CríticaLateralMúsica sinfônicaRio de Janeiro

Farol luminoso

Petrobras SinfA?nica a�� uma das poucas orquestras em atividade no Rio de Janeiro a�� brilha em concerto com Mozart e Rossini.

 

A Orquestra SinfA?nica do Theatro Municipal do RJ nA?o se apresenta desde 2016, com a danA�a de cadeiras que ocorre na centenA?ria Casa LA�rica. A Orquestra SinfA?nica Brasileira estA? fora de circuito, com graves problemas financeiros e vA?rios desligamentos no quadro de funcionA?rios da administraA�A?o. Fora do Rio de Janeiro, o melodrama polA�tico-econA?mico tambA�m assola a cena clA?ssica com a descontinuidade de grupos, como a Banda SinfA?nica do Estado de SP, e de atividades, como a tradicional Oficina de MA?sica de Curitiba. Em meio a esse cenA?rio desA�rtico, a Orquestra Petrobras SinfA?nica (Opes)  A�revela-se luminoso farol.

Regida pelo maestro Isaac Karabtchevsky, a orquestra apresentou-se no Theatro Municipal do Rio de Janeiro na tarde de 18 de marA�o com um agradabilA�ssimo programa, composto por um concerto para piano de W. A. Mozart e aberturas de A?peras de G. Rossini.

O belA�ssimo Concerto para piano n. 24 em dA? menor, K. 491 teve como solista o pianista (e diretor da Sala CecA�lia Meireles) Jean Louis Steuerman . A sofisticada harmonia mozartiana comeA�a delicada e majestosa, em bonito tecido das madeiras (oboA�, fagote, clarineta), e logo dA? lugar a uma intervenA�A?o do teclado. Steuerman imprimiu sua marca, com fraseado claro e sA?brio, cheio de personalidade e inspiraA�A?o. O segundo movimento (Larghetto), por exemplo, foi enlevado, com madeiras, sopros e teclados perfeitamente articulados. Solista e orquestra revelaram todo o encanto da milimA�trica engrenagem deste concerto do compositor austrA�aco.

A segunda parte do recital, composta por aberturas de A?peras (algumas bastante famosas) de Rossini, foram a alegria do pA?blico (casa cheia). Tocadas com energia e cordas em harmonia, mA?sicas cA�lebres como as aberturas de La Gazza Ladra, O Barbeiro de Sevilha e (principalmente) Guilherme Tell, foram ovacionadas pela plateia, que pediu bis.

LA?stima que, cada vez mais, faltem oportunidades para os cariocas (e paulistas, paranaenses…) prestigiarem e aplaudirem suas orquestras. Nesse contexto, a Opes, com talento e perseveranA�a, se mantA�m como um facho de luz cortando a escuridA?o dos dias de hoje.

 

Foto: PlA�nio Bariviera

 

Fabiano Gonçalves
Publicitário e roteirista (formado no Maurits Binger Film Institute - Amsterdã). Corroteirista do longa O Amor Está no Ar e de programas de TV (novela Chiquititas - 1998/2000). Redator na revista SuiGeneris, no site Escola24horas e no Departamento Nacional do Senac. Um dos fundadores do movimento.com, escreve também sobre televisão para o site teledossie.com.br. - E-mail: fabiano@movimento.com