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Filarmônica MG – Concerto fora de série

No dia 14 de março, a Filarmônica de Minas dá início à série Fora de Série 2020, realizada em nove sábados do ano, às 18h, na Sala Minas Gerais. Neste ano, a Orquestra irá desvendar as mais importantes “Formas Musicais” que definem as estruturas das obras sinfônicas.

A cada programa, a identidade dessas formas será explorada em termos históricos e estilísticos, com a participação de talentosos músicos da Filarmônica, além de regentes e solistas convidados. Com regência do maestro Fábio Mechetti, diretor artístico e regente titular da Orquestra.

O primeiro concerto da série irá destacar as Suítes, por meio das obras Suíte nº 4 em Ré maior, BWV 1069, de Bach; Suíte Masquerade, de Khatchaturian, Suíte de danças, BB 86a, de Bartók, e a suíte da ópera O cavaleiro de rosa, op. 59, de R. Strauss.

Este concerto é apresentado pelo Ministério da Cidadania, Governo de Minas Gerais e Aliança Energia por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

 

PROGRAMA

Bach
Suíte nº 4 em Ré maior, BWV 1069

Khatchaturian
Suíte Masquerade

Bartók
Suíte de danças, BB 86a

Strauss
O cavaleiro de rosa, op. 59: Suíte

 

Sobre as obras

A suíte surgiu no século XVI como uma forma de apresentar a parte instrumental das principais danças existentes na época. Nessa forma, teve seu apogeu no Barroco. Mais tarde, o termo passou a significar também um compilado dos trechos instrumentais mais significativos de uma obra, especialmente óperas e música incidental.

– Bach Suíte nº 4 em Ré maior, BWV 1069

Em algum dos concertos realizados por Johann Sebastian Bach no Café Zimmermann entre 1730 e 1731, a Suíte nº 4 em Ré maior foi ouvida pela primeira vez. A história mais conhecida afirma que Bach compôs suas quatro suítes orquestrais para os ricos comerciantes de Leipzig, Alemanha.

Como diretor da Collegium Musicum, desde 1729, Bach teve de criar peças orquestrais independentes, e as quatro suítes que conhecemos hoje foram escritas seguindo um estilo francês, sendo a quarta a que apresenta tal característica mais enfaticamente. Para a composição da peça, foi importante seu período em Luneburgo e o contato com a corte de Celle na juventude, locais onde predominava a música francesa.

Um dos aspectos relevantes que a Suíte nº 4 manifesta está logo no primeiro movimento. Intitulada Ouverture (não por acaso), a abertura se dá em uma estrutura lenta-rápida-lenta, em que a mudança de andamento da fuga central garante à obra uma grande vivacidade. Os outros movimentos, Bourrée, Gavotte e Menuett, são, ainda, a exibição de um catálogo de danças das cortes de diferentes partes daquele país. Réjouissance, ou seja, o regozijo final traz a suíte a uma conclusão carregada de brilho sonoro combinada a uma complexidade rítmica.

 

– Khatchaturian Suíte Masquerade

O armênio Aram Khatchaturian compôs a música incidental de Masquerade em 1941, baseada na peça de Mihhail Lermontov, para acompanhar a produção teatral de mesmo nome. O enredo gira em torno do assassinato de Nina, a heroína falsamente acusada de infidelidade, vítima do marido, que mistura veneno ao seu sorvete. Logo antes de receber a sobremesa, Nina exclama sobre a beleza de uma valsa que impregnou seu coração de um sentimento que transita entre tristeza e alegria.

A valsa imaginada por Khatchaturian tinha, justamente, que capturar o dúbio sentimento de beleza e condenação apontado pela personagem. E o resultado final foi alcançado, mas não sem dificuldades. Khatchaturian relatou que o avanço só foi possível mediante a visualização do segundo tema, que funcionou “como uma ligação mágica, permitindo que eu retirasse dali toda a corrente. O resto da valsa veio, então, facilmente, sem nenhum tipo de problema”. A orquestração da Suíte Masquerade é sempre densa, alternando uma sonoridade escura e trágica com um encerramento aberto e alegre, mantendo sempre o fundo rítmico da valsa.

