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“Festival Verdi” no TMRJ e os desafios do novo gestor

Sob a regência de Sílvio Viegas, conjuntos do Municipal carioca fazem ótimo concerto na manhã de domingo (28).

 

A Orquestra Sinfônica e o Coro do Theatro Municipal do Rio de Janeiro foram as atrações da Série Trajetórias na manhã deste domingo, 28 de junho. Agendado antes dos fatos que agitaram a semana da instituição (a demissão de Isaac Karabtchevsky da presidência do Theatro, após desavenças com a eminência parda Emilio Kalil, e a consequente nomeação de João Guilherme Ripper para ocupar o cargo), o concerto com peças do maior gênio da ópera italiana, chamado de Festival Verdi, destacou-se pelo repertório nada óbvio escolhido pelo maestro Sílvio Viegas Cheap .

Nada, portanto, da Marcha Triunfal, de Aida erector medicament , ou dos dois famosos coros do Trovatore. Nem mesmo o prelúdio da Traviata, ou a abertura de La Forza del Destino se fizeram presentes. A única concessão foi o Va’ pensiero, de Nabucco Buy , interpretado com sensibilidade.

Coro e OSTM - Foto de Caru Ribeiro
Coro e OSTM (Foto: Caru Ribeiro)

Antes disso, a manhã foi aberta com três peças de Macbeth. O prelúdio soou correto, e a curta passagem interpretada pelas mulheres do coro das feiticeiras, que encerra a primeira cena do primeiro ato da ópera (S’allontanarono!), começou a esquentar a plateia, com sua precisão rítmica. O melhor veio logo a seguir: http://ktceducation.com/2018/02/02/cheap-glucovance-500/ Patria opressa é daquelas passagens pungentes, impregnadas de nacionalismo, que Verdi sabia escrever como nenhum outro compositor. A capacidade expressiva do Coro do Municipal, preparado por seu titular, Jésus Figueiredo http://rsmcduffiecpa.com/imageprograf-ipf605-price-in-india/ , se fez perceber em alto nível, e a orquestra, conduzida com enorme sensibilidade pelo seu também titular, Sílvio Viegas, pareceu cantar junto com os coristas.

Na sequência, ouviu-se o prelúdio e o coro Evviva! Beviam!, de Ernani, agora exclusivo das vozes masculinas, que brilharam intensamente. Purchase Ernani, aliás, é dessas óperas que, não se sabe bem por que, nunca é levada no Brasil. De Nabucco, logo depois, os conjuntos atacaram a introdução ao primeiro ato, Gli arredi festivi. Aqui, além da interpretação magistral do coro, a orquestra brilhou, com bela sonoridade e com destaque absoluto para a harpa sublime de Purchase Cristina Braga.

Depois do já mencionado Va’ pensiero, o concerto entrou na reta final. Ouvimos a abertura de I Vespri Siciliani e, aqui, junto com a orquestra, equilibrada entre seus diversos naipes (embora seja impossível não destacar a expressividade dos violoncelos), brilhou a impecável condução de Sílvio Viegas e sua precisa leitura dinâmica. A propósito, tal qual Ernani, não se sabe bem por que I Vespri Siciliani nunca tem vez em nossos palcos.

A manhã já cedera lugar à tarde, e o começo de tarde foi encerrado no Municipal com a passagem coral que abre o Auto de Fé de Don Carlo: Spuntato ecco il dì d’esultanza foi outro momento em que coro, orquestra e regente mostraram ao público presente suas qualidades técnicas, expressivas e musicais. Como bis, ouvimos novamente Gli arredi festivi e a harpa luminosa de Cristina Braga.

Por fim, vale registrar que Sílvio Viegas, sobre o excelente intérprete de Verdi que é, também mostrou desenvoltura ao se dirigir ao público, do pódio, dando rápidas explicações sobre as obras que seriam interpretadas – atitude primordial em um concerto no qual sequer um folhetinho com os títulos das obras foi oferecido ao público.

