Crítica

Filarmônica de Minas Gerais estreia no Municipal de SP

Na noite de 18 de Agosto estreou em São Paulo em concerto no Theatro Municipal,  a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais.

Quando vimos o nome de Fabio Mechetti à sua frente, como  diretor artístico e regente titular, previa-se um evento musical de grande qualidade  artística.  E não erramos. A sua orquestra é de uma precisão e coesão musical notável.  Também pudera:  é descendente de uma família de maestros. Seu avô Sixto Mechetti,  foi maestro titular do Coral Lírico Municipal durante décadas, seguido de seu pai, Marcello Mechetti,  que por mais algumas décadas dirigiu brilhantemente esse Coral, como também preparou inúmeros cantores nacionais para as temporadas líricas de nosso teatro máximo.

Diante desses dois maestros, o Coral  Lírico Municipal de São Paulo, tornou-se o cartão postal do Theatro Municipal, condecorado por várias honrarias,  sempre com os Mechetti,  incluindo também passagens de Fabio Mechetti à sua frente.  Nascido em São Paulo, onde recebeu as primeiras lições de música com o seu pai,  apresenta sólida formação musical e mestrados  na Juilliard School de Nova York.

Sérgio Rodrigo, compositor brasileiro nascido em 1983, foi o escolhido para abrir o programa: a composição “Aura”, conforme o maestro Mechetti explicou, pode remeter à brisa ou à atmosfera que emana do corpo humano.  Diante de tantos sons soltos, de uma compreensão difusa e dissonante, fica a critério de cada um gostar ou não. Tratando-se de uma estreia nas cidades brasileiras por onde a orquestra excursiona, os aplausos dos públicos dessas plateias,  apontam a aprovação da mesma. Uma distribuição farta na sua instrumentação,  demonstra que  Rodrigo tem  consciência  dos recursos de uma orquestra.

O dificílimo concerto para piano nº 5. Op. 103 chamado de “Egípcio”, de C. Saint-Saens,  (1896),  trouxe-nos o pianista francês Pascal Rogé,  aclamado solista do teclado. Compenetrado,  já no Allegro animato,  deu  mostras ao público do grande pianista que é, seguido pelo Andante  com um allegretto central, deu caráter lírico em conjunções modais de rara beleza. No  finale: molto allegro transpareceu sua virtuosidade, em amplos blocos sonoros, com acordes de terças e quintas com um domínio absoluto do teclado,  justamente aplaudido e retribuindo o público com um número extra.

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Completando o programa ouviram-se as  Suítes nos. 1 e 2 de “Daphnis Et Chloé”, do francês impressionista Maurice Ravel.  Aqui, a orquestra mostrou suas qualidades técnicas e rítmicas. Resultado de uma encomenda de Diaghilev. O argumento, devido ao coreógrafo Fokine, baseia-se numa história de Longus, escritor grego do séc. III.  Na nº 1, a exposição das partes transcorreu de maneira muito trabalhada em suas referências musicais, mas especialmente na dança guerreira  evidenciou-se a precisão de seus integrantes e, ainda mais, na suíte nº 2  perceberam-se os talentos pontuados desses músicos mineiros.  A flautista  Cassia Lima  emitiu um efusivo solo em Pantomima cheio de lirismo e bela sonoridade,  acompanhada de sensuais pizzicatos dos contrabaixos. Merecem destaque nestas páginas, da  Alvorada e Danse generale,  todas as seções da orquestra nessa que é talvez a obra-prima de Ravel.  Bravos ao Mtrº Fabio Mechetti que a regeu com grande sensibilidade e acerto.

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Marco Antônio Seta
Diplomado em Educação Musical, Artes Visuais e Educação Artística. Publicou artigos e críticas de óperas em vários veículos de SP ao longo de três décadas.