EntrevistaLateralÓperaRio de Janeiro

Estrelas em ascensA?o

ConheA�a, nesta entrevista exclusiva ao Movimento.com, um pouco mais sobre trA?s jovens cantores escolhidos em audiA�A?o para a montagem carioca da A?pera As Bodas de FA�garo: Chiara Santoro, Felipe Oliveira e Lara Cavalcanti.

 

Colaborou Leonardo Marques

 

Em agosto, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro anunciou audiA�A�es para papA�is solistas (segundo elenco e personagens secundA?rios) da A?pera As Bodas de FA�garo, de W. A. Mozart, atualmente em cartaz na Casa carioca (leia crA�tica). As audiA�A�es foram marcadas para o dia 25 de agosto, mas em funA�A?o do sucesso (em apenas uma semana, foram recebidas 70 inscriA�A�es, segundo nota no jornal O Globo), os testes foram divididos em dois dias. Entre os candidatos, cantores vindos de diferentes estados do Brasil e tambA�m de paA�ses como ItA?lia e Argentina.

Os nomes dos escolhidos foram divulgados em outubro. SA?o eles: Manuel Alvarez (para o papel do Conde), Marina Considera (Condessa), Felipe Oliveira (FA�garo), Buy Chiara Santoro (Susanna), Cleyton Pulzi (Basilio), Lara Calvalcanti e Beatriz Pampolha Cheap (Marcelina), Michele Menezes e Luiza Lima (Barbarina), Bruno dos Anjos e Guilherme Moreira (Don Curzio), e Frederico de Oliveira e Ciro D’AraA?jo (Antonio).

A montagem de As Bodas de FA�garo A� a mesma dirigida por Livia Sabag, em 2014, no Theatro SA?o Pedro, de SA?o Paulo, onde estreou cheap erexin-v (leia entrevista com a diretora). No Rio de Janeiro, a atraA�A?o, cuja regA?ncia cabe ao maestro Tobias Volkmann, tem as A?ltimas rA�citas em 28 (A�s 20h) e 29 de novembro (A�s 17h). (Saiba mais) online pharmacy singapore .

O Movimento.com conversou com trA?s das estrelas da montagem carioca: a soprano Chiara Santoro (que, em funA�A?o de uma lesA?o no joelho, nA?o entrou em cena em todas as rA�citas que faria como Susanna), o barA�tono Felipe Oliveira (FA�garo) e a mezzo-soprano Lara Cavalcanti (Marcelina).

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Chiara Santoro como Zerlina (Don Giovanni)
Chiara Santoro como Zerlina (Don Giovanni)

Chiara Santoro

Soprano lA�rico de coloratura, Chiara Santoro A� Bacharel pela UniRio, com pA?s-graduaA�A?o no ConservatA?rio Santa CecA�lia, de Roma. Concluiu o Biennio com nota mA?xima e menA�A?o de louvor. Venceu o primeiro prA?mio no VII Concorso Nazionale di Canto A.Gi.Mus, em Roma, e o prA?mio de melhor interpretaA�A?o no VII Concurso Principessa Trivulzio, em MilA?o. Foi uma das vencedoras do Concurso Maria Callas 2013, em SA?o Paulo. Estudou no Opera Studio da Accademia Nazionale di Santa CecA�lia, com Renata Scotto, e, na FranA�a, com Teresa Berganza, no Festival de Bougival. Em suas performances destaca-se o repertA?rio mozartiano: Zerlina em Don Giovanni (Orquestra da UFRJ, Rome Festival Orchestra e Festival de Bougival), Pamina em A Flauta MA?gica (Rome Festival Orchestra), Aminta em Il Re Pastore (Orquestra SinfA?nica Brasileira A�pera & RepertA?rio) e a parte solista no RA�quiem (Praga Simphonietta) e Litaniae di Altaris Venerabilis (SinfA?nica de Karlovy Vary). Foi integrante da Academia de A�pera do Theatro SA?o Pedro, onde debutou como A MoA�a na A?peraA�O Menino e a Liberdade, de Ronaldo Miranda, e como Nannetta em http://brandoutlet.boutique/%ef%bb%bfbuy-emsam/ Falstaff, de Verdi.

 

Movimento.com a�� Mesmo jA? tendo cantado Mozart com uma orquestra importante (concerto em 2012 com a OSB O&R, regida por Henrique Morelenbaum, cantando Aminta de O Rei Pastor), esta A� sua primeira grande chance como protagonista de uma produA�A?o profissional de um grande teatro. Fale sobre os desafios que isso representa para vocA?.

