo já tendendo ao barroco tardio (estilo galante), típico do repertório de flauta dos anos 30 do século XVIII”, como destaca Inês. O programa do concerto apresenta a Sonata Sesta, que, por ser a última da coleção, finaliza a obra com um conjunto de variações, “uma prática comum nas coleções instrumentais do período”.


Alcance

Com a experiência de quem já teve a oportunidade de vivenciar a atmosfera do Festival juiz-forano presencialmente, Inês d’Avena afirma que o evento “é um marco no calendário nacional e tem também papel importante dentro da América Latina, especialmente para aqueles que se interessam e se dedicam à prática e ao estudo da música antiga”.

Segundo ela, embora a interação imediata entre músicos e público num mesmo espaço acústico não seja reproduzível on-line, “a necessidade de troca e de comunicação nesse momento de recolhimento e de dificuldades só se acentuou”. Na opinião da musicista, a realização on-line do evento aumenta o alcance do festival, fazendo-o chegar a outros públicos, e “pode vir a facilitar a divulgação do mesmo para aqueles que ainda não conhecem nem o festival e nem a música antiga”.

Desde 2004, a flautista Inês d’Avena e o cravista Cláudio Ribeiro são convidados a se apresentar como duo em renomadas salas de concerto e festivais, não só no Brasil e na Holanda, como também na Itália, Coreia, Inglaterra, França, Bélgica e Alemanha. Em 2011, o duo foi premiado no célebre concurso Prêmio Bonporti. No ano passado, Inês d’Avena e Cláudio Ribeiro lançaram o CD “Anonimo Venexian” (Ramée/Outhere Music), com obras inéditas do barroco veneziano.

 

Dia 23, às 20h, no canal do Centro Cultural Pró-Música no YouTube

* Às 19h, palestra do professor de Música da UFJF Rodolfo Valverde faz a contextualização histórica dos programas dos concertos.

 

PROGRAMA

Martino Bitti (Genova, 1655/1656 – Florença, 1743)
Sonata V (1711)
– Largo Preludio
– Allegro Allemanda
– Largo Sarabanda
– Allegro Giga

Francesco Durante (Frattamaggiore, 1684 – Nápoles, 1755)
Toccata em dó menor
– Adagio
– Presto
– Giga

Alessandro Santini (?-?)
Sonata sesta
– Largo
– Allegro
– Largo
– Allegro

 

Inês d’AvenaFlauta Doce

Nascida no Rio de Janeiro em 1983, a flautista doce Inês d’Avena destaca-se por unir com naturalidade suas atividades como concertista, pesquisadora e professora. Dedicada exclusivamente à flauta doce no repertório antigo, nos últimos 15 anos especializou-se na pesquisa e divulgação do riquíssimo repertório barroco italiano e mais especificamente napolitano, além de investir na redescoberta e estudo de flautas barrocas italianas, encomendando cópias e apresentando os instrumentos e repertório inéditos em concertos e gravações.

Inês foi a vencedora do II International Competition Prince Francesco Maria Ruspoli (2010) e do segundo prêmio nos prestigiosos Premio Bonporti (2011) e Van Wassenaer Concours (2016). Apresenta-se regularmente como solista, musicista de câmara e em formações orquestrais por toda a Europa e Ásia, e também no Brasil e Peru.

Seus CDs, publicados pelos selos Passacaille, Challenge Classics, ORF Edition Alte Musik, Channel Classics, Ramée/Outhere e Sony Classical, têm sido recebidos com grande entusiasmo pela crítica especializada, que exalta seu refinamento, virtuosismo e timbre único. Inês é membro da Amsterdam Baroque Orchestra desde 2008 e membro fundador do La Cicala, Schifanoia e New Collegium, com o qual foi premiada com um Diapason d’Or pelo CD Chameleon.

É bacharel e mestre pelo Conservatório Real de Haia e doutora pela Universidade de Leiden, e, desde 2012, é professora e orientadora de mestrado no Conservatório Real de Haia. Já foi convidada a ministrar masterclasses no Royal College of Music em Londres, na Universidad Nacional de Música em Lima, no Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga/Universidade Federal de Juiz de Fora, no Blokfluitdagen Mechelen e na 3ème Académie des musiques anciennes en Pays de Savoie em Belmont-Tramonet.

 

Cláudio Ribeiro Cravo

Radicado na Holanda desde 2000, atua como cravista e regente em diversas orquestras e conjuntos, paralelamente a suas atividades didáticas. Cláudio é diretor artístico e maestro al cembalo do New Collegium, cofundado por ele em Haia, em 2006, e com o qual tem se apresentado em toda a Europa.

É diretor da Companhia de Música (Brasil) e membro na Europa do La Cicala, Barokopera Amsterdam e Radio Antiqua. Recebeu importantes prêmios em concursos no Brasil e na Europa (Prêmio Rotary 1999, Prêmio Bonporti 2011, Van Wassenaer Concours 2016 e um Diapason d’Or com o CD Chameleon do New Collegium).

É professor convidado e acompanhador do Conservatório Real de Haia, além de ser regularmente convidado para lecionar em importantes festivais de música antiga. Claudio é bacharel em regência pela Unicamp, tendo estudado com Eduardo Navega e Henrique Gregori, e onde teve ainda a oportunidade de estudar cravo com Edmundo Hora. É também bacharel e mestre pelo Conservatório Real de Haia, tendo estudado com Jacques Ogg.

Aparece regularmente em CDs de selos como Ramée, Ricercar, Edições Ambronay, ORF, Brilliant & Passacaille e em transmissões de rádio e TV internacionais.

 

 

Outras informações:

Centro Cultural Pró-Música – produção.promusica@ufjf.edu.br

Pró-reitoria de Cultura – cultura.ufjf@gmail.com

YouTube – https://cutt.ly/shq4cv3

 

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