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Filarmônica de MG abre temporada 2013

Sexta temporada abre com obras de Ravel, Shostakovich e Amaral Vieira; o premiado solista José Feghali interpreta o Concerto nº 2, de Saint-Saëns.

SERVIÇO

 

Grande Teatro do Palácio das Artes
Informações: (31) 3236-7400

Dia 26 de fevereiro, às 20h30

Ingressos: R$ 60,00 (Plateia I), R$ 46,00 (Plateia II) e R$ 30,00 (Plateia superior).

Meia-entrada para estudantes e maiores de 60 anos, mediante comprovação.

 

A Orquestra Filarmônica de Minas Gerais preparou temporada repleta de ilustres convidados. Para começar em grande estilo, o primeiro concerto de 2013 , apresenta o premiado pianista brasileiro José Feghali, interpretando o Concerto nº 2 em sol menor, de Saint-Saëns. O maestro Marcos Arakaki conduz a Orquestra na efervescente Sinfonia nº 9 de Shostakovich e no popular Bolero de Ravel. Ainda no programa, Sons Inovadores, de Amaral Vieira.

Neste mês de fevereiro, a Filarmônica de Minas Gerais completa cinco anos. O concerto inaugural aconteceu em 21 de fevereiro de 2008. Esta apresentação tem o patrocínio da Supermix Concreto e do Mercantil do Brasil por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

 

PROGRAMA

Amaral Vieira
Sons Inovadores

O compositor, considerado por especialistas como neoclássico, dialoga com diversos elementos da música. Pianista precoce, ingressou no Conservatório de Paris aos 14 anos, logo após sua estreia, como solista, no Theatro Municipal de São Paulo. Após passar pela Escola Superior de Música de Freiburg, estudou em Londres, com Louis Kentner, e, aos 25 anos, voltou ao Brasil, onde se dedicou à carreira de compositor e musicólogo. Como pesquisador, recuperou manuscritos do maestro Elias Lobo, contemporâneo de Carlos Gomes. Foi presidente da Sociedade Brasileira de Musicologia e presidente da Sociedade Brasileira de Música Contemporânea.

Composta para o primeiro encontro pessoal com o poeta Daisaku Ikeda, no Japão, em outubro de 1992, a peça Sons inovadores inspira-se em poema homônimo, extraído do livro Cantos do meu coração, em que o escritor narra impressões e reflexões de suas viagens e vivências. Estreada no Japão em março de 1996, pela Nagoya Philharmonic Orchestra, regida por Akihiro Shiota, a obra é característica do estilo de Vieira e foi pensada como um movimento livre de sonata. Ao final, diálogos e imitações resolvem-se num sugestivo coral, no qual o acordo dos temas musicais é a representação sonora da coexistência pacífica dos homens.

Saint-Saëns
Concerto para piano nº 2 em sol menor, op. 22

Esta execução contará com o pianista José Feghali, que interpreta o Concerto para piano nº 2, de Camille Saint-Saëns (França, 1835-1921). Compositor reconhecido, pianista, organista, maestro, professor e editor musical, Saint-Saëns interessou-se, ainda, por diversos ramos do conhecimento científico, como matemática, acústica, astronomia, arqueologia, botânica e filosofia. Sua intelectualidade multifacetada foi enriquecida por inúmeras viagens a lugares exóticos, a exemplo de Sri Lanka, Indochina, Ilhas Canárias e Egito. O artista também conheceu bem o Brasil e foi amigo de dois ícones da história musical brasileira: Luigi Chiafarelli e Henrique Oswald.

Entre as mais de 150 obras do compositor, em todos os gêneros musicais, figuram dez concertos: cinco para piano, três para violino e dois para violoncelo. Concerto para piano nº 2, o mais famoso deles, foi escrito em 17 dias, inspirado pela primavera parisiense de 1868. A obra surgiu da amizade entre Saint-Saëns e o pianista russo Anton Rubinstein, que a encomendara com o intuito de se exibir, como maestro, para o público francês. A estreia, ocorrida a 13 de maio de 1868, teve o próprio artista como pianista. A apresentação ocorreu na famosa Salle Pleyel, em Paris, onde o compositor, aos dez anos, realizara seu début como solista de dois concertos.