 

– Bartók – Suíte de danças, BB 86a

A arte de Béla Bartók associa-se diretamente às suas pesquisas sobre as manifestações musicais folclóricas da Europa Oriental. O compositor recolheu, classificou e analisou metodicamente milhares de canções, percorrendo países como Eslováquia, Romênia, Arábia (1913), Sérvia, Croácia, Anatólia e Bulgária, chegando ao Norte da África (1932) e à Turquia (1936).

Bartók assimilou a surpreendente riqueza rítmica do folclore, desenvolveu apurado senso tímbrico e libertou-se (pelo uso sistemático de modos e escalas antigas) da hegemonia do sistema tonal. Bartók reconhecia-se tributário, sobretudo, da influência de três grandes compositores: Debussy (pelo sentimento dos acordes), Beethoven (pela revelação da forma progressiva) e Bach (pela ciência do contraponto).

De Bach herdou também o amor pelos números e, como o grande mestre barroco, Béla Bartók conscientemente cultivou conceitos matemáticos (a seção áurea; a sequência de Fibonacci) visando o equilíbrio entre inspiração musical e realização formal. A Suíte de danças, primeira obra de Bartók oficialmente encomendada, foi escrita em 1923 para o cinquentenário da união das cidades de Buda e Peste.

Apesar do caráter patriótico da celebração, as cinco danças (interligadas por um refrão de caráter húngaro) apresentam também elementos árabes e romenos. O compositor adotou um processo de improvisação melódica comum a diversas culturas camponesas: a obra começa com notas repetitivas, confinadas a um âmbito intervalar restrito; e a extensão de toda a escala é conquistada progressivamente, com a ampliação dos intervalos.

 

–  Strauss – O cavaleiro de rosa, op. 59: Suíte

Antes de O cavaleiro da rosa, Richard Strauss havia composto outras duas óperas de grande sucesso, Salomé (1905) e Elektra (1909), ambas chocantes para o mundo da ópera, com seus temas desconcertantes e sua linguagem musical moderna e extremamente complexa para a época. Portanto, não foram poucos os que se surpreenderam quando Strauss apresentou sua nova criação, O cavaleiro da rosa, em 1911: uma ópera cômica, recheada de situações burlescas e inverossímeis, cuja música se apoia, principalmente, na valsa.

A guinada no estilo talvez se explique pela vida próspera que Strauss passou a ter após o sucesso de Salomé e Elektra. Com Salomé ele havia se tornado não apenas o mais famoso compositor vivo, como o mais rico de todos. Com o que recebia de direitos autorais, pôde realizar seu sonho de viver apenas para compor, embora fosse sempre solicitado a reger orquestras por toda a Alemanha.

O cavaleiro da rosa foi escrita em sua nova vila aos pés dos Alpes, na bucólica cidade de Garmisch-Partenkirchen. Na tranquilidade de sua sala de estudos, em uma grande mesa de carvalho, com vista para as montanhas, Strauss frequentemente dizia: “chegou a hora de escrever uma ópera mozartiana”. Era o fim dos anos de penúria, e o grande compositor, agora com quarenta e cinco anos, mudava radicalmente de estilo.

Desde a estreia, vários trechos da ópera foram apresentados em concerto. O próprio Strauss arranjou suas sequências favoritas de valsas para serem apresentadas isoladamente. No entanto, a versão de concerto mais conhecida foi realizada nos Estados Unidos, em 1944, provavelmente pelo polonês Artur Rodziński, regente da Orquestra Filarmônica de Nova York (embora seu filho, Richard Rodziński, afirme que o arranjador da Suíte foi Leonard Bernstein, regente assistente de seu pai, à época).

 

SERVIÇO

 

Série Fora de Série – Formas musicais: Suítes


Dia 14 de março, sábado, às 18h


Sala Minas Gerais (Rua Tenente Brito Melo, 1090 – Bairro Barro Preto – BH)


Ingressos:

R$ 50 (Terraço), R$ 50 (Coro), R$ 50 (Mezanino), R$ 55 (Balcão Palco), R$ 75 (Balcão Lateral), R$ 100 (Plateia Central), R$ 130 (Balcão Principal) e R$ 150 (Camarote Par).

