Notícia

Falecimento do maestro Cyro Pereira

A Jazz Sinfônica comunica com pesar o falecimento do maestro e arranjador Cyro Pereira, um dos fundadores da orquestra, responsável por suas principais obras.

O maestro, que estava hospitalizado, faleceu na manhã desta quinta-feira (09.06.2011). O velório será no Salão dos Atos, no Memorial a América Latina, a partir das 19h desta quinta-feira (09.06). O corpo será cremado em cerimônia fechada aos familiares e amigos.

Cyro Pereira é um dos mais importantes nomes da história da música instrumental brasileira. Trabalhou intensamente na Rádio Record, tocando, arranjando e compondo. Foi o diretor da orquestra dos festivais da TV Record, onde permaneceu por 24 anos atuando em programas como “O Fino da Bossa”, com Elis Regina e Jair Rodrigues.

Recebeu diversos prêmios como compositor e arranjador: Troféu Roquete Pinto (1957 e 1967) de Melhor Compositor do Ano, pelo Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo (1962); prêmio da Academia Brasileira de Música por seu Concerto em Ré Maior, sobre temas de Ernesto Nazareth (1964); prêmios como regente e arranjador no Festival Onda Nueva, em Caracas – Venezuela (1972); prêmio Carlos Gomes, do Governo do Estado de São Paulo, como melhor regente de orquestra (1996).

A extensa experiência no universo orquestral popular lhe rendeu o convite para lecionar orquestração na Universidade de Campinas – Unicamp, atividade que exerceu por 10 anos (1989 – 99). Cyro é um dos fundadores da Orquestra Jazz Sinfônica do Estado de São Paulo, idealizada para dar um tratamento sinfônico à nossa rica música popular. Cyro Pereira tem uma importância ímpar na identidade da Orquestra, que gravou em 1997, o CD “Cyro Pereira – 50 anos de música”. O CD reúne seis composições de Cyro e um arranjo magistral de sua autoria para Carinhoso (Pixinguinha / João de Barro). A trajetória musical do maestro está registrada na biografia “Cyro Pereira, Maestro”, redigida pelo jornalista Irineu Franco Perpétuo.

Para que possam0os conhecer um pouco mais deste magnífico personagem, podemos ler o artigo escrito por Fábio Prado em 2009, que encontrei na internet.

 

Cyro Pereira e a Jazz Sinfônica (3/3/2009)

Por Fábio Prado

A Orquestra Jazz Sinfônica tem um perfil característico com concepções musicais e performáticas particulares. Criada em 1990, a Jazz mantém a tradição da sonoridade das orquestras da era de ouro das rádios, embora esteja sempre repensando-a e renovando-a. A marca registrada da “Jazz” é tocar música popular. Em primeiríssimo lugar, a música popular brasileira, mas sem preconceitos, também é fluente em diversos outros idiomas como tango, jazz, etc…

Presente desde sua fundação, o maestro Cyro Pereira e a Jazz formam sem dúvida, um par indissociável. Ele é considerado seu principal arquiteto sonoro, pois trouxe a bagagem musical de mais de 40 anos de experiência, escrevendo partituras e dirigindo orquestras dedicadas à música popular.

Em sua programação anual, a Jazz Sinfônica tem duas séries principais: a “Jazz +”, para a qual convida nomes de prestígio internacional. A abertura, nestes concertos, conforme manda a tradição, se faz com obras de Cyro Pereira. A outra série é a “Jazz Solo”, em que a orquestra é a grande estrela – a carinhosamente denominada “Prata da Casa” – que mostra o talento de seus músicos. Nesta série, durante todo o ano é oferecida ao público toda a versatilidade da obra de Cyro Pereira.

Ele chega aos 80 anos com o mesmo brilho presente em sua notável trajetória profissional. Maestro dos famosos Festivais da Record da Música Popular Brasileira, do final dos anos 60, trabalhou e colaborou com grandes nomes como Gabriel Migliori (compositor, entre outras, das trilhas de “O cangaceiro” e de “O pagador de promessas”), Hervè Cordovil, Lyrio Panicalli, Enrico Simonetti e muitos outros. Nos anos 80, trabalhou com a Orquestra Municipal de Campinas, criando peças híbridas em que se misturavam elementos da música popular com os da erudita, suas famosas “Suítes”. Foi também professor de orquestração da Unicamp entre 1990 e 1999. Nos anos 90, foi convidado para ser um dos maestros da Orquestra Jazz Sinfônica, onde finalmente pode realizar seu grande sonho, o de ter liberdade para escrever sua própria música.

Um dos aspectos marcantes da carreira de Cyro é seu bom humor. Certa vez, aos 23 anos, um repórter lhe perguntou como se sentia ao ser chamado de maestro tão precocemente, ao que ele respondeu: “Você sabe, às vezes alguém dá um apelido para um sicrano e pega. No meu caso, me chamaram de maestro e pegou…”. Este mesmo bom humor poderá ser conferido na peça Poema para o Tom. Ela começa com a frase “Triste é viver na solidão”, seguida de um arpejo ascendente e descendente. Perguntado a ele qual a razão disto, Cyro respondeu: shoppers viagra “A idéia é de um rapaz num bar pensando no seu amor perdido, e entre uma frase e outra, ele toma um gole de bebida…”

Para encerrar, é preciso enfatizar a qualidade de sua música. A riqueza de timbres criada por Cyro para a orquestra se coaduna com seu senso de equilíbrio sonoro, que faz com que tudo seja percebido de forma límpida, permitindo que se notem as diferentes texturas harmônicas e de acompanhamento. Não é fácil escrever arranjos para orquestras, manter o discurso musical sempre fluente, sem que um instrumento se sobreponha a outro. Pereira consegue fazer isto de uma forma clara, organizada e “limpa”, ou seja, do ponto de vista musical, tudo está sempre em seu lugar, não existindo concessões nem exageros.

Depois de tudo que foi dito, só me cabe convidar a todos para ouvir e se deleitar com a obra deste gigante da música brasileira, tanto nos concertos da Orquestra Jazz Sinfônica, como no CD “Cyro Pereira – 60 Anos de Música”, com destaque para seu concerto para piano e orquestra, chamado Fantasia em D sobre temas de Ernesto Nazareth, com interpretação do pianista Cláudio Richerme, sob a regência de Mário Valério Záccaro. Também está à disposição de todos o livro “Cyro Pereira – Maestro”, de Irineu Franco Perpetuo.

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Antônio Rodrigues
Apaixonado por música coral, é um dos fundadores e mantenedor do movimento.com.