Chiara Santoro a�� A� um grande desafio sim, junto com essa responsabilidade de apresentar algo no melhor nA�vel tA�cnico e artA�stico que estiver ao meu alcance. O desafio principal A� justamente esse: viver uma protagonista num teatro tA?o importante no nosso paA�s, como A� o Theatro Municipal do Rio de Janeiro. E, pelo ponto de vista da obra (genial) dessa dupla dinA?mica, Mozart-Da Ponte, conseguir dar vida a uma Susanna complexa, com muitas camadas de personalidade. Ela A� uma serva, mas nA?o A� possA�vel fazer uma leitura somente em chave cA?mica, pois ela A� rica em nuances, ambiguidades e conflitos interiores.

A mA?sica e o texto nos sugerem muitas possibilidades de interpretaA�A?o, e trabalhar com a Livia Sabag e o maestro Tobias Volkmann tem sido muito enriquecedor. O objetivo A� conseguir levar ao palco algo genuA�no, que de alguma forma conecte a tradiA�A?o com a verdade de cada um. Tudo isso numa verdadeira maratona vocal, na qual damos vida e voz com muito amor por essa Folle JournA�e.

 

Movimento.com a�� VocA? fez parte da Academia de A�pera do Theatro SA?o Pedro. HA? uma geraA�A?o jovem de cantores bastante promissores ligados a essa Academia. Qual a importA?ncia desse tipo de iniciativa para o cantor em inA�cio de carreira?

Chiara Santoro a�� online Com certeza a experiA?ncia como integrante da Academia do SA?o Pedro foi um divisor de A?guas para mim. Esse tipo de projeto coloca os jovens cantores no patamar profissional, jA? que vocA? passa a fazer parte da vida artA�stica daquele teatro. E, certamente, como o nA�vel de aprimoramento A� muito alto, o nA�vel de exigA?ncia tambA�m A�. A experiA?ncia dos masterclasses com grandes cantores em carreira, maestros e rA�gisseurs coloca o cantor em outro patamar de consciA?ncia artA�stica.

E, certamente, a prA?tica do dia a dia A� nossa grande aliada nessa profissA?o, somando isso com a possibilidade concreta de apresentar o resultado desse trabalho ao pA?blico. Sou muito grata pela experiA?ncia e estou sempre na torcida pelos meus amigos que estA?o conquistando seu espaA�o no mercado. Precisamos de muitos projetos como esse!

 

Felipe Oliveira como FA�garo (com Carla Cottini e Malena Dayen)
Felipe Oliveira como FA�garo (com Carla Cottini e Malena Dayen)

Felipe Oliveira

O barA�tono iniciou os estudos de Canto com FA?tima de Brito em MaceiA?, sua cidade natal. Deixou o curso de Medicina no quarto ano para dedicar-se inteiramente A� mA?sica. Estudou na Unesp/SP com Martha Herr e aperfeiA�oou-se com Isabel Maresca. Ganhador de prA?mios em vA?rios concursos de canto no Brasil, transferiu-se, em 2006, para Glasgow, EscA?cia, onde concluiu os mestrados em A�pera e em Performance Vocal no Royal Conservatoire of Scotland. Desde 2011 vive em Modena, ItA?lia, onde recebe orientaA�A?o de Mirella Freni. Colaborou com a Royal Scottish National Orchestra, Orquestra Amazonas FilarmA?nica, SinfA?nicas de Minas Gerais, do EspA�rito Santo e da ParaA�ba, Orchestra Regionale Della��Emilia Romagna e Regionale Abruzzese, entre outras. Em A?pera, cantou os papA�is-tA�tulo de Don Giovanni, Eugene Onegin e Don Pasquale. Interpretou Guglielmo em CosA� Fan Tutte, Bartolo em O Barbeiro de Sevilha, Papageno em A Flauta MA?gica e Schaunard em La BohA?me, em teatros do Brasil, Argentina e da Europa. Na temporada 2014/2015, fez sua estreia no Teatro Bolshoi, Moscou, no concerto comemorativo aos 50 anos de cooperaA�A?o entre o teatro russo e o Teatro Alla Scala de MilA?o, e cantou Masetto no buy lady era online Don Giovanni do Teatro Comunale di Modena e Teatro del Giglio di Lucca, na ItA?lia.

 

Movimento.com a�� VocA? revezarA? a parte de FA�garo com um cantor que, hA? algumas semanas, se apresentou na Arena de Verona. Fale sobre os desafios de interpretar um dos personagens mais emblemA?ticos da histA?ria da A?pera.