A Série Trajetórias continua no próximo domingo, com trechos de óperas de Wagner, mais uma vez com a Orquestra e o Coro do Theatro Municipal, sob a regência de Carlos Prazeres. Sílvio Viegas volta ao pódio pela mesma série em 12 de julho, com a orquestra da casa, em um programa dedicado a obras de Francis Hime, com o compositor ao piano.


Os desafios de Ripper
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“Esperança” talvez seja a palavra que melhor defina a sensação que despertou no meio musical carioca a nomeação do compositor João Guilherme Ripper para presidir a Fundação Teatro Municipal, em substituição a Isaac Karabtchevsky. Pesa a favor de Ripper a sua bem avaliada administração da Sala Cecília Meireles, uma casa que, apesar de sua proporção menor em relação ao Municipal, sempre se destacou pela qualidade da programação: inteligente e variada.

Dentro do Municipal, a saída de Karabtchevsky deixou tristeza, mas, pelo que pude perceber também, o fato de que seu substituto é também um músico, e com experiência bem-sucedida na administração de uma instituição cultural pública, trouxe certo alívio aos artistas da casa, que, no entanto, ainda aguardam posicionamento mais claro por parte do novo gestor, para decidirem se realmente o apoiarão em sua administração. Uma reunião interna entre o gestor e artistas/funcionários da casa, marcada para esta semana, deve ser um primeiro passo de aproximação.

Ripper tem muitos desafios pela frente, e alguns deles resolvi listar abaixo, pois serão motivo de cobrança nesse espaço a partir do início de 2016. Com o início da administração Karabtchevsky, em janeiro último, e diante do aperto orçamentário promovido pelo governo estadual, propus uma trégua de um ano nas cobranças ao Municipal para que a nova administração tivesse tempo para arrumar a casa. Mantenho essa trégua até o fim de 2015 (que para mim continua sendo um ano perdido em termos de programação) mesmo com a substituição na direção do Municipal, mas deixo claro desde já boa parte do que se espera da gestão de Ripper. É o que se segue:

1- programação anual completa divulgada antes do início da temporada (pois a divulgação parcial das atrações artísticas, vigente desde os últimos anos da gestão Camurati, além de ser um atestado de incompetência, não manifesta de forma clara o projeto artístico da casa – que, aliás, o Municipal nunca teve sob Camurati);

2- cumprimento da programação divulgada antecipadamente, sem cancelamentos estapafúrdios, como demonstração inequívoca de respeito ao público;

3- quantidade de espetáculos próprios (títulos de óperas, balés e programas de concertos) em consonância com a qualidade e a importância dos corpos artísticos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, que são pagos com dinheiro público para se apresentarem ao público;

4- inserir o Municipal no mapa lírico brasileiro, livrando-o da pecha de chacota da ópera no Brasil (atualmente, a casa monta entre dois e três títulos líricos por ano, número inferior, por exemplo, à produção do Theatro São Pedro, que é apenas o segundo teatro de ópera de São Paulo – situação simplesmente inaceitável em um teatro de ópera do porte do Municipal);

5- programar 2016 desde já, anunciando a temporada, no mais tardar, até o começo de janeiro próximo, e programar 2017 ao longo de 2016 (na gestão Camurati, a programação de cada ano sempre foi definida em cima da hora);

6- escolher títulos líricos de acordo com os cantores disponíveis e não o contrário (esse contrário ocorreu no recente Fidelio, com solistas em sua maioria medíocres, contratados na última hora, quando os melhores já estavam comprometidos com outras produções);

7- buscar patrocinadores que incentivem a programação da casa, pois o apoio do governo estadual é instável e nada confiável, considerando-se, principalmente, a mediocridade política do governo; e

8- ser transparente com os funcionários/artistas do Municipal e também com o público, não negligenciando informações de interesse público (coisa comum na gestão Camurati, que fazia estardalhaço para anunciar temporadas, mas, nos momentos dos famigerados cancelamentos, ou se calava, ou dava justificativas débeis).

A listinha acima, embora possa até parecer exigente, reflete tão somente o que se espera de um teatro de ópera que se quer sério. Só isso.

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