Shostakovich
Sinfonia nº 9 em mi bemol maior, op. 70

Dando continuidade ao programa, a Orquestra executa a Sinfonia nº 9, de Dmitri Shostakovich (Rússia, 1906-1975). Considerado um músico emblemático da Rússia soviética, Shostakovich estabeleceu relações contraditórias com o Regime. Na década de 1920, a política de abertura cultural do governo de Lênin permitiu com que desenvolvesse, sem restrições, sua linguagem musical. Após a morte de Lênin, a implacável censura stalinista sinalizaria outros rumos para os artistas soviéticos. À época dos ensaios de sua Quarta Sinfonia, em 1936, o compositor seria declarado “inimigo do povo”, acusado de formalismo, mau gosto e imoralidade. As cinco sinfonias seguintes submetem-se aos ideais de inteligibilidade e simplicidade neoclássicas, preconizados pelo Comitê Central. Shostakovich atinge, assim, os limites extremos de um expressionismo ultrarromântico, de caráter frequentemente heroico e de grande apelo socializante.

A Sinfonia nº 9 em mi bemol maior, op. 70 coincide com o final da guerra, em1945, e era aguardada como o coroamento vitorioso de um tríptico patriótico. Esperava-se uma apoteose comemorativa da contraofensiva esmagadora das tropas russas sobre o território alemão. Mas o compositor surpreendeu o público e provocou a ira de Stalin, ao apresentar, em novembro daquele ano, a mais breve de suas sinfonias. A Nona de Shostakovich tem inspiração objetiva, simplicidade clássica e boas doses de sarcasmo e ironia. A fabulosa habilidade arquitetônica lembra a Oitava de Beethoven e a aproxima de Haydn, compositor que Shostakovitch estivera estudando e regendo à época de composição da sinfonia.

Ravel
Bolero

Ao criar a peça, o compositor jamais imaginaria que seu nome ficaria para sempre ligado a essa obra, composta entre julho e outubro de 1928, por encomenda da bailarina Ida Rubinstein, que desejava um balé de caráter espanhol para sua trupe. Ravel criou uma melodia com caráter insistente, que ele utilizaria repetidamente, sem desenvolvimento, variando gradualmente o colorido orquestral.

O Bolero estreou no dia 22 de novembro de 1928, no Teatro Nacional da Ópera, em Paris, pela Orquestra Straram e pelo corpo de bailarinos de Ida Rubinstein, com Walther Straram como regente, coreografia de Bronislava Nijinska e decoração de Alexandre Benois. O escândalo causado pela obra, em suas diversas apresentações, estimulou o compositor a tentar executá-la sem o balé. Tal versão estrearia a 11 de janeiro de 1930. Hoje uma das obras mais executadas do repertório internacional, o Bolero pode parecer o resultado de uma composição bem calculada, com o objetivo de causar impacto e ser bem-sucedida nas salas de concerto. Foi com extrema dificuldade, contudo, que a obra ganhou as graças do público.

 

INTÉRPRETES


José Feghali – piano

Desde generic viagra by phone que ganhou a cobiçada Medalha de Ouro do Sétimo Concurso Internacional de Piano Van Cliburn, José Feghali despontou mundialmente no cenário da música clássica. Nascido no Rio de Janeiro, realizou sua primeira apresentação aos cinco anos e, aos oito, tocou com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Aos 15, mudou-se para Londres, onde recebeu aulas de Maria Curcio.

Tempos depois, passou a estudar na Academia Real de Música, com Christopher Elton. Atualmente, é artista residente na Universidade TCU, em Fort Worth. Além de ministrar aulas, participa do curso de verão PianoTexas e é diretor associado do festival anual de Música de Câmara Mimir. Esta é a terceira apresentação de José Feghali com a Filarmônica de Minas Gerais. Ele já esteve em Belo Horizonte em 2008 e 2010.

Feghali apresentou mais de mil concertos ao redor do mundo, incluindo participações como solista ao lado de grandes orquestras, como Filarmônica de Berlin, Concertgebouw Amsterdam, Filarmônica de Rotterdam, Gewandhaus Leipzig e Sinfônica de Chicago. Ativo recitalista, já tocou em salas como Carnegie Hall, Kennedy Center, Bass Hall, Kravis Center, Meyerson Symphony Center, Ambassador Auditorium e Orchestra Hall, em Chicago.

Gravou álbum de música inspirada na dança, editado pela Koss Classics, e as Bachianas Brasileiras nº 3, com a Orquestra Sinfônica de Nashville (2005), pelo selo Naxos. Também foi responsável pela produção e pela remasterização de nove CDs lançados pelo selo V.A.I., contendo apresentações ao vivo do Concurso Internacional de Piano Van Cliburn.