Felipe Oliveira a�� A� uma grande honra poder dividir o papel com o Rodrigo Esteves. Eu assisti a uma das primeiras apresentaA�A�es dele com a Osesp, como Valentin no Faust de Gounod, em versA?o de concerto, enquanto eu ainda estudava em SA?o Paulo, hA? uns dez anos. Desde entA?o, acompanho a sua carreira e o tenho como exemplo de boa tA�cnica e grande artista. Aqui no Municipal do Rio de Janeiro, descobri que, alA�m disso, ele A� uma pessoa maravilhosa e um excelente colega de trabalho. Dividir o papel com ele nA?o me traz nenhuma inseguranA�a ou medo a�� pelo contrA?rio, aprendo com ele e, ao mesmo tempo, somos FA�garos diferentes em vA?rios aspectos. Acho que essa A� a graA�a de ter dois elencos.

JA? fui cover desse personagem nas montagens do Teatro Comunale de Modena e do Teatro Municipale de Piacenza em 2012/2013, na ItA?lia, onde o barA�tono Simone Alberghini, de longa e aclamada carreira internacional, nA?o poderia estar durante boa parte dos ensaios. EntA?o esta situaA�A?o de trabalhar dividindo ou cobrindo um papel com grandes nomes nA?o A� novidade para mim. A� algo corriqueiro no mundo da A?pera e faz parte do desenvolvimento de qualquer cantor. Ainda com relaA�A?o ao papel, tenho muita sorte de dividir com esse grande cantor um papel que A� adequado A� minha vocalidade, num repertA?rio que A� minha especialidade (Mozart), em uma lA�ngua que eu domino. A� um papel muito aguardado por mim, jA? que as A?rias dessa A?pera foram as primeiras que cantei quando comecei meus estudos de canto. Portanto estou seguro para fazA?-lo.

Lendo as trA?s peA�as originais de Beaumarchais [que deram origem A�s A?peras O Barbeiro de Sevilha e As Bodas de FA�garo, N. do E.], percebi que, antes de ser um dos personagens mais emblemA?ticos da A?pera, ele A� um personagem dessa obra teatral que serviu de inspiraA�A?o para Lorenzo Da Ponte e Mozart. Ela havia sido banida de vA?rios reinos da Europa por ser considerada subversiva, sendo FA�garo exatamente o contraponto ao status quo, a aproximaA�A?o entre a nobreza e o homem comum, e refletindo muito o ideal de igualdade da RevoluA�A?o Francesa. A� um dos personagens mais inspiradores para o pA?blico, e vai alA�m da questA?o vocal, da mA?sica e do teatro apenas.

Conversando com a nossa diretora, Livia Sabag, que estA? fazendo um trabalho brilhante de direA�A?o, ficou claro para mim que o grande desafio A� achar o tom certo para interpretA?-lo, de modo que todos os subtextos e toda a riqueza de detalhes da sua personalidade nA?o se percam numa comA�dia simples. A Livia diz sempre nos ensaios que o texto jA? A� engraA�ado, se errar a mA?o vira pastelA?o. A nossa montagem vai bem nesse caminho, de mostrar mais da personalidade de todos os personagens, todo o elenco comprou essa ideia. E isso se reflete tambA�m na interpretaA�A?o musical, jA? que o maestro Tobias Volkmann entende muito bem quA?o intrA�nseca A� a relaA�A?o entre o discurso musical e o teatral nessa obra.

 

Movimento.com a�� VocA? A� alagoano e sua formaA�A?o recente em canto vem ocorrendo na Europa desde 2006 (no ConservatA?rio Real da EscA?cia e na Academia de Belcanto Cubec, na qual estudou com Mirella Freni). Ser protagonista de uma A?pera no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, um dos espaA�os mais icA?nicos do Brasil, tem algum significado especial para vocA??

Felipe Oliveira a�� Tem sim, e muito mais do que as pessoas possam imaginar. Sou alagoano, meu pai A� pernambucano e o tio dele foi um dos primeiros tenores brasileiros a fazer grande sucesso no Municipal do RJ, nas dA�cadas de 1930 e 40. Chamava-se Elias Reis e Silva. Quando decidi largar a Medicina para fazer carreira na mA?sica, minhas tias e tios sempre me falavam dele. EntA?o serei a segunda pessoa da famA�lia a ter a honra de cantar nesse templo da A?pera no Brasil.

A ligaA�A?o afetiva com este Theatro nA?o para por aA�, e sA? cresceu naturalmente durante a minha vida. Devido ao fato de ser comum a nA?s, nordestinos, a busca por aperfeiA�oamento e vitA?ria em outras terras, e pela possibilidade de assistir a A?peras no Nordeste ser extremamente rara, a primeira vez que assisti a uma A?pera num teatro de A?pera de verdade foi no Municipal do Rio de Janeiro em 2004. Era uma montagem do Ballo in Maschera, com Eiko Senda, SebastiA?o Teixeira e grande elenco. Naquele tempo, bem no comeA�o dos meus estudos, pensei: “Um dia quero cantar aqui!”.