Meia-entrada para estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação.

Ingressos comprados na bilheteria não têm taxa de conveniência.

Informações: (31) 3219-9000 ou www.filarmonica.art.br

 

Funcionamento da bilheteria:

Sala Minas Gerais – Rua Tenente Brito Melo, 1090 – Bairro Barro Preto

De terça-feira a sexta-feira, das 12 às 20h.

Aos sábados, das 12 às 18h.

Em quintas e sextas de concerto, das 12 às 22h

Em sábados de concerto, das 12 às 21h.

Em domingos de concerto, das 9 às 13h.

 

Cartões e vale aceitos:

Cartões das bandeiras American Express, Elo, Hipercard, Mastercard e Visa.

Vale-cultura das bandeiras Ticket e Sodexo.

 

 

Fábio Mechetti – diretor artístico e regente titular

 Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008, Fabio Mechetti posicionou a orquestra mineira no cenário mundial da música erudita. Além dos prêmios conquistados, levou a Filarmônica a quinze capitais brasileiras, a uma turnê pela Argentina e Uruguai e realizou a gravação de oito álbuns, sendo três para o selo internacional Naxos. Ao ser convidado, em 2014, para o cargo de Regente Principal da Filarmônica da Malásia, Fábio Mechetti tornou-se o primeiro regente brasileiro a ser titular de uma orquestra asiática.

Nos Estados Unidos, Mechetti esteve quatorze anos à frente da Orquestra Sinfônica de Jacksonville e, atualmente, é seu Regente Titular Emérito. Foi também Regente Titular das sinfônicas de Syracuse e de Spokane, da qual hoje é seu Regente Emérito. Regente associado de Mstislav Rostropovich na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington, com ela dirigiu concertos no Kennedy Center e no Capitólio. Da Sinfônica de San Diego, foi Regente Residente. Fez sua estreia no Carnegie Hall de Nova York conduzindo a Sinfônica de Nova Jersey. Continua dirigindo inúmeras orquestras norte-americanas e é convidado frequente dos festivais de verão norte-americanos, entre eles os de Grant Park em Chicago e Chautauqua em Nova York.

Igualmente aclamado como regente de ópera, estreou nos Estados Unidos dirigindo a Ópera de Washington. No seu repertório destacam-se produções de Tosca, Turandot, Carmem, Don Giovanni, Così fan tutte, La Bohème, Madame Butterfly, O barbeiro de Sevilha, La Traviata e Otello.

Suas apresentações se estendem ao Canadá, Costa Rica, Dinamarca, Escócia, Espanha, Finlândia, Itália, Japão, México, Nova Zelândia, Suécia e Venezuela. No Brasil, regeu todas as importantes orquestras brasileiras.

Natural de São Paulo, Fábio Mechetti é Mestre em Regência e em Composição pela Juilliard School de Nova York e vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, da Dinamarca.

 

 Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Criada em 2008, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais se apresenta regularmente em sua sede, a Sala Minas Gerais, em praças da região metropolitana de Belo Horizonte, além de cidades do interior do estado e, também, em outras capitais do país. Em 13 anos de atuação, a Filarmônica já é considerada uma das principais orquestras do país e da América Latina, tendo recebido diversos prêmios artísticos-culturais e de desenvolvimento econômico.

Com mais de 70 apresentações ao longo do ano e com uma programação que contempla importantes obras do repertório sinfônico de diferentes períodos, a Filarmônica tem como diretor artístico e regente titular o maestro Fabio Mechetti. A orquestra conta hoje com 90 músicos vindos de todo o Brasil, além da Europa, Ásia, Américas do Sul e do Norte e Oceania, e recebe constantemente os mais importantes solistas brasileiros e internacionais.

Em 2020, a Filarmônica comemora os 5 anos de sua sede, a Sala Minas Gerais, inaugurada em 2015. A Sala foi construída especialmente para receber concertos sinfônicos e é uma referência não só pelo seu projeto arquitetônico e acústico, mas também por ser um importante ponto turístico da capital mineira.

 

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