 

Marcos Arakaki – regência

Marcos Arakaki é regente associado da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Natural de São Paulo, é Bacharel em Música pela Universidade Estadual Paulista (Unesp/1998) e concluiu seu mestrado em Regência Orquestral pela Universidade de Massachusetts em 2004, com apoio da Fundação Vitae.

Sua trajetória artística é marcada por prêmios como o do I Concurso Nacional Eleazar de Carvalho para Jovens Regentes, promovido pela Orquestra Petrobrás Sinfônica em 2001, e I Prêmio Camargo Guarnieri, realizado pelo Festival Internacional de Campos do Jordão, em 2009.

Arakaki vem dirigindo importantes orquestras brasileiras como as sinfônicas dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Norte e Paraíba, a Petrobrás Sinfônica, as sinfônicas de Campinas, da USP, a Orquestra de Câmara da Osesp e a Orquestra Experimental de Repertório. No Exterior, dirigiu orquestras nos Estados Unidos, Mexico, Argentina, Ucrania e Republica Tcheca.

Realizou turnês nacionais e regionais com a Camerata Fukuda, com a Orquestra Sinfônica Brasileira e com a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. À frente da Orquestra Sinfônica Brasileira, gravou em 2010 a trilha sonora para o filme Nosso Lar, composta por Philip Glass.

Entre 2000 e 2002, foi o principal regente convidado da Camerata Fukuda e regente assistente da Orquestra Sinfônica de Santo André. Em 2005, foi o principal regente da Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto. Entre 2007 e 2010, trabalhou como regente titular da Orquestra Sinfônica da Paraíba e regente assistente da Orquestra Sinfônica Brasileira. Como regente titular, Arakaki promoveu a reestruturação da Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem entre os anos de 2008 e 2010, recebendo grande reconhecimento da crítica especializada e do público na cidade do Rio de Janeiro.

Marcos Arakaki vem colaborando com a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais desde 2011 e acaba de ser nomeado seu Regente Associado. Nas próximas temporadas, ele continuará desempenhando suas funções junto à Filarmônica nos concertos das séries Allegro e Vivace, bem como nas demais apresentações, como Concertos para a Juventude, Clássicos no Parque, Concertos Didáticos, turnês estaduais e no Festival Tinta Fresca.

 

Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Ao completar cinco anos de vida, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais se orgulha de estar entre as melhores orquestras do Brasil. Criada para tornar-se um grupo de excelência artística, a Orquestra, em sua programação, apresenta ao público obras essenciais do repertório sinfônico e produções contemporâneas, inclusive peças raramente executadas. Entre seus convidados estão os artistas que se destacam no cenário nacional e internacional e que hoje têm a Filarmônica de Minas Gerais como mais uma referência de qualidade na música sinfônica. Neste curto espaço de tempo, a Orquestra foi reconhecida com três importantes prêmios brasileiros: em 2012 recebeu o Prêmio Carlos Gomes de Melhor Orquestra brasileira; em 2010 foi eleita o melhor grupo musical erudito do ano pela Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA); e seu diretor artístico e regente titular, maestro Fabio Mechetti, recebeu o Prêmio Carlos Gomes 2009 como Melhor Regente Brasileiro.

A Filarmônica de Minas Gerais apresenta-se regularmente em duas séries no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, turnês por Minas Gerais, Concertos para a Juventude, Clássicos no Parque e Concertos Didáticos. Participa dos principais eventos de música clássica do país, como Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão, Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga de Juiz de Fora, Rio Folle Journée e outros. Desde sua criação, a Filarmônica de Minas Gerais visitou 18 cidades brasileiras e 49 cidades mineiras, algumas delas mais de uma vez. Na Sala São Paulo, onde já esteve em anos anteriores, a Filarmônica será orquestra convidada da temporada 2013 da Osesp, com três concertos em outubro. A Filarmônica também já se apresentou nos teatros municipais do Rio de Janeiro e de São Paulo, sempre com ótima receptividade do público e elogiosas críticas. A Orquestra realizou sua primeira turnê internacional em 2012 com cinco concertos na Argentina e no Uruguai e, em 2013, prepara sua turnê andina, com apresentações planejadas para o Peru, Colômbia e Equador.

Como ações de estímulo à música, a Orquestra promove o Festival Tinta Fresca, concurso destinado a compositores de todo o país, e o Laboratório de Regência, atividade inédita no Brasil que abre oportunidade para jovens regentes brasileiros.