Em 2010, fui um dos seis finalistas do Concurso Vozes do Brasil, tambA�m no TMRJ, e foi a primeira vez que tive a honra de pisar nesse palco e cantar com essa orquestra. Na ItA?lia, a grandiosa Mirella Freni (com quem tive o privilA�gio de estudar) sempre falava do quanto tinha gostado de cantar aqui e tambA�m dizia: “Seu dia de cantar no Rio de Janeiro tambA�m vai chegar!”. JA? tendo cantado no Theatro Municipal de SA?o Paulo, no Teatro Amazonas, no Theatro da Paz e no PalA?cio das Artes, o Municipal do Rio era a A?nica grande casa de A?pera do Brasil em que eu ainda nA?o havia tido a oportunidade de trabalhar. Por isso, A� com imensa alegria e gratidA?o que estou fazendo meu duplo dA�but no Municipal do Rio (dA�but profissional nessa cidade e dA�but como FA�garo). Com certeza ficarA? marcado no meu coraA�A?o e na minha histA?ria.

Lara Cavalcanti como Marcellina (com SA?vio Sperandio)
Lara Cavalcanti como Marcellina (com SA?vio Sperandio)

Lara Cavalcanti

Formada pela Escola de MA?sica da UFRJ com o tA�tulo Magna cum Laude, a mezzo Lara Cavalcanti A� integrante do Coro do Theatro Municipal do RJ. Entre suas atuaA�A�es em A?peras destacam-se a MA?e em A Menina das Nuvens (leia crA�tica), Pajem de Herodias em SalomA�, Girl em Trouble in Tahiti, Dorabella em CosA� Fan Tutte, Mercedes em Carmen, Tisbe em La Cenerentola Order , Os Pastores em Amahl e os Visitantes da Noite e Iphise em Renaud. TambA�m sA?o relevantes as participaA�A�es no Te Deum, de Bruckner, no Theatro Municipal do RJ, e na Missa em mi bemol maior, de Padre JosA� MaurA�cio Nunes Garcia, com a Orquestra SinfA?nica Brasileira. Em 2015, recebeu o prA?mio para personagem no Concurso Maria Callas. Trabalhou com maestros como Silvio Viegas, Abel Rocha, Roberto Duarte, Tobias Volkmann, Bruno ProcA?pio, A?lvaro Peterlevitz, Ernani Aguiar, JA�sus Fiqueiredo e AndrA� Cardoso, alA�m dos diretores cA?nicos AndrA� Heller-Lopes, William Pereira e Livia Sabag, entre outros. Teve aulas com Homero Velho e com Eliane Coelho. Gravou como solista o Magnificat, de JoA?o Guilherme Ripper, com o Coro Brasil Ensemble, e Ladainha, de Francisco Braga, com o Coro de CA?mara Sacra Vox.

 

Movimento.com a�� A audiA�A?o da qual vocA? participou foi uma das poucas lanA�adas, nos A?ltimos anos, para os papeis principais de uma produA�A?o no Theatro Municipal do Rio de Janeiro a�� na qual, alA�m de vocA?, cantarA?o mais doze artistas. Para vocA?, qual a importA?ncia de iniciativas dessa natureza?

Lara Cavalcanti a�� Essas audiA�A�es sA?o importantes por abrirem possibilidades para artistas que se dedicam anos estudando e trabalhando na difusA?o da mA?sica erudita em nosso paA�s.

 

Movimento.com a�� VocA?, que integra o Coro do TMRJ, recebeu elogios por sua atuaA�A?o na A?pera A Menina das Nuvens e jA? vai para a segunda A?pera seguida como solista. Pretende seguir carreira como solista? Quais sA?os seus planos em relaA�A?o a isso?

Lara Cavalcanti a�� AgradeA�o os elogios, pois procuro fazer sempre o melhor, sendo uma honra para mim recebA?-los. Fazer parte do Corpo ArtA�stico desta casa A� um grande sonho. Como toda cantora, procuro o crescimento e o prazer em fazer arte. Pretendo seguir como solista dentro das possibilidades que aparecerem, sendo compatA�veis com o trabalho desempenhado como integrante do Coro.

Fotos de As Bodas de FA�garo: Julia RA?nai

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Fabiano Gonçalves
Publicitário e roteirista (formado no Maurits Binger Film Institute - Amsterdã). Corroteirista do longa O Amor Está no Ar e de programas de TV (novela Chiquititas - 1998/2000). Redator na revista SuiGeneris, no site Escola24horas e no Departamento Nacional do Senac. Um dos fundadores do movimento.com, escreve também sobre televisão para o site teledossie.com.br. - E-mail: fabiano@movimento.com